Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

A Sabedoria das Águas Eternas


Você, que está em algum lugar deste mundo vasto e indiferente,


Já não sei mais como te definir. Talvez sejas apenas um vestígio, algo que subsiste além do tempo, à margem de qualquer entendimento humano. Não é um sentimento que se explique, nem uma afinidade que se cultive momentos antes do primeiro suspiro.


Habitas no silêncio pesado dos meus dias, no abismo vazio que se abre entre um pensamento e o próximo. Estás presente na minha falsa calmaria e na minha tempestade interior; és o motivo do sorriso que morre antes de nascer e a saudade que se recusa a me abandonar.


O tempo passa devastando tudo o que é superficial, mas não conseguiu tocar no que já nasceu eterno. Talvez continues sendo a única possibilidade de paz e, ao mesmo tempo, o meu caos mais devastador e belo. És a primeira ausência que grita no meu peito quando a vida se torna insuportável, e o último vestígio que insiste em ficar, mesmo quando tento esconder o que deveria ser esquecido na imensidão dos meus pensamentos.


Não busco a compreensão do mundo. O que há entre nós é sagrado e não requer justificativas; basta a dor e a beleza de ser sentido. Porque o laço que aperta as essências não é feito de carne ou promessas: é feito da trama inquebrável do destino.


E, se houver mil existências angustiantes, mil caminhos tortuosos, mil finais trágicos, em cada um deles, ainda assim, eu buscaria você.

Tem gente que olha para mim hoje, tomando café, rindo de alguma bobagem da vida, e pensa que eu sempre fui assim, meio serena, meio resolvida, como se tivesse nascido pronta. Eu quase rio sozinha porque, se a vida fosse um livro, o pessoal só está vendo a última página, aquela em que a protagonista aparece com o cabelo arrumado e a alma aparentemente organizada. O que ninguém imagina é o capítulo inteiro de infância e adolescência que parecia mais um teste de resistência do que uma vida de verdade.

Eu cresci com meus irmãos dentro de um ambiente que não era casa, era uma espécie de clima pesado que andava pelos cômodos como se tivesse endereço fixo. A gente era criança tentando entender o mundo enquanto lidava com dois adultos completamente desequilibrados emocionalmente. Um pai violento que tinha uma habilidade curiosa de transformar qualquer coisa em culpa nossa. Se chovia, era culpa nossa. Se o dia estava silencioso demais, também. Existia sempre uma justificativa pronta para gritos, ameaças e aquelas situações que fazem a infância envelhecer antes da hora.

Do outro lado estava uma mãe que, em algum ponto da história, deixou de ser só alguém com medo e acabou virando parte do problema. Isso é uma coisa que a gente demora anos para compreender, porque criança sempre tenta salvar a imagem dos pais dentro da própria cabeça. Só que chega um momento em que a realidade se senta na mesa e diz com toda calma do mundo que o silêncio também machuca. Ela teve chances de sair, teve ajuda, teve portas abertas. Mas o medo e uma certa doutrina rígida que dizia para suportar tudo acabaram fazendo com que ela se juntasse a ele de um jeito que doía ainda mais. A gente deixou de ser filho e virou inimigo dentro da própria casa.

É estranho contar isso hoje porque, quando as pessoas nos veem, veem adultos que trabalham, conversam, seguem a vida. Não existe marca visível na testa dizendo sobrevivente de um caos familiar. Mas nós sabemos. Entre nós, irmãos, existe um tipo de olhar que dispensa explicação. A gente sabe exatamente de onde o outro saiu. Crescemos quase como quem atravessa um campo minado emocional, aprendendo a sobreviver antes de aprender coisas simples da vida.

Houve momentos em que parecia que aquilo ia nos transformar em estatística, em mais um daqueles casos que as pessoas comentam na televisão com cara de surpresa e depois esquecem no intervalo comercial. A pressão psicológica constante, as agressões, as ameaças, tudo isso cria uma sensação estranha de viver dentro de um lugar que não deveria existir para crianças. Era como estar preso em um tipo de campo de concentração familiar, onde o objetivo parecia ser nos quebrar por dentro até a gente acreditar que realmente éramos os vilões que eles diziam.

Só que existe uma coisa curiosa sobre o ser humano. Às vezes a tentativa de destruição acaba criando exatamente o oposto. Hoje, quando olho para mim e para meus irmãos, vejo pessoas que conseguiram sair das amarras de dois narcisistas que fizeram de tudo para controlar nossas vidas. E não foi uma fuga cinematográfica, cheia de trilha sonora heroica. Foi lenta, silenciosa, cheia de decisões difíceis, medo, noites pensando se aquilo tudo realmente estava acabando.

Quem nos vê agora não imagina metade das batalhas que aconteceram antes desse momento. Mas nós sabemos. E existe uma dignidade muito silenciosa em sobreviver a algo que quase nos apagou do mundo. A gente não virou o que eles diziam que viraríamos. Não nos transformamos na história distorcida que tentaram escrever sobre nós.

No fim das contas, quando sento para pensar nisso tudo, percebo uma coisa curiosa. Sobreviver não é só continuar respirando. Sobreviver é olhar para trás e perceber que, apesar de tudo que tentaram plantar dentro da gente, ainda existe humanidade, ainda existe vontade de viver, ainda existe futuro. E isso, sinceramente, é algo que ninguém que viveu uma infância tranquila consegue entender completamente.

Mas nós entendemos. E isso já diz muita coisa.


ALINNY DE MELLO



CONHEÇA MEU TRABALHO, através do link do perfil!! ❤️ 😘

Se existe um dilema que acompanha o Direito desde suas origens, é a tensão entre seguir a forma e alcançar o que se entende como justo.

Essa tensão não é um problema recente. Ela aparece desde os sistemas jurídicos mais antigos e continua viva no cotidiano de qualquer operador do Direito. De um lado, o formalismo garante previsibilidade, segurança e estabilidade. De outro, a busca por justiça exige sensibilidade, interpretação e, muitas vezes, certa flexibilidade diante do caso concreto.

Na prática, o Direito vive exatamente nesse equilíbrio instável.

O formalismo jurídico cumpre uma função essencial. Ele organiza o sistema, estabelece regras claras e limita arbitrariedades. Sem forma, o Direito se tornaria imprevisível, dependente exclusivamente da vontade de quem decide. É a forma que impede que decisões sejam tomadas de maneira puramente subjetiva.

Mas o excesso de formalismo pode gerar um efeito colateral importante: decisões tecnicamente corretas que parecem, sob a ótica humana, desconectadas da realidade.

Essa tensão aparece de maneira muito clara em situações processuais em que um detalhe formal pode impedir o exame do mérito. Para alguns, isso representa rigor necessário. Para outros, uma barreira que impede o acesso efetivo à justiça.

Aqui, vale lembrar que o Direito não existe em um vácuo. Ele está inserido em uma realidade social concreta, onde pessoas lidam com conflitos reais, expectativas frustradas e consequências práticas. É nesse ponto que a ideia de justiça ganha relevância.

Uma referência clássica para pensar essa tensão é a obra de Antígona. No conflito entre Antígona e Creonte, temos de um lado a lei do Estado, representada pela ordem formal, e de outro um senso de justiça que transcende a norma escrita. A tragédia não resolve a tensão, mas a expõe de forma profunda: seguir a lei nem sempre elimina o conflito moral.

No mundo moderno, essa discussão ganha novas camadas.

Autores como Lon L. Fuller destacaram que o Direito não é apenas um conjunto de comandos, mas um sistema que depende de certas qualidades internas, como coerência, clareza e aplicabilidade. Para ele, existe uma moral interna do Direito que precisa ser preservada para que o sistema funcione adequadamente. Isso mostra que o formalismo, por si só, não é neutro, ele precisa servir a um propósito maior.

Por outro lado, a busca por justiça também não pode ignorar completamente a forma. Se cada decisão fosse tomada apenas com base em percepções subjetivas de justiça, o sistema perderia consistência e previsibilidade. O Direito deixaria de ser um instrumento de organização social para se tornar um conjunto de decisões casuísticas.

É nesse ponto que a tensão se torna produtiva.

Na prática jurídica, essa dualidade aparece o tempo todo. Um advogado precisa saber quando insistir em um argumento estritamente formal e quando construir uma narrativa que evidencie a justiça material do caso. Um juiz, por sua vez, precisa equilibrar a aplicação da norma com a análise das circunstâncias concretas.

Essa dinâmica pode ser comparada, em termos culturais, a um bom romance realista, como os de Machado de Assis. Em obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas, não há respostas simples ou absolutas. As situações são construídas a partir de ambiguidades, contradições e nuances humanas. Da mesma forma, o Direito lida constantemente com casos que não se resolvem apenas pela aplicação mecânica de regras.

Outro ponto relevante é que o formalismo muitas vezes funciona como um filtro institucional. Ele impede que decisões sejam tomadas de forma arbitrária ou influenciadas por fatores externos indevidos. Nesse sentido, a forma protege a própria ideia de justiça, ao garantir que casos semelhantes sejam tratados de maneira semelhante.

Ao mesmo tempo, quando aplicada de forma rígida e descontextualizada, a forma pode se afastar do seu objetivo original. É nesse momento que surge a percepção de injustiça, mesmo quando a decisão está tecnicamente correta.

Essa tensão também pode ser observada em sistemas processuais contemporâneos, onde princípios como razoabilidade e proporcionalidade passaram a ter maior relevância. Eles funcionam como ferramentas que permitem ao intérprete dialogar com a norma, sem romper completamente com o formalismo.

Na prática, o profissional do Direito precisa desenvolver uma espécie de sensibilidade dupla.

De um lado, dominar a técnica, compreender regras, prazos, procedimentos e estruturas formais. De outro, ter capacidade de interpretar o caso concreto, entender os interesses envolvidos e construir soluções que façam sentido não apenas juridicamente, mas também do ponto de vista humano e social.

Talvez a melhor forma de enxergar essa tensão não seja como um conflito a ser resolvido, mas como um equilíbrio a ser administrado continuamente.

O formalismo garante que o Direito exista como sistema. A busca por justiça garante que ele permaneça relevante para a vida das pessoas.

E é exatamente nessa interseção que a atuação jurídica ganha profundidade.

Quando se fala em advocacia, muita gente ainda pensa apenas na ideia clássica de “defender um cliente” em um processo. E isso, embora não esteja errado, é uma visão incompleta.

No mundo contemporâneo, a advocacia assume um papel que vai muito além da atuação individual em conflitos. Ela se posiciona como um elemento de equilíbrio dentro da sociedade, funcionando como uma ponte entre o cidadão, o Estado e as estruturas jurídicas que organizam a vida em comunidade.

Na prática, isso significa que o advogado não atua apenas como representante de interesses privados. Ele também exerce uma função que impacta diretamente a forma como o Direito é aplicado, interpretado e vivenciado na realidade social.

Se pensarmos com um pouco mais de profundidade, o Direito só faz sentido porque organiza relações humanas. E a advocacia é uma das engrenagens que mantém esse sistema em funcionamento. Sem a atuação do advogado, muitos direitos permaneceriam inacessíveis, não por inexistirem, mas por falta de efetividade prática.

Existe aqui um ponto que muitas vezes passa despercebido no início da formação jurídica. O acesso à justiça não é apenas uma questão formal. Não basta que o Direito exista no papel. É necessário que ele seja compreendido, invocado e aplicado de maneira concreta. E o advogado é um dos principais responsáveis por transformar normas abstratas em soluções reais para problemas concretos.

Nesse sentido, a função social da advocacia está diretamente ligada à concretização de direitos.

Quando um advogado orienta um cliente, ele não está apenas prestando um serviço técnico. Ele está ajudando alguém a compreender sua própria posição dentro do sistema jurídico. Quando elabora uma peça, ele não está apenas redigindo um documento. Ele está participando da construção de uma decisão que pode impactar a vida de pessoas, famílias ou organizações.

Essa responsabilidade exige mais do que conhecimento técnico. Exige consciência do papel que se ocupa dentro da sociedade.

Se olharmos para obras clássicas que tratam da condição humana e das relações sociais, como os romances de Dostoiévski, percebemos que os conflitos humanos raramente são apenas jurídicos. Eles envolvem moral, contexto social, limitações econômicas e dilemas existenciais. O Direito, nesse cenário, funciona como uma tentativa de organizar e dar resposta a essas tensões. A advocacia, por sua vez, atua como mediadora entre essas complexidades e a estrutura normativa.

No mundo contemporâneo, esse papel se torna ainda mais relevante.

Vivemos em uma sociedade marcada por relações cada vez mais complexas, por mudanças rápidas e por uma crescente judicialização de conflitos. Nesse contexto, o advogado precisa não apenas dominar normas, mas também compreender dinâmicas sociais, econômicas e comportamentais.

A função social da advocacia também se manifesta na preservação do equilíbrio institucional. Ao atuar dentro dos limites éticos e legais, o advogado contribui para a legitimidade do sistema de justiça. Ele ajuda a evitar abusos, garante que as partes sejam ouvidas e assegura que decisões sejam tomadas com base em um contraditório efetivo.

Isso significa que a atuação do advogado tem impacto não apenas no caso específico, mas no funcionamento do sistema como um todo.

Outro aspecto importante é o papel do advogado na redução de assimetrias.

Nem todos os indivíduos possuem conhecimento técnico suficiente para compreender plenamente seus direitos e obrigações. O advogado atua justamente como um agente que reduz essa desigualdade informacional, permitindo que mais pessoas tenham condições reais de acessar a justiça e tomar decisões conscientes.

Na prática, isso se traduz em orientar corretamente o cliente, explicar cenários possíveis, apontar riscos e sugerir caminhos viáveis. É uma atuação que combina técnica com responsabilidade social.

Também vale destacar que a advocacia contemporânea exige uma postura mais ampla do que no passado. Não basta ser apenas um operador técnico do Direito. É necessário desenvolver habilidades de comunicação, empatia, análise estratégica e compreensão do contexto em que o cliente está inserido.

No fim, a função social da advocacia não é algo abstrato ou distante da prática. Ela está presente em cada atendimento, em cada orientação, em cada peça e em cada decisão tomada pelo profissional.

Talvez a forma mais simples de resumir essa ideia seja a seguinte: o advogado não atua apenas para resolver problemas individuais, mas também para contribuir com a manutenção de um sistema que busca organizar a convivência social de maneira justa e funcional.

E quanto mais consciente o profissional estiver desse papel, maior tende a ser não apenas a qualidade da sua atuação, mas também o impacto que ele é capaz de gerar ao longo da sua carreira.

Caso deseje bater um papo mais aprofundado sobre isso, poste um comentário e eu entrarei em contato com você.

A amizade deve ser cultivada por todas as partes:
Enquanto um planta o outro rega as sementes.
Se um só trabalhar, poderá vir o cansaço, o desânimo e a morte do jardim.
Mas ainda haverá esperança: mesmo com a jardim abandonado, morto, se o terreno for bom e fértil, basta a iniciativa para um plantar, o outro regar e recomeçar!

Poema musicado
Nildinha Freitas
Eu e você, Alê


Olha bem para o amor da gente
Olha como ele aconteceu! ?
Quem imaginaria juntar você e eu?


Estávamos
separadas pela linha do horizonte,
ainda assim o destino
Nos juntou.


Sei lá, talvez tenha sido amor,
desde antes de ser
Como você sempre me diz :
tinha mesmo que acontecer!


A gente se encontrou na hora certa,
depois de tanto esperar ter paz
e eu não tive medo de insistir em ficar.
Não que fosse preciso fazer isso,
é porque eu sabia
que tinha ali a conjugação do verbo amar.
E você também me queria, eu sei,
só que não sabia dizer,
não sabia expressar.


Foi acontecendo, acontecendo…
até que, de repente,
já éramos morada uma da outra.


E esse amor
Não é unilateral
Ele se revela
nos detalhes,
no zelo
E quando a gente se olha e diz :
vai ficar tudo bem no final!


Nosso encontro aconteceu
Agora é você, e essa sou eu.


Eu já não consigo imaginar
seguir minha vida sem teu abraço,
sem teu sorriso no final do dia,
sem nossas gargalhadas assistindo The Big Bang Theory


Com ou sem medo, a gente vai,
porque no final do dia a gente se tem.
Nosso amor só aconteceu
É amor entre eu e você Alê

Na maioria das vezes, o que nos falta não é o pão, mas o alimento para o espírito. Os difíceis existirão, com ou sem Deus, mas é com ELE que aprendemos a ter paz em meio às tempestades
Que possamos refletir sobre aquilo que verdadeiramente nos sustenta, não apenas no corpo, mas, sobretudo, na alma.

A confiança pode ser tão forte quanto uma pedra de diamante, ou tão frágil quanto uma taça de cristal…


Todo aquele que a merece não precisa se esforçar para continuar merecendo, pois sua essência já sustenta o que construiu.


Mas, uma vez que se desvia dela, seja por qualquer motivo, não é o tempo que a restaura, e sim a verdade, a constância e a coragem de reconstruir aquilo que foi quebrado.

Amei-te muito.
Esperei de tudo um pouco,
dei muito de mim,
minha pele, meu suor,
minhas palavras sussurradas,
dias e noites fui tua ,
minha alma,
meu coração,
dei meu perdão,
pedi perdão ,
mantive quietinha as palavras delicadas,
mantive cerrados lábios recém beijados,
coração e pés gelados.

Te conto uma coisa que às vezes me pega no meio do dia, quando estou fazendo algo banal como mexer numa xícara ou olhando a janela sem motivo nenhum. Eu paro e penso que já não reconheço mais aquela pessoa indecisa que eu era. Parece até estranho falar assim, como se eu estivesse descrevendo uma conhecida distante, alguém que já dividiu a mesma casa comigo dentro da cabeça, mas que hoje mora em outro endereço emocional. E não foi uma mudança organizada, dessas que a gente planeja numa agenda bonita. Foi no meio do caos mesmo, naquele período meio insano da existência em que tudo parecia acontecer ao mesmo tempo, como se o universo tivesse resolvido testar a resistência da minha alma numa maratona que eu nem sabia que estava inscrita.

Houve dores que eu não tinha vocabulário para explicar. Aquelas que não cabem em frases simples, que fazem o corpo cansar antes mesmo do dia começar. E houve acontecimentos imprevisíveis, daqueles que chegam sem pedir licença, quase arrancando o fôlego da vida, como se o ar ficasse curto por dentro. Eu lembro de pensar, em alguns momentos, que talvez eu estivesse atravessando uma daquelas fases em que o mundo fica meio opaco, meio silencioso demais, e a gente começa a sentir a fragilidade dos dias como quem segura um copo de vidro muito fino. Qualquer movimento parece arriscado.

E tem algo que pouca gente fala com calma. Quando a doença passa perto da gente, ou quando o corpo decide lembrar que é limitado, os dias ficam diferentes. Existe uma melancolia leve pairando no ar, uma espécie de reflexão constante que chega sem ser convidada. O relógio parece ter outra lógica. O tempo ganha peso. Eu comecei a observar coisas que antes passavam despercebidas, como o valor de simplesmente respirar fundo e perceber que ainda estou aqui, ainda existindo nesse caos organizado que chamamos de vida.

Só que, curiosamente, foi exatamente ali, naquele cenário meio turbulento, que eu comecei a me encontrar. É quase paradoxal. Enquanto tudo parecia instável, alguma coisa dentro de mim começou a ficar mais firme. Como se a vida estivesse dizendo, com aquele tom filosófico que às vezes ela usa sem avisar, que viver não é um caminho reto e confortável. Viver é esse conjunto de provas inesperadas, dessas experiências que nos desmontam um pouco para depois nos reorganizar de um jeito mais verdadeiro.

Hoje, quando penso naquela versão indecisa de mim, eu não sinto vergonha nem vontade de negar que ela existiu. Eu olho com certa ternura, na verdade. Aquela pessoa estava tentando sobreviver com as ferramentas que tinha na época. E agora eu percebo que tudo aquilo, até as dores e os momentos em que eu quase perdi o fôlego emocional, foram parte do processo de me tornar mais humana. Mais consciente, talvez. Mais real.

Porque ser humana não é ser forte o tempo todo. É atravessar fases frágeis, sentir a melancolia de alguns dias, aprender com o próprio corpo e com as surpresas da vida. E mesmo assim continuar caminhando. Não perfeita, não invencível, mas mais inteira do que antes. Às vezes eu até sorrio sozinha pensando nisso, como quem descobre que a própria história, apesar de bagunçada, faz um sentido bonito no final das contas.


Acesse o link do perfil, e leia mais conteúdo como esse... Você pode se surpreender 🥰❤️

Tem um momento curioso da vida em que a gente percebe que algo mudou, mas não houve fogos de artifício, nem anúncio no alto-falante do universo. Simplesmente aconteceu. Um dia eu acordo, preparo um café qualquer, desses que parecem conversar com a gente enquanto sobe o cheiro pela cozinha, e percebo que aquilo que antes pesava no peito já não ocupa tanto espaço. Não é esquecimento, não é indiferença, é outra coisa. É como trocar um móvel enorme de lugar e descobrir que a sala respira melhor.

Eu lembro de quando certas lembranças doíam como quem pisa descalça em pedra quente. Tudo parecia recente demais, vivo demais, quase insolente. O passado às vezes se comporta como visita inconveniente, entra sem bater, senta no sofá da memória e ainda pede atenção. E eu, naquela época, ficava olhando para dentro de mim como quem procura um botão de desligar emoções. Não achava. A vida, sábia e meio irônica, nunca entrega manual de instruções.

Mas então chega um tempo. E esse tempo não avisa que chegou. Ele se instala devagarinho, como luz entrando pela janela no final da tarde. O que antes era ferida aberta vira cicatriz. E cicatriz é uma coisa interessante, ela não some totalmente, mas também não manda mais na história. Eu olho para trás e penso que sobrevivi a mim mesma. Parece filosófico demais para uma sexta-feira comum, eu sei. Ainda assim é verdade.

Existe um tipo de silêncio que aparece quando a dor se transforma em superação. Não é o silêncio do vazio, é o silêncio da paz. Como se o coração finalmente sentasse numa cadeira confortável depois de caminhar quilômetros carregando malas que nem eram dele. E aí eu percebo que muita coisa ficou para trás não porque eu quis forçar, mas porque simplesmente deixou de me pertencer.

É estranho como a gente acredita que algumas dores vão morar para sempre dentro da gente, pagando aluguel emocional atrasado. Só que a vida tem essa mania de renovar contratos internos sem pedir opinião. Quando vejo, já não dói. E não doer mais não significa que não importou. Significa que eu cresci o suficiente para não sangrar toda vez que a memória passa.

Eu gosto de pensar que superar é um tipo de maturidade silenciosa. Não é aquela pose de quem venceu tudo, até porque ninguém vence tudo. É mais como quem aprendeu a caminhar sem tropeçar nas mesmas pedras. E quando olho para frente agora, existe um espaço novo dentro de mim, um espaço que antes era ocupado por perguntas, culpas e saudades que machucavam.

Hoje esse espaço virou paz. E paz, descobri, não é ausência de história. É presença de entendimento. É seguir adiante com o coração mais leve, quase sorrindo para o próprio passado, como quem diz obrigada por tudo, até pelo que doeu, porque no final das contas foi justamente isso que me ensinou a continuar.

A violação dos direitos humanos é uma realidade dolorosa que se repete a cada minuto. Para transformar esse cenário, precisamos conhecer nossos direitos e deveres, entendendo os limites da nossa liberdade e a do próximo. Com essa consciência, construiremos uma convivência mais harmoniosa e evoluiremos juntos. Tenho fé em Deus que, com dedicação e esforço, seremos capazes de mudar essa realidade.
Rosinei Nascimento Alves
Ótimo dia!
Deus abençoe sempre 🙏🏾
Tenhamos fé!

Nós somos um pé-de-feijão! Ao menos assim me pareceu quando as mãos daquela criança seguravam o broto como se cuidassem de um bebê. Seus olhos eram estrelas brilhando. Ele me revelou que deveria regá-lo, como atividade escolar. Dessa forma, eu lhe disse:
"Esse broto que você está criando, você precisa ter fé de que ele vai crescer um dia. Também, por essa fé, cuidar dele, nutri-lo e regá-lo sempre. E saiba que, se por alguma razão este pé-de-feijão murchar, você estará sempre livre para poder plantar outro. Tenha certeza de que, no momento oportuno, vai crescer algum."
E ele, com o cenho confuso, assentiu com a cabeça. Assentiu, de fato, como todos nós, que, mesmo sem certezas, continuamos regando a vida - nós, que esperançamos.

(Verso 1)
Longe de casa, com saudade de você
Mesmo dormindo ainda penso em te ver
Teu beijo ficou, não sai do meu desejo
Ainda sinto o gosto doce do teu beijo

(Verso 2)
Eu nem te tatuei, mas marcou em mim
Fez morada no peito, não tem mais fim
Um lugarzinho no meu coração você ganhou
E desde esse dia meu mundo mudou

(Refrão)
Eu vou te ligar só pra te dizer
Prepara o jantar que eu tô indo te ver
Veste aquele baby doll pra me enlouquecer
Que hoje a gente vai se amar até o amanhecer

(Ponte)
Cada quilômetro só faz aumentar
Essa vontade louca de te encontrar
E quando eu chegar, não vai ter pra ninguém
Só eu e você se amando também

(Final)
Longe de casa, mas perto de você
Porque no meu peito é onde você quer viver

(Verso 1)
Saio do serviço, vou tomar uma gelada
Eu gosto de beber, quem não gosta é minha amada
De repente o telefone toca, já sei quem tá na linha
Ela pergunta onde eu tô, se tô com outra galinha
(Verso 2)
Quando chego em casa a mulher vem brigar
Eu fico achando graça e calado vou ficar
Ela fala, fala, fala sem parar
Mas quando eu dou um beijo ela para de brigar
(Refrão)
Chega de brigar, chega de falar
Você não tem certeza
Tenho um jeito bom pra calar sua boca
Me beija, minha princesa
Tenho um jeito pra calar sua boca
Me beija, me beija
Tenho um jeito pra calar sua boca
Me beija, me beija

𝙿𝙾𝙴𝙼𝙰: O Príncipe das Terras Altas.


Torço, em meu quintal,
para te ver no meu céu.
Fiel às nuvens, e a elas
afirmo contigo, pleno,
um eterno sonho real.


​Meu povoado está cansado.
Eles me observam toda vez
com um olhar no meu encalço;
céticos, do dia até o entardecer.


​Boatos afirmam sua boa pessoa,
isso eu já não tenho como saber.
Talvez você seja um príncipe Hamlet,
ou talvez um príncipe como Luís XIV.


​Me torne sua mais nova aquisição
e eu me comprometo a te mostrar:
Vou ser o seu mais longo reinado,
não importa qual terra você pisar.


​Seja no barco ou em avião
esteja a pé ou de bicicleta...
Você podia vir aqui me visitar, sabia?
Pra mim seria uma alegria completa.


​É engraçado como as palavras aqui
se encaixam com mais facilidade agora.
Sinto que algo dentro de mim floresceu;


​Por isso, venho me confessar:
Você se iguala a um sonho,
disso tenho que concordar.


​Não tive o prazer de te conhecer,
nem mesmo acho que vou poder,
porém, isso já era de se esperar.


​Nunca tive sorte no amor
e isso é tudo o que eu posso afirmar.




Escrito e idealizado por César Hioli.
27/03/2026.

⁠Elegia para uma Espécie em Falência


Ó guerra! Terribilíssima Guerra!
Devoradora de imemoriáveis vidas e sonhos. Eis que nos céus vejo gafanhotos,
Mísseis, guerra e helicópteros.


As trevas me cercam — a noite reina!
"Aí de mim sou um mero homem!
Sou pó e cinza, invisível nas cidades dos homens,
Desprezo-me, abomino-me!
Contemplo como por espelho o meu fim, Acorrentado as maquinações humanas,
Aí de mim sou um mero homem!"


Todavia veio ao meu encontro o tão aguardado dia
A luz dos homens! O sol nascente das alturas! O Arauto Deus.
O novo começo, a nova aliança!


No fiat lux⁠ cotidiano de mais um dia,
Os céus partejam-se, como se rasgados fossem,
De semelhante modo ao Agnus Dei Sacral
Restando-me somente o papel de mártir, Testemunho da tolice dos homens,
Da ignóbil hecatombe de Marte,
O flagelo do Deus que é, que foi e que há de vir.


Muitos são os Deuses pagãos que contra mim se abarcam,
Deveras multidões doravante me apedrejam,
O que fiz para receber tal fim?
"Razão Pura" ou "Razão Bruta"?
Com o que avacalham o meu semblante?
Por qual Razão me fazem bobo da corte?


A dura prosa é que, tragicamente, apenas eu,
Somente eu, o mais invisível dos homens,
Fui capaz de enxergar a tolice da guerra.
As estratagemas, os ardis astutos, os jacós e os jacobinos
As palavras cegam os tolos
E até os mais temível dos ciclopes.


—Quem te feriu? — pergunto eu
— Ninguém! Ninguém me feriu! — ele responde...


Então voltemo-nos para minhas lástimas lamentações,
Ou melhor, meus relatos retratos sobre a vida vivida ou vivenciada,
Sempre observador, o voyeurismo da consciência alheia,
Talvez eu tenha agido com dura cerviz,
Mas me desespero com a guerra.
Oh a guerra... guerra... guerra, tudo que ouço são guerras,
Lembro-me de Srebrenica, Mostar, Sarajevo.


A barbárie da civilização, o totem e o tabu,
A bellum werra dos espartanos, troianos e romanos.
Para mim já basta!


Anseio por um oásis,
Um refúgio no deserto,
Mas não me entendam mal,
O deserto que vos descrevo,
Não me é por lugar comum
A inúbia do meu rugir — o deserto nuclear.


Ó Prometheus, o que fostes fazer?
Ao entregar tamanho poder nas mãos de primatas,
Egocêntricos, egoístas, narcisistas,
Os umbigos estão de fora e é para isso que olham.


Declaro-vos a todos vós, falência,
Falência da espécie que um dia pode se considerar humana ,
Falência de todo o estado de estar, de todo devir, de todo pensar.
E o que nos resta enquanto povo?
Devoramos uns aos outros até que já não pertençamos a esse plano.


Eis que o Hades está às portas
Eis a fuligem nos sufoca
Eis que a bebida nos engana
Eis que o homem mata o homem!

"Mesmo entre os mais céticos ainda se necessita contos de fada, sim, entre os fazendeiros da lógica hermética, entre os refazedores da razão socrática-platônica-aristotélica se faz florir o sensível mundo das matérias de estórias infantis, resta saber se o não-pensamento contamina o pensamento"


-Teófilo de Carvalho,
Substack 2026

que te acompanho
eu sigo teus beijos
de cada banho
reflete como me vejo

perfeição em paixão
mentira que se desfaz
por cada erro, tua mão
como posso ver mais?

essa mente coletiva
parasitas e demônios
adoram e a comem viva
daqui por mais quilômetros

te importo de bondade
luxúria se dissipou
mesmo que terá verdade
não sou o que buscou

bastardo eu pensar
que teria algo especial
ao teu lado, sensacional
para nunca mais terminar

abrirei para trancar de vez
meu coração
orarei para que tu livrareis
minha condição
te dê surdez, e não ouvirá
minha canção.

O que faltou?
O que me moldou?
Onde me falhou?
O que me mandou?

Só parar de sentir
Por uma só vez
Já que não tenho a mentir
O que eu posso dizer?
Para você?

Me faltou algo sim
Mas o que foi que fez faltar?
Não tenho ninguém aqui
Para dizer e me soltar
Com tudo que sinto
Eu não queria trancar

Leve a carruagem
Das minhas mágoas
Para além da margem
Pois ninguém vai nas lagoas
Ninguém saiba do tremor
Que causa toda minha dor

Ah não, eu temo isso
Só queria abraço ao meu lado
Que não me faça me sentir sufocado
Mas na cabeça, me faço de palhaço
Problemático, confuso e lunático

O que me faz sentir?
Por que dessa vez?
Eu posso mentir
No que eu posso dizer?
Vai ficar tudo bem?
O que me faltou?