Textos sobre Dor
Delírio
Madrugada fria, vazia...
Deliro.
Conto as estrelas do céu.
Elas bruxuleiam de leve, levemente.
Insistentemente.
Qual delas consegue sequestrar tua atenção? Qual delas atrai fortemente o teu doce olhar?
Que me troques por ela eu deixarei...
Sim, consentirei que ela te envolva...
Que te leve... levemente.
Doce fantasia... doce ilusão...
Se não for meu teu coração
Que ele vagueie pelo infinito
Que seja o teu o caminho mais bonito...
eu deixarei...
e
jamais te deixarei...
deliro... é madrugada que nunca acaba.
A ESTRADA
Passo a passo
Seguindo o compasso
Pé com pé
Mantendo a fé
Um sentimento culto e bonito
Tudo tão esquisito
Falácia calma e com prumo
Agora me acalmo no fumo
Noites sem fim
O que querem de mim?
Dores na alma
Estou perdendo a calma
Quem o invoca?
Esse vazio que me sufoca
Que corrói meu espirito
Ao menos tenho tudo escrito
Mesmo o céu não estando branco
Um sentimento nada franco
Com essa sensação me deparo
Dias em claro
Olho pra cima e procuro por Deus
Porque abandonaste os filhos teus?
Olho pra frente e vejo o inferno
Estou cansado do vazio eterno
Mas só andarei
Em ti confiarei
Sigo esse caminho por mim
A estrada chegou ao fim...
Eu imaginava que perde alguém era algo difícil e doloroso, entretanto depois que você vivencia essa dor você descobre verdadeiramente como ela realmente é.
É difícil aceitar a vontade de Deus quando a vontade dEle é levar para sempre as pessoas que tanto amamos. É difícil não se questionar por qual razão logo aquela pessoa tinha que vim a óbito.
A dor da perda é algo que só quem sente sabe o tanto que dói, e mesmo que passe o tempo aquela dor continua ali, a saudade da pessoa é algo tão grande, a vontade de ver aquela pessoa que você tanto ama e hoje não tá mais aqui é enorme. Dói olhar as fotos e saber que nunca mais você vai ter momentos com aquela pessoa novamente, dói lembrar da voz e saber que nunca mais você ouvirá ela novamente, dói sentir o cheiro do perfume que a pessoa usava e você automaticamente lembrar que ela não vai mais usar aquele perfume. Dói, dói muito, e dói mais ainda quando você acorda pela manhã e tem a certeza de que tudo infelizmente não passou de um pesadelo.
O amanhã só a Deus pertence. Por isso aproveite o hoje, o agora e diga para quem você ama que você ama ele/a, demonstre para ele/a que você ama ele/a.
O tempo é algo tão complexo, tão imprevisível que em um milésimo de segundos sua vida pode mudar para sempre, e não queira jamais sentir o sentimento de culpa por não ter falado ou agido antes. 🖤
Prece de um dia quase igual a todos
Deus dos delicados, não me abandone nessa guerra insana. Minha máquina de ser beira a pane enquanto o veludo da voz de Billie lambe as paredes do lusco-fusco. Abençoe, senhor, tudo que dói em nós, indispensável. As tardes despenteadas em Grumari, as lágrimas do homem que me amou e nunca disse, o negro agonizante sob o sol narcísico de Ipanema, as crianças que tão cedo me deixaram farta de lágrimas e leite, o eco esquivo de Frederico, sinais de musgo. Abençoe as escarpas da minha vida enquanto desenterro estas palavras – o carmim destas palavras – com as lascas afiadas da dor. Sonho piscinas, atraída pelas labaredas. Preciso dormir bem dentro das suas asas enormes, pai.
CAUSA (soneto)
Ah soneto porque agruras quer poetar
No diálogo da ledice com a amargura
Nem tanta alegria, nem tanta tristura
Sou devaneador que se põe a sonhar
Se o rimar então chora porventura
Também riem nos versos ao cantar
Tenho o céu e o cerrado pra inspirar
E o amor no coração, principal figura
E neste motivo vai o meu caminhar
Veloz ou lento, moldo está escultura
Desenhando o fado no ser e no estar
Então, antes que tudo seja ventura
Completo a lacuna com meu olhar
E no tempo, vou cingindo a costura...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Fevereiro de 2017
Cerrado goiano
IMORTALIDADE DA SAUDADE (soneto)
Saudade: tal como uma faca crivada
Na alma, abrindo em uma agre fenda
No coração nostálgico, rude moenda
Sonial, insiste tirana com vergastada
A tua dor foi concebida em oferenda
Ao peito, e fazendo de sua morada
Brinda com a melancolia em prenda
A sofrença da lágrima esbravejada
Imorredoura, se mantém sem venda
Reencenando num tudo, num nada
No silêncio duma esvaecida legenda
Sempre renascendo, e tão indesejada
Porém, é proposta de pouca emenda
E de imortalidade no dissabor estacada
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Janeiro de 2017
Cerrado goiano
No escuro do quarto
Me deito, me perco, me acho
Penso do "porquê de eu estar aqui?"
Nadando sozinho, perdido comigo
Eu estou aqui
Mas não consigo me ouvir
Não estou mais
Não me encontro dentro de mim mesmo
Minha boca soldada por orgulho
Minha Vontade afunda num só mergulho
Tento nadar contra a correnteza
O que vai me trazendo mais incerteza
Com ela vem a tristeza
Cobrindo toda beleza
Quando tento ver a natureza
Tudo se perde na pureza
Em um momento de descuido
Estou pronto para dar a minha alma
Não penso duas vezes
Atiro em minha cabeça as dores da vida
Algum dia irei me encontrar?
Até quando vou perguntar?
Tomare que não à de demorar
Já que tudo pode acabar.
Alguém pode me ajudar? Escrevi isso mas não sei se está bom.. por favor me ajudem 🌠
[...]Ao me ver em prantos, pude ter uma visão de minha vida medíocre a passar sobre meus olhos, um choque em destaque, eu pude ver tudo o que já havia acontecido, dês de o principio. Eu me via sentada em minha mesa, ao olhar com olhar de desejo e impaciência, lembrava de todos os olhares e vibrações, sem saber o verdadeiro sentimento que cada encontro de olhares havia ali, entre nós. Ao pensar em tudo, os detalhes que tinham cada toque, atitude e palavra, me desmontei a chorar em seus braços, cada lagrima tinha meus sentimentos mais puros, o arrependimento, a paixão, o medo, insegurança, segurança, todos a transparecer. Eu nunca tinha me posto a ser alguém transparente, mas naquele momento, em seus braços, eu me via sem chão e assustada, pois eu poderia o perder [...] Eu me joguei, e admiti! Eu o amava dês de o principio, mas sente como se eu pudesse o perder a qualquer momento, mas agora, me vejo a chorar, não por ter o perdido, mas sim, por estar a correr o risco de o perder, e aquela dor, me fazia transparecer para o mesmo, mostrando o quanto o amava sem falar uma palavra, apenas a chorar. Nunca tive o pensamento de mudar por amor, pois em minha mente, quem te ama, deves aceitar-te do jeito que lhe vê, mas ali, pude ver de uma forma mais clara, quem ama, não muda pelo seu amor, e sim, se molda por ele.[...] . Cada lagrima que em meu rosto rolava, tinha seu sentido, eu não consigo falar, mas queria te dizer que: Eu o amo, e não vivo sem ele! Eu gritaria seu nome ao mundo, me deixaria fragilizada por ele, pois eu o amava, e eu sou dele, e ele eis meu. Eu te amo, por favor, não me deixe. [...]
Me odeio por ser eu, e que esse eu tenha atraído você.
Por que eu gostando ou não, o que atraí as pessoas para mim é a dor. Está na escuridão em mim que eu coloco em palavras não ditas; está no quanto ninguém sabe que estou na linha entre a sanidade e o nada, vivendo no desespero, esperando a brisa que vai me balançar para um lado ou para o outro; está nas verdades que não conto e nas mentiras que escapam da minha boca. E eu não gosto de ser assim, mas também, ao mesmo tempo, gosto de atrair tais pessoas desse jeito. Pois essa é quem eu sou.
É como se a dor me fizesse, não posso ficar com ela, e não quero fugir dela.
Com medo de me deixar cair e proibida de levantar, cheia desses pensamentos masoquistas de quem eu sou, e quem eu seria se não a tivesse mais comigo.
Eu me prendo e sou o meu próprio cativeiro.
Em Busca de Conforto
Toques de gelo percorrem minha mente,
Congelando, suplico, cada parte aqueça,
O fervor aumenta, por favor, me esqueça.
Deixe-me esfriar neste mar, você mente,
Diz que me salvará de me despedaçar,
Mas está aqui apenas para caçar;
Não está em busca de amor, não,
O sangue marca suas mãos, então,
Por obséquio desdenhe minha existência,
Mesmo que meu ser, em pura essência,
Esteja arduamente a clamar por seu calor,
Pois neste buraco escuro perdi meu valor.
Amor não pode haver interesse senão desinteressa
Amor não deve ser pressa senão estressa
Amor tem que ser leve senão desapegue
Amor tem que ser paz senão jaz
Amor não deve ser teste senão conteste
Amor deve ser calma senão perturba a alma
Amor não pode ser cobrança senão vira lembrança
Por fim, amor tem que ser
Eu pra você e você pra mim
Simples assim
Que desprezo em meu coração.
E tristeza em minha alma.
Pedir a Deus muita calma.
E me separar do furacão.
É difícil, é difícil para mim,
Esquecer tudo que passei,
Mas eu ainda insisto e sei,
Que um dia nada será mais assim.
É dor que não se vê mas se sente,
É temperamento insistente,
Na melodia feita aqui!
O som aos meus ouvidos,
Soam somente a gemidos,
E dor causada por ti.
O aniversário é meu,
Mas você quem está de parabéns
Hoje faz mais um ano de uma luta
A luta para a geração de um filho
Uma luta durante o parto
Uma luta contra a dor
Uma luta vencida com sucesso
Uma luta que acabou gerando uma vida
O aniversário é meu,
Mas você quem está de parabéns,
Pois enquanto eu não fiz nada
Você uma luta venceu.
Enquanto eu não sabia nem o que eu era
Você então, a luz me deu.
De: Crischarles D. Arruda
Para: Mãe
Confiar
Integrante a relatividade de um sorrir,
Mentindo pra quem diz que nos ama,
Maldita seja essa droga para nossa alma,
Esta habilidosa capacidade de fingir,
O caminho que escolhemos ardendo,
Quando nossa mente está cedendo;
Minha nova maneira de se proteger,
Esconder a fragilidade de como estamos,
As paredes forçando-me a conviver,
E é sorrindo que evitamos,
Não temos vontade para responder,
Perguntas daqueles que fingem entender.
Mais uma dose, por favor
Lembro-me do frio da noite e de adentrar o teu carro. Lembro de ter-me perguntado se estava com frio, eu neguei, mas estava. Meu coração aquecia o resto do corpo inteiro porque eu sabia no que o nosso trajeto viria a resultar. Por mais que negasse ou não quisesse aceitar, eu sabia, bem como você.
Nós conversávamos como um casal qualquer que não conseguia aceitar a realidade dos fatos em que estava inserido. Nos prometemos parar, mas prometíamos isso na mesma intensidade em que nossos sorrisos se liam, não conseguíamos. Nosso imã natural tinha um epicentro tão extenso quanto o mar, não havia começo nem fim. Quando nossas respirações se agoniavam, nossos corações se ritmavam e nossas mãos por fim se tocavam, se iniciava uma sucessão de acontecimentos desastrosos com o objetivo de nos fazer questionar toda a existência e a vastidão do que nem devíamos sentir.
Particularmente falando, eu idolatro tua figura como a um deus. Tudo que há em você parece harmonioso demais, como a perfeita fusão da minha ruína. Eu gosto do som da sua respiração ofegante enquanto me beija, de como você reluta e suas mãos tremem quando encontram as minhas, de como você tenta disfarçar o olhar quando sabe que estou chateada ou de como me observa dormir. Eu amo ver o teu cabelo ao vento, você suando no frio do ar-condicionado ou com as mãos transpirando por estarmos tão juntos, tão perto. Eu sou completamente louca por cada curva do seu corpo, por cada montanha ou depressão da tua epiderme e pelos teus olhos castanhos, tão fundos quanto o oceano.
A vida tem dessas de nos fazer pousar no peito de quem a gente não pode repousar, é uma droga né? Eu sinto sua falta tantas vezes ao dia que mal consigo mensurar. Sei o quanto deve te ser chato me ter cobrando atenção, te querendo perto o tempo todo... é que você criou em mim uma dependência tão insana que eu adoeceria se não ao menos tentasse te ter comigo, nem que por alguns meros minutos durante alguns dias ao mês. E a nossa energia, é uma coisa tão surreal, tão de outro mundo... somos fogo e brasa, você lembra? Me sinto completa sozinha, porque eu sou fogo, mas junto a você, nós incendiamos tudo.
Thaylla Farreira Cavalcante {A}
Tudo normal
Não duvide quando digo
Que tenho-te como amigo
Desde antes do sol se pôr
Juro pelo frio que nos abraça
Que desfaço essa cilada em que nos colocou
Tudo que vejo é azul e sereno
As faixas amarelas da estrada são intermináveis
Misturam-se com meus pensamentos
Eu e você
Juntos num quarto pequeno
Que sem você meus dias são nublados
Que você rouba o sol e seus raios
Que o motivo de tudo tem teus olhos amendoados
Se já fiz-te inquilino
Dei-te abrigo
Implorei atenção
Você vive mergulhado
numa realidade alternativa,
ébria e pouco habitual
Afinal,
Esse é nosso normal.
Thaylla Ferreira Cavalcante {A}
É terrível como ele te faz se sentir só. É terrível como você se sente ausente mesmo deitada ao lado dele. É terrível como para mim, ver você sofrer por ele é mais doloroso do que a dor que me dói, por não te ter.
Você tenta se convencer de que ele é definitivamente a pessoa certa e ignora todos os sinais de que não é. A vida tenta te avisar, mas o ego é maior do que a sua vontade de amar de verdade.
Dói o meu não poder. Não poder ajudar. Não poder te dizer
Não poder te apoiar. Não poder estar ao seu lado. Me dói tudo o que tenho pensado, tudo que venho sentindo. Me dói perceber que quanto mais eu me disponho a te alcançar, mais longe você parece estar indo.
Bom, após ignorar todos os conselhos das pessoas que me rodeavam tomei como decisão ignorar o único Ser que não podia.
Não aconselharei a ninguém a tomar decisões se não for com amor. Se andas em uma vida monótona e morta, espere e anseie pelo renascer.
Direi ainda que minha pior atitude foi escolher a paz provida da fuga de uma batalha, me matei após ter perdido tudo o que me valia - Não era
dinheiro, não era bens materiais e muito menos orgulho.
Acovardado, sem um Pai e sem emoções, eu não tinha como valorizar o que passava na minha vida, não valorizei os outros que me amavam nem menos as suas atitudes mais benevolentes.
Agora terei de lidar com o estorvo de lidar comigo, carregarei um fardo amargo de todas as pessoas que magoei, pensando que eu poderia ter feito diferente, eu poderia ter tentado.
Eu nada ganhei além de amadurecimento, quem saiba a velha e boa sabedoria não me volte a ser valiosa?
Ouvir
Deitado, a música entrando e mudando,
Uma nova visão do mundo me doando,
Um sentir a cada música, um rachar,
Uma quebradura nesta apatia constante,
As cores voltam a minha alma manchar,
Parando o Vazio que volta a cada instante;
Logo, deixe-me sozinho e deixe-me sentir,
Neste meu quarto há vários sentimentos,
As músicas me independem de mentir,
Elas tornaram-se meus complementos,
Com elas, sinto-me humano, sinto vida,
Eu vejo alegria no negrume da minha vida.
O Meu Lugar
No funeral,
Eu sou o novo e velho troféu
Veja meu rosto por baixo do véu
Ele é calmo como o céu.
Eu não vejo,
Alguém que sempre vá me amar
Hoje irão inconsolavelmente chorar
Mas a dor passa quando a semana acabar.
Tão breve,
A vida é completamente passageira
Eu desci antes e já vejo a fileira
Verei o que existe atrás do portão de madeira.
Atrás do portão,
É o paraíso onde irei morar
Demorou tanto pra encontrar
Onde não existem guerras para ganhar.
