Coleção pessoal de jorcelia_pariz
TRAÇOS
As rugas que hoje trago
são marcas do tempo vivido.
Não vejo nelas o fim,
mas um caminho percorrido.
O tempo voa ligeiro,
não para um só momento.
E cada ruga que nasce
é um capítulo do tempo.
São marcas de experiência,
de coragem e superação.
Cada uma guarda lembranças
gravadas no coração.
Não escondo minhas rugas,
nem desejo apagá-las.
Elas são minhas medalhas,
meu orgulho, minha canção.
Quero ter muitas marcas,
sem medo do que virá.
Pois cada ruga que chega
é uma nova experiência
Cada uma conta uma história,
nenhuma é igual à outra.
São versos escritos pelo tempo
na beleza de uma longa jornada.
MARCAS DO TEMPO
A única forma de não ter rugas é morrer cedo. E, sinceramente, isso nunca será motivo de orgulho.
Enquanto eu tiver o privilégio de viver, vou me olhar no espelho e enxergar cada marca que o tempo deixou. Elas contam a história de uma mulher que sorriu, chorou, caiu, levantou e seguiu em frente.
Tenho pena de quem acredita que a vida só tem valor na juventude. Esse tipo de pensamento despreza o maior presente que podemos receber: envelhecer. Nem todos têm essa oportunidade.
Eu não tenho preconceito com o tempo nem com a idade. Agradeço a Deus por cada dia vivido e espero chegar ao fim da vida com muito mais rugas do que tenho hoje. Cada uma delas será a prova de que vivi intensamente e de que o tempo passou, mas jamais levou a minha vontade de viver.
A Caixa Que Há em Mim
Às vezes sou caixa esquecida,
Com tampa que nunca se encaixa,
Não é falta de querer fechar,
Mas a dor que pesa e não disfarça.
Faço força contra o invisível,
Como quem tenta calar o mar,
Mas tenho medo que, ao forçar,
Essa caixa venha a rasgar.
O que mora dentro é tempestade,
Segredos, gritos, confusão,
E se escaparem pelo ar,
Quem vai entender meu coração?
Seria alívio ou fim de mim?
Peso solto ou alma exposta?
O medo diz: “Fique aí dentro”,
Mas a alma já não gosta.
Talvez seja só um grito preso,
De alguém que quer se libertar,
Cansada de viver com medo
Daquilo que os outros vão julgar.
Sou prisioneira de mim mesma,
Da mente que insiste em calar,
E nesse cárcere tão discreto,
Vivo a vida sem me mostrar.
Mas sinto... a caixa está rasgando,
E o que há em mim vai se espalhar.
Quem sabe então, nessa explosão,
Eu aprenda enfim: me libertar.
Eu dizia que nunca seria professora, Mas me formei duas áreas E encontrei meu lugar na sala de aula Aos 30 anos
Aos 45, publiquei meu primeiro livro E descobri que amo escrever Histórias infantis que fazem sonhar.
Antes, eu não gostava muito de ler, E nem de escrever...
Hoje, me pego ansiosa por uma nova ideia, Transformando pensamentos Em histórias que encantam e inspiram crianças.
A vida me mostrou que nunca é tarde, Que tudo tem seu tempo, Seu momento.
Cada queda me ensinou: São oportunidades de fortalecimento E recomeço.
Eu não estou atrasada.
Estou vivendo, Me descobrindo, E me tornando uma pessoa melhor A cada dia.
