Texto sobre Voce Mesmo
Hoje eu acordei sem saber ao certo
Se eu pertenço mesmo a este mundo
Ou fazia parte de um sonho
do qual fugi, do qual eu desertei
Recordando a mim mesmo,
nos últimos anos
ficou ainda mais difícil saber
Se estava certo
se aquela sensação
era somente um triste engano
Abro a caixa do correio
Nenhuma mensagem
Saio à rua e me sinto
Como se eu fosse apenas
Um despercebido pedaço da paisagem
Em casa, há tempos sou um móvel
Um quadro na parede
Patética imagem imóvel
Minhas mensagens poéticas
Carecem de estética, de forma, justeza
Minha vida, há muito tempo
vou vivendo sem certeza
Mesmo os sonhos mais sem lógica
Como mágica me fazem sentir
Como se eu fizesse parte
daquele mundo distante aonde vou
sempre que a inconsciencia vem buscar
e parece me dizer
Não acorde, filho
fique aqui com a gente
pois aqui é teu lugar
à tarde o vento empurra a vela
Vejo o mar pela janela
Se à noite o vento apaga a vela
Mesmo assim, no escuro, és bela
Te vejo passando e pergunto
Meu Deus, o que foi que te trouxe?
Quisera fugir de presença tão doce
Quem sabe se ao menos
Tão bela não fosses
e quando não estás
vou pra janela
olhar as estrelas pulsando
teu nome e teu sorriso
brilham no Céu
de vez em quando
Lembranças que se acendem
e esperanças que se apagam
Qual lume, dos insetos
que à noite vagam
dá até pra sentir o perfume
que emana da tua presença
posso até parecer triste
sou mais feliz
que você pensa
Seu cheiro tua ausência compensa
e meus sentidos embriagam
embriagado então
grito baixinho
que é pra não acordar
minha tristeza adormecida
que existe por não poder
estar em você
nem na sua vida
e isso torna a minha
sem sentido
se cego e surdo
fosse eu, de fato
quem sabe a sorte permitisse
ver-te bela
pelo tato.
E então cheguei aqui...
eu sei, não parece muito
mesmo assim, não compreendo
como foi que consegui
Quando tudo começou
isso, há muito tempo atrás
despojado de qualquer recurso
sem saber no que pensar
ou em quê sentir
fui seguindo
o tropel da cavalgada
muitas vezes ao fim
da viagem que
me conduziria a mim
percebia que não havia
de maneira nenhuma
aprendido ou ensinado nada
a vida soava onírica
e sem ter quem me ensinar
optei por procurar
o lado lírico do viver
hoje em dia
olhando o caminho percorrido
não me lamento
e muito menos me arrependo
de não ter acumulado
não haveria onde guardar
portanto, fui dividindo
que quem estivesse ao meu lado
irmão, amigo ou desconhecido
vivendo o Sol de cada dia
um dia de cada vez
o otimismo se fez escola
entrei em lagos
chutei bola
e tentando, então
compreendi
que nunca aprenderia a nadar
futebol, então...nem pensar
mas olhando hoje a vida, penso
que o empirismo me deu o bom senso
de saber que nunca haveremos
de chegar a nenhum consenso
e, apesar de tantos tropeços
que houve desde o começo
eu ainda estou aqui
e assim vou permanecendo
pois não tenho pra onde ir
O Universo
Este local
até hoje inexplicável
onde vivemos,
sem saber se é mesmo verdade
A existência de nós mesmos
Vivemos
Em vez de buscar explicação
para tudo que vemos
Quanto mais se descobre
mais descobrimos
que menos sabíamos
Abre-se uma porta
Estamos à um passo das estrelas
E cada dia mais distantes
das respostas escondidas
em cada descoberta
com as quais ninguém concorda
de vez em quando
alguém abre a porta certa
Em vez de outro abismo
aparece a teoria das cordas
até que um dia
percebemos
que estão também aqui
e que também estamos
estivemos ou estaremos
lá
Nos confins dessa infinita
estrada que o tempo não alcança
dançando sem saber
cada passo dessa dança
que ninguém vai saber explicar
se não conseguir
tornar a ter o que um dia chamávamos
de pureza da criança
Explicamos o corpo usando o cérebro
Não se explica o cérebro
Usando apenas ele mesmo
Abre-se uma porta
caimos no abismo
no qual ninguém cairia
se voltasse a usar apenas
a sabedoria que um dia tivemos
e não sabemos aonde ficou
Portanto
Ignoramos o tudo
Em vez de entender o nada
Às vezes, muitas vezes
Eu sinto uma imensa, muito imensa
Muito imensa mesmo
Uma saudade imensa, bem maior
Do que muita gente pensa
E penso nele, penso e me pergunto
Por que é que a gente repete e repete
e repete tantas vezes o mesmo assunto?
Quanta coisa a gente tinha pra dizer
e não disse...
Queria que ele me visse agora
Queria que ele me dissesse
Que sentiu a minha falta
Queria que ligasse pra mim
Qualquer hora dessas
Queria conversar um dia
Sem pressa
Ou gente por perto pra apressar a gente
Um dia o tempo acaba
Um dia um de nós dois se vai
Nunca se sabe
Queria dizer
Pai, meu coração é bem pequeno
Mas você ainda cabe.
Do muito que eu quis
Nem tudo me foi possível
Mesmo assim, talvez até esteja feliz
Concluí que é culpa minha
não saber querer direito
Daquilo que conquistei
algumas não deixaram
nem pista do seu paradeiro
sumiram de vista
ficou apenas o que era verdadeiro
Das poucas verdades
que os ventos trouxeram
Algumas nem verdades eram
Mesmo assim, menti pra mim
e enfim
as transformei em verdadeiras
Meus desejos então
hoje em dia, nada mais esperam
além de que permaneçam
as que ficaram
As demais
Eu até já me esqueci
e espero sinceramente
Que também me esqueçam.
Sou daqui mesmo, terra boa e santa.
Onde tantas e tantos já descansam.
Lugar bom de se viver, de famílias puras.
dentre elas, a minha e a tua.
Não seria justo, falar da minha, esquecendo a tua.
Terra dos Freitas, Pereiras, Martins, Faria,Cabral e Venceslau.
Sem esquecer os Procopios e dos Buenos, Avelinos
Nesse mundo raro, não posso me esquecer dos Barros.
Vejo as pessoas felizes, mas não esqueço os Rodrigues.
As vezes fico tenso, mas aí me lembro dos Lourenços.
As vezes até esqueço de nomes, mas jamais dos Gomes.
Escrevo coisas sem eira e beira, sem esquecer dos Vieiras.
Sem presunção, mas não posso esquecer os Assunção.
Mas respeitos a todas, com maior admiração...(Patife)
Hoje o mundo ainda não é mágico
Mas seria fantástico assim mesmo
Se vocês estivessem aqui
Enquanto vocês dormem seu sono profundo
procuro corrigir este lugar
A cada segundo, tentando melhorar o ar
Que haveremos de respirar
No dia em que nos reencontrarmos
Aqui, nada flutua à toa, ainda
Mas a gente cultua uma Divindade
Suprema e muito linda!
A mesma que os acolheu ai no Céu
Existem sim, tardes infindas aqui
desde que vocês partiram
Muita coisa mudou
Outras permanecem muito iguais
E assim permanecerão
Não existem mais aqueles lamaçais
tão divertidos
Que a gente pisava
nos ensolarados domingos de manhã
de nossa, a cada dia mais distante
rica e saudosa infância
Mas no meu coração
Muita coisa permanece como antes
Pois a aliança firmada com os anos
nada e nem ninguém haverá de quebrar
mesmo que o destino
tenha mudado os nossos planos de meninos
Até o dia
Em que novamente nos virmos
Fica guardada aqui no peito
do mesmo jeito
aquela profunda amizade
amados amigos e primos
irmãos de verdade
Que a vida me deu
e que o tempo levou
Quando nada mais houver
E se não restar
nem mesmo a dor
Agradeço pelo que tive
Mesmo estando assim
tão distante do começo
fico feliz pela tarde
Quando chove
Observo o alarde que faz o mundo
e agradeço, mesmo quando
dentro de mim
Nada mais se move
Me apego ao apreço
Que um dia, porventura
houver existido
pela pessoa que eu era
A vida não passa
Nós passamos pelo Mundo
a vida espera
às vezes fingida e mentirosa
e há dias em que é sincera
e claramente fria
Quando mais nada houver
e acabar-se o que havia de melhor
assim como também não existir
amor, calor ou dor
estio ou frio
Nada pra sentir
e nenhum lugar aonde eu ir
Ainda assim
Espero que ainda possa ver
as aves no Céu
Simplesmente pra se olhar
Mesmo que em meu caminho
haja apenas as quedas
E esta vida eu já nem viva
Nesse dia talvez eu compreenda
Que por mais que a vida tente
e a gente jamais aprenda
Seja ela gentil, sutil ou incisiva
haverá de existir pra sempre
A alternativa de vivê-la
desta maneira
um tanto contemplativa
O Universo permanece imparcial
Mesmo quando parece que não
E qualquer coisa pareça
receber um tratamento especial
Desigualdade é ilusão
O reverso e o avesso
O Céu e o chão
Filhos da mesma natureza
A Natureza é um amor
Cuja confiança nós desmerecemos
Uma tábua de leis
Que nós não lemos
E que às vezes
se apresenta enfurecida
Nos forçando a reaprender
O lado leve da vida
A vida, curto e eterno
Período de tempo
No qual dividimos energia
Com o ar, com os mares e as pedras
Poeira de estrelas
e com a própria vida
Que compõem e se espalha
Por este imenso Universo
Onde, apesar de nossas ilusões
Nada falha
A luz e a escuridão
Divididas com plena igualdade
Onde a única ilusão existente
É a existência do mal
Que não existe
Portanto, não fique triste
Pois o Universo
Permanece imparcial
Faço comigo mesmo
Uma guerra noturna
declaro um armistício
pra tentar me destruir
Me convenço de que é chegada
a hora de morrer
Penso que passou
da hora de partir
Tenho uma breve lembrança
dos lugares onde eu fui
das pessoas com quem eu estive
será, que uma vida só se vive?
Creio que não
tenho quase certeza que não
tenho certeza que não
não.
É que a gente distorce
tanto a realidade
Que nem sabe mais
distingüir a qualidade
do que é real ou fantasia
pode ser que este dia e esta hora
sejam agora, somente ilusão
e eu esteja em outro lugar
no despertar de outra Aurora
Vida minha, amada vida
Te agradeço por vivê-la
Mesmo que às vezes eu sinta
Que talvez eu não mereça tê-la
Cresce em mim a cada dia
A alegria de poder viver
Vida, te prometo
Que até o meu último suspiro
Você não há de ser perdida
E que mesmo nos piores
Momentos de delírio
Não haverei de sentir
Medo de vivê-la
Tenho sim
Vontade de fazer
Muita coisa que eu não faço
Aquelas que, portanto
Você, minha vida, permitir fazer
Se acaso pra longe eu tenha que ir
Eu vou até lá para vivê-la
E viverei, durante a viagem
A alegria de enxergar
A linda imagem da minha chegada
E mesmo que lá não haja nada
Viverei a alegria da volta
Vida, imensa vida
Cuja existência, muita gente acha
que deve ser vivida animalescamente
Permita, vida
Que o vento leve estas palavras
E as entregue a alguém
Que mereça recebê-las
Diga à ela, vida
Que antes que você se acabe
Eu gostaria muito de poder
Conhecê-la
E que ela finalmente
Reconhecesse o que me faz.
Vê-la
Sentí-la
Beijá-la
E, quem sabe, dizer que por ela
Valeu-me viver minha vida.
Quando perco a esperança
Minto pra mim mesmo
e dentro desse engano
Faço de conta que ela vai voltar
No tempo da primavera
O vento me arrasta, o Mundo gira
a vida dança e o tempo me alcança
Tento dar uma guinada
Quando vejo
Estou novamente rumando
Exatamente na direção errada
Sem ter o que fazer
Não faço nada
E também não me entrego
Parece que tem dias
Em que vivo somente um voo cego
E quando ele termina
Eu cheguei à uma noite vazia
Mais uma
Me entrego então a ela
Pois em meus sonhos
Ali existe, sim
Uma esperança, ainda que pequena
De poder olhar a tua cara, tão bela!
As pessoas vão passando
Não é esta e nem aquela
Quem dera, esta noite
talvez eu tivesse a sorte
de olhar novamente as estrelas
e finalmente; por um momento
Poder ver a você
e somente você
Linda como a luz da primavera
Hoje eu estive pensando
Conversei comigo mesmo
e conclui:
Se houvesse neste Mundo
Alguém
Uma só pessoa
Que me ouvisse e conhecesse
Talvez
A ela eu perguntasse
O que foi que eu fiz e quis
e vi e vivi
Tentaria resgatar
a memória perdida
das coisas que eu não tenho mais certeza
Se realmente vivi nesta vida
Se houvesse, nesta vida duvidosa
Uma única alma boa
Que me contasse
Se minha vida realmente valeu à pena
Que pena!
Não me recordo de mais nada
Quase nada mais eu sei
Acerca de mim mesmo
Esqueci de quase tudo
Às vezes eu até
Chego a sentir
As dores aludidas
Em tantos poemas anteriores
Mas não tenho mais certeza
Se eu realmente as vivi
As senti
Ou se eu simplesmente
As menti
Os milagres que existem no Mundo
Eu os vejo nas menores coisas
Mesmo que sejam grandes
Pois é nos detalhes, que se escondem
os seus significados mais profundos.
A escuridão que precede o amanhecer
traz junto a si uma paz e uma temperatura
Que a gente não há de ver ou sentir
Em todo restante do dia
O canto dos pássaros ao longe
Misturando-se ao silêncio
entrecortando-lhe, extingüindo-o
Findando-lhe aos poucos
A coloração acinzentada
misturada a uma tonalidade rósea
é a luz do Sol brincando entre as nuvens
Tornando menos plúmbeo
o milagre pluvial
Algo lindo de ser ver!
E assim
A noite e o silêncio morrem
Na rua as pessoas correm feito loucas
Quando cumprimentam-se, velozes
Suas vozes denunciam, roucas
Um misto de tristeza e alegria
Pelo milagre do nascer de mais um dia
Bom dia!
Eu não aceito
Viver em um mundo
Em que as coisas sejam
Todo dia do mesmo jeito
Não quero aceitar essa lógica
Tão trágica
Onde se admite
A inexistência da mágica
Um mundo
Onde tudo faz sentido
E pra tudo
Existe uma explicação
Enquanto
Eu olho ao meu redor
E enxergo uma infinidade
de absurdos
Que o mundo aceita, simplesmente
Como fatos consumados
Prefiro conversar com as nuvens
E viver em uma época
Em que todos os relógios
Andem também para trás
Um mundo mais suave
Sem vozes tão graves
Talvez até
Sem gravidade
Pra que a mente possa
realmente voar
Sem medo de altura ou de queda
Eu quero viver em um mundo
Onde o adulto se cala
Enquanto a criança fala
E ambos seriam a mesma pessoa
O mais triste é
Que essa outra dimensão existe
Bastaria pra nós
Aceitá-la
Jamais fui longe demais
Eu sempre estive muito perto
do lugar onde eu nasci
Mesmo meu pensamento
Inquieto e insatisfeito
E que sempre me tirou daqui
E que briga com o peito deserto
Que não liga
Então pergunta à minha alma
Como eu posso viver desse jeito
ou de onde vem tamanha calma
Esses pensamentos também
Jamais vão longe demais
Pois, se fossem
Creio eu
Que seria capaz
Que eu pra lá me transportasse
E aqueles que me conhecem
Não me veriam
Nunca mais
Minha fome
É uma arte
Que faz parte
da minha natureza humana
Minha fome
Me consome
Mas
Mesmo estando um trapo
Eu sempre retiro
O fiapo que tem na banana
Mas eu sei
Que tem gente que come
Há momentos
Em que a fome
é de conhecimento
Mas tem coisas
Que depois que a gente sabe
a gente pensa
Que era melhor não ter sabido
Tem hora
Que é fome de afeto
A palavra correta
Falada no ouvido
Fome de descanso
Fome de viver
Num mundo mais manso
Fome de abraço
Assim que passar
O cansaço
Tem dias
Quase todo dia
Que sinto fome de poesia
daquelas que consomem
Com toda tristeza
E me nutrem de beleza
Depois disso tudo
Me sento à mesa
repleto de fome
Não dá pra fugir
À minha mais primária natureza
de homem
Não existe razão
Pra que aconteça
Tanta coisa
Que mesmo assim
Acontece
E nem infinitude
que as faça permanecer
eterna e simplesmente
As portas que se fecham
Hão de se abrir um dia
As coisas que não são
do jeito que a gente queria
tem poder de ser
e surpreender
e até de transformar
em alegria
Aquela tristeza de ontem
As cartas que hoje erram
Ainda vão se revelar um dia
e as coisas serão bem diferentes
e melhores
do que a gente pretendia
Aguardaremos
o efeito transformador
Que muda as coisas mínimas
As lágrimas que ontem rolavam
aquelas que doíam
Hoje a gente percebe
Que elas abrem as vistas
e revelam as conquistas
Que tanta tristeza escondia
As folhas se foram
Antes mesmo que chovesse
Eu fico assim
Em companhia de mim mesmo
Os mesmos pensamentos
Aqueles
Que o coração não esquece
Dessa maneira
Me resta uma tarde inteira
A pensar em luzes
E Seres Angelicais
Criaturas Divinas
Anjos
Com cara de menina
Que vivem longe de mim
E todos os demais
Que me rodeiam
Aranha tecendo teia
Marimbondo
Fazendo ninho na areia
de vez em quando
A natureza grávida
Escondendo a beleza vindoura
Nas pupas e crisálidas
Borboletas
São como Anjos que vem de longe
Mulheres lindas e iluminadas
Que brilham na escuridão
Algumas possuem uma certa luz
Que desperta algo dentro de mim
E me deixa sem rumo...
Sem chão.
Mesmo assim
Me refaço...me aprumo
Me imagino
dentro do seu abraço
desfaço esses pensamentos
Prossigo no meu caminho
Preciso ir viver ainda
deixar essas coisas de lado
Meu Deus
Eu vi um anjo iluminado
Uma borboleta linda!
- Relacionados
- Poemas sobre saudade para transformar ausência em palavra
- Frases para namorada que mostram o quanto ela é especial para você
- Frases de motivação: palavras para encontrar o incentivo que você precisa
- Frases de despedida para refletir sobre finais e recomeços
- Frases Bonitas sobre Saudades
- Charles Chaplin sobre a Vida
- Você é especial para mim: frases que tocam o coração
