Texto sobre Infância

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GRATIDÃO E SAUDADE
Na infância e na adolescência
Ele era da Desportiva Ferroviária.
Mas foi no Vasco que ele ouviu ...
o seu nome ser ovacionado!
Seu talento para fazer gol
Era tão marcante que
atorcida vibrava delirante!
No italiano,-_ nome Giovanni ,
é uma variante do nome _ João.
Amor, Fé, virtudes desse nome
vindas da mente e do coração
Yochanan é Giovani na Tradição .
Significa:_ Deus É sua Proteção.
E assim gols surgiram ..
E fez identidade desse Campeão!
Hoje , não é choro só de tristeza.
Mas de saudade, com certeza.
Esse nosso " Pequeno príncipe"
que se fez realeza,desde o início.
Capixaba sente saudade e chora.
E dizem nesta hora
Obrigado Geovani
Por tudo que você fez aqui.
No nosso País e lá fora!
Gols,gol,gol,!!!
Descanse em Paz
Vitoria sua cidade ,
não lhe esquecerá
Jamais!!!

Na infância, teu nome era refúgio
e o amor morava nos gestos simples.
Eu te amava sem promessas,
como quem ama sem medo do fim.




As memórias ficaram espalhadas em mim,
no cheiro do tempo, nas músicas antigas.
Teu riso ainda atravessa meus dias,
mesmo quando a saudade insiste em doer.




Nesta última carta, confesso o que calei:
que nunca parti por falta de amor.
Parti porque amar também cansa,
quando só um coração insiste.




Infelizmente, o tempo não volta
e nós viramos lembrança.
Mas se um dia pensar em mim,
saiba: eu te amei inteiro, até o fim.

Eu vejo.
Com os mesmos olhos pequenos da minha infância.
A minha vida não foi só flores, mas também não foi só circo de horrores, eu passei várias vezes pelo mesmo ciclo até eu compreender que eu tinha a solução para não mais remediar e encerrar aquilo que me machucou, muitas vezes o perdão é o melhor remédio e não se tratando de prioridades o melhor remédio mesmo é a distância é seguir em frente sem ficar remoendo o que passou, ou você aprende, ou você ensina.
E vice-versa.
Hoje eu acordei com uma vontade de sair andando por aí sem destino e resolvi vir aqui no alto.
Nesse lugar lindo, eu consigo ver o mar intensamente, assim como todas as lembranças da minha mente!
Comprei apenas a passagem de ida, sem me preocupar com as voltas.
Dando as boas-vindas a toda a minha vida passada.
Passeando pela minha infância, eu vi minha mãe nos levando nas festinhas de crianças dos nossos (parentes), éramos sete.
Muitas vezes não ficamos nem para os parabéns porque as minhas tias faziam questão de tratar a minha mãe como uma intrusa e muitas vezes eu me questionei o porquê.
Hoje eu compreendo que era aleatório simplesmente pelo ter ou não!
Então eu cresci correndo na rua, brincando de pega com meus amiguinhos.
Minha mãe sempre foi muito séria e severa e meu (pai) era um viajante que aparecia bêbado com alguns doces e ovos quebrados para casa que ela, trabalhando de faxineira, sustentava!
Meus problemas estão tão miúdos agora.
Mesmo eu tendo sido castigada e me sentindo injustiçada, eu compreendo que não foi nada fácil sua estrada.
Hoje tenho minha própria história com filhos e netos e nas nossas festinhas somos todos iguais, também brigamos e temos as nossas diferenças, não materiais e sim temporais.
Estou tão chateada porque confiei novamente em alguém e fui magoada.
Como dizia minha falecida madrinha, é o fim da picada, quase não dói mais!
A gente era tão feliz e, ao mesmo tempo, triste.
Acho que a vida é um misto não quente e sim uma mistura de sentimentos para que a gente vá dosando seus valores.
Hoje, eu, apesar de chateada com algumas coisas fora do lugar.
Eu só preciso desabafar!
Olhar para esse mar e gritar para mim mesma.
Vai passar!!!
Então eu solto o meu grito, liberando todo esse peso dos meus ombros e decido voltar.
Calmamente vou descendo degrau a degrau.
Porque a vida não é só subida.
E se eu cheguei até aqui, é porque eu estive lá.
Resolvo compreender minha mãe ao invés de julgar e dar a ela todo o amor que lhe foi negado.
Ela é, sim, minha guerreira!
Tipo a She-Ra que, quando eu era criança e sentia medo, levantava o braço sem espada e gritava: pelos poderes, do amor!
Que as coisas boas prevaleçam e as ruins se esqueçam!!!
É
Acho que de certa forma deu certo
Porque acontece o que for ele fala mais alto do que os gritos da tristeza..
Te amo mãe, te perdoo te compreendo e principalmente te quero sempre aqui perto de nós e feliz....
A melhor recordação são os sorrisos em família e se não tivermos, faremos ter, sejamos a nossa grande diferença nesse mundo de iguais...


Esse texto é uma crônica filosófica de Starisy em homenagem a sua mãe Marlene..


"Seria cómico se não fossem apenas crônicas poéticas "

➳Quando me perguntam se tenho amigos, respondo que não. Guardo poucos da infância com carinho, mas hoje vejo que a amizade verdadeira ficou rara em um mundo cheio de competições. Não disputo nada com ninguém.
Prefiro a quietude de poucos laços antigos à pressa das conexões modernas. Em um mundo que insiste em competir, escolho não disputar espaço. Minha caminhada é silenciosa, minhas memórias de infância são raras, e meu único confidente é Deus.ღ

LIVRE ARBÍTRIO

A pessoa humana vive através de escolhas.
Na infância, geralmente as escolhas são feitas pelos pais, contudo, quando começa a adquirir liberdade para seus atos, a própria pessoa começa a escolher.
A pessoa pode escolher alimentos que podem ser bons ou ruins para seu organismo, ingerir bebidas alcóolicas em demasia, fumar, usar drogas ilícitas, sabendo que podem ser prejudiciais.
É a própria pessoa quem escolhe se irá viver sozinha ou com alguém, se constituirá família, o namorado ou a namorada, o companheiro ou a companheira, o esposo ou a esposa, se terá filhos, a forma de criação destes.
O trabalho é escolhido pela pessoa, assim como o local de moradia, tendo liberdade de mudar quando quiser e se tiver oportunidade.
Se a pessoa tiver força de vontade e se esforçar, estudará o curso que desejar.
A religião pode ter sido escolhida pelos pais na infância, mas a pessoa pode fazer nova escolha posteriormente, até não seguir nenhuma religião.
Os estabelecimentos, bares e locais de lazer, para comprar ou frequentar, são escolhidos pela própria pessoa.
Cabe à pessoa decidir se irá ter e/ou dirigir veículo, habilitada para tal ou não.
Quando se deparar com alguma dificuldade, inclusive doença, a pessoa poderá desistir ou procurar resolvê-la, ainda que não consiga.
A pessoa pode escolher amar ou odiar, praticar o bem ou o mal, ser alegre, ainda que esteja sofrendo, ou chorar.
Cabe à própria pessoa buscar a felicidade, se é infeliz, mediante escolhas.
Até a morte e enquanto tiver discernimento, cabe à própria pessoa fazer suas escolhas, por mais simples que sejam, e sempre poderá dizer sim ou não, aceitar ou recusar.
Portanto, a pessoa humana tem o livre arbítrio, assim, deve pensar bem ao fazer suas escolhas, pois será através delas que colherá frutos bons ou ruins, imediatamente ou no futuro.

Chuva na infância, sol no futuro



Em um dia de chuva fina e céu fechado,
fui deixada, sem aviso, sem abraço,
com os olhos marejados e o coração rasgado,
vi meus pais partirem… sem sequer olhar para trás.


Tinha três anos e uma camisa laranja,
uma saia jeans e a alma em pranto,
o mundo tão grande e eu tão pequena,
perdida no tempo, sem um canto.


Fui criada por vozes frias, mãos distantes,
que diziam cuidar por obrigação.
Erguemos o lar entre irmãos sobreviventes,
com amor inventado na força da união.


Dia dos pais era só mais uma dor,
um desenho vazio sem destinatário.
Guardei segredos que pesavam demais,
num peito sem colo, num lar temporário.


Procurei amor onde não havia,
em rostos estranhos e toques vazios.
Mas hoje, enfim, encontrei abrigo,
entre braços que secam meus desafios.


E agora, à beira de um novo caminho,
sonho com filhos, com festa, com lar.
Prometo a eles o que eu não tive:
amor de sobra para transbordar.

Dente de leão , florzinha mágica

Ah, bela plantinha
Tão pequenina e fugaz
Lembrança da infância nos traz
Basta apenas uma sopradinha
E era uma vez uma florzinha

Penugens voam pelo ar
Corro a querer pegar
Mas o vento traiçoeiro
espalha todas que se perdem
pelos campos a adentrar
Junto levando consigo
meu sorriso brejeiro

Ficam as crianças a soprar contentes
Da pequena flor a fugaz semente
Que deixa pra sempre na mente
A certeza da liberdade
Que se vai num repente .
e a vida que se esvai fugazmente

escrito por edite lima / Fevereiro/ 2018

* Dia das crianças *


Embora a infância seja o início
do nosso caminhar pelas veredas da vida,
ela permanece presente e determinante
até o fim...


A infância não passa,
ela se infiltra em cada passo do caminho,
molda as feridas e os sonhos
que nos carregam até o último suspiro...


A infância é o primeiro perfume
das veredas da vida...
e, mesmo quando o corpo se cansa,
ela floresce nas lembranças
que nos sustentam até o fim...
✍©️@MiriamDaCosta

Lembranças da Infância 🌺 Hibisco-Colibri 🌺


Houve um tempo
em que entre uma brincadeira e outra,
pegávamos uma florzinha fechada
de hibisco
para sugar o mel dela.


Era um tempo
onde o mundo escondia doçuras
e a natureza era companheira generosa
nas descobertas.


Éramos pequenos colibris
aprendendo o sabor da vida
direto da flor, sem pressa,
sem medo e sem saber que aquilo
também era felicidade.
✍©️@MiriamDaCosta

Quando chega o Natal e a passagem do ano novo, fico recordando da minha infância, tudo era tão poético, tanta inocência!
Hoje é só consumismo, tanta competição, tem que mostrar o carro novo, o celular top, etc...!!!!
Na passagem do ano é aquela loucura, parece que o mundo vai acabar, no dia seguinte nada mudou, tudo continua igual!!!

Sorrisos de Vidro


Menina de cabelos cacheados,
carregava nos olhos
a luz que toda infância merece.


Mas quem deveria protegê-la
foi quem lhe roubou os dias,
transformando abraços em medo
e o silêncio em prisão.


Dos primeiros anos
até os doze,
ela aprendeu a sobreviver,
não a viver.


Cresceu.


Vestiu sorrisos,
escondeu cicatrizes
e fez do próprio coração
uma fortaleza sem janelas.


Agora seduz,
abandona
e parte corações,
como se cada homem ferido
pudesse pagar
pela dor de um único monstro.


Mas nenhuma lágrima alheia
devolve uma infância roubada.


E quando a noite cala o mundo,
ela encara o espelho
e encontra a mesma menina
de cabelos cacheados,
ainda esperando
que alguém a salve
do passado que nunca foi embora.


Seus sorrisos são de vidro:
brilham para quem olha,
mas por dentro
estão quebrados,
e cada pedaço
ainda sangra,
Sangra na sua
Própria Loucura.

Amor de Infância
Quando tempo fique te esperando, eu dormia e acordava de beijando, sonhava com você todos os dias, você era a única pessoa que eu queria. O tempo passou e você foi embora levou com você a nossa história, e comigo ficou as lembranças das coisas que fazíamos na nossa infância.
Eu não sabia o que dizer, eu não sabia o que falar simplesmente aconteceu você na minha vida, eu não sei se era o certo, eu não sei se era assim, mas o nosso amor de infância nunca terá, nunca terá um fim.
Deus nos abençoou, Deus nos protegeu, não sei porque somos assim mas temos o amor para nós unir, nada poderá nos separa, nada nunca irá nos fazer chorar, pois o nosso amor de infância para sempre vai durar.

Capítulo Da Infância Sobre:
A infância velada de Camille Marie Monfort .

A casa era grande demais para uma criança pequena. Os corredores longos pareciam guardiões de um silêncio que não se quebrava, mesmo quando o vento batia as janelas e fazia as cortinas dançarem como fantasmas. Camille Marie Monfort caminhava por ali em passos leves, como se temesse acordar a própria casa, que mais parecia viva, respirando em sua solidão.

Desde muito cedo, sua infância não se assemelhava à das outras meninas. Enquanto as crianças vizinhas se ocupavam com risos em praças e bonecas de trapo, Camille preferia sentar-se no sótão, entre livros empoeirados que ela mal conseguia decifrar. Tocava as páginas com os dedos miúdos, como quem acaricia um segredo. Não lia, mas sentia. Era como se as palavras murmurassem dentro dela, em uma língua ainda inacessível, mas estranhamente familiar.

À noite, deitada em seu quarto, Camille sonhava com jardins que nunca vira. Sonhava com espelhos partidos em que não via o próprio reflexo, mas vultos que a olhavam em silêncio. Havia em seus sonhos algo lúgubre, mas nunca amedrontador. Era um chamado.

Um dia, encontrou no quintal uma boneca quebrada, de porcelana antiga, esquecida no chão úmido. O rosto rachado da boneca refletia uma dor muda, e Camille a tomou nos braços como quem recolhe um ser vivo abandonado. Desde então, guardou-a como seu tesouro. Quando estava só, falava com ela em voz baixa, como se fosse sua confidente:

— Não é feio estar quebrado, é apenas mais verdadeiro.

Essa frase repetida em segredo, dia após dia, moldava sua visão do mundo. Para Camille, a infância não era um lugar de esquecimento ou de fugas, mas um território de presságios.

Sua mãe, distraída em afazeres, estranhava vê-la tão calada. "É uma criança triste", diziam os adultos. Mas não era tristeza. Camille carregava dentro de si uma gravidade misteriosa, como se tivesse sido convocada a escutar os ecos da vida antes que os outros pudessem ouvi-los.

Nos raros momentos em que sorria, o riso vinha como relâmpago: breve, mas de uma claridade tão pura que iluminava por inteiro o ambiente. Era como se sua alma, por um instante, rompesse o véu e se deixasse ver em sua plenitude.

Camille crescia assim, entre o silêncio e os símbolos, entre os sonhos e as sombras. Sua infância, tão oculta e incomum, não era uma fuga da realidade, mas a preparação para compreendê-la com mais profundidade.

Talvez seja esse o maior legado de sua história para as crianças e adolescentes de hoje: não temer o silêncio, não desprezar os sonhos, não fugir das inquietações. Porque até mesmo os medos infantis podem ser mestres disfarçados, conduzindo o espírito a um entendimento mais amplo de si e do mundo.

Camille Marie Monfort, em sua infância velada, nos recorda que cada criança carrega não apenas uma promessa de futuro, mas também um fragmento de eternidade que se revela nos detalhes mais singelos.

Me lembro de uma colina
Que eu via na minha infância
Nunca fui lá
Só via de longe
Aquela paisagem tão mansa
Poderia desejar
muita coisa nesta vida
Mas se eu pudesse fazer um pedido
Queria hoje romper a distância
Que o tempo cruel demarcou
E estar lá agora com minha amada
Sentar-me com ela
E olhar o mundo ao longe
Fazer fogueirinha
declamar para ela poesia
Erguê-la lá no Céu
Somente com palavras
Convencê-la de que a amo
Olhá-la sorrindo
Perceber o quanto é lindo
o seu sorriso contrastando
o Sol que finda mais um dia
À noite olhar estrelas
As que estão no firmamento
E mais aquelas que subiriam
Em movimentos lentos
Ao despregar-se da fogueira
Deitar-me ao lado dela
Fazer planos...
Passaram-se tantos anos
O Sol se pôs muitas vezes
Fizemos coisas complicadas
estando juntos
Mas esta coisa delicada e pura
Não
Passa-se a vida
E a gente deixa escapar
a oportunidade de realizar
os sonhos mais singelos
Que foi deixando pra depois
e quando a gente vê
Passou-se quase tudo
E a gente pensa na colina
distante no tempo e no espaço
O amor, este permanece
A colina
Acho que não existe mais
Esquece!

O IMPERDOADO.
A infância não chegou como jardim.
Veio semelhante a um corredor austero de vozes severas.
Mãos invisíveis moldaram-lhe os ossos da alma.
Ensinaram-lhe a curvar-se antes mesmo de compreender o peso dos céus.
Disseram-lhe que sentir era fraqueza.
Que o homem digno deveria transformar lágrimas em silêncio.
Que a obediência era mais importante que a verdade interior.
Então ele cresceu.
Cresceu como crescem as árvores atingidas pelo inverno perpétuo.
Fortes por fora.
Mortas em regiões ocultas.
Carregava nos olhos um oceano imóvel.
Os dias passavam semelhantes a procissões de ferro.
O mundo exigia máscaras.
E ele as vestia uma após outra.
O filho exemplar.
O homem disciplinado.
O rosto imóvel diante das tragédias.
A criatura útil diante das engrenagens sociais.
Mas cada renúncia enterrava um fragmento de si.
As cidades iluminavam-se enquanto sua consciência escurecia.
Os salões celebravam triunfos vazios.
Os homens brindavam conquistas sem perceber o abismo que carregavam no peito.
Toda civilização possui seus palácios.
E seus cemitérios invisíveis.
Ninguém ouviu o colapso dentro dele.
Certas dores não produzem gritos.
Produzem desertos.
Durante anos caminhou entre multidões como um espectro filosófico.
Falava pouco.
Observava muito.
Aprendera que o mundo teme aqueles que enxergam excessivamente.
Então certa noite.
Quando os sinos interiores da existência estremeceram sua memória.
Ele viu.
Viu a própria vida semelhante a uma catedral incendiada.
As virtudes impostas.
Os afetos mutilados.
Os sonhos executados lentamente pela disciplina cruel dos homens.
Percebeu que fora domesticado para sobreviver.
Jamais para viver.
E naquele instante o universo tornou-se pesado.
As estrelas pareciam lápides suspensas sobre a humanidade.
O vento possuía gosto de ruína antiga.
Os rostos humanos tornaram-se máscaras fatigadas buscando sentido entre guerras, vaidades e solidões intermináveis.
Então o Imperdoado ergueu-se.
Não como herói glorioso das antigas epopeias.
Mas como sobrevivente metafísico de uma civilização emocionalmente enferma.
Sua revolta não nasceu do ódio.
Nasceu do esgotamento da alma.
Ele compreendeu que muitos homens morrem décadas antes do túmulo.
Que inúmeras existências continuam respirando mesmo depois da destruição interior.
Que existem corpos vivos carregando espíritos exaustos pelas avenidas do mundo.
E chorou.
Não por fraqueza.
Mas porque finalmente encontrou os escombros de si mesmo.
As muralhas emocionais desabaram como impérios antigos.
Toda a dor silenciada regressou semelhante a uma tempestade sepulcral.
As humilhações esquecidas.
Os amores sufocados.
As palavras jamais pronunciadas.
As despedidas jamais compreendidas.
Tudo voltou.
E diante da eternidade indiferente das constelações.
Ele fitou a própria existência e disse silenciosamente.
“Roubaram-me a essência antes que eu pudesse conhecê-la.”
Desde então tornou-se andarilho das sombras interiores.
Não buscava glória.
Não desejava absolvição.
Procurava apenas um fragmento intacto da própria identidade sob os destroços do mundo.
Porque certas almas não desejam vencer.
Desejam apenas não desaparecer completamente dentro daquilo que os homens chamam civilização.
E os céus permaneceram imóveis.
Como sempre permaneceram diante das tragédias humanas.

Habitar-se é um tipo de exílio sagrado!


Minha infância era um espelho embaçado, onde ninguém parecia me reconhecer. E, por muito tempo, tampouco soube distinguir meu rosto daquilo que esperavam de mim.


Cresci tentando compreender por que o mundo parecia tão distante, por que havia tanto de mim que não encontrava lugar nos outros. Às vezes, sequer em mim mesmo.


Havia uma solidão que me acompanhava, mesmo quando eu não estava sozinho. Uma antiga sensação de desencontro, de estar presente sem necessariamente pertencer.


Ainda assim, sempre que alguém cruzava meu caminho, eu me doava inteiro, sem hesitar.


Entregava o que em mim era força, o que era luz, e até aquilo que eu sabia que me faria falta depois.


Amar, mesmo em ruínas, sempre me pareceu uma forma sincera de tocar a vida que tanto almejo.


E, por um instante, eu me permitia viver aquela realidade sonhada. A presença bastava, e o agora parecia conter tudo aquilo que eu havia esperado.


Mas, depois do inevitável “até logo”, a maré me devolvia à margem de mim.


Ali, onde já não havia ninguém a quem oferecer minha inteireza, eu reencontrava as partes que havia deixado para depois.


As ausências antes negligenciadas, os sentimentos que havia silenciado e as perguntas que permaneciam mesmo depois de todas as despedidas.


Tentava compreender, reconstruir, encontrar algum sentido naquilo que repetidas vezes me escapava.


Parecia inútil. Às vezes, era mesmo.


Houve dias em que viver foi apenas sobreviver. Dias em que a própria existência pesava e nenhuma explicação parecia suficiente para tornar a dor mais suportável.


Ainda assim, nunca deixei de desejar a vida por inteiro.


Ainda creio na beleza dos dias, embora nem sempre consiga encontrá-la. Houve dias que apenas aconteceram. E outros dos quais trouxe somente a consciência de ter conseguido atravessá-los.


Foi preciso tempo para compreender que nem toda dor traz um ensinamento e que minhas feridas não precisam de justificativas para merecer cuidado.


Penso, então, no kintsugi.


Na delicadeza de recolher os fragmentos, na paciência e na precisão de cada encaixe, no ouro que acompanha as rachaduras sem apagar as marcas da ruptura.


Por muito tempo, acreditei que precisava reparar tudo aquilo que havia se partido em mim. Que somente depois de inteiro poderia finalmente viver bem.


Hoje, acolho meus cacos com reverência.


Há partes que ainda compreendo pouco, outras que já não desejo recuperar. Há marcas que permanecem dolorosas e algumas que o tempo tornou familiares.


Nem todas precisam se transformar em beleza. Nem toda perda precisa encontrar um propósito. E nenhuma das minhas feridas, por mais profundas que sejam, contém a totalidade do que sou.


Há muito de mim que existia antes delas. Há muito que nasceu depois. E há, sobretudo, aquilo que ainda desconheço.

A negligência que encontrei na infância não terminou quando deixei de ser criança. Ela aprendeu a crescer comigo. Mudou de rosto, de voz, de silêncio, mas nunca deixou de caminhar ao meu lado.


Há dores que não gritam; elas se infiltram na arquitetura da alma e passam a sustentar tudo o que somos. A minha fez do afeto um território estrangeiro. Nunca aprendi a reconhecê-lo sem antes procurar a ausência que costuma vir depois.


Por isso, amar, para mim, nunca foi um gesto espontâneo. É uma travessia sobre uma ponte construída com tábuas podres. Cada passo parece anunciar uma queda.


Mas existe algo ainda mais difícil do que amar.


É permitir que alguém me ame.


Há uma parte de mim que permanece escondida, como se tivesse sido convencida, ainda menino, de que carinho sempre cobra um preço e de que toda permanência é apenas um atraso para o abandono. Quando alguém tenta atravessar essa distância, meu primeiro impulso não é abrir a porta. É procurar a saída.


Talvez a pior herança da negligência não seja a solidão.


Seja a incapacidade de acreditar que um dia alguém possa olhar para todas as minhas ruínas e, ainda assim, decidir ficar.


Porque existem infâncias que não acabam. Apenas aprendem a respirar dentro do adulto que sobreviveu.


- Tiago Scheimann

Vejo uma infância difícil, genitores que raramente o entendiam, provações que uma criança jamais deveria passar. Muitas vezes pareceu forte, mas, por dentro, tudo ao redor estava corroído, apodrecido pelo abandono.

Esse é o reflexo no espelho: a criança que aprendeu cedo demais a suportar aquilo que não compreendia, o homem que dela nasceu sem jamais se libertar inteiramente.

Há coisas que o tempo não cura; apenas ensina a carregar.

BOI TALUDO


Da minha infância doce e dolorida, lembro-me dos fatos, alguns inesquecíveis. Esse que aqui início a contar é lindo e incrível, fala de um boi aqui no sítio nascido.
Refiro-me ao Boi Taludo, o maior e mais querido, forte e manso, mas bravo se seus donos são agredidos.
É o Sanção dos animais do sítio. Protetor, amigo de todos os animais da região. Recebe carinho e amor como forma de gratidão.
Forte e valente, no trabalho não dá mole não. Arar a terra pra ele é moleza; ouvi falar que Taludo já puxou um caminhão.
Lobos e raposas não chegam perto do sítio, não. Porque Taludo fica sempre na guarda e de prontidão.


Muitos querem lhe levar para os rodeios, mas ele não vai, não. Dócil e manso, não serve para esse tipo de apresentação.
Seus donos, que o conhecem bem só para desfilar e fotografar. Nisso Taludo é bom, conquistando sempre o primeiro lugar.
Era assim a vida de Taludo, pacata e simples, de inverno a verão. Amado por todos, que lhe devotavam muita admiração.
Num certo dia, choveu muito na região. E a casa do sítio, que era antiga, com seu velho telhado, não iria aguentar toda aquela agitação.
Houve um grande estrondo, e as madeiras foram ao chão. Todos correram para se proteger, mas Taludo não.
Ficou segurando o peso do telhado, dando tempo pra saída da família do patrão. Quando todos se retiraram, o telhado veio ao chão.
Nesse dia, morreria o boi mais forte da região. Taludo deu a vida para salvar a família do seu patrão.


Construíram uma estátua de Taludo na entrada do sítio, homenageando o boi mais forte e valente de toda a região.

💚 21 de Setembro — Dia da Árvore 🌳


Há, entre tantas lembranças da infância,
uma que permanece viva nos versos
da minha memória.


No alto de uma colina, erguia-se uma árvore frondosa, imensa e silenciosa,
como se estivesse ali desde antes de mim, testemunhando o tempo passar.


No caminho de ida e volta da escola,
meus olhos buscavam aquela copa verde
lá no alto.
E, por alguns instantes, eu me perdia
nesse encontro.


Não sei dizer se era a árvore
que me chamava ou se era alguma coisa dentro de mim que, diante dela,
encontrava morada.


Meu olhar se deitava
sobre aquela paisagem e,
à sua sombra, mesmo de longe,
alguma coisa em minha alma respirava.


Talvez, também,
tenha sido ali que meus primeiros versos começaram a se oxigenar.


Era uma mangueira de dimensões quase ancestrais, dessas árvores que parecem guardar, entre raízes profundas e galhos generosos, segredos que o tempo não consegue decifrar.


Havia nela uma sabedoria silenciosa,
uma generosidade sem palavras,
uma espécie de eternidade verde
que somente a natureza sabe oferecer.


Hoje, aquela mangueira já não existe.


Foi vencida pela paisagem que se transforma, pelo concreto que avança,
pela ganância imobiliária que tantas vezes derruba árvores sem perceber que,
junto com elas, também derruba pedaços
da memória de alguém.


Mas há árvores que o machado não alcança.
Aquela mangueira continua de pé dentro de mim.
Continua frondosa.
Continua oferecendo sombra.
Continua balançando suas folhas
ao vento da lembrança.


E, de sua copa imaginária,
ainda caem versos sobre a paisagem
da minha memória.


Porque algumas árvores
não morrem quando são derrubadas.


Elas criam raízes dentro da alma. 💚🌳🍃
✍@MiriamDaCosta