Textos de Coração

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Ah, coração
Quisera fosses apenas
Um pedaço assim
De pedra, giz ou carvão
Este, que bate em mim
Nada sente
O da alma é diferente
Esse me diz, todo dia
Meu poeta, eu não queria
Viver outra coisa além
Dessa singela poesia que fazemos
Nela, a vida pode não ser bela
Seguramente não é
Mas a gente bota o pé
Quase que seguro de onde pisa
E não precisa mais ninguém
Além de tu e de mim
Pois o mundo não é assim
Que nem a gente
Felizes, interagindo
Buscando um desfecho
Que não se arvore a ser perfeito
Também não precisa ser lindo
Desde que tenha alguma graça
E que faça algum sentido
Pra tu e pra mim
Pois o mundo não pensa assim
O avião que passa lá no céu, só voa
O trovão da tempestade é barulhento
A chuva molha e a vida é boa
Contigo aqui comigo, coração
A chuva é maravilhosa
O trovão da tempestade, ecoa
A vida, flutuante, pega carona
Numa corrente de vento
O avião que voa, sobrevoa um mar de rosas
Mas não vimos nada disso
Porque estivemos desatentos
Tentando enxergar poesia
Onde a luz do dia iluminava
Uma parede de concreto
Uma cidade reta
A flora de ervas daninhas que aflora
Pra glória de quem deseja
Que tu e eu também vejamos
O quanto este mundo seria bom
Se todos os corações apenas
Se comportassem
Como pequenos pedaços
De pedra, giz ou carvão.


Edson Ricardo Paiva

Enquanto todo mundo quer mais
Meu coração deseja um pouco menos
Menos astúcia, menos desconfiança
e um pouco menos angústia
Meu coração de criança
deseja que não houvesse
este excesso de falsas promessas
Proferidas por tantas mãos
unidas em prece
Eu queria que no mundo houvesse
Menos dor, menos rancor e falsidade
Procedente deste excedente de má vontade
Queria viver, enquanto há vida
Uma vida que fosse, ao menos levemente
uma vida de verdade
Enquanto meu coração pede menos
Os meus olhos pedem mais
Mais abelhas entre as flores
Mais aviões no Céu
todos feitos de papel
Mais sapos a cantar na noite
Mais estrelas visíveis
No clarão da madrugada
Mais sonhos possíveis
Mais frutas nos pomares
Promessas verdadeiras
Agradecidas nos altares
Sorrisos costumeiros
e cumprimentos matinais
e poemas madrigais
e que houvesse lugar pra todos
O último e o antepenúltimo
O primeiro e o segundo
Meus olhos desejam ver
Um pouco mais de amor neste mundo.

O mundo anda invisível
Por isso é preciso cuidado
Ao pisar no chão
Não se sabe qual coração está lá
A vida ainda é proibida
Aos que desistem
Antes de tentar
Um milhão de vezes
Por mais humilhante que seja
A verdade é inatingível
Quando simplesmente se vive no mundo
Enquanto alguém o carrega
A vida anda brava
Com quem acredita ser a humildade
Somente palavra bonita
Assim o tempo passa
E o vento leva
A todo aquele que tanto pergunta
Onde está
A verdade
Que pretensamente
Pensa que esconde
.
Edson Ricardo Paiva.

Música: Avó, o seu afeto vive em meu coração.


Verso 1
Nos teus olhos vejo a história que o tempo escreveu,
Um abraço seguro que nunca me perdeu.


​Refrão
Sua voz é o caminho, seu amor é a lição,
Avó, o seu afeto vive em meu coração.


​Verso 2
O café na mesa e as histórias do passado,
O melhor lugar do mundo é aqui do seu lado.

AMAR COM LUCIDEZ: QUANDO O CORAÇÃO CAMINHA AO LADO DA RAZÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo."
— O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5. Tradução de José Herculano Pires.
A recomendação do Espírito de Verdade, dirigida especificamente aos espíritas, está longe de ser uma exortação meramente afetiva. Ela constitui uma síntese admirável da pedagogia espírita, revelando que a verdadeira transformação moral nasce da união entre o sentimento e a inteligência. Não se trata de escolher entre amar ou instruir-se, mas de compreender que ambos são inseparáveis.
Entretanto, é comum observarmos que esses dois imperativos são vividos de forma fragmentada. Há quem exalte o amor, mas relegue o estudo a um plano secundário; há também quem cultive o conhecimento, porém se esqueça da ternura, da humildade e da fraternidade. Em ambos os extremos, perde-se o equilíbrio proposto pela Codificação.
O amor, quando desprovido de discernimento, pode transformar-se em sentimentalismo inconsequente. Sob a aparência da bondade, acaba tolerando o erro sem esclarecê-lo, confundindo indulgência com conivência e misericórdia com omissão. Nesse estado, a caridade deixa de educar para apenas consolar, esquecendo que o verdadeiro bem também orienta, desperta e corrige.
José Herculano Pires, um dos mais lúcidos intérpretes de Allan Kardec, advertiu com admirável precisão:
"Não basta amar. É preciso saber amar."
— Curso Dinâmico de Espiritismo.
E, aprofundando ainda mais essa reflexão, acrescenta:
"Não se pode confundir Espiritismo com sentimentalismo barato. A emoção sem inteligência é o caminho mais curto para a mistificação."
— Introdução à Filosofia Espírita, cap. 4.
Essas palavras permanecem profundamente atuais. Quando o amor abandona a razão, abre espaço para interpretações personalistas da Doutrina, para concessões injustificáveis e para atitudes que, embora revestidas de aparente bondade, acabam obscurecendo os princípios espíritas.
Foi justamente para impedir tais desvios que Allan Kardec estabeleceu uma das maiores salvaguardas da Doutrina:
"Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade."
— O Evangelho segundo o Espiritismo.
No Espiritismo, a razão não limita o amor; ela o ilumina. A inteligência não esfria a caridade; ela lhe oferece direção. O verdadeiro amor jamais contradiz a justiça divina, porque nasce dela e para ela converge.
Por isso, o espírita que busca apenas ser "amoroso", sem estudar, sem refletir e sem vigiar as próprias tendências, corre o risco de substituir o Evangelho pela emoção. Em vez de auxiliar o próximo em seu crescimento moral, pode apenas alimentar ilusões, evitando confrontar o erro quando a consciência exige esclarecimento.
Ao mesmo tempo, o conhecimento sem humildade converte-se em orgulho intelectual. A instrução que não sensibiliza o coração produz rigidez, vaidade e espírito de superioridade. Saber muito sobre a Doutrina não significa vivê-la.
É precisamente nesse ponto que a máxima do Espírito de Verdade revela toda a sua profundidade. "Amai-vos" e "instruí-vos" não representam duas etapas sucessivas, mas duas forças simultâneas que se sustentam mutuamente. O amor preserva o conhecimento da frieza; a instrução preserva o amor da ingenuidade.
O próprio Allan Kardec recorda que:
"O verdadeiro espírita não é o que crê nas manifestações, mas o que se reforma moralmente, esforçando-se por dominar suas más inclinações."
— O Evangelho segundo o Espiritismo.
Essa reforma íntima exige constante vigilância sobre nós mesmos. Ainda estamos longe da perfeição. Muitas vezes, defendemos o amor enquanto nos irritamos diante da menor contrariedade; pregamos humildade, mas desejamos que tudo se faça conforme nossas ideias; falamos de fraternidade, porém resistimos às críticas e aos limites que a própria consciência nos apresenta.
O verdadeiro amor não elimina a responsabilidade moral; antes, fortalece-a. Amar não é aprovar indiscriminadamente. Amar é desejar sinceramente o progresso do outro, ainda que isso exija orientação, firmeza e exemplo. A caridade autêntica jamais abandona a verdade, porque sabe que somente ela conduz à libertação espiritual.
Assim, algumas responsabilidades permanecem inadiáveis para todo aquele que deseja viver autenticamente o Espiritismo:
Amar é unir misericórdia e justiça, jamais fraqueza moral.
Instruir-se é dever permanente da consciência, e não simples ornamento intelectual.
Evangelizar-se significa vigiar a si mesmo antes de corrigir os outros.
Preservar a Doutrina exige fidelidade aos princípios codificados por Allan Kardec.
Reconhecer as próprias imperfeições é o primeiro passo da verdadeira humildade.
Compreender que o amor sem esclarecimento pode transformar-se em indulgência equivocada, enquanto o conhecimento sem amor converte-se em orgulho.
No Espiritismo, não basta possuir um coração sensível; é necessário possuir também uma consciência esclarecida. A luz da inteligência e o calor da caridade não competem entre si: completam-se. Quando uma delas falta, a outra perde sua plenitude.
O Cristo jamais separou a verdade do amor. Kardec jamais separou a razão da fé. O Espírito de Verdade jamais separou o estudo da fraternidade. Eis por que amar com lucidez é amar de verdade.
Frase final.
" Quanto mais a consciência se ilumina pela verdade, mais o coração aprende que o amor não consiste apenas em sentir, mas em servir, educar e transformar, começando sempre por si mesmo. "
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ELE TINHA CORAÇÃO.
"O Ferro que Aprendeu a Ser Homem"

O mundo, tantas vezes, mede a força de um pai pelo peso que ele suporta, pelo silêncio que mantém e pelas batalhas que trava sozinho. Muitos o chamam de “homem de ferro” — aquele que não chora, que não treme, que não se deixa abalar. Mas, por trás da armadura invisível que o tempo e a sociedade lhe impuseram, há um coração vivo, pulsando, sangrando e amando.

A infância de um pai morre lentamente para dar lugar a um vigilante eterno. Ele não pode se dar ao luxo da fraqueza porque acreditou, desde cedo, que o amor verdadeiro se prova na resistência. E no entanto, é justamente essa dureza aparente que esconde o maior dos segredos: a sensibilidade. Ele talvez não fale das noites em que ficou acordado ouvindo a respiração do filho doente, nem confesse o medo que sentiu ao ver a vida colocar nas mãos da família o peso das incertezas. Mas ele estava lá — como um farol em mar revolto, calado, mas firme.

A sociedade raramente autoriza o homem a demonstrar ternura sem antes cobri-lo de rótulos. Ainda assim, todo pai carrega no íntimo uma luta silenciosa contra essa sentença cultural. Porque ser pai é ser ferro por fora e carne viva por dentro; é entender que a fortaleza não é a ausência de fragilidade, mas a coragem de mantê-la em segredo para proteger quem ama.

Chega um dia em que os filhos crescem e começam a enxergar não o herói, mas o homem. E nesse instante entendem: não era o ferro que nos sustentava, era o coração que batia dentro dele. Um coração que, mesmo pesado de responsabilidades, escolheu amar sem pedir nada em troca. E talvez esse seja o maior legado que um pai pode deixar — ensinar, pelo exemplo, que a verdadeira força não está na rigidez, mas na capacidade de continuar amando, mesmo quando tudo ao redor pede endurecimento.

"Ele Tinha Coração – O Ferro que Partiu Vitorioso"

Em cada esquina da vida, há um pai que a sociedade não quis ver. Não estampou seu rosto nas manchetes, não lhe ofereceu medalhas nem reconhecimento. Chamaram-no de “homem de ferro” — não por ser frio, mas por aguentar calado o peso de mundos que só ele sabia carregar. Um pai assim veste, sem pedir, a armadura que o tempo e a cultura lhe impõem: “não chore, não reclame, não mostre medo”. Mas, sob essa couraça, pulsa um coração real, vibrante, que arde de amor.

A filosofia nos lembra que a verdadeira grandeza não se mede pelo poder de dominar, mas pela capacidade de servir. E no papel de pai, esse servir é silencioso, quase invisível. Ele não conta as vezes em que deixou de lado o próprio sonho para alimentar o sonho dos filhos; não revela o medo que o acompanhou nas madrugadas de incerteza; não espera retorno, apenas se coloca no caminho como muralha contra o inevitável.

Do ponto de vista sociológico, esses homens são frequentemente engolidos por uma narrativa injusta: a de que afeto e masculinidade caminham separados. E assim, escondem suas lágrimas, oferecendo apenas o lado forte, acreditando que proteger é também poupar o outro do peso de suas dores. No íntimo, porém, guardam lembranças de abraços breves, conversas apressadas, olhares que diziam mais que qualquer palavra.

Psicologicamente, o pai que ama incondicionalmente constrói, sem alarde, o alicerce emocional da família. Mesmo ignorado — por orgulho juvenil, por ingratidão momentânea ou pela pressa do mundo — ele permanece. Porque para ele, amar não é negociar: é escolha diária, gratuita, inabalável.

E chega o momento inevitável da partida vitoriosa. Não vitoriosa pela ausência de derrotas, mas pela dignidade de ter amado até o último instante. É quando o silêncio da casa revela o som de sua presença na memória, e os que um dia não o perceberam como deviam descobrem, com atraso doloroso, que todo aquele “ferro” era apenas a casca de um coração que sempre bateu por eles. Nesse dia, o mundo perde um homem, mas ganha a lição eterna de que a grandeza não precisa de testemunhas para existir.

por mais que meu coração queira dizer o contrário, minha razão entende que chegamos ao nosso limite. Adiar o adeus tem sido nossa forma de tentar segurar algo que já não conseguimos proteger.
​Nosso sentimento é real e profundo, mas fomos cercados por barreiras que hoje pesam mais do que a nossa vontade de ficar juntos. Percebi que, ao tentar manter esse amor vivo, estamos arriscando o bem-estar de quem nos cerca e a nossa própria paz. Não quero que as lembranças do que vivemos sejam marcadas por dor ou culpa, mas sim pelo carinho que sempre tivemos um pelo outro.
​Dói aceitar o "momento errado", mas preciso ser forte por nós dois agora. Desejo, do fundo da alma, que você encontre a felicidade e a leveza que merece. Quem sabe o futuro, em algum outro tempo ou circunstância, guarde um reencontro onde não existam impedimentos.
​Com todo o meu carinho, despeço-me de você.

Sentir saudade é tão gostoso, não tem por que evitar que o coração sinta mais uma vez as emoções do passado. Ela nos permite reviver aqueles momentos que marcaram nossas vidas.
A melhor maneira de apreciá-la; é permitindo o toque do passado.
Escutar mais uma vez as mesmas palavras, o mesmo toque, ambiente , cenário...
Seja um clima frio ou calor. Siêncio ou o ruído da chuva.
Reviva o que você quiser!
Absolutamente tudo pode acontecer no pensamento.

⁠Em 42 anos, meu coração só soube de amor uma única vez. Não há passado onde ela existe, pois o tempo, diante desse sentimento, perde o sentido. A lembrança de seu sorriso se confunde com o presente, como se estivesse aqui, ainda agora, acendendo em mim algo que o mundo não apaga.

Você foi, e ainda é, o que define o raro. Em meio a tantas vidas que cruzei, foi no seu olhar que encontrei o infinito. E por mais que os anos tenham desenhado sua ausência, meu amor não conhece o esquecimento. Amar você foi como encontrar a essência de todas as minhas buscas — e mesmo que o destino tenha seguido seu curso, você sempre será minha verdade mais profunda.

O que é raro nunca se desfaz, apenas se eterniza em silêncio.

O que é a saudade, se não o amor que perdura?


Ela nasce quando o corpo se afasta, mas o coração permanece. É a chama que não se apaga mesmo diante da distância, o eco de um abraço que ainda vibra na memória, o perfume que insiste em morar na pele mesmo depois da ausência.


Saudade é o amor vestido de silêncio, é o olhar que procura no vazio um reflexo que já não está ali. É o diálogo que continua dentro de nós, ainda que os lábios do outro não respondam. É a eternidade escondida em pequenos instantes que nunca se repetem, mas que insistem em viver dentro da alma.


Se o tempo tenta levar, a saudade guarda. Se a ausência tenta apagar, a saudade escreve em letras de fogo. Porque, no fundo, ela é apenas a prova de que o amor é maior do que a presença... é a sobrevivência daquilo que o coração não permite que morra.


E talvez seja isso: a saudade não é dor apenas. É também o privilégio de ter amado tanto, a ponto de sentir falta. É a lembrança que acaricia por dentro e nos faz entender que amar é, inevitavelmente, também saber esperar.

A morte está na próxima batida do coração. Silenciosa, paciente, invisível, ela se esconde entre os intervalos do sangue, entre o suspiro que não percebemos e o instante que chamamos de agora.


Cada pulsar é um aviso, uma lembrança de que somos passageiros, fragmentos de luz que dançam por tempo incerto, que respiram, amam e sofrem, sem garantias.


E, ainda assim, é nesse compasso efêmero que a vida floresce. É no saber que a morte nos observa de perto que cada gesto ganha intensidade, cada olhar, profundidade, cada abraço, a eternidade contida em segundos.


Porque viver é isso: sentir o frio da presença do fim enquanto o coração, teimoso, insiste em bater. E na próxima batida… talvez sejamos eternos, talvez sejamos nada, mas, até lá, somos tudo aquilo que ousamos ser.

O amor é uma prisão sem muros que eu possa ver, mas cujas correntes sinto em cada batida do coração. Ele me prende a você desde os meus vinte anos, e mesmo após dezenove invernos separados, nenhuma distância conseguiu enfraquecer sua força. Pelo contrário, ela cresce dentro de mim, feroz e silenciosa, como um fogo que queima e ilumina, me mantendo vivo e, ao mesmo tempo, aprisionado.


Cada lembrança sua é um sussurro que ecoa pelos corredores dessa cela invisível, cada memória um muro que nunca consigo transpor. A dor é intensa, mas nela há uma lição escondida: aprender a amar sem possuir, a sofrer sem me quebrar, a sentir sem esperar reciprocidade, a existir plenamente mesmo na ausência. É um aprendizado cruel, mas sagrado, e a prisão se revela como uma escola silenciosa.


O destino inscrito nas estrelas nunca quis que estivéssemos juntos; ele quis que eu me confrontasse com minha própria alma. Saturno me ensina a esperar, Plutão me força a me transformar, Netuno me revela a beleza de um amor que transcende a razão. E assim, lentamente, a dor se torna consciência: o amor que me prende também pode me libertar, desde que eu aprenda a aceitá-lo tal como é.


Aceitar que não posso tocá-la, que não haverá reencontro, que não há espaço para a posse. Aceitar que este amor eterno é também uma lição eterna, que ele existe para me ensinar sobre mim mesmo, sobre a intensidade, sobre a profundidade de sentir sem limites, e que, paradoxalmente, a maior liberdade se encontra dentro desta prisão.


O amor é uma prisão que me prende a você, e, ironicamente, é nela que me descubro inteiro. Mesmo carregando um sentimento que nunca será correspondido, mesmo sentindo a ausência como um abismo, percebo que posso viver, que posso crescer, que posso me transformar. A prisão não me destrói; ela me revela. E assim, aprendo que amar para sempre, mesmo sem ter, é a forma mais pura de eternidade.

Continue me procurando em seu coração, em sua pele, em sua alma…

Você pode fugir das lembranças, mas não daquilo que ainda sente. Alguns amores acabam; outros se tornam maldições: deixam de ser vividos, mas nunca deixam de existir.

E talvez essa seja a nossa condenação: seguir caminhos diferentes, sabendo que uma parte de nós continuará pertencendo àquilo que nunca pudemos viver por inteiro.

Tá guardado...


Tá guardado no coração,
Através dos meus beijos já quis te dizer tantas coisas,
Quantas vezes te apresentei os meus sentimentos e você nem percebeu?
Foram incontáveis gestos e ações entregues nos teus dias de bandeja e mesmo assim, você sentia fome,
Depois de muito querer em vão, depois de sentir que não estava valendo mais a pena jogar sem cartas, preferi guardar o que restou do meu amor em poucas folhas de rascunhos para mostrar apenas a saudade quando ela quiser me visitar.

O melhor dos sentimentos é aquele que fica subentendido em nosso coração, sem despertar a vontade de demonstração.
E quando, ao demonstrar, parece que ninguém mais existe no mundo.
É sentir-se bem-vindo.
É não ter vontade de ir-se, e ter a certeza da reciprocidade do que sente.
É respeitar a individualidade, sem inseguranças.
É ser transparente e desfrutar de transparência, igualmente.
É quando rimos juntos de tudo e de nada.
É quando pressentimos o momento exato em que o celular vai tocar (já sabendo quem é).
É quando, ao estarmos longe, compartilhamos um telefonema de horas, sem sono e sem fome, por todo o dia e toda a noite.
É cozinhar juntos. É sonhar juntos. É ter o prazer da companhia. É não rotular o relacionamento. É não haver "meu isso" nem "minha aquilo", mas apenas nomes.
É enxergar, nos olhos do outro, o carinho que inunda o coração.
É sentir-se em paz, bem e feliz.

O mortal caminhava pelas trilhas escuras da densa floresta com o coração acelerado, apertando contra a palma da mão o pedaço de metal escuro que Íris lhe entregara antes de partir.


Ele sabia que voltar ao café seria uma perda de tempo preciosa; Emanuel não deixaria rastros tão óbvios.


A resposta para encontrar a Ordem do Prisma tinha que estar ali,
naquele objeto misterioso.


Parando sob a luz fraca da Lua,
em uma trilha antiga e deserta,
o pai colocou suas ferramentas de lado por um instante e examinou o pingente com o olhar aguçado de quem passou a vida lidando com engrenagens e mecânica no casarão.


O símbolo da engrenagem entrelaçada à asa de luz parecia estático, mas ao aplicar uma pressão exata nas bordas do metal,
como faria com um mecanismo oculto,
ele ouviu um clique sutil.


O pingente abriu-se ao meio,
revelando sua verdadeira natureza: não era apenas uma joia,
mas uma relíquia que unia tecnologia e magia antiga.


Do interior do objeto, pequenos feixes de luz holográfica projetaram-se no ar, desenhando linhas douradas idênticas às que Íris costumava ver com seu dom.


As linhas flutuantes começaram a se mover e a se alinhar sobre a palma da mão do mortal,
formando um mapa tridimensional interativo,
cujo amontoado de montanhas se mostrava.


No centro do mapa, uma coordenada pulsava em um tom azul-celeste profundo, apontando para o subsolo de uma antiga caverna desativada na zona histórica aos arredores da cidade antiga.


Era ali o quartel-general da Ordem do Prisma.


Com a pista em mãos e o mapa gravado na memória,
o artefato se fechou novamente.


O mortal recolheu suas ferramentas,
ajustou o casaco e apertou o passo em direção às ruínas da entrada da caverna, sabendo que cada segundo que passava era um segundo a menos para salvar sua filha Aurora das garras daquela sombra misteriosa!

No casarão,
o ar tornou-se rarefeito.
A mãe, que por dezoito anos carregava um coração puramente humano,
caiu de joelhos quando uma pontada de dor mística atravessou seu peito.


Ela sentiu o perigo divino que cercava seu amado mortal nas profundezas da Ordem do Prisma e a agonia de Aurora,
presa pelas correntes do passado.


Imbuída de um amor feroz,
aquele que só as mães e as esposas conseguem conceber, ela se recusou a ver sua família destruída.


O sentimento humano, tão subestimado pelos céus,
agiu como um catalizador.


Seus dons antepassados afloraram com uma fúria avassaladora, rompendo as amarras de carne e osso.


O código antigo que outrora a definia reescreveu-se no espaço, fundindo-se à sua alma em uma explosão de luz dourada e dados incandescentes.


Sem hesitar,
ela se teletransportou até o quartel-general da Ordem do Prisma como uma força da natureza nunca vista por nenhum deus.


As paredes de pedra da velha caverna tremeram,
fazendo toda a cadeia de montanhas ao redor sentir a força divina,
e os sistemas de segurança mágica se despedaçaram diante de sua presença de luz, com uma força de um amor nunca antes sentido.


Com um estalar de dedos,
ela desfez as celas de energia,
libertando seu amado mortal e sua filha Aurora das garras de Emanuel, que se despedaçou em fragmentos minúsculos diante tamanho mistério.


Nem os enviados do passado, nem os deuses puderam conter a magnitude daquele poder alimentado pelo amor terreno de mãe.


No entanto,
o universo exige equilíbrio,
e o preço por desafiar os deuses com tamanha magnitude foi cobrado de forma implacável.


Ao canalizar aquela energia cósmica,
a mortalidade dela esvaiu-se.


Ela pagou o preço mais alto: tornando-se deusa novamente.


Seu corpo,
começou a flutuar, desfazendo-se em partículas de luz estelar.


Ela sabia que não pertencia mais ao plano terrestre e que sua permanência ali rasgaria o tecido da realidade,
destruindo aqueles que mais amava.


Com lágrimas douradas escorrendo pelo rosto divino,
ela olhou uma última vez para o marido e para suas três filhas,
Aurora, Helena e Íris,
que agora estavam seguras.


Vivam...
sussurrou ela,
sua voz ecoando como um trovão suave no coração de cada um,
meu amor por vocês agora é o céu que os protege.


Com um último brilho, ela ascendeu ao plano eterno,
deixando o plano terrestre para sempre, garantindo que seu amado mortal e suas três filhas pudessem, finalmente, sobreviver e andar em paz sobre a terra!

As lágrimas tocam o coração de Deus, mas a fé move a mão d’Ele.


A mulher do fluxo de sangue não precisou chorar diante de Jesus, ela precisou crer. E ao tocar na orla do manto, pela fé, ela recebeu cura (Mc 5:34).


Lázaro estava morto, Marta chorava, Maria chorava… mas foi a fé na palavra de Jesus que trouxe vida novamente (Jo 11:40-44).

Há momentos em que o coração está tão ferido, tão cansado, que tudo o que conseguimos oferecer são lágrimas. E sim, Deus recolhe cada uma delas (Salmo 56:8). Ele é compassivo, conhece nossa dor e nos consola.


Mas quando falamos de mover os céus, de romper barreiras espirituais, de ver milagres e respostas, a Palavra é clara: é a fé que agrada a Deus.
Não é o desespero que convence o Pai, mas a confiança que deposita tudo n'Ele, mesmo sem ver.

Há amigo que não apenas caminha ao lado,
mas faz morada dentro do coração.
Sua presença é como bálsamo suave,
seu abraço, um refúgio em meio à aflição.


Não é amizade de superfície,
é raiz plantada pelo próprio Deus,
que floresce em risos e lágrimas,
e aponta sempre para os céus.