Texto sobre Espera

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​O Tempo da Espera
​Esperei por você na porta.
Abri-a e me joguei em seus braços.
​Finalmente, o momento que desejávamos há meses.
O desejo urgente de fazer o tempo parar.
​Toco o seu corpo na esperança de memorizar cada detalhe,
criando um mapa exato para não te esquecer até que você retorne.
​E torço...
Torço para que a ansiedade da ausência
não me torture como fez durante todo este tempo de espera.
​Queria tanto que você ficasse.
Mas não posso ser egoísta e pensar apenas em mim.
​Se você estiver feliz, eu aguento.
Se você estiver feliz...

E depois de uma longa espera e muito cuidado, minha Rosa do Deserto floriu.
Flores são poemas coloridos.
É poético saber que uma rosa “decidiu” morar no deserto, local que carrega uma simbologia de tempos difíceis, escassez e luta.
No deserto ela cresce livre.
Presa em pequenos vasos ela se adapta e o poema vira haikai.

Revela quem Ele é



Ele não espera que você se conserte
para então decidir amar.
Não observa suas rachaduras
como quem calcula se vale a pena ficar.


Ele vê o medo que você esconde,
as falhas que você tenta cobrir,
e não recua diante delas —
é ali que escolhe agir.


Porque a graça não floresce no mármore,
mas na pedra que já foi quebrada;
o poder não nasce da perfeição,
mas da alma cansada.


Deus não ama apesar das suas imperfeições —
Ele atravessa cada uma delas com luz.
E onde você vê fraqueza,
Ele vê espaço para revelar quem Ele é em você.

Que horas eu te pego?


Fico ensaiando o momento
como quem espera o pôr do sol,
olhando o relógio mais
do que deveria,
como se cada segundo sem você
fosse um pequeno atraso no meu próprio coração.


Te imaginar chegando
já muda o meu dia,
teu sorriso abrindo caminhos
Em mim, e eu aqui,
perdido nesse querer simples,
de só estar ao teu lado sem
pressa de acabar.


Não é sobre a hora exata,
nem o lugar marcado,
é sobre o jeito que você
faz tudo ter sentido,
como se o mundo se
organizasse em silêncio
só pra caber no espaço
entre nós dois.


Então me diz…
que horas eu te pego?
Porque qualquer minuto
contigo vira eternidade,
e eu só preciso de um instante teu
pra transformar o resto da minha vida em nós.

O tempo está passando rápido demais.
A terra gira silenciosamente.
O tempo não espera por ninguém; ele passa no mesmo ritmo para quem está sofrendo pela distância e para quem está distraído com o dia a dia. Enquanto uns sentem cada segundo dessa ausência, outros parecem seguir em frente sem notar o peso dos anos que se vão.

Talvez você esteja passando por uma fase em que Deus parece distante.


Você ora.


Espera.


Chora.


E nada parece mudar.


Então começa a pensar:


“Será que Deus ainda está comigo?”


Mas existe algo que seus sentimentos talvez não consigam enxergar:


a sensação de abandono não é a mesma coisa que abandono.


Você pode não sentir Deus e ainda assim estar nas mãos dele.


Pode não compreender o caminho e ainda assim estar sendo conduzido.


Pode não ouvir uma resposta e ainda assim ser ouvido.


“De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.”
— Hebreus 13:5


Sua fé não precisa depender daquilo que você sente hoje.


Porque Deus continua sendo Deus quando o céu parece silencioso.


Continue orando.


Continue buscando.


Continue caminhando.


Não porque você entende tudo.


Mas porque Aquele em quem você confia continua sendo fiel.


E talvez um dia, olhando para trás, você perceba que, mesmo quando não conseguia enxergá-lo,


Ele nunca deixou de estar ali.

Eu já morri uma vez ... Ninguém viu , ninguém soube... Eu morri por dentro, morreu a minha esperança , morreu o meu amor, morreu a minha fé nas pessoas...
Sangrar eu não sangrei, mas o peito rasgou em dor e a alma dilacerou inteira....
As lágrimas secaram, a minha força sucumbiu... E a minha voz se calou ...
Eu morri mas no outro dia eu existia normalmente... Comia, dormia, trabalhava e respirava .. mas era o mesmo que nada ..porque dentro de mim estava em pedaços , estava puro caco, vazio.... Eu morri mas continuei existindo ... Nunca contei isso pra ninguém , nunca mencionei minha dor com ninguém , nunca mais fui a mesma... Mas também até hoje não renasci....

Era a última vez


No fundo,
a gente sempre espera pelo fim.
Mas, quando ele chega,
sempre nos pega de surpresa.


A verdade é que a gente nunca sabe
quando será a última carta,
o último beijo,
o último abraço.


Nunca sabemos quando será
o último toque,
o último olhar,
a última conversa.


A gente não sabe
qual será o instante
em que algo que parecia eterno
se tornará lembrança.


Talvez seja por isso
que o fim assuste tanto:
porque quase nunca avisa
quando está acontecendo.


E só depois,
quando já não há mais tempo,
é que percebemos:


era a última vez.

AIR ON - o tempo não espera

A - Aprende de uma vez, Airon: o relógio da vida não tem botão de pausa. Ele não espera você se sentir pronto.

I - Enquanto você fica aí, Indeciso, esperando o momento certo, a vida está acontecendo agora, sem replay.

R - Respira fundo e age. Os momentos que você deixa passar por medo, por dúvida, por esperar demais, eles vão embora. E não voltam nunca mais.

O - O lobo que está em você não uiva esperando. Ele avança. Ele sente o tempo e corre com ele, não contra ele.

N - Não deixa para amanhã o que o seu coração grita para fazer hoje, Airon. O amanhã é incerto. O hoje é tudo que você tem.

Às vezes, o mundo espera que a gente simplesmente "siga em frente", como se o tempo fosse uma borracha capaz de apagar o que foi gravado na alma. Mas, para mim, o tempo decidiu parar.
Eu tomei uma decisão. Já que não posso mais caminhar ao seu lado, decidi viver com as memórias dos nossos momentos. Muita gente diz que o tempo cura um coração partido, mas a verdade é que, desde o instante em que nos separamos, o meu relógio não andou mais nem um segundo. Para mim, ainda é aquele ontem onde éramos felizes.
É inútil tentar dizer o contrário ou fingir que o desejo de te ter por perto diminuiu. Eu não consigo parar de amar você. Por isso, escolhi transformar minhas lembranças em um refúgio. Vou viver minha vida nos "sonhos de ontem", naquelas horas felizes que conhecemos há tanto tempo, mas que ainda brilham com a mesma intensidade na minha mente.
Sei que o azul da saudade ainda me acompanha, mas prefiro essa tristeza acompanhada da sua lembrança do que o vazio de tentar te esquecer. Você permanece sendo o meu primeiro e eterno amor.
Com todo o amor que o tempo não pôde levar.

O que será que a vida espera de mim?

Às vezes me pergunto se ela espera que eu seja alguém digno. Alguém que tenha aprendido as regras do mundo, que saiba distinguir o certo do errado, que cumpra os valores que me ensinaram e carregue, com alguma dignidade, tudo aquilo que esperaram que eu fosse.

Mas quem decidiu o que é ser digno?

Talvez dignidade seja apenas uma palavra que inventamos para dar nome à maneira como esperamos que o outro viva.

Desde cedo nos ensinam o que devemos ser. Estudamos para ser alguém. Trabalhamos para ser alguém. Construímos relações, acumulamos histórias, conquistas, fracassos, títulos e lembranças — quase sempre tentando responder a uma pergunta que ninguém nos fez diretamente, mas que parece estar escondida em tudo:

“Você está sendo aquilo que deveria ser?”

E talvez seja justamente aí que a vida se torne estranha.

Porque, enquanto tentamos corresponder ao mundo, vamos nos afastando lentamente de nós mesmos.

Talvez a vida não queira de mim grandes feitos. Talvez não queira que eu seja extraordinário, admirado ou lembrado. Talvez queira apenas que eu consiga existir sem precisar transformar cada passo em uma prova de que mereço estar aqui.

Ser alguém simples.

Alguém que compreenda a si mesmo, ainda que nunca completamente. Alguém que reconheça as próprias contradições, faça as pazes com algumas delas e aprenda a conviver com aquilo que jamais conseguirá compreender.

E, quem sabe, compreender um pouco os outros.

Porque talvez compreender o outro seja também perceber que ninguém sabe exatamente o que está fazendo. Há pessoas que parecem ter todas as respostas, mas carregam perguntas que nunca tiveram coragem de dizer em voz alta.

Talvez todos nós estejamos apenas tentando encontrar alguma forma de chamar de vida aquilo que fazemos com o tempo que nos foi dado.

E então penso que talvez eu esteja fazendo a pergunta errada.

Talvez não seja a vida que espera alguma coisa de mim.

Talvez seja eu quem espere alguma coisa dela.

Espero que, em algum momento, tudo faça sentido. Que os encontros tenham uma razão, que as perdas tenham deixado alguma coisa, que os caminhos que não escolhi tenham me conduzido, de alguma maneira, até onde deveria estar.

Espero que exista alguma espécie de resposta escondida depois de todas essas perguntas.

Mas talvez não exista.

Talvez eu esteja procurando por algo que nunca teve nome.

Algo simples e, ao mesmo tempo, impossível de explicar. Algo que não cabe em uma profissão, em uma relação, em uma conquista ou em qualquer uma das palavras que usamos para definir uma vida.

Algo que talvez exista apenas naquele lugar silencioso dentro de nós onde ninguém mais consegue entrar.

E talvez seja por isso que, mesmo quando conquistamos aquilo que um dia desejamos, ainda sentimos que falta alguma coisa.

Porque há desejos que não sabem dizer o próprio nome.

Há vazios que não pedem para ser preenchidos, apenas compreendidos.

Há partes de nós que passam anos esperando que finalmente prestemos atenção nelas.

Talvez viver seja esse movimento estranho entre aquilo que o mundo espera de nós e aquilo que, silenciosamente, esperamos encontrar dentro de nós mesmos.

Talvez amadurecer não seja finalmente descobrir quem somos.

Talvez seja aceitar que nunca seremos uma resposta definitiva.

Somos perguntas em movimento.

Somos aquilo que fomos, aquilo que perdemos, aquilo que escolhemos, aquilo que recusamos e também tudo aquilo que ainda não conseguimos ser.

E talvez a vida não esteja esperando nada de nós.

Talvez ela simplesmente aconteça.

E sejamos nós que, diante dela, insistimos em perguntar:

“O que devo fazer com tudo isso?”

Talvez a resposta não esteja em descobrir o que a vida espera de mim.

Talvez esteja em descobrir o que, apesar de tudo, ainda faz com que eu queira continuar vivendo.

A Espera da Palavra

Existe um silêncio que pesa no peito, um vazio que se instala enquanto a alma se senta na beira do caminho esperando, apenas, que alguém fale. Esperando um eu te amo que venha sem pressa, um sinto sua falta que cure a distância, ou um simples estou aqui que reorganize o mundo que desabou por dentro. Passamos a vida guardando palavras com medo de parecer fragilidade, sem perceber que o outro pode estar no limite das suas forças, precisando apenas ouvir que a sua existência faz diferença e que o seu lugar no mundo continua guardado com amor.

O amor que carrego no peito não espera datas.


Ele não vive apenas em dias marcados com flores ou presentes.
Ele pulsa — suave e firme — a cada segundo.


É no olhar que repousa com ternura.
No toque que não apenas encosta, mas conversa em silêncio.
No gesto que não precisa ser grandioso, porque é verdadeiro.


Amar é estar presente mesmo na ausência.
É escrever com os dedos palavras que só o coração entende.
É cantar desafinado, mas com alma — porque o sentimento é maior que a melodia.


É esperar sem pressa.
É cuidar sem prender.
É sentir sem exigir.


O amor vive na rotina, no café feito com atenção,
no abraço que diz “estou aqui”,
na saudade que não cobra, mas acaricia o pensamento.


Não é preciso ocasião para amar.
Basta estar inteiro.
Basta escolher — com carinho, com afeto, com entusiasmo, com dedicação —
caminhar junto, mesmo quando o mundo parece andar em direções opostas.


Que o amor seja sempre celebrado.
Não apenas em datas especiais,
mas em cada instante em que dois corações decidem se reconhecer.


Com todo meu coração,
Marco Arawak

O Despertar da Minha Força


Por muito tempo, eu confesso, fiquei apenas à espera do milagre. Olhava para o céu e esperava pacientemente que Deus fosse me dar a vitória, ou que as circunstâncias da vida resolvessem conspirar a meu favor, entregando-me o triunfo de presente. Mas a verdade é que eu não ia à luta. Vivia na doce ilusão de que o destino bateria à minha porta com as respostas prontas. Até que o véu caiu dos meus olhos e eu compreendi que o plano divino abençoa o movimento, não a estagnação. Foi no dia em que cansei de esperar que decidi tomar as rédeas da minha própria história. Percebi que a vitória não cairia do céu para quem se recusa a plantar. Quando dei o primeiro passo com determinação, o milagre que eu tanto aguardava aconteceu dentro de mim: a coragem de fazer acontecer.

Poesia do Amor divino Emanuel Bruno Andrade

⁠Amor, eu sei que espera mais de mim.

Seu olhar me incendeia, meu coração dispara em um ritmo frenético.

Nesta noite, meus sonhos serão nossos.

Nossos espíritos se entrelaçarão em um voo celestial.

A melodia angelical dos serafins nos guiará,

Enquanto a proteção dos arcanjos nos envolve em seu manto.

Flechas de amor serão disparadas contra os desejos obscuros,

Libertando nossos corações para que possam se unir.

Sobrevoaremos prados verdejantes,

Jardins floridos e árvores de todas as cores.

Transcendendo os limites do humano,

Habitando o cume do desejo em nossa cúpula particular.

Apesar de alegre sofro perdido.

No enigma desmedido no navega

Por uma felecidade rompida

Pelo cupido

O peso é medido

Pela escuta atenta

De um destino inverso que se revela
No silêncio da madrugada,

Despertando-nos para a sublime verdade do nosso amor.

Eternamente entrelaçados...

Inseparáveis...

Em um amor que desafiador.

Para a respeitar nas complicidade memoraveis

Unos em toda parte

Para receber o calor

Da suavidade

Da senda da corrente

Corrida dos tempos

A favor e contra

Os ventos

Pairam desejos de sermos

Carne com carne

Para sair dos sofrimentos

Da magua e amargura da vida.

Emanuel Andrade

Nascemos para incendiar o mundo, não para murchar em salas de espera.


A rotina tenta nos convencer de que a vida é uma planilha de obrigações, um relógio implacável que apenas conta segundos até o fim do expediente.


Mas a alma sabe a verdade: nós não fomos feitos para o piloto automático.


Quebrando as correntes do comum, viver de verdade é rasgar o roteiro previsível. É abraçar o frio na barriga dos novos começos, é correr riscos pelos sonhos que nos tiram o sono e cercar-se de quem faz o peito vibrar em alta frequência.


No último suspiro, ninguém se lembrará dos boletos pagos ou das horas extras.
Vão lembrar das chamas que deixamos acesas, dos abismos que ousamos saltar e da intensidade com que decidimos habitar o próprio tempo.


Portanto, pare de rascunhar o rascunho.


Coloque fogo na sua história e faça o universo inteiro notar que você esteve aqui!

O lugar dela 🌪️

Talvez o erro tenha sido chamar de espera.

Porque esperar parece uma coisa ativa. Tem relógio, ansiedade, expectativa, alguém olhando para a porta de tempos em tempos.

E não foi exatamente assim.

A verdade é que eu continuei vivendo.

Conheci pessoas. Fui embora de lugares. Voltei para outros. Mudei algumas coisas em mim que eu jurava que nunca mudariam. Aprendi a gostar de dias que antes eu odiava. Aprendi a ficar sozinho sem transformar isso numa tragédia.

A vida continuou acontecendo.

Só que, em algum lugar dela, havia uma cadeira que nunca deixou de estar ocupada.

Mesmo vazia.

Era estranho.

Porque ninguém precisava saber disso. Nem eu gostava muito de admitir.

Mas havia certas coisas que pareciam ter sido feitas para serem divididas com uma pessoa específica.

Uma música que eu pensava: ela entenderia.

Uma notícia que dava vontade de contar.

Um lugar bonito que imediatamente vinha acompanhado de uma ausência.

Até algumas pequenas vitórias tinham esse defeito. Eu conseguia comemorar, mas existia aquele segundo depois da felicidade em que alguma parte de mim procurava alguém.

E era sempre ela.

Não como uma obsessão.

Não como quem passa o dia olhando para trás.

Era mais parecido com uma direção.

Como se, por mais que eu andasse por caminhos diferentes, existisse uma bússola defeituosa apontando para o mesmo lugar.

E talvez seja isso que algumas pessoas fazem.

Elas não ficam necessariamente na nossa rotina.

Ficam no nosso jeito de enxergar as coisas.

Depois delas, certas coisas nunca mais são apenas coisas.

Uma foto tirada por alguém que talvez nem soubesse o que estava fazendo.

Uma mensagem curta demais para explicar uma história inteira.

Um encontro que aconteceu quase por acaso.

Uma reação que dizia mais do que deveria.

Uma pessoa em comum servindo, sem saber, de ponte entre dois mundos que insistiam em continuar se esbarrando.

São detalhes pequenos.

Ridículos, se vistos de fora.

Mas quem conhece a história sabe.

E talvez ela saiba também.

Talvez reconheça algumas dessas pequenas pistas e faça aquela cara de quem entendeu, mas prefere não confirmar.

Porque existe uma intimidade estranha em duas pessoas saberem que certas coisas significam mais do que parecem.

E foi assim que o lugar dela permaneceu.

Não porque eu tenha parado a vida.

Muito pelo contrário.

Eu fui.

Mas nunca coloquei outra pessoa ali.

Não por promessa.

Não por fidelidade a uma história que talvez nem tenha terminado direito.

Foi simplesmente porque algumas posições não são preenchidas.

Você pode colocar alguém ao lado.

Pode conhecer alguém incrível.

Pode viver coisas bonitas.

Pode até gostar de verdade.

Mas existe uma diferença entre gostar de alguém e reconhecer alguém.

E eu reconheci.

Talvez cedo demais.

Talvez tarde demais.

Talvez no único momento em que duas pessoas ainda não tinham maturidade suficiente para entender o tamanho daquilo.

Só que o tempo tem uma mania curiosa de não apagar o que foi verdadeiro.

Ele muda a forma.

Tira as bordas.

Diminui o barulho.

Mas deixa certas coisas intactas.

Por isso, se algum dia ela voltar a aparecer sem grande cena, sem música, sem explicação, talvez até daquele jeito casual que parece não significar nada, eu não acho que precisaria perguntar onde ela esteve.

Eu provavelmente só perceberia que aquele lugar ainda era dela.

Como se ninguém tivesse precisado guardá-lo.

Como se o tempo inteiro ele tivesse sabido.

E talvez essa seja a parte mais bonita e mais injusta de tudo:

eu não estou esperando que ela volte.

Mas se ela voltar,

eu ainda vou saber exatamente onde colocar o meu olhar.

Porque tem gente que a gente escolhe.

E tem gente que, de algum jeito, parece ter sido escolhida antes mesmo da gente entender o que estava acontecendo.

Ela é uma dessas.

Eu nunca esqueci aqueles olhos e como eles sorriam pra mim.

E talvez, no fundo, seja isso que eu nunca consegui explicar:

não era que eu quisesse alguém.

Era que, quando penso em quem deveria estar ali,

eu sempre soube o nome.

PERGUNTA NÃO INDAGA


O que há atrás das uvas
Dos pés descalços
Das tristezas
Da espera
Da esperança?


O que é essa sombra da água
Do vento que para
Da nuvem que ensaia chuva
Do vento que nada leva?


Como secar o que água não molha?


Há algo que exista,
Que resida e resista
na pessoa de alma molhada?


O que tem essa bendita fruta de pés descalços?


O que eu tenho?


O que há, portanto, ó sacrossanto?


Porque eu sou essa indagação de ontem?


Téia Alves

O mundo não é transformado pela maioria.


A maioria observa, espera, adapta-se e segue o caminho que já foi construído. E não há nada de errado nisso. É assim que a sociedade se mantém em movimento.


Mas, de tempos em tempos, surgem alguns que não conseguem simplesmente aceitar o mundo como ele é.


Eles olham para aquilo que todos consideram normal e perguntam:


“Por que precisa ser assim?”


É dessa pergunta que muitas revoluções começam.


Transformar o mundo não depende apenas de inteligência, dinheiro ou recursos. Depende de uma inquietação interior aquela incapacidade de permanecer indiferente diante daquilo que poderia ser diferente.


Os que transformam não necessariamente são os mais numerosos. São aqueles que conseguem sustentar uma visão quando ninguém mais a enxerga.


Eles erram.
São questionados.
São chamados de sonhadores.
Muitas vezes caminham sozinhos.


Mas continuam.


Porque existe uma diferença profunda entre quem apenas deseja um mundo melhor e quem está disposto a construir aquilo que ainda não existe.


Talvez seja esse o verdadeiro sentido de “pensar diferente”.


Não é simplesmente contrariar a maioria.


É ter coragem suficiente para seguir uma percepção interior, mesmo quando ela ainda não pode ser provada.


O mundo de amanhã quase sempre começa como uma ideia que o mundo de hoje ainda não consegue compreender.


E talvez tu não precise mudar o mundo inteiro.


Talvez precise apenas transformar aquilo que está ao seu alcance.


Uma pessoa.
Uma família.
Uma empresa.
Uma comunidade.
Uma ideia.


Porque grandes mudanças raramente começam grandes.


Começam pequenas, silenciosas e quase invisíveis dentro de alguém que decidiu não viver apenas reproduzindo aquilo que recebeu.


No fim, a pergunta não é:


“Quantos acreditam em mim?”


Talvez seja:


“O que eu consigo enxergar que ainda não teve coragem de existir?"

Era um som que vinha do cristal
Era como que uma espera
Fina fera que espantava o mal
Era como um vento leve
Que te leva a ver o mundo
Lá do alto da colina
Mas depois quebrou-se
Acabou-se o vidro do cristal
Coisa que se quebra à toa
Quando cai
Um barulho de algo bom que voa
Sempre vai...sempre termina
Pra mais tarde olhar-se ao longe
E de longe até parece boa
Mas aquele mesmo som de antes
Durante o tempo que soava bom
Não soa mais
E jamais de novo há de soar igual.

Edson Ricardo Paiva.