Texto sobre Amor Antigo
ENTREGA
Aos antigos deuses que espreitam das sombras do mundo ofereço uma prece embebida em lágrimas
O veio de beligerante graça que me nutriu se desfaz em vontades viscerais e ávidas
Vejo empaliceder ao longe, na curva sublime do horizonte esquecido, tudo que busquei no decorrer das eras, consagrado pela abóboda celeste
O peso do inframundo já não repousa em meus ombros, sigo ao desfiladeiro da mortandade e removo minha veste
O brilho do fruto proibido reluzia ao alcance da minha mão
Era furor em beleza íngreme, êxtase em ofegos efêmeros, o ápice da união
O sumo adocidado escorria pelos meus lábios e a vida nunca fora tão absoluta
Perdi o prumo, o rumo, o chão e encontrei lascas de infinidade em segundos suarentos com um toque de cicuta
Que Ártemis zele pelos desafortunados que rejeitam o pesado cálice derramando gozo
Que Héstia ofereça lar aos perdidos e desarranjados que só encontram lábios secos e gargantas ásperas em seu mundo umbroso
Sob os olhos atentos de Urano pode verter leite e mel nas terras inóspitas de um mundo cujo brilho incendeia a alma
No seio de Gaia, unânime senhora, o ápice se eclipsa em vida e homens se erguem para tombar em esmagadora calma
As estrelas mostram a óbvia verdade que o coração que eu um dia possuira sentiu
Há uma infinidade de fios na grande tecelagem das Moiras mas quando dois deles se entrelaçam os céus ribombam em júbilo ou Hades gargalha em seu covil
Do abismo da racionalidade humana soprava o vento gélido da incerteza que a meus olhos já não veda
Abri meu peito e acolhi meu desejo enquanto me lançava naquela gloriosa queda.
O mais próximo talvez
Finalmente consigo respirar, algo que, em tempos antigos era quase impossível.
Minhas únicas testemunhas foram as mais puras estrelas que brilham no céu.
O céu foi o meu único refúgio em tempos sombrios, ele me entende, não questiona, e me dá o suporte preciso, sua grandiosidade, não me intimida, ao contrário, me abraça como se fosse um velho amigo.
Três longos anos se passaram, e tudo o que posso dizer é que o tempo cura. Há três anos atrás, eu me culpava, por não ser capaz de viver socialmente, eu me moldava para que outros me aceitassem, mudava minha personalidade, formando um persona. Eu odiava quem eu me tornava perto de outras pessoas, mas odiava ainda mais a solidão. Sim, ela me acompanhou por um longo tempo, ela era minha única e inseparável companhia.
Quando estava em frangalhos e a solidão me acompanhava, tive apenas a minha própria sombra, à espera de uma salvação. Mas ao mesmo tempo em que a solidão me abraçava com seu manto escuro, ela me matava de pouco em pouco, matando minha personalidade, minha autoestima, minha autoconfiança e o pior, meu amor próprio.
Sinto que finalmente estou em paz comigo mesma, agora, eu respeito os meus limites, meus sonhos, ambições, meu corpo e cada pequena imperfeição tão perfeita. E depois de cada luta, lágrima, e pedidos de socorro, eu finalmente posso dizer que amo a mim mesma.
Olha só onde chegamos, quem diria que aquele sonho antigo
Quase que empoeirado por nossas mentes
Se realizaria em tão pouco tempo
Valeu a pena toda nossa espera
Minhas esperanças já estavam escassas
Mas tudo mudou... Acho que a coragem dos outros nos inspira
Para que façamos o mesmo
É verdade que tudo tem um fim, menos a nossa história.
"Nasce uma Estrela".
Eu ainda cursava o colegial...(Antigo, né?)
Lembro do que senti, assistindo ao filme. Queria entender o porquê dele ser tão insatisfeito com a vida e com tudo o que conquistou, afinal, o que mais um adolescente pode invejar em um adulto senão o dinheiro, uma mulher que o ame e o sucesso?
Não passou muito tempo e a vida começou a me ensinar que o valor que damos às coisas que conquistamos é apenas uma extensão do valor que damos a nós mesmos. Sem amor próprio, todo e qualquer bem é apenas fardo a mais para carregar.
Aprendi que a maior batalha que um homem trava, na vida, é contra seu próprio eu. Ou ele conquista a si mesmo ou ele simplesmente nunca vai existir.
Foi difícil, mas: Eu existo !!!!!!!! rs
Cai a tarde de domingo...
o tempo escorre,
esvai-se pouco a pouco
como um suspiro antigo
que já não se ouve mais.
A kalanchoe amarela no parapeito
resiste —
minha pequena explosão de sol
em um mundo meio gasto,
meio silenciado.
Pelas ruas,
vagam transeuntes
perdidos em si mesmos.
Já não sabem quem são,
nem quem foram um dia —
apenas seguem.
Lá fora, o vento hesita,
como se lembrasse
de outros domingos idos,
com passos,
com vozes atravessando as horas
sem pedir licença,
avançando sempre...
Há uma beleza única nesse momento —
e ela não grita,
sussurra em amarelo
nas pétalas da kalanchoe,
no breve toque do vento
em meus cabelos
antes de seguir
seu perpétuo curso.
(Kalanchoe Amarela)
Namorados no mirante
Eles eram mais antigos que o silêncio
A perscrutar-se intimamente os sonhos
Tal como duas súbitas estátuas
Em que apenas o olhar restasse humano.
Qualquer toque, por certo, desfaria
Os seus corpos sem tempo em pura cinza.
Remontavam às origens – a realidade
Neles se fez, de substância, imagem.
Dela a face era fria, a que o desejo
Como um hictus, houvesse adormecido
Dele apenas restava o eterno grito
Da espécie – tudo mais tinha morrido.
Caíam lentamente na voragem
Como duas estrelas que gravitam
Juntas para, depois, num grande abraço
Rolarem pelo espaço e se perderem
Transformadas no magma incandescente
Que milênios mais tarde explode em amor
E da matéria reproduz o tempo
Nas galáxias da vida no infinito.
Eles eram mais antigos que o silêncio...
Na eternidade um dia te encontrar
Lembro tampos antigos quando você chegava em casa eu me sentia bem
Quando você me chama de meu neném, minha chere
Jogamos baralho juntos riamos era tão legal, viver com você era tão especial, lembro quando você demorava e eu me preocupava se estava bem
Você me prometeu assim
'Filha eu nunca vô dormir fora de casa'
Ao menos que eu esteja no hospital, eu sorri mais despreocupada e concordei, na verdade eu sempre me preocupava porque tinha medo de te perder, mais é como você me disse a lei da vida é essa os filhos enterram os pais, e eu achei que iria reencontrar mais uma uma vez eu achei
Uma cartinha eu escrevi, dormir agarrada no seu travesseiro
Sonhei que dividimos cocada seu doce preferido, no dia seguinte eu acordei com vontade de te ver
Mais a notícia era que você não estava mais aqui, meu coração despedaçou
O meu mundo caiu mais eu precisei ser forte porque você me disse filha
Se algo acontecer comigo
Cuida da sua mãe
E uma vez na eternidade eu peço a Deus para te encontrar
Mais até eu sempre vou lembrar que eu te amo meu pai
Porque eu te amo eu vou guardar sua memória, o sua vontade principal realizamos e seu sonho vou conquistar
Mais até lá eu vô lembrar e peço a Deus para na eternidade um dia te encontrar
Cícero Pai
O que me importa!
Se sentimento tão antigo, tão velho, tão reprimido integra a vida.
O que me importa!
Se encanta, e a cada manhã que não vivo, estarei mascarada pelo ato, pelo não.
O que me importa!
Se meu peito tão imaturo, tão sentido, tão sofrido não consegue colaborar com tal quimera.
E o que me importa!
Se entre nuvens e batalhas do meu pobre eu atingido, digo adeus ao amor que se vai sempre, que é cego e vão.
Perseguição
Amores unilaterais são difíceis;
Meu passado me ama, mas eu o odeio;
Eu fujo e fujo, mas fico com medo dele me odiar, então olho para trás, e ele me alcança;
Só pare de pensar!;
Sei o que tenho que fazer, mas é tão difícil de encarar
o meu antigo eu;
Ninguém sabe, além de mim,
e algumas pessoas com quem surtei;
Meu passado obsesionado,
Como vou dizer que acabou?
EU-JORGAL
Ó trovador que abre seu lábio antigo,
Diga a musa que ouve doce as cantigas de amigo:
Assim como tu sabes que mente para si,
És tola e eu tolo, mesmo sem a tua harpa,
Minha harpa é tua harpa, pois é para ti.
Chego até querer ir a tua corte com lira de maldizer,
Porem tua íris céu, cabelo ouro e branca rosada,
Expulsa de mim a sátira grosseira a cavalgada
Feito Segrel e seu cavalo perdido em toada .
Desde as melodias da antiguidade
Os trovadores sopravam realidades.
E tu dama a mim desfere lira de escarnio
Enquanto minha harpa compõe amor em grande ensaio.
A saudade me acena
na imagem pequena
de um antigo retrato.
A saudade é cruel, e a solidão é perversa, me faz lembrar de cada detalhe seu, LEMBRO das nossas conversas. Lembro que eu te fazia sorrir, lembro que um dia você parou, pensou e disse, você o motivo pra ainda eu existir. MAs hoje o que resta é aquela imagem pequena,, e
a saudade me acena nessa
imagem pequena
de um antigo retrato
Presente
Eu ganhei um canivete
Bem antigo, desgastado
Certamente tão usado
Por esse meu doador.
Não imagino o seu preço
Mas como ele tem valor!
Doou-me com tanto amor,
Nem mesmo sei se o mereço
Sempre que o tenho nas mãos
Uma lágrima me cai...
Este velho canivete
Eu o ganhei de meu pai.
É a minha lei viver de amor...
Morrer não quero...
Desfalecer...
Sufocar de prazer...
Até na dor...
Sim...
Amar também dói...
Aperta o coração...
Nos tira o chão...
Faz a gente contar as horas ...
De agonia ...
Não ver o tempo passar...
Também nos tira a sabedoria...
Mas amar é bom...
No encontro das mãos...
Na troca e entender de olhares...
Saudades que não tem fim...
Pensar sempre na pessoa amada...
Em qualquer tempo...
Em todos os lugares...
Não há tempo consumido...
Nem tempo a economizar...
Além do amor, não há nada...
Apenas amar...
Um querer diferente...
Que envolve e doma a gente...
Harmonia suave...
Mas também insensatez deslumbrada...
Buscar sem saber o que busca...
Sem perdão e sem disfarce...
É lume que arde...
Na alma e no peito...
Deixando a gente sem jeito...
Igual a criança tola...
Que acredita no que, às vezes, não vê...
É viver entre a paz e a guerra...
Derrubando as distâncias...
Fazendo manhas...
Fatigado é procurar abrigo...
No seio ondes moras...
Enquanto a vida acontecendo lá fora...
E o antigo vazio...
Sendo preenchido...
Que hei-de fazer senão sonhar...
Não quero morrer de amor...
Quero viver...
Vivendo para te amar...
Sandro Paschoal Nogueira
Como sempre,
Os melhores momentos são contigo,
Esse caso antigo,
Coisa de outra vida, sei,
Um brinde ao nosso reencontro,
Nossas taças cheias,
O sentimento é puro,
Natural,
Ainda que o desconforto,
De alguns desencontros dentro dessa existência,
O conforto da presença é maior,
As nossas músicas,
Nossos lugares,
Seja para nós destruir,
Ou só ficar de conchinha,
Você é minha menina,
Em 1987 planos.
Te amo.
Meu antigo eu
.
Nem sei se tenho direito de falar por ele, já que essa pessoa deixou de ser eu há tanto tempo, que guardo tão poucas recordações comigo, tem anos que não o vejo. É um alívio, para ser sincero. Penso que meu antigo eu não teria tanto orgulho de mim agora, quem sabe até me odiaria, afinal, me tornei tão diferente dele.
.
Meus ideais mudaram, expandiram e evoluíram, eu fui para longe demais da pequena borda em que me encontrava, me distanciando de mim mesmo. Digo com certeza que ele não se orgulharia de mim, mas eu também não me orgulho dele, meu eu do passado com todos os seus tabus que pareciam inquebráveis, sua mente rodeada por grades de ferro, as crenças que o impedia de tecer seu pensamento crítico e com todos os seus preconceitos, me causa uma grande aversão.
.
Caso meu antigo eu me encontrasse hoje, não nos daríamos tão bem, o crescimento é o distanciamento de nós mesmos, o abandono de vestes que não nos servem mais, o livramento de coisas que já não nos convém. Não posso pedir perdão por quem já fui no passado, pois já não sou mais aquela pessoa, felizmente é preciso coragem para assumir não ser mais o mesmo, e isso não é vergonha alguma, medo tenho eu de permanecer o mesmo pra sempre.
No seu mundo, o agora é gentilmente presenteado pelos valores do passado, o amor sincero de outrora que traz a essência do seu coração à moda antiga, uma forma genuína de bênção,
A consistência de um viver profundo, simplesmente, imersivo entre o realismo e o lúdico, orquestrado pelo Poder Divino, que a faz perceber que o antigo quando tem valor não entra desuso
Assim como os versos que refletem a vida, o fulgor existente no espírito, descritos em algumas linhas, singularidades, sentimentos, continuidade, a verdade que não se desfaz com o tempo.
Aprendimento
Os mais antigos diziam:
— menino que se rala vira sabedor.
E eu virei sabedor de queda.
Sabedor de chão.
Sabedor do peso das palavras
que não se ouviram.
Porque antes do som da queda
vem um barulho de silêncio —
é quando a vida avisa
com cochicho.
Mas eu,
desobediente das alturas,
só aprendo na unção da poeira.
No sermão das formigas.
No degrau que fere meu joelho.
Alguns precisam beijar o chão
pra entender que não se pisa em tudo.
Aprender é descalçar o orgulho
e fazer verso com a cicatriz.
No meu aprendimento,
comi esse doce de fel.
Era azedo como boldo,
mas, no fundo,
tinha gosto de aurora.
Sou uma árvore centenária, que brota em um corpo de menino. Minha alma é um livro antigo, cheio de histórias, cheio de sabedoria. Meus olhos são dois poços de água profunda, onde o tempo se reflete, onde a eternidade habita.
Sou um homem que já viveu mil vidas, e ainda assim, sou um menino que brinca com o universo. Minha presença é um silêncio que fala, um vazio que está cheio de significado. Eu sou o resultado de todas as minhas vidas, e ainda assim, sou um mistério para mim mesmo.
Eu sou um enigma, um labirinto, onde a verdade se esconde e a mentira se revela. Mas eu não tenho medo do desconhecido, porque eu sei que sou o guardião de meu próprio destino.
Eu sou um rio que flui sem parar, mas que ainda assim, é profundo e tranquilo. Minha superfície é lisa e brilhante, mas minhas águas são turbulentas, cheias de correntes e redemoinhos. Eu sou um vulcão que dorme, mas que pode acordar a qualquer momento.
Minha vida é um tapete ricamente tecido, com fios de alegria e tristeza. Eu sou um poeta que escreve com o coração, e que canta com a alma. Eu sou um homem que ama profundamente, e que pode detestar com a mesma intensidade. Eu sou um ser humano, com todas as minhas contradições, e ainda assim, sou um mistério para mim mesmo. Mas eu não tenho medo de mim, porque eu sei que sou um ser em evolução.
Eu sou um rio que flui, um vulcão que dorme, um poeta que escreve, um homem que ama. E eu continuo a fluir, a dormir, a escrever, a amar, a viver. E quando eu finalmente chegar ao fim do meu caminho, eu saberei que vivi, que amei, que escrevi. E que deixei um pedaço de mim mesmo, no coração de todos que conheci. E assim, eu me tornarei imortal, um eco que permanecerá para sempre. Um eco de amor, de poesia, de vida. E eu serei feliz, porque vivi.
(“O velho jovem de mil vidas”, de Douglas Duarte de Almeida)
Narrativa Inspirada no Conto Sufi.
Fragmentos do Infinito.
Conta um antigo conto da tradição sufi, atribuído a diversas escolas do Oriente Médio, que a Verdade em sua pureza integral desceu à Terra e os homens não puderam contemplá-la em sua totalidade. Para que não se perdesse por completo, Deus partiu a Verdade como se fosse um espelho, e lançou seus estilhaços ao mundo.
Desde então, cada ser humano carrega em si um pequeno fragmento desse espelho divino, refletindo uma porção da Verdade, mas jamais o seu todo. Aqueles que tentam impor seu pedaço como sendo a totalidade do espelho, sem reconhecer os fragmentos que os outros portam, caem na ilusão do orgulho e da cegueira espiritual.
CREPÚSCULO DOS OLHARES QUE SANGRAM LUZ
Olho nos teus olhos e algo antigo desperta, como se a noite respirasse dentro do nosso peito. A lua inclina seu rosto sobre ti, oferecendo um lume pálido que se mistura à palidez de nossas almas que se procuram desde a penúltima dor. Há um frio doce que percorre o ar, um silêncio que se esculpe em nossas carnes como um sacramento soturno.
A única lágrima que guardamos nos recônditos mais ocultos se desfaz lentamente, como se abrisse uma fresta entre dois mundos. Não é apenas lágrima. É o resto de uma saudade que jamais encontrou nome, é a memória de um pacto selado quando ainda éramos apenas um rumor de espírito à beira de outro universo.
O romantismo aqui não é júbilo. É ferida luminosa. É o toque místico do invisível que paira entre nós, sussurrando que o amor nunca é de superfície, mas sempre de abismo. E é no abismo que te encontro, envolto em uma aura de noite eterna e, ainda assim, como se guardasses o pressentimento de uma alvorada impossível.
Tu esperas por mim. Eu espero por ti. Somos dois vultos que caminham por corredores espirituais, cada qual trazendo no peito a impressão de que a vida inteira foi apenas prelúdio para este instante. A lua testemunha. Os recônditos aquiescem. E o amor é profundamente nosso, que se eleva como neblina sagrada que se recusa a morrer.
