Guthierres

Encontrados 14 pensamentos de Guthierres

Você nunca será bom o suficiente para aqueles que você não tem um real sentido para elas.

Inserida por guthierres

Achar que ama é pouco para quem de fato deseja amar.

Inserida por guthierres

Primeiro você curte a vida, depois a vida te curte, afinal de contas a reciprocidade não deixa de ser dom.

Inserida por guthierres

⁠Quem ama não se arrisca, quem ama se decide.

Inserida por guthierres

Um Outro Deus Vult


Um dia quis ver
o que falta para saber
o quanto amor posso ter.


Não sabia que havia algo —
quem diria —
sempre um passo à frente
de minhas agonias,
sabendo que o amor mais sincero
reconhece a dúvida que em mim paira,
tão sedenta.


Vejo a luz que ilumina meus dias,
sejam escuros
ou aurora nascente;
ao meio-dia, ela é central.
Ele não desiste:
o amor persiste —
talvez seja este
o que mais anseio.


O amor que me oferece
parece palpável quando percebo,
e então paro
para pensar:
Deus teve um Filho na terra,
sem pecado —
não pôde não sofrer.


Vejo: o amor se deu.
Um Deus rebaixado
me viu no mais baixo da vida.
E o amor sem fim
venceu.

Quanto temos de nós?


O quanto temos de nós, parece um aceno
A insistencia de minha consciência
de afastar-se para horizontes distantes,
Afastar parece ser,
um movimento do ser que deseja suspender
Para um pouco ver
o que muito se pensa que é.


Tal incerteza atravessa
as certezas que muito alimento,
Longe de pronto estar,
solidão tento a flertar,
com graciosa, talvez penosa
forma de se encontrar,


No meio do turbilhão das massas
não poder se encontrar,
não se sabe portanto
o quanto podemos conosco contar,
na certeza de poder confiar
que o que tenho é meu
ou foi afetado,
pelo lastro de certezas
que o mundo fez.

Eu tive um momento


Eu tive um momento no tempo
que deixou de ser
enquanto se leu
o que tinha para ler.


Logo esqueci.
De pouco vivi
para saber
o quanto tempo passou,
desde que tal consciência ganhei
da eternidade do tempo
que muito tentei eternizar.
No momento que tinha para dar e viver,
acabei apegado
no apêndice que carrego.


Não só eu,
mas todos os que de tempo compartilham,
sem nada viver,
pois vidrados estão
em mostrar
o quão vivendo estão.


Por telas eu vi
tempos perdidos ali,
por tentar registrar
o que passando está.
Na ânsia de mostrar
o passado presentificado
que não existe.
Pois registro é tempo perdido tentando se redimir
do que vivido não foi.


A meu tempo,
tentando provar que vivido foi,
frustrado fico em saber
que se foi o tempo
que nem mesmo vivi,
pois tentei segurar
o mais implacável de todos,
Cronos sabe o que faz.


Pois, se não fosse tão fulgaz,
o ser humano o tentaria roubar,
achando que sucesso teria,
quando, na verdade,
só adiantaria
seu fim contumaz.

O Poço


Em meio a história, a passagem se mostra,
Cercada de mitos e contrastes marcada esta.
Passa o tempo, a ciência e em meio a dilemas a leitura atenta se revela interna em quem pedido está.


O poço é teimoso, não se cumpre o querer de quem cedo tenta tecer seus ideias.
O poço de sentidos que cinco temos, é muito buscar ilegítimo continua a responder.


Ao meio dia a mesma luz que no centro irradia, distante não está.
Pede água sabendo que sede é de sedento de humanos para o Pai.

Por detrás de um eu


Os vestígios de uma vida que se passa,
carregada de escombros
é vista de todo sempre
como uma vida que falhou,
que o destino não ligou,
e nem precisa lembrar.


Nada mais parece claro,
quantos os relatos nos muros,
feitos por vezes inseguro
de alicerce de sonhos
trancados nos vales
dos desejos não vividos,
que agora jazem
no baú esquecido
da vida que passou.


Não se empenha
com mesmo fulgor em recordar
que uma vida não pode passar,
sem marcas deixar,
de bom ou de ruim
que importa?


O tempo passa galopante,
outros tentam apagar,
talvez senão uma marca deixar,
de tudo que passou,
se pense que ela existiu,
um bem houve.

Dos Passos Meus


A cada passo do próximo vestígio de esperança que percorro,
sigo forte no velho Norte
que a vida me ensinou.


Nada me passou do sentido
daquilo que sou,
sem seu revés,
em meio às parcelas que deixei
por onde meu coração andou.


Fartura de poucos sonhos
e realidades brutais;
com escudo foi duro,
com coração foi firme,
com palavras, eficaz.
Sobrevive a marca
dos marcadores de felicidade
que vivi.


Marcas de um peregrino que muito anda
e, no peito, sente que não chegou;
cheio de marcas ficou
das andanças que desbravou.


Depois de muito andar,
sabe que ainda tem,
pois de eternidade vive aquele que ama
e nada tem.

Ó saudade


Dizem que a saudade é o azar de quem teve muita sorte. Uma música diz que só se sente saudade do que é bom.


No mais, entende-se que todo momento verdadeiramente bem vivido cobra seu preço.


A experiência da felicidade, ao mesmo tempo em que é marcante, é também dolorosa, na medida em que nos dedicamos a bem vivê-la.


De fato, viver para ser feliz não significa ausência de dores. Até mesmo os melhores momentos, por não serem perenes, causam dores que carregamos constantemente, por tentarmos ser, ainda que por um instante, felizes.

Praia de um rio agora calmo
Ao passo do regresso de meus amores,
sigo firme no propósito do que é meu.
Vejo, na imagem, a dizer:
que, tanto no amor quanto no prazer, rios hoje calmos já conduziram águas de muitas torrentes; águas que, outrora, representavam perigo, mas que agora passam com suaves murmúrios pelas margens, correndo lentamente sobre as belas praias que elas mesmas um dia criaram com sua força.


Ela mostra que as mais fortes correntes não resistem ao tempo. Mostra que, por mais tremendas que pareçam, o tempo as convence a, um dia, correr sem carregar consigo tudo o que encontram pela frente. Aprendem a desviar dos galhos, deixando de vê-los como obstáculos dignos de confronto, e, assim, evitam obstruir passagens que jamais impediam o curso da vida, preservando o caminho que as conduz ao seu destino.

Silêncio


O silêncio fala,
O silêncio responde,
O silêncio grita,
O silêncio silencia,
O silêncio move,
O silêncio para,
O silêncio diz,
O silêncio questiona,
O silêncio brada,
O silêncio sussurra,
O silêncio nega,
O silêncio entrega,
O silêncio pede,
O silêncio rebate,
O silêncio argumenta.


De todos os silêncios, o mais avassalador é o da agonia;
aquele que traz de volta as vozes que um dia amamos ouvir
e nos condena a escutar apenas o eco daquilo que já não responde.

Eu não sabia


Um dia, pelo caminho,
entre idas e vindas,
surgiu um amigo.


Eu não sabia
mas ele já me conhecia.


Tão bom, tão amável,
que nem percebi
que no mundo havia
alguém que me via.


Perdido, acreditava:
longe de casa,
ninguém me notava.


Eu não sabia
mas quem diria,
ele já me conhecia.