Texto sobre Infância
"Carrego um chamado"
Carrego marcas que o tempo não levou,
feridas que a infância deixou sem cura,
silêncios que o mundo nunca escutou,
e um coração que aprendeu a ser forte na dor mais dura.
Não sou culpado das sombras que caminham comigo,
sou apenas alguém que tentou ser luz no meio delas.
E mesmo tropeçando no mesmo antigo perigo,
Deus insistiu em me levantar,
como quem recolhe estrelas.
Faltou pai… faltou mãe… faltou abraço.
Mas sobrou presença divina nos espaços vazios,
sobrou Cristo nos cantos do meu cansaço,
sobrou fogo no meio dos meus dias frios.
E quando eu penso que sou nada,
que não mereço, que não carrego talento,
Deus sopra em mim aquela voz calada:
“Filho, Eu faço morada no teu sofrimento.”
Porque o chamado é maior do que o peso que sinto,
é maior do que o erro que insiste em voltar.
E quando Ele me usa, eu só pressinto
que o céu inteiro começa a respirar.
Eu não sou grande,
não sou forte,
não sou perfeito.
Sou só barro nas mãos do Rei.
Mas mesmo assim Ele escolheu meu peito
pra acender um fogo que eu nunca acendi.
E hoje entendo:
não sou culpado,
sou escolhido.
Não por mérito…
mas por graça.
E onde o mundo me feriu,
Deus construiu estrada.
Gravidade, Idade e Gravidez
Gravidade nos envolve desde o primeiro sopro.
Na infância, somos leves —
corpos ágeis, dançantes, equilibrados.
Com o tempo, a idade se torna grave:
os passos pesam,
o equilíbrio vacila,
a queda ronda como sombra.
A palavra carrega em si
o peso dos anos.
Newton viu a maçã desprender-se,
madura, rendida ao chão.
No seu “tempo grave”,
o fruto encontrou a terra
pela força invisível que rege tudo.
Na gravidez, porém,
a gravidade se transforma.
No ventre, o bebê flutua —
pequeno astronauta,
suspenso em líquido, protegido,
desafiando o mundo externo
enquanto se prepara para nascer.
Assim, gravidade, idade e gravidez
se entrelaçam como fios de um mesmo tecido:
o peso da vida,
o ciclo do tempo,
o mistério da existência.
`Vocês me marcaram`
Roubaram um pedaço da minha alma
Minha infância foi totalmente roubada, levada até o inferno e aprisionada.
Castigada por cada lágrima que eu derramava.
Sonhava todo dia com sua cara
Chorei lagrimas de ódio e magoa, por sua causa.
Eu nunca mais quero voltar para aquela maldita casa!
A melhor vingança que eu poderia fazer, é desejar que vocês sejam eu na minha infância.
Sintam o que eu senti
Chorem o que eu chorei
Carreguem os pesos e correntes dos traumas que eu carreguei.
Só assim entenderiam um pouco do que eu passei, e se arrependam do que fez.
*13/07/2025*
Vislumbres remanescentes da valiosa infância, tesouros bem protegidos e abrigados na mente, que favorecem o lado lúdico da criatividade que pertence a uma imaginação veemente que sempre está em atividade,
mudando muito a realidade através de uma percepção fantasiosa, bastante melhorada, de uma maneira poderosa como se fosse mágica, que tanto melhora o ânimo, ainda que seja uma mudança muito temporária,
Pretendo continuar imaginando por acreditar que Graças a Deus seja umas das formas de não esmorecer durante as dificuldades e no meio da tempestade, um sol particular e uma estrela radiante na vasta escuridão quando não tiver luar.
Numa parte equilibrada da minha preciosa infância, assim como muitos outros, algumas vezes, cheguei a ter o sonho ingênuo de poder estar viajando numa nuvem voadora, passando por vários cantos a qualquer hora
E ir até grandes alturas pelo vasto azul do céu tranquilamente, respirando um ar puro, a brisa suave tocando com leveza a minha face, os fios dos meus cabelos, voos sem nenhuma hostilidade, livres e intensos
Ainda conseguir encontrar-me com um dragão grandioso, imponente, bondoso, bem na minha frente, tendo muitos momentos mágicos bastante diferentes de outros, que eram tão reais na minha mente, o sonho de serem verdadeiros
Um pouco de ingenuidade motivado por meu espírito aventureiro que já se manifestava naquela fase, sendo facilmente provocado desde cedo, um jeito que usava para alegrar a visão da minha realidade com a minha imaginação que até hoje permite fazer o mesmo.
Outrora, uma pequena menina dando os seus primeiros passos, aproveitando a sua preciosa infância, demonstrando uma inocência rara, cativante, um olhar curioso, a todo instante, era uma descoberta, um jeito muito carinhoso, uma alegria naturalmente esplêndida.
Agora, já é uma linda adolescente, que deixou de ser aquela criança, está vivendo, dançando a dança da vida, inteligente, bastante talentosa, que tem as suas responsabilidades, uma maturidade que iniciou o seu desenvolvimento, em breve, uma expressiva jovialidade.
Num futuro que está mais próximo a cada primavera, será uma bela adulta, focada nos seus objetivos, agindo de uma maneira respeitosa, amando e sendo amada verdadeiramente, aprendendo com os seus erros, recebendo as bênção grandiosas de um Deus Amável e Tremendo.
O Suporte que se faz presente desde a Infância
Segura a minha mão desde a infância — aquela grande confiança que até hoje, felizmente, encoraja o meu coração a continuar amando e incentiva a minha esperança de permanecer seguindo o meu próprio caminho, enfrentando desafios e as minhas inseguranças.
Como reflexo desse laço que alimenta a minha perseverança, aprecio os seus conselhos, a sua atenção e cada momento que interagimos, mesmo que muitas vezes à distância; pois partilhamos de um amor respeitoso e recíproco, onde um faz o possível para se fazer presente na vida do outro.
Busco fazer jus a tudo que o senhor representa e a todo o seu suporte; sigo sendo o mais confiante que posso. A sua existência, de fato, é uma das maiores bênçãos que Deus me concedeu, que conquistou a minha consideração, a qual foi ficando mais forte com o passar do tempo — um dos meus motivos rotineiros de Gratidão.
Infância cabocla 2
Nas várzeas do Amazonas fui criado,
Numa comunidade ribeirinha.
Lá minha família criava gado
E no tempo que a enchente vinha,
Pra terra firme até gente ia morar,
Até a água começar a baixar.
Desde cedo aprendi a nadar,
Segurando no casco, a bater o pé.
E o rio sempre a me ensinar,
Que eu sou da várzea, cria do igarapé.
Brincando de manja a gente nadava
E o medo das águas logo acabava.
Fazia cavalo com palha de bacabeira
Jogava pião no terreiro de chão
Bolinha de gude, a mira certeira
Futebol no campinho era só emoção.
Subia na goiabeira pra comer fruta madura
E apedrava nas mangueiras pra colher muita fartura.
Mas nem tudo era só brincadeiras,
O trabalho começava cedo
Meus irmãos tiravam leite das vacas leiteiras
E andavam a cavalo sem medo.
À tarde no curral prendíamos o gado
Plantávamos milho, jerimum e melancia no roçado.
Ah, minha doce infância cabocla!
Que o tempo levou, mas na lembrança ficou
Um gosto de infância que não sai da boca,
Tesouro tão raro que o peito guardou.
Ah, que saudade das brincadeiras!
Da vida singela, porém verdadeira.
Autor: Silvano Pontes.
Amazonas em poesias
Duas Raízes, Um Mesmo Encanto
Hoje o dia ganhou perfume de infância,
daquelas tardes que aquecem o coração
sem fazer barulho.
Laís chegou com doçura serena,
Nicole veio junto, iluminando o instante —
e nos dois nomes mora a mesma raiz antiga,
nascida do grego, como um laço invisível
que também revela o milagre de serem gêmeas:
graça, povo, vida… e vitória silenciosa.
Duas luzes iguais
e ao mesmo tempo únicas,
meigas no olhar,
tímidas como flor que desabrocha devagar,
educadas no gesto,
inteligentes no silêncio que sabe escutar.
Brincam como toda criança deve brincar,
correm, riem, inventam mundos,
mas guardam dentro de si
uma calma rara,
de quem já entende a beleza dos detalhes
antes mesmo de crescer.
Há nelas um dom bonito:
falar sem ferir,
ouvir com carinho,
organizar ideias como quem organiza sonhos.
Parecem já caminhar
na direção de futuros luminosos —
boas profissionais,
filhas orgulhosas,
netas que abraçam a vida com delicadeza,
mulheres sábias…
sem nunca perder
o brilho dos olhos,
o sorriso aberto,
nem a alegria que dança no rosto.
E eu, que hoje as conheci,
guardo em silêncio uma certeza doce:
existem encontros
que não fazem barulho nenhum,
mas deixam o coração
mais bonito para sempre.
GOTEIRAS DA INFÂNCIA
(No chão que a saudade regou)
Quando criança, eu achava que a chuva era o choro de Deus. Hoje, compreendo que aquela visão pueril não trazia goteiras de melancolia, mas sim o orvalho que preparava o solo fértil; essa lembrança desenhava, o tempo todo, o meu chão para que a vida pudesse, enfim, brotar e florescer. Mesmo que, no decorrer desse caminho, alguma flor murche, ela não morre, pois Deus sempre me estende um regador.
Lu Lena / 2026
O natal tem cheiro, tem gosto, tem sabor de infância... Infância logo lembra-nos da inocência e inocência lembra-nos da esperança.
Então que seja essa a magia que nos conduza a um Natal cheio de alegrias, Paz, Amor e Compaixão.
E que jamais nos esqueçamos de ser um pouco criança, na humildade, simplicidade e perseverança.
Nos encaminhando para o melhor que podemos e devemos ser.
Um belo, alegre e Feliz Natal!
Brincar e Ser Feliz
Na janela do meu olhar,
o tempo passa a brincar,
e a infância, sem esforço,
volta inteira a me visitar.
Crio brinquedos de pensamento,
feitos de sonho e imaginar,
onde o riso vira alimento
e a alma aprende a voar.
Sou menino arteiro,
do não esquecido e perdido,
brinco no tempo sem me prender,
sou feliz no que é vivido.
Sandro Sansão da Silva Costa
“Toda voz tem uma biografia: nela moram o timbre da infância, as marcas do trauma, o peso do silêncio e a força do retorno.”
Do livro A Voz e a Fala — Da Fisiologia da Laringe à Expressão Psíquica: Neurobiologia, Anatomia e Identidade dos Sons Humanos, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Casa Branca...
Hoje me deu saudade, então escrevi
De uma linda casa branca
Onde minha infância vivi
Era de uma família nobre
E eu um pobre guri
Com saudades e boas lembranças
Recordar eu resolvi
Naquela casa branca
Bem na beira da estrada
Me lembro quando piá
Eu pedi uma pousada
Eram pessoas ricas
E eu pobre não tinha nada
Mas fui bem acolhido
Acabei frequentando aquela morada
Então lembrei com gratidão e saudade
Da casa branca na beira da estrada.
Há Muita Dor, Mas Há Mais Amor
Sorrateiramente, memórias da infância me invadem e me fazem romper com o cotidiano.
Na lembrança, apresenta-se uma figura aterrorizante, um clichê de tirano.
Do meu quarto, sinto o odor do cachimbo, enquanto o desprezo em seus olhos exala ódio.
Mas ainda posso ouvir, da janela, apesar da tarde taciturna, as vozes das outras crianças brincando.
Do terceiro andar, fantasio-me brincando com elas no térreo, pois nem concebo a ideia de descer.
Por instinto, aguardo o déspota adormecer ou sair de casa, para que eu possa me divertir.
De repente, o interfone toca. Ele atende e, após alguns berros, sai depressa pelas escadas, entra no carro e me liberta.
Faço meus afazeres escolares; minhas irmãs dormem, minha mãe está no trabalho — e agora desobedecer é o mesmo que viver.
Viver é muito melhor que sonhar, e entrego-me de corpo e alma às brincadeiras, com minha pipa e meu pião.
Já estou sujo de terra como os amigos; ganhei pipas, perdi o pião, e acendi a chama do meu coração.
Minha alma é invadida pela alegria de ser criança — sinto que venci o mal.
Porém, subitamente, escuto a cavalaria do inferno através do escape velho e barulhento.
Corro mais rápido que no pega-pega, subo as escadas para que não perceba que estive brincando.
Entro direto no banheiro, tomo banho e começo a chorar, pois sei o que está por vir.
Você entra, espera que eu termine o banho e me surra com a mangueira que usou para lavar o automóvel.
E sofro mais uma das infinitas violências daquele a quem um dia chamei de pai.
Por esses episódios, passei a vida acreditando que não deveria ser pai, pois às vezes me via reagindo de forma igualmente inclemente.
Entre tantas escolhas, esse pensamento sempre permaneceu, por temer que um dia eu me tornasse como ele.
Arrependo-me profundamente, porque as decisões que tomei castigaram minha alma e me amaldiçoaram até recentemente.
Ainda que tardiamente, ser pai foi a melhor ventura que me aconteceu.
A importância de sê-lo é reconhecer a mudança e lançar esperança ao futuro.
Mas o mais especial para mim foi descobrir que, apesar de toda a dor que carrego, ainda sou capaz de dar e receber amor.
DRAL
Na infância, o Sul de Minas era meu destino de férias.
Terra do meu pai, de estradas tranquilas, os deliciosos pães de queijo assados e dias que pareciam não ter fim.
São Sebastião do Paraíso, Itaú, Pratápolis, Passos, Morro do Níquel, Fortaleza de Minas...
Hoje são lembranças guardadas com carinho,
porque a infância passa, mas os lugares onde fomos felizes continuam morando no coração.
Infância
Brincadeiras que alegraram a infância
que nunca se esquece e trazem boas lembranças.
O jeitinho especial de enrolar o fio no pião,
de desbicar a pipa no céu,
de dar um relo.
A alegria das meninas pulando amarelinha.
O futebol — esse fica até a vida adulta,
paixão nacional.
Ah, infância bonita
de uma alegria espontânea!
Das corridas, do esconde-esconde...
Saudade danada da minha infância.
É uma pena não poder voltar
ao meu tempo de criança
e brincar tudo outra vez.
Marcio Melo
É na infância que tudo começa,
no olhar atento, no gesto que acolhe.
Uma mão que cuida, uma escola que observa,
um educador que não se omite.
Entre histórias, rotinas e afetos,
plantamos vínculos, proteção e amor.
Porque educar é também proteger,
e cuidar é o mais bonito ato de ensinar.
Que cada criança encontre na escola
um lugar seguro para ser, crescer e sonhar
Gotinhas de Amor.
PRIMEIRA INFÂNCIA: AURORA
Aurora que encantas, também emerge a escuridão,
Em meio a bênção da chuva,
A tempestiva tempestade
Um ninho e sete irmãos,
No cantar do galo
No apagar das luzes,
Na hora da divina misericórdia,
A última gota
No caiu no chão
Criança
Que na primeira infância,
Sorriu
Com os seios flácidos da mãe,
O cheiro do café
O povo de muita fé,
Roga Deus
A primavera,
Seus brotos PANCs
Que a fome atenua,
O pingo de gente
A sua primeira infância sobreviveu,
O fruto frutificou
Eis a metamorfose,
O pingo não é mais gota
Viva a transmutação,
Sem rima e sem métrica
Em seus versos transcreve
Um homem escritor,
Erudita pensador
O prosador poeta.
281225II
Quase ninguém conhece os traumas (que em 99% dos casos são gerados e causados da infância).
Mas 99% dos que têm traumas, sem ao menos perceberem, os repetemno dia a dia (mesmo que de forma ingênua e inconsciente)..
E aí está a beleza e o poder da psicanálise: descobrir quais traumas carregamos;
enfrentá-los cara à cara e ELIMINÁ-LOS. Sim, é possível ser livre!
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