Tenho um ser que Mora dentro de Mim
Não me ofereçam pipoca! Para mim, ocasiões não são apenas fachada, elas realmente existem e é necessário segui-las adequadamente para que não nos percamos pelo excesso.
Já nem sei o que o eu queria, o que planejei pra mim. Apaguei tudo sem querer. Só sei que tem você e eu logo ali, sem pressa. Neste momento, é a única certeza.
É tão difícil quando o pedaço da minha vida mais importante está longe de mim, mas tudo na vida a gente supera, os dias de sol vão chegar, como toda semana chega, eu confio no tempo e sei que ele não vai me deixar na mão e nos dias que te encontrar esse pedaço que me falta vai me completar como se minha vida dependesse disso. Ah, o amor, não sei nem o que dizer e muito menos como explicar.
Ai meu Deus! Eu disse para mim mesmo acordar, por que já estava quase me colocando no meio das suas coisas, e virando um pertence seu.
Olhe nos meus olhos e verá que você não está mais em mim, não faz mais parte de mim em nenhuma parte !
Tem coisas sobre mim que eu deixei o vento levar, principalmente aquelas coisas que apertavam o meu coração, impedindo de me deixar livre.
O trabalho da vida cristã, portanto, é pensar menos de mim mesmo e da minha performance e mais de Jesus e da performance dEle por mim. Ironicamente, quando nos focamos mais em nossa necessidade de melhorar, nós pioramos. Tornamo-nos neuróticos e egocêntricos. A preocupação com o meu esforço em detrimento do esforço de Deus me torna cada vez mais egoísta e morbidamente introspectivo.
Já não sei dizer se sou muito para o mundo, ou se o mundo é demais para mim. Tento confortá-lo em meu peito e não acho espaço. Estou cansada de florear a dor para agradar o seu estilo. Eu sofro muito mais que seu Instinto. E minha dor não é bonita, não tem início, meio, nem fim. Ela brota no agora como uma semente se rasgando para brotar. Nunca fui compreendida, nem por mim mesma. E assim vou atravessando a vida, porque ela é visceral e me exige. A vida se impõe como uma tortura, e já não sei quem me traz os males. Hoje acordei em carne viva e a luz do sol ardeu em meus olhos. Palavras de um coração que sangra. Perdoe-se se não te ofereço promessas de alegria. Minha vida é um rio que flui sem olhar para trás. Não tenho tempo para o passado. Urge em mim uma emergência. Eu estou doente e a única linguagem que posso oferecer são essas palavras descrentes. Se alguém me entendesse a mão, mas só recebo julgamentos. Vão dizer que minha dor é falta de fé, que eu posso me curar com a força do pensamento. E meu coração arde de uma dor bruta e antiga. Não te levarei comigo, nem contigo irei. Essa dor é minha e de mais ninguém. Talvez um dia eu fale de paz, esperança mórbida que carrego e me faz suportar a passagem do dia e a noite com seus pesadelos. Ainda sim, acredito em Deus. E tenho fé na ciência. Sonho com o dia em que todo o meu ser será convalescença, como um vento suave sussurrando que tudo há de passar. Eu creio que um dia essa dor será lembrança remota, esquecivel. E distraidamente me pegarei cantando e sorrindo. E a terra será meu paraíso.
Bem posso falar que a linguagem tem sido minha companheira. Uma forma de me desnudar de mim e me transmutar em palavra. Quando escrevo a dor que sinto, ela se esvai lentamente, como uma catarse de mim mesma. E a dor é relativizada e procuro meus pares. Como fazer amigos se me afundo em pensamentos lúgubres? Enquanto me entrego ao sofrimento, as pessoas aproveitam o lado bom da vida. Viajar, apreciar a natureza. Eu consigo compreender a dialética da minha dor e a felicidade de tantos. E penso que preciso ser mais flexível, como uma estrela do mar que se regenera. Agora escrevo e a paz se aproxima de mim e me observa como um espelho, o meu inverso. Eu estou calma e a calma é um sentimento a ser reverenciado. É quando a dor se recolhe e encontro refrigério em minha alma. Sei que meus sentimentos não são estáticos. E quando a paz me alcança, procuro senti-la em toda a sua essência. Quando estou triste, eu olho um gato, e vejo apenas um gato. Quando eu estou me sentindo bem, eu vejo um gato e me encho de ternura. Um animal que me transmite boas sensações. O gato tem um linguagem peculiar. Hoje acordei com muita dor emocional. E como refúgio, comecei a escrever. E essa escrita terapêutica foi silenciando um sofrimento inominável. Eu estudei teologia, mas foi a vida quem me fez acreditar em Deus. Não tenho religião, mas faço minhas orações. E mesmo na dor profunda, Deus me leva a um tempo de paz. Em agradeço em silêncio. E sei que o poder superior olha por mim. E sinto gratidão.
A Caixa Que Há em Mim
Às vezes sou caixa esquecida,
Com tampa que nunca se encaixa,
Não é falta de querer fechar,
Mas a dor que pesa e não disfarça.
Faço força contra o invisível,
Como quem tenta calar o mar,
Mas tenho medo que, ao forçar,
Essa caixa venha a rasgar.
O que mora dentro é tempestade,
Segredos, gritos, confusão,
E se escaparem pelo ar,
Quem vai entender meu coração?
Seria alívio ou fim de mim?
Peso solto ou alma exposta?
O medo diz: “Fique aí dentro”,
Mas a alma já não gosta.
Talvez seja só um grito preso,
De alguém que quer se libertar,
Cansada de viver com medo
Daquilo que os outros vão julgar.
Sou prisioneira de mim mesma,
Da mente que insiste em calar,
E nesse cárcere tão discreto,
Vivo a vida sem me mostrar.
Mas sinto... a caixa está rasgando,
E o que há em mim vai se espalhar.
Quem sabe então, nessa explosão,
Eu aprenda enfim: me libertar.
Sinto a minha felicidade ao percorrer,
meus caminhos em poesias,
segura de mim mesma que reconheço neste todo meu viver.
Sei que o caminho do meu crescimento começa em meu coração e continua numa busca incessante até encontrar as mãos do meu próximo...
Partir para Acolher
Parti.
Não por negar o que me cercava,
Mas por honrar o que em mim clamava.
Foi preciso o silêncio,
o passo em outra estrada,
pra ouvir a alma que, há tempos, me chamava.
Deixei abraços pendurados no tempo,
promessas guardadas no vento,
mas não por desprezo ou esquecimento...
Parti porque não mais cabia onde eu me diminuía.
O amor verdadeiro não é prisão,
é fonte que busca expansão.
E eu era semente apertada na mão
pedindo terra, água e estação.
Fui,
mas levei comigo cada nome,
cada gesto que me fez ser quem sou.
Porque partir, às vezes, é o ato mais fiel
que alguém pode ofertar ao amor que ficou.
Longe, descobri que não se acolhe de verdade
se não se aprendeu a cuidar da própria vontade.
Que o abraço mais puro não vem do cansaço,
mas da alma inteira — de um novo espaço.
Voltarei, ou talvez não.
O agora não permite adivinhação.
O futuro não exige promessas,
mas contempla, sereno, minha direção.
Não volto por falta ou fraqueza,
mas, se voltar, será com firmeza:
na bagagem, a certeza aprendida,
de que o amor não acorrenta a vida,
mas se faz em presença inteira,
alma lúcida, mão verdadeira.
E agora, eu acolho...
Não com a urgência de salvar,
mas com a paz de quem aprendeu a amar.
Pois só transborda quem, antes,
se permitiu se encontrar.
Nunca me diga que não posso fazer algo...
A mim, que dancei com dois corações.
Que respirei com quatro pulmões. A mim, que tenho sido gelo, fogo e vento.
Que levei na barriga o peso de dois mundos.
Que dei à luz a vida, aos gritos. Que abracei a tristeza sem medo.
E chorei sorrisos.
A mim, não me diga que não sou capaz de alguma coisa. Pois eu sou capaz de tudo.
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