Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Das alegrias e lágrimas

Dez anos atrás eu estava almoçando num restaurante em Ribeirão Preto. Ao meu lado, dezenas de estudantes comemoravam a formatura no segundo grau; riam, brindavam, faziam troça uns com os outros.

Eram pessoas que haviam cumprido uma etapa em suas vidas, e estavam alegres por causa disto.

Uma hora depois, quando eu já estava na sobremesa, o clima dos estudantes havia mudado completamente. A mesa foi ficando cada vez mais silenciosa, e, logo em seguida, alguém chorou. Pouco a pouco, o choro foi se espalhando entre eles.

As pessoas se abraçavam, faziam promessas de jamais se afastarem, mas sabiam no fundo de seus corações que a partir dali os caminhos se separavam.

Eram pessoas que haviam cumprido uma etapa em suas vidas, e estavam tristes por causa disto

Paulo Coelho

Nota: Paulo Coelho em 22 de Maio de 2008 às 0201 em sua coluna.

Felizmente já faz tempo. Pensei que ia contar com raiva no reviver das coisas, mas errei. Doer se gasta. E raiva também, e até ódio. Aliás também se gasta a alegria, eu já não disse?
[...], nada volta mais, nem sequer as ondas do mar voltam; a água é outra em cada onda, a água da maré alta se embebe na areia onde se filtra, e a outra onda que vem é água nova, caída das nuvens da chuva. E as folhas do ano passado amarelaram, se esfarinharam, viraram terra, e estas folhas de hoje também são novas, feitas de uma seiva nova, chupada do chão molhado por chuvas novas. E os passarinhos são outros também, filhos e netos daqueles que faziam ninho e cantavam no ano passado, e assim também os peixes e os ratos da dispensa, e os pintos... tudo. Sem falar nas moscas, grilos e mosquitos. Tudo.

A quem devo invocar se já não creio
em tudo o que foi dito e revelado?

A dúvida é forte como a fé
e se sustenta no seu próprio vácuo.

E nem creio sequer em minha dúvida,
porque tudo o que é crido é construído
dos nossos medos e fragilidades.

Deus não é a dor justificada,
o prêmio e o castigo além do túmulo,
mas tudo o que não pode ser descrito
nem humanamente compreendido.

Ser humano que sou, não sei que humano
possa exceder à sua condição
e revelar mistérios que não passam
de criações da carne atormentada.

Viver sem um amor, dói, mas se vive.
Dói mais, quando esse amor é platonico.
Não se vive. Simplesmente vemos a vida
passar se remoendo pelos cantos. Isso não
é vida. Se amar procure e fale, se não for correspondido...
...simplesmente espere seu coração, ele em breve
vai bater novamente... por alguem que vai te retribuir.
Apenas espere ele está chegando....

Saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos..."
a gente pensa que a saudade foi feita para machucar, mas o tempo passa e a gente percebe que ela é a maneira mais certa de vermos o quanto vivemos e aproveitamos, normalmente&loucamente a vida, com pessoas que seeempre nos fizeram feliz! E por mais que ela machuque, ela não pode mudar tuudo o que passou.Isso sim, vai ficar pra sempre, porque ta guardado em um lugar aonde ninguém pode mexer, ninguém pode tirar.

Ninguém pode dizer que sejamos deficientes em matéria de fé. O simples fato de que estejamos vivos é em si mesmo indiscutível evidência de fé.
Mas consideras isso uma prova de fé? A rigor, ninguém pode realmente deixar de viver.
Pois é nessas palavras – “ninguém pode realmente deixar de viver” – que reside o poder insano da fé: ela se corporifica em tal negação.
(Contos, fábulas e aforismos)

Demora um certo tempo até que nos liguemos de que as promessas de que nunca mais iríamos nos apaixonar eram vãs. Jurávamos que era o último pé-na-bunda, que ia ser o último telefonema e o último cara de nossas vidas. Seríamos independentes; já que somos inteiras, não é? Grande e inútil mentira.
A gente não sabia - ou fingia - que nem todos eram charlatães e cafajestes, nem todos tinham a pretensão de acabar com a gente. Descobrimos, surpreendentemente, que há uma pessoa que supera todas as nossas expectativas, que vai além do que acreditávamos ser amor; pensávamos que tudo tinha de ser como num conto de fadas, romântico e carinhoso, ou seja: perfeito. Mais uma besteira que acumulamos durante a nossa vida. O perfeito não é esbanjar o romantismo pra que todos vejam, é, na interioridade, poder ser quem sempre fomos, pensar e dizer o que queremos, sem ter de criar personagem algum. É, na essencialidade, ter um amigo, num namorado, um cúmplice, um amor; um verossímil significado da felicidade.
É incrível como, depois de desacreditarmos na magnitude do amor, deparamo-nos com uma realidade não tão romântica quanto esperávamos, entretanto, real. Percebemos que, praticamente, se somarmos todos os homens que superam expectativas para cada uma das mulheres, notamos que nenhum sobra para poder ser chamado de cafajeste. Concluindo, então, que os homens não necessariamente não prestam, só não prestam para você. Eles são perfeitos individualmente para cada uma de nós.

Entre pernas, passos e tropeços a gente vai deixando algumas coisas pelo caminho e encontrando outras... O que não pode é se subtrair. O processo tem que ser de acréscimo, sempre. Nada é tão definitivo assim e a gente nunca É, a gente ESTÁ...
Sempre digo que quem se aprofunda nas coisas, quem mergulha, sabe exatamente o gosto que tem o alimento cru porque não se contenta com o que está pronto, posto sobre a mesa. A gente vai experimentando aqui e acolá, vai sentindo o ritmo, o tempo, tendo cuidado com algumas coisas e desrespeitando as placas de aviso de perigo de outras. A gente cai, levanta, chora, celebra. A gente vive. A gente se conhece através das reações dos outros a nós mesmos. A gente se trabalha ou estagna, regride ou evolui. A escolha é sempre nossa. Tal como as consequências. A gente resolve se entregar quando é tarde pra descobrir que pra respeitar o nosso próprio tempo, é preciso lembrar e ter o mesmo respeito pelo tempo do outro. E que muitas vezes, pra ser honesto, é preciso se correr um risco o qual não queremos. Mas a gente corre. A gente aprende que...

A vida real, muitas vezes, nos é apresentada pulsante, em carne viva, sem maquiagem. Com as veias todas à mostra. O que pode ser desagradável de se ver ou emocionante como um parto...

O que posso dizer é que existem na vida pessoas sedutoras e seduzíveis por quem nos apaixonaremos "definitivamente" todos os dias e que amaremos "para sempre" hoje!
Sei que os grandes relacionamentos que tive foram os que me renderam as melhores metáforas. Que me despertaram uma vontade constante de ser uma pessoa cada vez melhor e mais inteira. Que me deram colo e não conselho e beijo na boca quando o silêncio ainda era a melhor resposta. Algumas dessas pessoas se foram antes que eu pudesse lhes contar uma história bonita e eu chorei feito menina. Outras ficaram até descobrir que uma caixa de Kiwis era o melhor presente que eu poderia ganhar no meio de uma tarde triste... Outras, ainda, me cobraram respostas demais e eu só sabia que nunca aprendi a andar de perna de pau porque tenho medo de altura (o que por um lado pode ser também resposta para várias outras coisas). Mas todas essas pessoas me desenvolveram e isso ficou comigo; são minhas porque faziam parte do meu potencial amoroso e elas vieram só pra me conduzir ao melhoramento do meu amor. Hoje o meu grau de exigência aumentou muito porque aprendi que dar amor não é a mesma coisa que dar carência. Por isso fico sozinha pelo tempo que for necessário para ter novamente essa sensação de "encontro". Abandonei um monte de certezas, recuso sem pudor algumas regras e desrespeito várias vezes as placas de aviso de perigo. Me divirto muito ou sofro, mas tenho cada vez mais faisquinhas nos olhos por viver as coisas em sua totalidade, sem recusar experiências e aproveitando diversas possibilidades.

Agora, tem um lado muito romântico meu que diz que a "tal pessoa" virá e enroscará uma margaridinha nos meus cabelos... Fazendo pousar no meu rosto o sorriso de um beija-flor e plagiará Neruda sussurrando ao pé do ouvido: "Quero fazer com você, o que a Primavera fez com as cerejeiras..."

É isso. Pule no tal abismo quando seu coração bater tão forte que só te restará pular. Vc só vai saber se fez a coisa certa, fazendo-a. Só se pode falar do que se conhece e não há como conhecer pela superfície, é preciso tocar verdadeiramente nas coisas e então, se deixar ser tocado por elas. O importante é lembrar que a escolha é sempre nossa e que no momento em que tudo nos foge ao controle é porque chegamos na parte mais importante do aprendizado.

Que o medo não tenha tanto poder sobre nós... E que não fiquemos condicionados por experiências anteriores - há sempre uma oportunidade de surpresa, mas teremos que estar abertos a isso. Nada é tão definitivo.

Não adianta sonhar. Não adianta, sonhar em voar quando você não tem duas asas e sim, duas pernas pra caminhar." Foi duro pra mim quando eu ouvi isso pela primeira vez. Foi duro entender o sentido disso e descobri quem eu era e o que eu precisava deixar de ser. Foi duro descobri que eu era uma pessoa que vivia totalmente distante da realidade, que sonhava com o céu, mas que estava na terra. Que se encantava com a magia, mas não se dava conta de que as pessoas eram de fato, uma magia quebrada. Um encanto, quebrado. O inverso de tudo o que parecem. Mentira, arrogância, fingimento, ignorância, violência. Eu nuncas soube lidar com nada disso. Nem tom de voz elevado, nem falta de educação ou brutalidade. Eu era boa, com tudo e todo mundo, e foi duro demais ter que me dar conta de que às vezes, algumas pessoas não merecem a nossa boa educação, nem a nossa bondade, e nem merece que baixemos a cabeça diante delas, ou que sejamos sempre 'do bem'. Foi duro ter que mudar de planos, porque eu, que antes sonhava, que antes achava que a vida seria favorável a mim no futuro tão quão foi para os que cresceram ao meu redor, pude então me dar conta de que, tudo aquilo o que eu sonhava pra mim eu teria que conseguir sozinha. E há quem diga que sozinho não vamos a lugar algum. Ah! É difícil demais, é doloroso demais subir o muro sem uma mão pra te ajudar, escalar a montanha sem um apoio que te assegure. Sim! É difícil! Mas quando a gente finalmente descobre que enquanto precisar do que não é nosso não seremos felizes o quanto sonhamos, ai a gente topa subir o muro e escalar a montanha nem que seja preciso se ferir, se rasgar, ou colecionar calos. Pois bem! Foi isso que eu não perdi, é isso que às vezes, parece 'arrogância' ou sei la o que julgam, é isso que, na verdade é sonhar com a própria independência que eu quero e sempre quis pra mim! Aceitar e querer somente aquilo o que é meu, e não precisar do que é alheio. Eu sonhava em voar, assim, tão fácil como parece quando se ver um pássaro ou ave qualquer no céu o fazendo... eu sonhava com esse voo, mas agora, a vida brutalmente tem me empurrado pro solo e tem dito que é aqui onde eu vou conseguir, não o voo, mas os calos, que terei de colecionar até que eu consiga o que eu quero, o que eu sonho, o que eu desejo, e existe apenas um alguém que caminhará comigo até o começo e o fim, esse alguém que tem me feito uma aprendiz e tem me dito a cada vez que eu não desista do que é meu, mas que eu lute pra consegui-los como fruto do meu próprio esforço! Deus, muito a obrigada por ter me mostrado o que e quem é extremamente essencial ter nessa jornada pra que eu possa ser independentemente feliz e realizada como eu sempre sonhei, e nunca deixei, de sonhar...
E te prometo pai, que as minhas conquistar não são mais para os outros, e sim, minhas e tuas. Muito obrigada meu Deus pelo que sou capaz de aprender. Eu te suplico, me faz capaz, de ser, como eu e como tu queres que eu sejas, amém.

HAI

Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me
ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.

KAI

Mínimo templo
para um deus pequeno,
aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
meu extremo anjo de
vanguarda.
De que máscara
se gaba sua lástima,
de que vaga
se vangloria sua história,
saiba quem saiba.
A mim me basta
a sombra que se deixa,
o corpo que se afasta.
Meu coração lá longe
Faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:

Os Justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez nem lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de um certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.

Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.

Há homens que passam a vida sem aborrecimento, jogando todos os dias alguma coisa, e que se julgariam infelizes, se lhes dessem todas as manhãs o dinheiro que pudesse ganhar a cada dia, com a condição de não jogar.

Dir-se-á talvez que é o divertimento do jogo que procuram e não o ganho.

Mas se o fizerem jogar de graça, não de apaixonam, e aborrecer-lhe-ão.

Não é então o divertimento que procuram: um divertimento frio e sem paixão aborrecê-los-á.

É preciso que se apaixonem, e que se excitem a si mesmos, imaginando que seriam felizes, se ganhassem o que não queriam que se lhes desse com a condição de não jogar; que formem um objeto de paixão que lhes excite o desejo, a cólera, o medo, a esperança.

Assim, os divertimentos que fazem a felicidade dos homens não são somente baixos: são ainda falsos e enganosos…

Professor
Alguém um dia se propôs a trabalhar na construção de vidas, estudou psicologia, filosofia e as melhores técnicas de comunicação. Passou dias, horas e minutos, observando o comportamento de todas as faixas etárias do ser humano.

Alguém que se percebeu vocacionado e, atendendo aos apelos do coração, inscreveu-se na batalha de frente da luta milenar contra os analfabetismos. Armado de pouquíssimos recursos materiais,postou-se de peito aberto, levando flechadas federais, estaduais, municipais.

Alguém se especializou nas oficinas mecânicas do ser humano e candidatou-se a reformar conceitos e valores da educação mal orientada.

Alguém se inscreveu no concurso da vida, não se importando de sacrificar o próprio corpo na concorrência desleal de convênios, convenções, tratados e dissídios.

Alguém se fez alheio às dificuldades, tendo plena certeza delas, e saiu disposto a questionar leis, portarias, resoluções e regimentos. Nos desmaios da sobrevivência, impôs-se.

Alguém foi nomeado, designado, empossado para o exercício do magistério, não se perdeu no labirinto do caminho nem se assustou com o fantasma da exigência impossível. Saiu a procurar o aluno perdido, nas balas perdidas da guerra civil.

Alguém convive com a distância, com a fome, com a injustiça, com a carência e a canseira, contudo, ensina gerações a acreditar no futuro, a ter fé e não se deter.

Para um ser assim tão especial, só um nome poderia identificá-lo: PROFESSOR.

Somos uma geração sem peso na história.
Sem propósito ou lugar.
Não temos uma Guerra Mundial.
Não temos a Grande Depressão.
Nossa Guerra é a espiritual.
Nossa Depressão, são nossas vidas.
Fomos criados através da TV para acreditar
que um dia seríamos milionários e estrelas de cinema.
Mas não somos.
Aos poucos tomamos consciência do fato.
E estamos muito, muito putos.

O que eu posso dar de volta para Deus
Pelas bençãos que ele tem derramado em mim

O que eu posso dar de volta para Deus
Pelas bençãos que ele tem derramado em mim

Eu elevo ao alto a taça da salvação
Como um brinde ao nosso pai

Eu vou cumprir a promessa que fiz para ele
Ouça meu coração
Bono agradecendo a Deus em um show de Chicago

Sentimentos nasceram...
De uma afinidade sem igual...
Olhares, conversas, segredos, descobertas...
Tudo isso acarretou ao descobrimento de um novo sentimento...
Algo novo que esta florescendo e aumentando cada vez mais e mais...
E todo o instante que estou vivendo agora ta se tornando tão mágico
Você vem a minha cabeça e pensamentos voam ao encontro dos teus...
Só queria te ter ao meu lado apenas mais um instante...
Que você está tornando tudo tão lindo...
E tudo ta tão perfeito só quero te dizer...
Que o que sinto inda não da pra explicar...
Só sei que é algo muito forte...
Algo mais forte que já senti...
Te gosto tanto...
Vem cuidar de mim, preciso de teu carinho de teu amor...
Pois eu só sei que quero você!

minhas reverências ao grande pai da Economia Clássica ADAM SMITH, o qual escreveu obras tão fascinantes como "A riqueza das nações" em 1776, um visionário nato. um trecho do livro "Não é da benevolência do açougueiro, cervejeiro e do padeiro que espero meu jantar e sim de seus próprios interesses." Adam Smith afirmava que o desenvolvimento econômico é movido pelo interesse individual das pessoas.

Se não fosse os próprios interesses individuais das pessoas em ganhar dinheiro, será que estavam se esforçando para construir tecnologias cada vez mais avançadas para facilitar o trabalho humano? só para o bem estar da sociedade? gastar tempo e dinheiro em pesquisas sem ter a expectativa de obter lucros futuros? Não, não estariam se esforçando se não fosse capaz de ter lucros futuros com as invenções.

A teoria da Vantagem Comparativa de Adam Smith que foi aperfeiçoada mais tarde por David Ricardo, outro grande economista liberal. A teoria afirma que: um país deve concentrar-se apenas na produção do produto que for mais vantagem de produzir e depois trocar no livre comércio. Tomamos como exemplo Portugal e Inglaterra: Portugal é um grande protutor de vinhos e a Inglaterra é uma grande produtora de tecidos, embora que os dois países possam produzir o dois produto em seus territórios é mais vantagem para eles se concentrarem naquilo que eles são mais eficientes ou seja, mais produtivos, e depois efetuem o processo de troca entre vinhos e tecidos, saindo os dois no lucro.

Um dos princípios da Economia: O comércio pode ser bom para todos.

DEFINE A SUA CIDADE

De dous ff se compõe
esta cidade a meu ver,
um furtar, outro foder.
Recopilou-se o direito,
e quem o recopilou com dous ff o explicou
por estar feito e bem feito:
por bem digesto e colheito,
só com dous ff o expõe,
e assim quem os olhos põe
no trato, que aqui se encerra,
há de dizer que esta terra
De dous ff se compõe.
Se de dous ff composta
está a nossa Bahia,
errada a ortografia
a grande dano está posta:
eu quero fazer aposta,
e quero um tostão perder,
que isso a há de perverter,
se o furtar e o foder bem
não são os ff que tem
Esta cidade a meu ver.
Provo a conjetura já
prontamente com um brinco:
Bahia tem letras cinco
que são BAHIA,
logo ninguém me dirá
que dous ff chega a ter
pois nenhum contém sequer,
salvo se em boa verdade
são os ff da cidade
um furtar, outro foder.

Fui um douto em sonhar tantos amores...
Que loucura, meu Deus!
Em expandir-lhe aos pés, pobre insensato,
Todos os sonhos meus!

E ela, triste mulher, ela tão bela,
Dos seus anos na flor,
Por que havia de sagrar pelos meus sonhos
Um suspiro de amor?

Um beijo — um beijo só! eu não pedia
Senão um beijo seu
E nas horas do amor e do silêncio
Juntá-la ao peito meu!

Foi mais uma ilusão! de minha fronte
Rosa que desbotou
Uma estrela de vida e de futuro
Que riu... e desmaiou!

Meu triste coração, é tempo, dorme,
Dorme no peito meu!
Do último sonho despertei e n’alma
Tudo! tudo morreu!

Meus Deus! por que sonhei e assim por ela
Perdi a noite ardente...
Se devia acordar dessa esperança,
E o sonho era demente?...

Eu nada lhe pedi: ousei apenas
Junto dela, à noitinha,
Nos meus delírios apertar tremendo
A sua mão na minha!

Adeus, pobre mulher! no meu silêncio
Sinto que morrerei...
Se rias desse amor que te votava,
Deus sabe se te amei!

Se te amei! se minha alma só queria
Pela tua viver,
No silêncio do amor e da ventura
Nos teus lábios morrer!

Mas vota ao menos no lembrar saudoso
Um ai ao sonhador...
Deus sabe se te amei!... Não te maldigo,
Maldigo o meu amor!...

Mas não... inda uma vez... Não posso ainda
Dizer o eterno adeus
E a sangue frio renegar dos sonhos
E blasfemar de Deus!

Oh! Fala-me de amor!... — eu quero crer-te
Um momento sequer...
E esperar na ventura e nos amores,
Num olhar de mulher!

Só um olhar por compaixão te peço,
Um olhar.... mas bem lânguido, bem terno...