Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

"Carrego um chamado"


Carrego marcas que o tempo não levou,
feridas que a infância deixou sem cura,
silêncios que o mundo nunca escutou,
e um coração que aprendeu a ser forte na dor mais dura.


Não sou culpado das sombras que caminham comigo,
sou apenas alguém que tentou ser luz no meio delas.
E mesmo tropeçando no mesmo antigo perigo,
Deus insistiu em me levantar,
como quem recolhe estrelas.


Faltou pai… faltou mãe… faltou abraço.
Mas sobrou presença divina nos espaços vazios,
sobrou Cristo nos cantos do meu cansaço,
sobrou fogo no meio dos meus dias frios.


E quando eu penso que sou nada,
que não mereço, que não carrego talento,
Deus sopra em mim aquela voz calada:
“Filho, Eu faço morada no teu sofrimento.”


Porque o chamado é maior do que o peso que sinto,
é maior do que o erro que insiste em voltar.
E quando Ele me usa, eu só pressinto
que o céu inteiro começa a respirar.


Eu não sou grande,
não sou forte,
não sou perfeito.
Sou só barro nas mãos do Rei.


Mas mesmo assim Ele escolheu meu peito
pra acender um fogo que eu nunca acendi.


E hoje entendo:
não sou culpado,
sou escolhido.
Não por mérito…
mas por graça.


E onde o mundo me feriu,
Deus construiu estrada.

"Corrida da Vida"

Você tá atrasado pra quê?
Ou pra quem?


Corre como se tivesse um destino,
mas nunca parou pra escolher o caminho.
Quer chegar logo,
chegar antes,
chegar primeiro —
mesmo sem saber onde isso termina.


Em algum momento,
você entrou numa corrida que não escolheu.
Só viu todo mundo correndo,
prometendo sucesso, aplauso, dinheiro,
uma casa certa, um carro melhor,
alguém perfeito pra amar.


E você correu.


Corre atrás de um nome,
de um saldo,
de uma vida que parece completa
nas mãos de outra pessoa.


Mas toda vez que chega,
já não é mais ali.
Toda conquista vira ponte,
nunca lugar de descanso.
Você compra o sonho
e já pensa no próximo.


Nem mora na casa.
Nem dirige o carro.
Nem vive o amor.


Só corre.


E quanto mais corre,
menos sente.
Quanto mais tem,
menos aproveita.


No esforço de se tornar alguém,
vai deixando quem você é pelo caminho.
Larga o tempo,
larga o agora,
larga a si.


No fim, você entende tarde:
a vitória nunca foi chegar.
Foi permanecer.
Foi viver.
Foi não abandonar
o que te fazia inteiro.


Mas… fazer o quê?
Hoje o mundo é assim.
Corre, cobra, compara.
Transforma sonhos em metas
e pessoas em degraus.


A gente até percebe,
mas aprende a aceitar.
Diz que é a vida,
que é normal,
que amanhã a gente vive melhor.


E segue.
Cansado.
Vazio.
Chamando de progresso
aquilo que só ensinou a correr.

"Entre Ondas, Conversas e Silêncios"


Houve um tempo
em que nossas conversas não tinham fim,
como o mar diante de nós,
como o vento que passava
enquanto a gente falava da vida.


Na praia,
entre risadas e pensamentos profundos,
você foi me ensinando sem perceber.
Não só sobre a vida…
mas sobre a fé,
sobre esperança,
sobre continuar quando tudo parecia pesado demais.


Tudo que eu entendia sobre caminhar com Deus,
nasceu em muitas daquelas conversas.
Sem púlpito,
sem formalidade,
só amizade…
e palavras sinceras.


Você me ensinou a enxergar além,
a acreditar quando eu não via saída,
a encontrar paz quando tudo dentro de mim
era confusão.


E teve aquele momento…
em que minha mente escureceu,
em que pensei na dona morte,
em que parecia existir apenas um túnel,
frio, silencioso, sem volta.


Mas você estava ali.
Com palavras simples,
com presença,
com amizade verdadeira.


Você me puxou de volta.
Me fez ir para longe daquele túnel.
Me trouxe paz,
me trouxe alegria,
me trouxe de volta para a vida.


E talvez você nunca saiba
o tamanho disso.
Talvez nunca imagine
o quanto foi importante.


Porque não foi só amizade…
foi cuidado,
foi luz,
foi vida.


Hoje,
o mar ainda existe,
as praias ainda estão lá,
mas nossas conversas ficaram no tempo.


E eu sei…
assim como eu guardo cada memória,
você também guarda.


As risadas,
as caminhadas,
as conversas incessantes,
os dias que pareciam simples
mas que hoje carregam tanto significado.


Eu sei que você também lembra…
só escolhe não lembrar.


E isso dói,
porque algumas histórias
não deveriam virar silêncio.


Mas mesmo assim,
tudo que você me ensinou
continua vivo em mim.


Cada passo em paz,
cada momento de alegria,
cada vez que escolho viver…


carrega um pouco
da amizade que tivemos,
das conversas à beira do mar,
e de alguém que,
sem perceber,
me ajudou a voltar para a luz.

Deus teria deixado um manual. A Bíblia. Não como um livro de frases motivacionais ou promessas fáceis, mas como um mapa de funcionamento da condição humana. Um texto que expõe padrões, consequências, limites. Um manual que muita gente carrega sem ler e muita gente lê sem aplicar. E, segundo essa lógica, Deus ainda teria feito algo mais radical. Entrou no próprio jogo. Vestiu um corpo humano. Experimentou fome, cansaço, rejeição, medo. E jogou diante de todos. Esse humano foi Jesus.


Isso muda a leitura da existência. Porque se o próprio criador entrou no jogo e também teve um fim, então o fim não é falha do sistema. É parte dele. O problema não é morrer. O problema é viver como se não fosse morrer. O problema é adiar decisões essenciais achando que haverá tempo. O problema é gastar energia tentando construir uma imagem eterna dentro de um corpo provisório.


Você, homem ou mulher, não escapa dessa matemática. Não importa o quanto produza, o quanto acumule, o quanto seja amado ou odiado. O seu tempo aqui é finito. E isso não deveria gerar desespero, mas foco. A clareza de que cada dia é uma página que não volta a ficar em branco. Você escreve com ação ou com ausência. Ambos contam.


Quando você entende que ninguém além de um círculo muito restrito lembrará de você, algo interessante acontece. A necessidade de provar valor para o mundo começa a perder força. A pergunta muda. Deixa de ser como serei lembrado e passa a ser como estou vivendo agora. Não para aplauso futuro, mas para coerência presente.


Jesus não construiu legado no sentido comum. Ele não trabalhou para ser lembrado. Ele viveu aquilo que acreditava ser verdadeiro, mesmo sabendo que isso o levaria ao fim. E talvez seja aí que esteja o ponto mais desconfortável da história. A ideia de que o sentido não está em durar, mas em alinhar. Não está em permanecer, mas em atravessar com integridade.


Você vive em uma época obcecada por visibilidade. Likes, registros, arquivos, perfis. Tudo precisa ser documentado, compartilhado, validado. Como se o esquecimento fosse a maior tragédia possível. Mas o esquecimento é o destino padrão. O esforço para ser lembrado muitas vezes serve apenas para evitar a pergunta mais incômoda. Estou vivendo de acordo com aquilo que digo acreditar?


O fim chega para todos. Para o anônimo e para o reverenciado. Para o justo e para o injusto. Para quem construiu impérios e para quem mal conseguiu sobreviver. A diferença não está no fim, mas no percurso. E não no percurso externo, mas no interno. No modo como você lida com o tempo que recebeu.


Se Deus criou o jogo, o manual não promete vitória fácil. Promete sentido. Promete direção. Promete que viver com consciência custa, mas viver sem ela custa mais. Jesus não escapou do fim. Ele atravessou o fim. E isso redefine o valor da sua própria travessia.


Você não controla quanto tempo tem. Controla apenas como ocupa o tempo que passa. E isso não exige heroísmo histórico. Exige lucidez cotidiana. Exige parar de viver como se tudo fosse ensaio. Não é. É ato único. Sem replay.


Quando você entende que até o perfeito teve um final, você para de exigir eternidade de si mesmo. Para de adiar vida em nome de uma promessa futura que talvez nunca chegue. Começa a viver com mais presença, menos ilusão, menos teatro.


O fim chega para todos. E justamente por isso, cada escolha importa mais do que parece.

Pequeno Pintor
Uma tela pintada de azul,
Com árvores murchas e frutos azedos,
Os quais não conseguem ser segurados nem pelos dedos,
Um lugar que quem viu mentiu.
Uma moça com olhos cor do âmbar adentrou,
E, no cenário, tudo revirou
E, para a sua surpresa, nada de bom encontrou.
Olhando tristonha aos arredores,
Onde secos eram os rios,
Onde nada tinha fantasia,
Muito menos alegria.
Surpreendeu-se ao ver um jovem pintor segurando o coração
E começou a pensar sobre o que fazer nessa situação.
Carregando toda a meiguice, deu-lhe a mão
Onde o rapaz depositou todas as suas esperanças.
Tirou do peito aquilo que segurava e entregou-lha.
Nesse instante, era ela a sua crença.
A dama indagou-lhe: “Meu pintor, quem te magoou?”
Relutante, devolveu: “Como a notícia te chegou?”
Com simpatia, respondeu-lhe: “No momento em que me entregaste as tuas
crenças, havia proclamado também que desacreditaste da paixão.”
O pintor apenas suspirou: “Oh, não...”.
Os dias se sucederam;
Os pigmentos azulados se perderam.
Desde a chegada da jovem, o Sol tornou a ficar amarelado;
Depois de ele por ela ser amado.
Os luares, agora, teciam a sua felicidade;
Os risos abertos e barulhentos compunham parte do seu dia,
Enquanto, de perto, a via.
A esta altura, já estava familiarizado com a nova realidade.
A sege desenhada os levava perdidamente.
Ambos não tinham lugar destinado.
Finalmente, soltou-lhe aquilo de diferente.
A amada, moldada pela alegria, disse que, por ela, era amado.
No dia seguinte, encostou-se no Pintor
E tirou-lhe a dor.
Para ela, o mundo prosseguiu,
Enquanto, para ele, parou.
Acordado, encontrava-se sem a deusa da sua benção.
Próximo ao chão, chorava as lágrimas de Adão.
Arrastando-se, tentou pegar-lhe o pé,
Mas, dela, só recebeu um pontapé.
Berrando, clamou pelo vulto do espírito;
Porém deste já estava restrito.
Pobre coitado.
O azul reapareceu;
Sua amada desapareceu,
E ele, por ninguém mais, era amado.

Estou mal e não sei por quanto tempo mais hei de ficar assim; estou apático e desinteressado por qualquer cousa, como se minha vida tivesse deixado de existir; tudo se tornou um peso o qual, quando colocado sobre minhas costas, tem as suas dimensões e, consequentemente, a massa aumentadas.
Vós leitores desentendidos, não tendes capacidade de compreender essa vastidão que me assola diariamente.
Leitores, se vós, amigos meus de longa data, encontrásseis alegria na existência, e se estiver vivo no anúncio dessa descoberta, clamai pelo meu vulto, que correrei até vós e vos abraçarei de todo o coração.
Caso esteja desacordado no interior de uma caixa de madeira, abri-a e cutucai-me com palavras que minha querida amada, na época da mocidade, costumava dizer. Com isso, hei de acordar e saudar-vos múltiplas vezes a fim de demonstrar-vos a minha mais pura gratidão.
Benzerei-vos e, depois de algum tempo, voltarei para me deitar, pois a minha juventude já se foi há muito tempo; foi-se com a partida de um certo alguém.

Eu poderia te desejar coisas comuns hoje…
mas você nunca me pareceu alguém comum.

Existe algo em você que não passa despercebido, não pela aparência, mas pela presença… pela forma como você ocupa o mundo e, de algum jeito, também ocupa os outros.

Eu poderia dizer que admiro isso, e seria verdade.
Mas não seria tudo.

Porque a verdade é que existe algo em você que me puxa… com uma sutileza que não pede licença, mas permanece.

E talvez seja isso que te torne tão difícil de ignorar.

Feliz aniversário.
Que o tempo seja gentil com aquilo que você é…
e que a vida nunca te faça menor do que o impacto que você causa.

No Centro do Caos, Nós

Pensando aqui… aqueles que estão no poder não têm poder; são apenas figuras meramente ilustrativas. De um lado, humanos agindo como demônios; do outro, demônios tentando ser humanos — e, no centro, estamos nós.

Nosso mundo está infestado de máscaras. Há, assim, muitos “mortos” se deliciando no mundo dos vivos, tentando corroer a decência humana. E eu, aqui, sigo no meu próprio ritmo, mesmo que, muitas vezes, precise enxugar o choro ao presenciar tantas injustiças.

E como não falar das vezes em que, escondida nas entranhas do universo, está lá a senhora mentira, representando os desejos não realizados de muitos? A nossa luta é tão intensa que, de repente, nos vemos como sombras escondidas na luz. O cansaço domina, e então paramos — não porque nos faltem armas, mas por falta de esperança, por duvidarmos se ainda vale a pena.

E, com isso, a vida de cada um vai passando lentamente por entre nós, provando que, mesmo assim, em sua perfeição imperfeita, a vida é linda… e vale, sim, vale muito a pena.

Feridas que Ainda Sentem…

Há corações que são como homens de guerra: desconfiados, explosivos e, no impulso, atiram em quem quer que seja. Lutam tanto por estratégia e nada deixam ao acaso. Saem das batalhas cansados, machucados.

E, quando surge um novo alvo, às vezes levantam a bandeira branca ou se escondem — não por estratégia, mas por cansaço, por não acreditarem mais.

Então, quando se conhece um coração cheio de cicatrizes, que não pode ser comprado, tudo o que eu quero é oferecer muito amor a esse coração machucado.

Um só, um todo.

Andando pela noite, sob a luz negra, você apareceu — luz brilhante que a vida me deu — e feliz fiquei. Leves lágrimas de diamante desceram para prestigiar a felicidade estampada em mim.

Então, dê-me a sua mão: somos um só, um todo. Nossos olhos conversam e, entre sorrisos e abraços, emitem códigos de amor. Corro até você, sentindo-me com asas, uma sensação que só o amor pode dar.

Você é um amor único, que só eu conheço.

Amor não se dissolve

Sempre pedi ao universo um amor puro e verdadeiro, justo e transparente.
Mas eu me negaria a receber um amor líquido — que Deus me proteja —, pois esse tipo de amor inconsequente seca minha garganta, cega meus olhos, gela meu corpo e sela minha boca.

Esse amor sem compromisso, leviano, não flui em mim.
Prefiro os toques que permanecem, os beijos que acalentam e os abraços que aquecem — algo duradouro, de verdade.

E viva a força do amor.

Olhos rasos

Não se deslumbre com os olhos de quem só enxerga beleza no que já é considerado belo. Há quem seja capaz de encontrar o belo até naquilo que muitos chamariam de imperfeito.

Isso porque, um dia, o tempo leva tudo — inclusive aquilo que você julga ser o mais importante: o seu corpo.

Mas acredite: existem olhares que apenas veem… e existem aqueles que escolhem, cuidadosamente, encantar-se com a beleza que o tempo amadurece.

O jardim que silenciou

Dizem que, quando se está amando — quando o amor está no ar e há muito amor para dar e compartilhar — nascem flores no coração. Olho para trás e sinto saudades do meu jardim.

Fico imaginando como seria a felicidade de viver em um mundo florido, deliciando-se com fragrâncias que adentram a alma.

Fico imaginando e questionando por que, hoje, as flores já não nascem como antes — em qualquer espaço, em qualquer lugar, em qualquer jardim, rio ou mar, em qualquer estrada desta nossa vida. Elas estão morrendo.

Fico imaginando por que há tantos espaços concretizados, onde as flores não crescem; mesmo querendo se propagar, elas são silenciadas.

Fico imaginando quantas flores machucadas, presas em correntes invisíveis, existem nos lugares mais improváveis. Porque, hoje em dia, infelizmente, embora algumas ainda cresçam, sempre haverá, infiltradas no jardim, ervas daninhas.

Amor rarefeito…

Você é genial. Você me tocou com esse amor rarefeito.
Na minha opinião, eu deveria pedir socorro, porque cada vez que te vejo quase morro um pouco de desejo.

Mas, quando a noite chega, eu só quero pegar conchinhas com você e dormir sob o canto das estrelas. E, no dia seguinte, da janela, ver o seu sorriso dizendo que me ama.

Meu mundo agora está no branco.
Nunca gostei de amor mediano, pois nunca foram inteiros nem intensos.
Bem, você é demais.
Não se esqueça de que somos um amor mais que perfeito.

Você tem razão: voar para o mundo e pedir mais de você.
Mas para que fazer isso se você não está lá?

Amor ceifado não vale, até porque as cinzas não se levantam, não sentem, não abraçam.

Esse amor rarefeito…
Na minha opinião, vou pedir socorro.
Você tem razão: vou voar pelo mundo e pedir mais de você.

Fragmentos de um Amor

O amor tem vários cenários, como em um filme de cinema: alguns terminam com “felizes para sempre”; outros perguntam “onde você está neste momento?”; há ainda aqueles que decretam “sua vida termina aqui”. E existem muitos, muitos outros cenários, nos quais somos todos atores do filme chamado Vida.

O amor nos faz gente, mais humanos. Faz-nos felizes, capazes de sorrir no silêncio e encontrar graça em tudo. Esse é o lado bom — o cenário de que mais gosto.

O amor me faz sorrir com os olhos marejados, a voz embargada e o corpo trêmulo.

Mas há o outro lado: quando tudo dá errado, tudo perde a cor. Hoje estamos aqui, alegres, rindo e gargalhando; amanhã, somos apenas um borrão.

Os meus “Às vezes”

Às vezes,
quando procuro respostas, quero pensar, meditar ou me inspirar, fecho os olhos e uma luz forte clareia tudo. Então percebo que estou em outro ambiente, ou no reverso de onde estou.

Às vezes,
imediatamente após esse efeito, as dúvidas espairecem, as respostas vêm e as poesias aparecem como uma fonte em 3D, como vento em dia de sol. Tudo é esclarecido, tudo clareia, tudo se torna fácil.

Às vezes,
percebo que a fonte da felicidade não está lá fora, onde tantos procuram, mas sim dentro de mim.

Às vezes,
acho que a claridade é bênção e, em outras vezes, acho que é loucura.

Entenda: os “às vezes” em minha vida ainda são dúvidas não sanadas.

Quando o Jardim silencia

Sempre que olho para um jardim cujo cuidador não tem a nobreza de podar, mexer a terra, adubar e nem mesmo regar, sinto-me triste; um arrepio atravessa-me diante da delicadeza de uma flor negligenciada.

Ao vê-las assim, é como se estivessem doentes, tristes, chorando de dor e sede. Eu também me entristeço — é como ouvir seu lamento por não poderem correr em busca de socorro.

Acredito que a empatia deve estar acima de tudo, diante da essência e da beleza da nossa natureza.

Além das rimas

Certa vez, perguntaram-me por que eu quase não usava rimas em minha escrita. Então, pensei em uma resposta plausível:

A vida é linda, amiga. Mas, se você não tem a essência de enxergá-la, mesmo quando ela não se apresenta de forma explícita no agora, então me desculpe, querida… você ainda não chegou lá.

Silenciaram a voz, não a verdade
🇧🇷 Justiça para Yu Menglong 🇧🇷

Entre luzes e brilhos, deixei-me levar pela crença de que no mundo existiam seres humanos e anjos.
Meus olhos foram cegados para a maldade humana. Acreditei na amada e nos amigos que diziam ser.

Meu desejo era apenas viver a felicidade de cantar e atuar, assim como cuidar do bem-estar da minha família.

Cordas invisíveis da maldade mantiveram meu corpo preso em uma rede de perigo e horror que eu não acreditava existir. Meus gritos foram abafados entre risadas e danças maquiavélicas. Quando abri os olhos e tentei mandar sinais, mesmo com os machucados camuflados na pele, já era tarde demais.

Levaram dentes, pele, pedaços de mim e até minha dignidade. Ceifaram minha vida acreditando que eram deuses e que o Deus da justiça não os atingiria.

Agora, sentado no maior pódio que o universo tem e brilhando como uma estrela — pois sou uma — assistirei até que a justiça seja feita.

🇧🇷 Justiça para Yu Menglong 🇧🇷

Pessoas Queridas

Demétrio Sena - Magé

Jamais entendi a prática dos monossílabos entre pessoas próximas. Daquele falar meio entre dentes, onde ambos os interlocutores estão sempre ansiosos para se livrar um do outro. Entretanto, são pessoas ditas queridas. Queridas, mas impacientes entre si. Queridas, mas distantes, apesar da proximidade; queridas, mas fanáticas por uma privacidade árida que as torna velhas desconhecidas da vida inteira... ou de longas e arrastadas datas.
Pessoas realmente queridas não se falam apenas o essencial. Não estão apenas para o que der e vier, nas horas cruciais, onde uma precisa da outra para não morrer. Esse não só falar, mas também só fazer o essencial e urgente, pode até ser providencial, mas não é revelador do afeto narrado nas conversas mais animadas com "os de fora". Nos assuntos comuns em ambientes de trabalho, quando exibimos nossa sensibilidade humana.
O essencial entre pessoas próximas é não o sermos apenas no obrigatório; no que seríamos com qualquer ser humano, só porque somos humanos. Considero essencial a convivência fluente e ininterrupta nas questões e não questões; no essencial e no fútil. Convivências seletivas (quando entre pessoas queridas existem preferências) criam elites e guetos, como se faz na sociedade aberta. Pessoas queridas se misturam. De igual para igual.
Isto serve, inclusive (talvez principalmente) para mim.
... ... ...

Respeite autorias. É lei