Richard Silva
Talvez ninguém saiba exatamente o que você carrega.
As pessoas conhecem o seu sorriso, mas não conhecem o seu cansaço.
Conhecem suas palavras, mas não conhecem seus pensamentos.
Conhecem aquilo que você faz pelos outros, mas talvez nunca tenham percebido o quanto você gostaria que alguém fizesse o mesmo por você.
Talvez você tenha aprendido a esconder tão bem aquilo que sente que, depois de algum tempo, até você mesmo já não consegue explicar o que está acontecendo dentro de você.
Você se acostumou a dizer:
“Estou bem.”
Mesmo quando não está.
Mas existe alguém que sabe.
Deus conhece aquilo que você não consegue colocar em palavras.
Conhece a lágrima que ninguém viu.
Conhece a batalha que você considera pequena demais para contar.
Conhece a noite em que você sorriu para todos e, depois que ficou sozinho, não conseguiu mais sustentar o peso.
“Senhor, tu me sondas e me conheces.”
— Salmo 139:1
Então, lembre-se:
Você não precisa fingir diante de Deus.
Pode chegar cansado.
Pode chegar confuso.
Pode chegar quebrado.
Pode chegar sem respostas.
Ele já conhece você por inteiro.
E, ainda assim, continua chamando você para perto.
Talvez você esteja carregando um peso que nunca deveria ter sido colocado sobre você.
A responsabilidade de manter sua família bem.
A necessidade de resolver os problemas de todo mundo.
A sensação de que, se você parar, tudo ao seu redor vai desmoronar.
Então você continua.
Ajuda.
Serve.
Cuida.
Resolve.
Até esquecer que você também precisa ser cuidado.
Mas escute:
você não é Deus.
Você não foi chamado para sustentar o mundo.
Você pode amar sem carregar tudo.
Pode ajudar sem assumir o controle.
Pode servir sem se destruir.
Pode cuidar de alguém sem ocupar o lugar que pertence a Deus.
Existe apenas um Salvador.
E não é você.
É Cristo.
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”
— 1 Pedro 5:7
Talvez esteja na hora de entregar novamente a Deus aquilo que você tentou carregar sozinho durante anos.
Você não precisa salvar todo mundo.
Você precisa aprender a descansar no Salvador.
Talvez você tenha confundido duas coisas durante muito tempo:
ser necessário e ser amado.
Você ajuda alguém.
A pessoa precisa de você.
Você se sente importante.
Então ajuda novamente.
E novamente.
Até que sua identidade começa a depender da utilidade que você tem na vida dos outros.
E surge uma pergunta silenciosa:
“Se eu parar de ajudar, quem vai precisar de mim?”
Talvez você não esteja apenas tentando ajudar.
Talvez esteja tentando encontrar valor.
Mas o Evangelho diz algo diferente.
Seu valor não vem da quantidade de pessoas que precisam de você.
Não vem dos seus dons.
Não vem do seu ministério.
Não vem dos resultados que você produz.
Não vem dos aplausos.
Seu valor começa no amor de Deus.
“Nós amamos porque ele nos amou primeiro.”
— 1 João 4:19
Você não precisa ser indispensável para ser amado.
Você precisa apenas compreender que já é amado por Deus.
Talvez você tenha orado e não recebido a resposta que esperava.
Pediu que Deus mudasse uma situação.
Que curasse uma ferida.
Que trouxesse alguém de volta.
Que impedisse uma perda.
Que mostrasse um caminho.
E o céu pareceu silencioso.
Isso dói.
E não precisamos fingir que não dói.
Existem momentos em que Deus parece distante justamente quando mais precisamos sentir sua presença.
Mas existe uma diferença entre Deus estar ausente e você não conseguir percebê-lo.
Jó não entendia.
Davi perguntou.
Jeremias lamentou.
Elias chegou ao limite.
A Bíblia não apresenta uma fé artificial, onde ninguém chora e todos têm respostas.
Ela apresenta pessoas que choram, perguntam, esperam e continuam.
Então, se você não consegue fazer uma oração bonita, faça uma oração verdadeira.
“Deus, eu não entendo.”
“Deus, eu estou cansado.”
“Deus, eu não consigo enxergar você.”
E permaneça.
Porque às vezes a fé não parece uma grande declaração de certeza.
Às vezes, fé é simplesmente:
não abandonar Deus enquanto você ainda está procurando por Ele.
Talvez algumas pessoas tenham ferido você.
Talvez tenham mentido.
Talvez tenham usado sua confiança.
Talvez tenham abandonado você.
Talvez tenham dito coisas que você carregou durante anos.
E talvez uma parte de você acredite que precisa lembrar daquela dor para nunca mais permitir que alguém faça aquilo novamente.
Mas tome cuidado.
Uma ferida pode ensinar prudência.
Mas também pode ensinar você a desconfiar de todo mundo.
A dor pode proteger por algum tempo.
Mas, se você permitir, também pode se transformar em uma prisão.
Perdoar não significa dizer que aquilo foi certo.
Não significa fingir que não aconteceu.
Não significa reconstruir uma relação.
Significa entregar a Deus aquilo que você não consegue resolver sozinho.
Você pode lembrar sem continuar vivendo dentro da lembrança.
Pode reconhecer a ferida sem transformá-la em sua identidade.
Porque aquilo que fizeram com você faz parte da sua história.
Mas não precisa ser o seu nome.
Talvez você tenha passado anos tentando ser forte.
Forte para sua família.
Forte para seus amigos.
Forte na igreja.
Forte para aqueles que dependem de você.
Até que, em algum momento, você esqueceu como é simplesmente admitir:
“Eu também estou cansado.”
Mas existe uma coisa que você precisa entender:
Fraqueza não significa fracasso.
Chorar não significa falta de fé.
Pedir ajuda não significa que Deus deixou de estar com você.
Você não precisa sustentar tudo sozinho.
Paulo pediu que Deus retirasse dele aquilo que o fazia sofrer.
E Deus respondeu:
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
— 2 Coríntios 12:9
Talvez você tenha passado muito tempo tentando esconder suas fraquezas.
Talvez agora seja hora de permitir que Deus trabalhe justamente através delas.
Você não precisa ser forte o tempo inteiro.
Você precisa permanecer em Cristo.
É fácil confundir dom com importância.
Ministério com identidade.
Crescimento com fidelidade.
Aplauso com aprovação de Deus.
Podemos passar anos tentando construir algo grande e esquecer de perguntar se estamos vivendo de maneira fiel.
Paulo estava perto do fim.
Ele poderia falar sobre tudo o que havia realizado.
Mas não foi isso que disse.
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”
— 2 Timóteo 4:7
Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes da nossa vida:
Não:
“Quanto eu consegui fazer?”
Mas:
“Eu permaneci fiel?”
Fiel quando ninguém estava olhando.
Fiel quando ninguém aplaudia.
Fiel quando servir era difícil.
Fiel quando a verdade confrontava nossos desejos.
Fiel quando Deus parecia silencioso.
Fiel quando pessoas foram embora.
No final, talvez ninguém se lembre dos nossos títulos.
Dos nossos cargos.
Dos nossos números.
Dos nossos aplausos.
Mas que Cristo encontre em nós aquilo que realmente importa:
uma fé guardada até o fim.
Talvez você esteja vivendo um capítulo que não entende.
Uma perda.
Uma rejeição.
Uma queda.
Uma espera.
Uma crise.
Uma fase em que parece que nada está fazendo sentido.
E talvez você esteja olhando para essa página da sua vida e pensando:
“É aqui que tudo termina.”
Mas você não conhece o próximo capítulo.
Não permita que uma fase defina toda a sua história.
Você pode cair e levantar.
Pode se perder e voltar.
Pode errar e se arrepender.
Pode chorar e continuar.
Pode estar quebrado e ainda assim existir esperança.
“Eis que faço novas todas as coisas.”
— Apocalipse 21:5
Talvez você não precise entender tudo agora.
Talvez precise apenas continuar.
Um dia de cada vez.
Um passo de cada vez.
Uma oração de cada vez.
Porque enquanto Deus ainda lhe concede vida,
a história ainda não terminou.
Um dia, tudo aquilo que hoje parece tão importante ficará para trás.
Os títulos passarão.
Os cargos passarão.
Os aplausos passarão.
O dinheiro passará.
A aparência passará.
A fama passará.
Até mesmo o nosso nome, com o tempo, será esquecido.
Então talvez devêssemos parar e perguntar:
O que realmente permanecerá?
Paulo, próximo do fim, não disse:
“Fui famoso.”
Não disse:
“Todos me admiraram.”
Não disse:
“Construí o maior ministério.”
Ele disse:
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”
— 2 Timóteo 4:7
Talvez esse seja o verdadeiro sucesso.
Não ser lembrado por multidões.
Mas permanecer fiel quando ninguém estava olhando.
Não construir o maior nome.
Mas guardar a fé.
Porque tudo passa.
Cristo permanece.
E, no fim, não se trata de sermos grandes.
Trata-se de permanecermos fiéis a Ele.
Talvez você esteja passando por uma fase em que Deus parece distante.
Você ora.
Espera.
Chora.
E nada parece mudar.
Então começa a pensar:
“Será que Deus ainda está comigo?”
Mas existe algo que seus sentimentos talvez não consigam enxergar:
a sensação de abandono não é a mesma coisa que abandono.
Você pode não sentir Deus e ainda assim estar nas mãos dele.
Pode não compreender o caminho e ainda assim estar sendo conduzido.
Pode não ouvir uma resposta e ainda assim ser ouvido.
“De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.”
— Hebreus 13:5
Sua fé não precisa depender daquilo que você sente hoje.
Porque Deus continua sendo Deus quando o céu parece silencioso.
Continue orando.
Continue buscando.
Continue caminhando.
Não porque você entende tudo.
Mas porque Aquele em quem você confia continua sendo fiel.
E talvez um dia, olhando para trás, você perceba que, mesmo quando não conseguia enxergá-lo,
Ele nunca deixou de estar ali.
