Tesouro
Sou filha de Deus
Filha do universo
Meu coração é o meu tesouro guardado
Ele deve ser cuidado, amparado e protegido por mim
Sou filha do Sol,
Da Noite, da Lua
Filha da Natureza
Meu destino é crescer
Com galhos cada vez mais longos
Até que alcancem as estrelas
Renasço dia após dia a dia
Rego a minha mente e faço dela um terreno fértil
Para que brotem ideias novas
Sou feita de ciclos
Tenho meus dias ruins e temporadas em que gero mais folhas e frutos
Tem dias que meu coração desabrocha e se abre para um novo amanhecer
A função da minha alma é florir
As tempestades só me fortalecem, fortificam e alimentam
Cada vez mais aprendo melhor a morrer e a florescer
Volto pro meu lar em forma de matéria e energia
Dizem que nasce se perde, tudo se transforma
Aprendi que com a transformação constante o renascimento acontece todo dia
Fico juntando migalhas e querendo transformar vidro em brilhante enquanto tenho o baú do tesouro para usufruir.
A vida é o seu único e irremediável tesouro. O maior de todos!
Viver é ter a possibilidade dos sonhos, os sonhos trazem pulsões, as pulsões, as reações.
Reagir é a gênese do viver. É de tudo, o começo e a ponte para o ápice.
Há, se eu tivesse meus pais?
Cuidaria como um tesouro, enquanto estive perto cuidei com me era possível, os valorizei como me era permitido, beijos não dava, pois não era algo permissível, abraços só quando criança, depois foi totalmente esquecido.
Mas como queria eles aqui comigo, na hora da morte só eu e um irmão estávamos presente, meu pai largado no mato, como se não fosse gente, minha mãe jogada na rua morrendo na minha frente, como gostaria tê-los comigo só para vê-los contentes.
Infelizmente, a maioria tem e não valorizam tão grande presente, desprezam como se não estivesse em sua frente, não fazem nenhum esforço procurando saber como se sentem
diariamente nos sentimos sozinhos ao lado de tanta gente, raramente alguém nos pergunta se a minha fome é a mesma que a que eles sentem.
Há como eu queria eles aqui comigo, pois sei que teria que me preocupar em cuidar deles, como se cuida de dois amigos, às vezes um abraço de um neto é tudo o que você precisa para não desistir diante de tantos tombos da vida, eu faria uma casa pra eles e todo dia os visitaria, dava um abraço apertado para sentirem que sempre ali estaria.
Hoje sou um desses prováveis invisíveis que o tempo não nos poupou, estou chegando de mansinho e já estou sentindo na pele o que o destino preparou, cada um tem sua vida pra cuidar, mas só esquecem que a nossa só tem de se acabar, pois o tempo é curto e já vai se findar, e talvez não haja tempo de se perguntar, cadê aquele que eu tinha de cuidar.
É que você vai ficando invisível e em pouco tempo desaparece de vez, aí você se pergunta, cadê vocês? Cadê vocês que tanto amei! Cadê vocês que meu tempo lhes dei! Cadê vocês, que nos braços carreguei, cadê vocês que por amor tudo suportei, pode ser que não tenha feito tudo, mas bem que tentei, hà se vocês nos amassem da mesma forma que amamos vocês.
Nunca se esqueça: você é a guardiã do seu tesouro mais precioso: a sua história. E é através dela que vai se reconectar com a sua força.
O que fazem contra você não altera quem você é.
A essência do teu viver é tesouro que não se pode roubar.
Equilíbrio e Esperança
A consciência é um TESOURO de REIS;
é o que os faz manter a cabeça
sobre os ombros, para poderem conduzir a coroa.
de José Roberto
O maior tesouro que podemos ter é a capacidade de permanecermos nós mesmos quando insinuam o nosso valor.
AS FLORES DESFOLHADAS
O jardineiro com mãos de ouro
Beija o broto. É o seu tesouro...
Lavra a terra e faz o plantio.
Cuida do broto. É o seu feitio!
O jardim está florido,
Belo, livre e colorido.
A beleza lhe faz sentido,
Nunca esteve tão bonito...
Mas a vida tem sobrevida,
Morre uma, nasce outra atrevida.
Quem não cuida, não dá valor,
Corta profundo e não sente a dor.
Com a tesoura bem afiada.
Ceifa a vida, sem dizer nada.
Outrora, mãos de seda, ora mãos de ferro,
Um grito! Não há berro. Não há eco!
Já tem lugar certo...
Por sua graça foi escolhida,
Ainda com sobrevida,
Tem nova casa e nova guarida.
Já foi broto e semente,
Agora, somente,
Vai enfeitar outro ambiente.
Terminada a solenidade, perdeu a graça e perdeu a hora.
Ainda com seus traços de beleza, é abandonada e jogada fora,
Desfolhada, se desfaz.
O buquê já não existe mais...
É levada para o aterro,
Sem orações, sem emoções. Vai sozinha no seu enterro.
Não há pagamento, sentimento. Muito menos lamento,
Apenas abandono, solidão e perecimento.
Pobre natureza!
Destruída pela riqueza,
Esmagada pela beleza e
Ludibriada pela esperteza.
Élcio José Martins
