Texto Aprendi
Com o tempo aprendi
A ouvir o que me dizia
O silêncio das estrelas
O cheiro da terra
e perceber o quanto custava
cada lágrima que reprimi
Naquelas bravas horas de tristeza
Que a ninguém mostrei
A vida sempre envia sinais
Mas tem horas
Que é inútil procurar respostas
Longe de mim
Quando parece que simplesmente
O mundo me vira as costas
Há momentos em que é tarde
Muito tarde
E só teu coração poderá te responder
Se nesse momento
Brilha a Lua
Cai a chuva
Ou arde o Sol
Esse momento existe em você
E não no Universo
Há coisas que estão longe
Há coisas ao teu lado
E há coisas
Que não estão longe e nem perto
Estas coisas estão em nós
São o que somos
Estão antes, estão após
São o durante
São o agora
São e não são
Assim como estamos juntos
e eternamente sós
Vivemos, choramos e rimos
sem nunca saber de verdade
Se realmente existimos.
Foi amando que aprendi
Que a vida me deixou aqui
Pra que eu pudesse
aprender a amar
e vivendo descobri
Que tem coisas
Que para aprender, demora
No percurso
A gente ri e a gente chora
Buscando motivos pra vida
E a existência das estrelas
Rebuscando, em momentos de dor
A causa que me fazia
Vê-las tão distantes
E não ver o amor
Que a vida toda esteve perto
Vida, viagem longa e passageira
varia, dia a dia
Pois
Enquanto o tempo vaga
Sem pressa
Fazendo-me perder-lhe a conta
há nele sempre
duas pontas e a gente o remonta
Mas não existe amor que se meça
Existem sim
Amores que o tempo dilui
e de volta ao infinito, flui
Voltando ser parte integrante
da verdade que não vimos
Mesmo existindo
por toda uma eternidade, pois
O amor é a verdade sem pressa
e que sempre
há de voltar depois.
Eu sou alguém
Que não duvida de nada
Porém,
ao longo desta longa Estrada
Aprendi
Que não existem certezas
Nem Neste e nem Noutro Universo
Pois mesmo este Imenso Infinito
Pode nem ter sido escrito ainda
De Sorte
Que eu não duvido da morte
Mas creio somente em vida
E duvido
de todo mundo que diz
Que duvida
Portanto
Minha dúvida mais acertada
Por enquanto
É aquela que diz
Que Neste Universo
Antes que haja certeza
da existência
desta vida
Não há que se duvidar
de nada
Não tive medo da vida
Pois quando aprendi
O sentido da palavra medo
Eu estava muito ocupado
Vencendo todas as dificuldades
Que, por si só
Teriam destruído a vida de muitos
Não tive tempo de sentir medo
Pois o tempo não parou pra isso
Nem busquei uma causa, razão
e nem motivo e nem sentido
A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia
Qual fosse um castelo de areia
Quando a gente tenta e tenta
E não tem por onde
Pois quando não venta forte
Vem sempre uma onda
De modo que no fim da tarde
A gente percebe
Que nem tudo está perdido
Há uma palavra escondida no vento
O tempo, sem pressa ensina
Que a beleza das coisas
São como promessas, escritas na areia
Mas quando a gente tanto insiste
Em tentar fazê-las
Aprende a fazer desenhos
Nas estrelas que o Céu ponteiam
Por isso não tenho medo
e também não me sinto triste
Existem mais delas no firmamento
do que todas as areias sem firmeza
Que o vento, sem dó
Carrega por entre os dedos
Talvez, por não ter sentido medo
É que descobri
O sentido da palavra vida.
Edson Ricardo Paiva.
Dizer que aprendi a viver...
Eu não posso
Mas eu posso dizer
Que habituei-me à vida
Adaptei-me ao mundo
Percebi a existência do inverso
A força da leveza
Na ausência da vaidade há beleza
Escuridão na luz
Quando o mundo
Busca a luz na escuridão
O bem no mal
Qual se isso fosse igual
A alcançar sua velocidade
Abraçar a verdade do universo
Sem nenhum apego
Dizer que se sabe viver
Não cabe a ninguém
A vida não é uma luta
Muito menos um jogo
Aprendi somente a não tratá-la assim
Pois o vento traz canções
Mas a voz do silêncio é a que fala no fim
Feliz de todo aquele
Que se cala para ouvi-la
Porque tudo é um mero sonho
Pendurá-lo numa nuvem não basta
É preciso depois
Dela afastar-se
Simulando a cautela tranquila
No momento mais exato
Que pro jogo e pra luta
Enveredem
Eu jamais aprendi a viver
Sei somente
Quando não fazer igual
Porque sei
No final
Todos perdem.
Edson Ricardo Paiva.
Fazer o melhor que podia
eu sempre ouvi dizer que era preciso
Assim aprendi
e a todos os lugares onde eu ia
eu fui até não poder mais
era assim que eu fazia
e desse modo eu percebi:
Não era aconselhável ir a todos os lugares
E pensei que era mais fácil assim viver
Mas a vida
Tem sempre outra verdade escondida
Em busca da verdade
Assim que eu vivia
E logo descobri
Que é preciso eternamente perseguir um novo modo
Há sempre um outro desafio
O preço disso é o recomeço
Por conta de desfiar, buscar a ponta do fio
Fazer o melhor que eu podia...ainda era possível
Por vezes sem conta eu o fazia
O difícil era saber o que fazer
Depois que tudo estava feito
Na hora em que chega o dia:
Um dia essa hora chega
Mas ninguém nunca me avisou que isso doía
O que nos rói é o não fazer...é desistir
é querer chorar e rir...é rir sem rir
Olhar e ver
O desfeito se desfazendo
Depois, olhar o que não fez
Compreender que, por ora
era o melhor a se fazer
descobrir que não sabia é descobrir
Que nada se pode fazer
E quando nada fizer....se alguém disser
Ouvir que ficou perfeito
Fazer o melhor que podia era a parte fácil
Difícil é não fazer nada...e a isso fazer bem feito..
Edson Ricardo Paiva.
Uma tarde de fevereiro.
Agora, é como se eu sentisse
Que agora sei de tudo
e que aprendi
Como se fosse
De novo os doces velhos tempos
Que olhava em volta e me iludia
Alegria de infância
Ver a lua atrás das nuvens
Quando a luz do dia não permite ela brilhar
E era como alguém comum
A andar na rua
E que nunca lutou numa guerra
Mas que sempre se molhou na tempestade
E tinha a chave que abria a porta
Ela não abria
Andou descalça em algum momento
E que valsou sozinha, diante do espelho da vida
E que ficou vermelha, por vergonha de si mesma
Que era por ninguém saber
O tanto que ela sabia
E sabia consertar a cerca
E sabia misturar e misturava as cores
Que, em resumo, era esconder a dor
De andar sem rumo e sozinha
Numa estranha e triste solidão
Que, quem sente, sabe que ela existe
Repleta do saber
Que vem depois de tanto a dia amanhecer
Da lição não aprendida
Quando encontra uma pena de anjo
Depois de tanto ir lá
Sem rumo e em vão
E descobrir
Que lá não tinha nada
E que todas as flores secam
Mas nem sempre o espinho precisa ferir
Houvesse alguém pra te dizer
Se eu puder ajudar, me avisa
E te acompanhasse, sob o mesmo guarda-chuva
Regar junto pela vida afora, as mesmas flores
Cultivá-las é como à lição
De misturar a cor da lua à luz do dia
E ver dissipar-se o vapor que colore
O ar da cidade após a tempestade
Olhar o mundo da altura da lua
Só que, dessa vez
Enxergar a verdade
Sem precisar
Esconder-se... atrás da doce loucura
De dizer que o Sol foi lá no fim do dia.
Edson Ricardo Paiva.
Conversando com o diabo
Diabos! Aprendi a lidar com o diabo, caminhei com ele pelas avenidas largas, e em meio às multidões. Em uma conversa franca com o diabo sentado às escadarias fúnebres e tenebrosas me compadeci, pelas injustiças que se cometem com um serzinho que Deus criou e delegou alguns pequenos poderes e uma cara feia franzina. Magrelo, peludo, orelhudo, barbicha, cabelo escasso, corcunda olhou-me com ar de tristeza, pediu-me que confiasse em conversar tranquilamente sobre uma possível alienação diabólica para o caminho de volta para o inferno lugar em que vivia sozinho esperando que tão logo acontecesse o fim de tudo. Em primeiro plano poderia ter levado um susto e já pulado fora da conversa. Logo o diabo foi me avisando sobre uma transcendência a qual Deus lhe confiou uma proteção que o tornaria majoritário sobre os humanos.
Indagou o Diabo: - Por que seria eu um ser intocável no imaginário da pequenez humana? Alguém me viu atrás de uma cortina obscura? Não espera que eu salte sobre as pessoas com um garfo afiado querendo assar gente no inferno! Bem, tudo bem! Eu sou mesmo um temível diabo, Deus me criou assim e também criou um irmão chamado Cristo, meu irmão mais novo, coitado esse sim é um sofredor, até morreu por causas nunca muito santificadas, mas o que humanos sabem é que toda a maldade praticada pelos seres humanos é atribuída a mim.
Pobre diabo aquele que se põem culpas, injustiçado, mal sobra uma donzela na varanda em noite de lua cheia, já sem nenhum encanto, uma ou outra vez uma moça expulsa do paraíso. O diabo segue fiel a Deus, ao deus dará. Na profundeza da caverna do diabo existem homens que lhe faltam talvez o conhecimento e não sejam capazes de discernir a obediência da liberdade, onde não se produz nenhuma crítica, esses homens são seres alienados aos processos religiosos para dar vida ao diabo. Diabo! Sou tão você!
Não procuro mais você porque aprendi a me encontrar, não quero mais me perder com uma atenção voltada para uma busca sem razão, forçando o seu querer, colhendo migalhas de uma paixão, de um amor não correspondido, dentro de uma ilusão criada por mim, a qual já deixou várias vezes o meu coração ferido.
Você ficou em algumas lembranças, em emoções sentidas que não fazem mais sentido devido a certas circunstâncias que tiveram como principais motivos, o seu descaso e a minha insistência insensata, pelo menos, consegui um aprendizado, um despertar na hora exata antes de que o dano fosse agravado.
Não é sensato menosprezar a maturidade que alcancei arduamente, à semelhança de um girassol que foca na luz que clareia os seus dias, o que lhe faz bem, assim, devo focar em coisas sadias, que aqueçam a minha alma, estar com pessoas que contribuem para a minha alegria, mutualidade que não carece ser cobrada.
Claro que não desejo o seu mal, não ficarei alimentando mágoa, espero mesmo que amadureça,mas, agora, que o seu caminho se perca do meu, pois sendo o meu tempo muito valioso, não merece desperdício, antes de "nós", "eu" já existia, pena que tinha esquecido, após uma agonia, um amável livramento divino.
Canto para Ela.
No ano que passou aprendi mais de quem sou, do que tenho e mais ainda do que não tenho.
O ano que começa, já inicia com a vantagem do conhecimento adquirido, da experiência vivida, do exagero cometido e do que se faltou cometer.
O Presente é um brinde, então é viver esse bom de agora, sem pesos de outrora, sem pagar pelo que não é meu.
Investindo emoções para algum futuro, que também passará, até chegar o inevitável dia que todos nós dormirenos, profundamente, no sorriso seu.
Não nasci corretor. Me tornei.
Aprendi que o mundo não entrega tudo pronto — ele testa, molda, aperta... mas ensina.
Enquanto alguns viam tijolos, comecei a enxergar possibilidades.
Onde muitos viam apenas lotes vazios, eu via o começo de um novo capítulo na vida de alguém.
Não foi fácil. Houve dias em que a porta se fechava antes mesmo de eu bater. Mas eu insisti.
Com o tempo, entendi que não vendo casas — entrego recomeços.
Hoje, cada chave que coloco nas mãos de um cliente carrega também a minha história: de luta, fé, e propósito.
Porque ser corretor, pra mim, nunca foi sobre imóveis. Sempre foi sobre pessoas.
Hoje aprendi
Que não tenho mais tanto tempo nessa terra
E que é impossível resistir a loucura e ao chocolate
São dois algozes vorazes
É melhor ignorá-los e seguir
Se pudesse me dizer algo
Quando ainda era criança
Diria :
Siga e não se importe
Coma alguns chocolates
E faça algumas loucuras
Mas nada será mas compensador
Do que seu travesseiro
E teus pensamentos
Então durma em paz
Pense sempre leve
Eu queria um dia na vida ter ouvido um bom conselho ...
Porém, nunca me disseram nada
E aprendi da forma que a vida ensina
Tudo de ruim que pode haver é insignificante perto de tudo de bom que você me dá
Mentir estraga tudo sempre até o perdão
E me apegar ao que não tem valor te fere ... Então abandono sem olhar para trás
Que trocaria todos meus amanhãs por uma única noite com você
E que mesmo que o sol brilhe, só você ilumina meu dia
Não adianta se despedir e ligar pois a saudade e de presença
É bobagem ter medo ou ficar ansioso por tem Algo maior no controle
Se pudesse te dar um conselho seria ...
Você é meu sonho e recomeça tudo por mim
Nas escuridão em que me via so sobre o manto da noite. Aprendi que nem sempre temos o calor que queremos. Ou o aconchego que merecemos. Aprendi nas frias noite onde o clarão da lua era minha única companheira. Aprendi que tudo que vivemos faz bem pra nós fazer mais forte. Descubri que tudo foi preciso sentir pra que eu aprendesse enxugar as lágrimas e suporta as dores. E continua a seguir em frente.
E dois anos se passaram....
Foi assim que aprendi
A galhofar de dois menos um.
E nessa brincadeira
Eu te chamo pra sorrir.
Me visto de amor
E te invoco
Para ser os meus momentos,
Meu eterno
Reverso do acaso.
Agora
És emoção infinita
Trazida para o meu mundo.
És meu sol
O sol que brilha.
E diante dessa fantasmagoria
Vou tecendo o pai nosso
Chegando a Ave Maria,
E você agora
É o meu amém
Das minhas noites frias.
Linda fantasia!
Somente veras
São os meus versos
Que continuam sendo você.
Mas eu não me importo
Eu exploro
Pois é a imagem do teu sorriso
Que me afaga,
Doçura que me excita.
Permita ainda dizer,
Moço ímpar do meu bem querer,
Que meus pensamentos em você
É o néctar do meu viver!
E dois anos se passaram....
TU és CArinho!
PRECISA-SE DE MÃES
Demétrio ena, Magé - RJ.
Aprendi com a minha mãe, que todo o cuidado será pouco para um filho, e que por isso, as mães não relaxam. São felizes, podem viver bem, mas não relaxam. Natureza de mãe que tem mesmo natureza não obedece à lei da prática e da serenidade, porque para ela o mundo está sempre a um passo de ruir sobre os ombros do filho. Há sempre alguém muito próximo, e acima de qualquer suspeita, pronto a se revelar capaz de um gesto indigno, malicioso ou desmano contra esse filho.
Com as demais pessoas, aprendi que não é certo a mãe ser extremada, super protetora e desconfiada de todo o mundo. Até minha mãe reconheceu muitas vezes, com palavras, o quanto estava errada por ser assim. No entanto, sua natureza infalível, com gestos e vivências me fez ver definitivamente que alguma coisa está errada com a mãe que não erra nesse aspecto. Especialmente aquela mãe que se deixa sufocar pela mulher, sempre bem-vinda, mas não como substituta da mãe.
Foi com a minha mãe que aprendi a apostar minha vida no caráter do próximo, mas não a vida de um filho. E que a integridade física do meu rebento precisa depender de mim, dos meus cuidados, minha desconfiança, e não da sorte ou do acaso de outra pessoa ter ou não bom caráter, tanto quanto aprendi que o caráter não tem cara.
Finalmente aprendi, com suas poucas palavras e muitos exemplos, que mãe não tem meio termo. Se não pecar por excesso, pecará por falta de cuidados, e que nos tempos em que vivemos, toda falta será castigada em maior ou menor escala. E também aprendi, com a moderna escassez de mães iguais à minha, que os pais de agora têm que aprender a ser mães, pois são muitas as mães que se tornaram como aqueles pais meramente provedores que delegam totalmente seus filhos.
A IDENTIDADE DA POESIA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Com o tempo, aprendi a trocar torrão por terra. Hoje sei perfeitamente substituir lugubria e desterro pela velha, boa e poética tristeza. Já não vasculho sinônimos rocambolescos (permita o rocambolismo do termo rocambolesco) para rio, serra e céu. Não aplico aparatos desnecessários e bestas na beleza, que se basta e cabe sem aparatos.
Seja na Rocinha, na roça mesmo, no Leme, nos Guetos da Bahia ou em Veneza, o meu poema já sabe como resvalar. Ele não emperra nem gagueja em seu romantismo (seja ou não de amor). Vai do beco sombrio à realeza, sem os recursos do arroubo; da ostentação; da exclamação tripla e do grito de guerra.
Descobri finalmente, que a poesia é o balneário das letras. Dispensa o cultuado rigor do dicionário, seja na trova; no soneto; no verso branco; na prosa poética injustiçada como poesia pelos poetas de arcádias. Escravos da precisão e da obrigatoriedade. Parasitas da burocracia literária, sem a qual não seriam poetas.
A arte maior da poesia está no se fazer sentir com a mente. No se fazer entender com o coração. E nada disso é possível num poema espremido. Forçado. Cuja leitura é maçante. Cuja construção é rigidamente metódica e mais parece uma tese dividida em versos. Uma sólida equação literária.
Qualquer poema é dotado de personalidade, quando flui naturalmente. Quando seu parto é normal. Se a sua construção é livre, ainda que adote normas. Todo bom verso, igualzinho ao ser humano, tem o mesmo valor, ainda que nasça manco. A poesia, por si só, é especial. Não é dotada de necessidades especiais. É especial.
ILUSÃO A TODA PROVA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aprendi a esperar pela não vinda,
ter saudades daquilo que nem sei,
ser um corpo abstrato é minha lei;
uma velha novela que não finda...
É um já que se perde atrás do ainda;
neste reino sem súdito estou rei;
sou aquele pastor sem gado e grei;
posto; pasto; curral; sequer berlinda...
Meu amor é sem alvo, é só amor,
levo todas as mágoas desta vida
sob traços fiéis de bom humor...
Perco as forças; porém, logo reponho,
pois nem toda ilusão está perdida;
sei sonhar que meu sonho não é sonho...
PARA SER GENTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aprendi a me calar, quando minha voz é mal posta e cai de mal jeito em um coração armado. Quando meu ser se assusta por ter apostado no escuro. Por ter acreditado no abismo de outro ser. Ou se perdido em mais um dos mitos da boa vontade.
Mas não posso me queixar, pois meu lucro notório é saber voltar para dentro sem maiores lesões internas, quando perco meu tempo numa entrega totalmente vã. Ao permitir lá no fundo, esse desempenho de acender minha chama, para então inflamar as emoções de alguém, caso existam guardadas em algum canto.
Cheguei ao ponto em que amargo meus rancores por pouco tempo. Logo depois os deixo nos recantos sombrios onde nasceram. Nos momentos fadados a serem só momentos. Passados vencidos por este orgulho que primeiro se vence numa batalha já nem tão árdua para quem passou a não ter o mundo como cruz.
Foi o quanto aprendi, quando a vida me convenceu a ser mais humano com os seres humanos. Fez-me ver que tenho tudo a ganhar com as perdas e os danos seculares de lidar com gente... ou aprender a ser gente, como a gente precisa.
PARA SEMPRE ALÉM
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Com o tempo aprendi que meu saber é vago,
ele tem o sabor do que não trago em mim,
ou a força da farsa de qualquer vontade
que ficou na vontade; no querer profundo...
Só existe a certeza de que nada é certo,
ninguém fez o desenho do que tem que ser;
viverei de viver, pois nada mais importa;
nem a porta que oculta os segredos da vida...
A partir do presente o passado é raiz,
o que tenho guardado é pra manter quem sou,
ser feliz é caminho que requer seguir...
Aprendi a fazer esta prece ao meu tempo;
a dizer este amém que não dispensa o pé
nem as asas que chamam para sempre além...
