Texto de Solidão
Boneco feito de nadas
Com as mãos cheias de nadas
Acordo dum sonho dorido
Tentando repor em meu mundo
Pedaços inteiros de nadas
Acordo e durmo
Durmo e acordo
Nas mãos trago todos meus nadas
Sozinho e sem nada
Atravesso outro dia
Querendo montar peça a peça
Desse meu monte de nadas
Meu coração que é tolo
Insiste e bate por nada
Lá dentro do peito essa dor
Que continua, doendo por nada
Sem nada acordo dum sonho
E tento dar vida ao boneco
Feito de montes de nada
É meu coração, esse tolo
Que sofre por nada e por nada
Arq. Biblioteca Nacional de Lisboa
Rodrigo Gael - Portugal
A Carta de Dora
Josué,
Faz muito tempo que eu não mando uma carta pra alguém. agora eu to mandando essa carta pra você.
Você tem razão. seu pai ainda vai aparecer e, com certeza, ele é tudo aquilo que você diz que ele é.
Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira.
Quando você estiver cruzando as estradas no seu caminhão enorme, espero que você lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão no volante.
Também vai ser melhor pra você ficar aí com seus irmãos. você merece muito muito mais do que eu tenho pra te dar.
No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto.
Eu digo isso porque tenho medo que um dia você também me esqueça.
Tenho saudade do meu pai, tenho saudade de tudo.
Dora
- Tempos de Cão
Sinto vazio, faz mais de horas e aqui dentro não faz sentido
O problemas viraram dilemas e o que me apaziguava me traz inquietude
Não me sinto verdadeiro, me pergunto o que aconteceu quando o sol se pôs
O que é real pode não ser permanente, percebendo a questão apenas guardo uma carta em minha mente:
"Você está vazio, volte á ser verdadeiro, não seja indiferente e traga-se conselho"
Puro sentimento raso, me trouxe atraso e estive calado
Aliado da solidão, só vive em pranto e tempos de cão
Arrisco subir em montes e achar meu clarão
Para me regar da impiedosa chuva, e me concertar em gratidão.
Versão da Música Streets of Philadelphia.
Composição: Bruce Springsteen – Interpretação: Bruce Springsteen.
Ruas da Vida
As surras que levei me deixaram muito machucado,
Mas não havia nada que podia falar.
Sobrou muito pouco da minha verdadeira personalidade,
Vi meus olhos no espelho, não reconheci minha própria alma.
Ai então, vocês, me deixaram definhando nas ruas da vida.
Eu caminhava até minhas pernas pesarem,
Ouvia as vozes de “amigos” desaparecidos, ou mortos.
A noite podia ouvir o som do sereno cair,
Tão assustador e gritante como a tempestade.
Nenhum anjo veio me amparar,
Éramos apenas meus amigos e eu.
Minha realidade não existia mais.
Tentei correr atrás, sim, sim eu tentei,
Para só para vela cada vez mais longe.
Não reconheço mais as noites, estou sempre caído, mas sempre acordado.
Então, meus “amigos”, me dispensem com seus beijos infiéis.
Ou então ficaremos assim para sempre, não há volta.
Vamos sempre vagar pelas ruas da Vida.
OBS: Sei que essa música foi composta para o filme do mesmo nome (1993), e que fala das dificuldade de um homossexual soro positivo para HIV (AIDS). Aconselho quem ainda não assistiu ao filme, assistir. Porém hoje, apesar de ainda não haver cura, as pessoas soro positivo conseguem levar uma vida quase que normal. Fiz essa versão pensando nas pessoas que sofre com a depressão e outras doenças mentais, que pode destruir suas vidas como a AIDS.
Há Momentos
Há momentos em que nos sentimos sozinhos.
Estamos tristes, zangados, amargos e solitários.
Sentimos a dor da perda e da rejeição.
Então nos perguntamos porquê? Muitas vezes não obtivemos uma resposta.
Não conseguimos encontrar uma saída e nos sentimos presos em um labirinto. Más vamos com calma, quando iniciei este texto eu dizia: são apenas momentos.
A angústia que me rodeia.
A angústia me assela, me domina e me fascina.
Me cativa assim como a solidão.
Tão reconfortante quanto se sentar em um banco solitário, em meio ao caos do cotidiano.
Sem questionamentos tolos, sem um real interesse.
Sem a sufocante alusão a meritocracia, que é imposta a nós de uma maneira tão singela e amargosa.
E em meio a isso, chegamos no fim do dia.
Desolados e sem rumo.
Em busca de respostas a qual caminho seguir.
Mas afinal, qual o motivo disso?
Para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve.
Mais ardente que beber café quente,
É engolir essas lágrimas secas que rasgam minha garganta,
Quando nossas memórias vem me assombrar.
E de assombração em assombração, estes vagos fantasmas
Me aterrorizam constantemente
Ao me lembrar que você não se importa com o estrago que fez,
Com suas vagas promessas e doce voz,
Que continuam a causar devassidão em m'alma.
Meu luminoso anjo, aos tropeços segui em frente da melhor forma que pude,
E por meses já não guardo seu número com medo de te falar,
Dessa saudade a que sou submetido, quiça escravizado.
Em segredo me reencontro contigo nas mais impossíveis horas,
Ansiando respostas para tudo,
Desistindo de certas perguntas, por migalhas de paz.
Compreendi no meio deste grande conflito e com grande tristeza,
Que nascemos para ficarmos juntos,
Mas...não fomos feitos para ser um só.
O caixão da alma
Presa em uma casca de dor,
Aprisionada em uma pele d’onde se transita flor.
Releio Augusto dos Anjos,
poeta preso em fantástico caixão alheio,
Sinto similaridade com a dor dele, hoje.
Dor, coração e um triste sossego.
Presa em teu sonho selvagem,
curto metáforas de Clarice Lispector,
repenso Antônio Nóbrega,
todos poetas que profetizaram a dor,
a morte, o caixão em badalado, triste e feio.
Presa. E estar em cárcere machuca.
É um acordo feito consigo mesma.
É um contrato social a qual a gente olha e diz:
-Por que você está destruída?
-Se sou eu a única pessoa que precisa ser salva?
Ora, por que me fazes chorar?
Suas cicatrizes são minhas, sabia?
Presa na obra de um carpinteiro,
meu corpo lança um: “não te amo, mais”,
A alma na pele que habito,
tal como Almodóvar e seu percevejo.
Presa em uma cama fria,
Em um hospital onde a morte olha, vazia.
Aprisionada entre o sim e o não,
Entre a vida e o não.
Presa em um corpo de morte,
tal como preconiza Paulo,
presa, simplesmente aprisionada,
Rousseau já dizia que por todos lados
sigo acorrentada.
Presa. Simplesmente aprisionada.
À minha alma que segue inerte,
desejando que a dor galope e não me veja.
Mas, Clarice só me apontou a hora,
e “dos Anjos” me avisou da mão que apedreja.
Presa em muros poéticos,
onde o sonho e a morte dançam e combinam,
juntas, o seu mais próspero desejo.
Presa em um caixão d’alma,
aprisionada pelo karma, ancestralidade,
herança genética, por traumas e desejos.
Morta em um vivo caixão de peles,
de feles e méis. Simplesmente, presa.
(instagram: @claudia.valeria.kakal)
Amizade Remanescente
O início de uma amizade é como estrelas,
Sempre brilhantes, até que uma explosão aconteça.
O fim, infelizmente é inevitável,
Com você, ele sempre foi as caravelas
Destruídas pelo mar
De nossos pensamentos,
Que não podíamos evitar de pensar.
E no fim do dia fracassado,
Quando o Sol não é mais quente
Você se pergunta “O que aconteceria,
Se os egoísmos do passado
Não tivessem afetado o nosso presente?”
Que se tornou algo amassado,
Pelos erros da nossa amizade poluente.
A epifania que foi a nossa amizade,
Era algo incrível, como o Sol ardente.
É triste pensar que aquele sentimento
É apenas algo remanescente.
Em pedaços, o que restou foi nojento
E eu sinto culpa, por ter insistido tanto,
Em algo, que não tinha conhecimento.
Eu pretendia ser para sempre o Sol,
Mas agora permaneço
Em um inverno escuro onde enlouqueço.
Sem nem um mísero cachecol
Para aquecer a minha alma,
Que permanecerá solitária,
Até o fim das galáxias e dias, além de noites arredias.
Agora, na beira do precipício, eu te imploro por um motivo
Para continuar lutando por essa amizade
Que mais parece um exílio.
Se esse for o tipo de amizade que você deseja,
Eu vou apenas correr, e me libertar
Antes que eu vire algo
Que ninguém almeja conquistar.
E agora você?
A farra acabou
O circo fechou
As sessões acabaram
Espetáculo não existe mais
O ilusionismo terminou
A bajulação acabou
A festa terminou
O público foi embora
A claque cansou
O narcisismo ofuscou
Agora tudo são cinzas
A fênix morreu
O ataúde fechou
Cerrado com aço
Tudo era fantasia
Sonhos de palhaço
Cores e solidão
Farsa laboral
Fugaz e efêmero
Exibicionismo é outrora
As luzes se apagaram
A máscara caiu
Gás lacrimogênio acabou
Não existe mais público
As palmas acabaram
As luzes acenderam
Tudo é claridade
Agora é tempo de voltar
Para a Terra, Astronauta!
"Minha alma grita em silêncio, minhas angústias ecoando sem encontrar ouvidos dispostos a escutar. Ela clama por compreensão, por alguém que possa entender as profundezas de minhas aflições, mas minhas palavras se perdem no vazio.
Como se eu estivesse preso em um isolamento silencioso. Mas lembro-me, mesmo nos momentos de maior solidão, há sempre uma centelha de esperança. Às vezes, é preciso procurar apoio ou expressar nossos sentimentos de maneira diferente, para que outros possam compreender a nossa dor
À medida que minha alma grita, tenho fé que, eventualmente, alguém ouvirá e estenderá a mão para compartilhar o peso de minhas preocupações."
♤ "O Risco da Paixão e a Dor da Omissão"
A paixão é uma força transcendente, uma chama que aquece nossos corações e nos faz sentir vivos. Ela é o combustível que impulsiona nossa jornada, e a vida ganha cores mais vibrantes quando estamos imersos nesse sentimento.
No entanto, a paixão também traz consigo o risco da dor. À medida que nos entregamos a ela, abrimos nossos corações para a possibilidade de feridas profundas. Mas é essa vulnerabilidade que torna o amor tão precioso e significativA Paixão
● A Dor da Omissão
Por outro lado, a omissão, o ato de evitar a paixão devido ao medo da dor, pode resultar em um vazio duradouro. Aqueles que se enclausuram em muralhas de proteção podem nunca experimentar a plenitude que o amor oferece. A dor da omissão é uma ferida silenciosa, que se manifesta na solidão e no arrependimento. É a dor de nunca ter tentado, de nunca ter arriscado, de nunca ter vivido plenamente.
● A Escolha Sábia
No final das contas, a escolha sábia é acreditar na paixão, apesar do risco da dor. É abraçar a paixão como parte fundamental da experiência humana, permitindo que ele nos molde, nos ensine e nos faça crescer. Pois, como diz o ditado, é melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado. É através da paixão e da aceitação do risco que encontramos significado e profundidade na jornada da vida.
Sabores
Neste mundo já provei vários sabores de felicidades, dramas, conquistas, tristezas e dores
Já mentirão, fizeram promessas e as lágrimas que me fizeram sofrer, nem mesmo assim conseguiram ver
Aqueles momentos que não me cabe mais, porém, só em pensar já me satisfaz, as fezes me pego pensando, se eu não estiver presente, que falta faz?
Pessoas esperam pessoas partir, para só assim falar - estou aqui...
mesmo sabendo que não haverá respostas, chora e fala que ama, para que tamanha hipocrisia, se quando presente não afirmaria suas respostas.
Afirmaria seus valores, suas dores e seus amores e sem pudor ou barreira de quem há quem queira estar ao seu lado e mesmo assim é se "vivendo" que provar os sabores de emoções que é estar ao seu lado.
Concordar, sem querer!
Meu versar de amor, caro enredo
Por meu pecado que não foi feliz
De certo, o acaso, teve seu dedo
Quis falida paixão, e como quis!
Podes ver o meu íntimo segredo
De um coração cheio de cicatriz
Olhares, desdém, gestos, medo
Mas tão sonhador... cor de anis!
Carente, a poética com tormento
E neste sentir, muito o momento
Em que, sozinho, hei de perecer!
E, meu verso, sem suave fantasia
A inspiração tão cheia de agonia
Me resta, concordar, sem querer!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08/10/2023, 09”48” – Araguari, MG
Serenata
Horas altas da madrugada, a lua lá fora
Vertendo nostalgia, sussurrando agonia
Na imensidão do azul do céu, vem o dia
Que entre o silêncio, o rumor, faz a hora
Sinto a solidão que de cadência fantasia
Uma harmonia de recordação de outrora
Tal suspiros de violão que d’alma implora
E, que no amanhecer é prostrada poesia
Esta melodia, inquieta, enfada, peregrina
Cheia de sentimento e sensação em ruína
Aperta, invoca e, sufoca toda a suavidade
Então, passa a gemer o sossego, tão aflito
No espírito da noite, num cortante grito...
Numa serenata triste... chora a saudade!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
09/10/2023, 04”48” – Araguari, MG
Eu prefiro o silêncio daqui.
Eu prefiro o silêncio daqui,
Onde a calmaria é minha companhia,
Onde posso ouvir meu próprio respirar,
E deixar a mente livre para meditar.
Aqui não há barulho nem agitação,
Apenas a paz da natureza em sua imensidão,
O canto dos pássaros, o vento a soprar,
E a brisa suave a me acalentar.
No silêncio daqui, posso refletir,
Sobre o que é importante para mim,
Posso me conectar com minha essência,
E encontrar a paz em minha existência.
Por isso prefiro o silêncio daqui,
Onde posso ouvir minha própria voz,
E me encontrar em minha verdade,
Sem distrações, sem alarde, sem disfarce.
A carência faz a gente querer ser cercado de pessoas mas:
O que adianta ser cercado de várias pessoas se todos não vão te levar adiante, ser secado de pessoas que vão te puxar pra baixo e de pessoas que não vai te incentivar.
Perceba todos temos uma pessoa que sempre estará do nosso lado valorize só essa pessoa.
Crie um filtro social que minimiza tudo que é negativo.
Você pode escolher dar importância para a pessoa certa que pode significar ser a pessoa certa pra você
Então para de perder tempo tentando ter um monte de pessoas no seu círculo social
Porque todos vão no fim te afastar do que realmente é importante pra você
Qual a diferença de sofrer sem fé e sofrer com fé
A diferença entre sofrer sem fé e sofrer com fé está principalmente na forma como a pessoa lida com o sofrimento.
Quando uma pessoa sofre sem fé, ela pode se sentir sozinha, desamparada e sem esperança. Ela pode se perguntar sobre o sentido da vida e questionar a existência de Deus ou a possibilidade de um propósito maior por trás do sofrimento.
Por outro lado, quando uma pessoa sofre com fé, ela tem a crença em um poder superior que pode confortá-la, ajudá-la e dar-lhe esperança. Ela pode encontrar força e consolo nas escrituras sagradas, em orações e em comunidade religiosa. A pessoa com fé pode acreditar que o sofrimento faz parte do plano de Deus para ela, que pode moldar seu caráter, aumentar sua fé e fortalecê-la para enfrentar futuros desafios.
Além disso, a fé pode ajudar a pessoa a ter uma perspectiva mais ampla sobre o sofrimento, acreditando que ele pode ser uma oportunidade para crescer espiritualmente e para ajudar outras pessoas que estão passando por situações semelhantes.
No entanto, é importante ressaltar que a presença da fé não significa que a pessoa não vai sofrer ou que o sofrimento será eliminado. A fé pode ajudar a pessoa a lidar com o sofrimento de forma mais positiva e esperançosa, mas não é uma garantia de que a vida será livre de dor ou dificuldades.
tem alguma coisa
em ficar sozinho no escuro
que faz a gente pensar,
se lembrar de quanto
o mundo é grande
o quanto estamos distante um dos outros. As estrelas parecem estar
tão perto
que daria para esticar o braço e tocá-las... Mas não dá ...
As vezes as coisas parecem bem mais próximas do que realmente estão
