Te Amo Menino
Que a vida venha desgrenhada
igual aos meus cabelos de menino
venha e seja difícil transpor
Qual fosse mata fechada
a gente passa um pente fino
e vai vivê-la
A gente se embrenha
pra poder conhecê-la
A gente vai descalço
sempre que hover espinhos
Onde não houver dificuldade
Eu crio uma
Sempre que eu vir espaço
conveniente para criá-la
Que minhas mãos se encham de calos
Que a vida venha
Só não quero passar por ela sem vivê-la
E que ela se vá um dia
do mesmo jeito que um dia veio
Não peço facilidades para mim
Quero apenas
que entre o início e o fim
Eu possa deixar algo ali no meio
ZUMBIS
.
Enquanto um menino sonha ser craque
De futebol outro usa pedras de crack
Para se imaginar alguém feliz
E assim surgem times nos campos
E nos guetos das cidades entretanto
Surgem legiões de zumbis.
.
São seres cujos corpos caminham
Enquanto suas mentes definham
Os transformando em armas vivas
Que para satisfazerem o vício
Fazem uso de qualquer artifício
Chegando até mesmo a tirar vidas.
.
A polícia com rigor os persegue
Usando bombas e cassetetes
E às vezes até os mata
Tal estratégia parece eficaz
Quando este procedimento se faz
Não contra gente, mas contra baratas.
.
Estes zumbis que nos assustam
Nos tornam reclusos e nos furtam
Além do dinheiro a liberdade
Têm que ser retirados do convívio social
Criminosos na cadeia, viciados no hospital
Para que as ruas voltem a ser da sociedade.
.
Quero viver sem medo do perigo
E ao encontrar jovens reunidos
Sob o escaldante Sol
Sentar-me tranquilo na calçada
Apenas para ver a criançada
Jogar mais uma partida de futebol.
Nasceu numa manjedoura um pobre menino
Revestido com a couraça da esperança
E ao repartir a eterna bonança
Mudou para sempre nosso destino
"Meu Menino"
Ele é um homem lindo,
encantador,doce,gentil,
inteligente,e me faz rir...
E,me faz chorar também,
quando canta para mim...
Ele é Meu Sonho,
que tornou-se real...
Mas,mesmo sendo
um lindo homem,
forte,misterioso,
mas muito carinhoso,
por vezes sinto
uma imensa vontade,
de colocá-lo em meu colo,
fazer cafuné,e cantar
para ele dormir...
Apesar de ser
um homem maduro,
ele possui uma
alma uma,como
a de um menino...
Um lindo menino,
brincalhão e esperto,
que eu amo,e desejo
ter sempre por perto....
Eu sou sua menina,
e para mim,ele
será sempre um
menino...
Meu Doce Marco,
Meu Menino Amado."
Tatiane Oliveira-
19:19 hrs*27.07.2014*
Ninguém liga para o menino da bolha
Nem para bolha onde vive o menino
Quem criou a bolha ?
Quem criou o menino ?
Também não há importância nas horas da noite
Nem no pouco da noite que entra na bolha do menino
Acreditam que por ele estar na bolha
Nem é noite, nem é menino
Ninguém liga para o menino da bolha
Nem para bolha onde vive o menino
Ninguém para conversar com o menino
Dizem que a culpa é da bolha mas o.pecado é do menino
Quem nasceu dentro da bolha não sabe o que é ser menino
Muitas vezes não é bolha
Em outras nem é menino
Ninguém liga para o menino da bolha
Nem para bolha onde vive o menino
O menino da bolha se desculpa só por agir como menino
Ele tem medo de ser abandonado dentro da bolha e também por ser menino
Ele nasceu na bolha e ele virou menino
Ninguém liga para o menino da bolha
Nem para bolha onde vive o menino
todos se aproximam do menino mas não entendem a bolha
Dizem que o menino não ama e ferem quem ama o menino
Todos tem a sua bolha e todos tem seu próprio menino
Todos precisamos das bolhas
Poucos amam o menino
Penso que sou um menino na bolha
Como a bolha pensa ser menino
Quero ficar em silêncio
Esperando o mundo ser mais menino
E um dia não ser o único a entender a bolha do menino
Um menino que era mais velho e que me enfiava a porrada todo dia na 2º série do colégio acabou de me atender no Burguer King de Botafogo. Deus é justo
Todo o homem devia ser como o menino, que, quando é esperto desconfia sempre do que lhe dizem, procura a confirmação da verdade no seu coração.
Quando menino, mal podia divagar nas nuvens sem ser derrubado pela realidade.Hoje, sou velho, posso divagar livremente, mas não há nuvens.(Walter Sasso)
Saudade do moço
De rosto sem face
Saudade da fala
Daquela imagem
Menino dengoso de porte brilhoso
Moço bondoso te gosto seu bobo
povoa, povoa o meu olhar
a índia na lagoa
o menino na canoa
um barco nos conduz
a luz vermelha cor de telha nos cabelos ,
laranja nas unhas,
quantas testemunhas,
parece uma coisa à toa
mas há paz,
há paz...
a paz na turbulência
comportada do meu peito,
é um semi-leito,
é uma canoa,
eu não sei...não sei o que é isso
amo Messejana com suas mangueiras
e viadutos, José de Alencar e todos os seus índios
amo Messejana....
A escravização da alma errante. Quando o menino pobre acredita que venceu sem se dar conta da corrupção de si mesmo que roubou sua criticidade.
O que mais dói no menino agora vacinado, e o faz chorar, não é simplesmente a vacina. É a certeza de que tudo isso estava planejado e de nada valeu seu pranto... Sua birra.
Dói também o cinismo da promessa de que a picada não dói. A promessa, por si só, fere seu brio pela constatação da mentira. Mesmo que a mentira seja verdadeira, como no fundo não é. Não será em tempo algum.
Ao reclamar dos espinhos nos meus rumos difíceis, e do velho espinho na carne por um conflito qualquer, sei que o menino já sabe do que falo. Tem experiência. Certamente o magoa bem mais do que a fisgada, ver que foi atraído para ser traído por todos. Dói demais, doendo ou não, é não ter contado com clemência.
Tanto quanto a criança, entendo bem de ser traído. Porém, o que o menino ainda saberá é que as traições crescem. Ficam muito mais sórdidas e desnecessárias à medida que se vive. É desumano saber, mas é real.
No fim de tudo, a vacina é um aperitivo. É a simulação de um contexto que se agravará em tempos vindouros. Pobre menino... Só está começando a conhecer as pessoas.
PETER PAN
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um menino passado a lutar contra os anos,
uma vida enguiçada em balneário impróprio,
sob as perdas e os danos que o tempo confirma
sem acesso aos apelos do mundo irreal...
A criança que teima num corpo de adulto
é um vulto esquecido numa solitária;
um assombro que brinca de brincar de fato;
um retrato que pensa que pensa e que vive...
Tenho dó do menino que jamais cresceu,
distorceu a passagem do tempo na pele
sobre a gasta estrutura de puro tamanho...
Perguntar não constrange, se faço ao meu fundo;
em que rua do mundo acabou a saída;
a que horas da vida ele vai acordar...
MENINO POETA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fui moleque de lua...
passava noites na rua,
me declarando pro céu.
ERAM SEUS OLHOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fui menino menino; jovem; meia idade,
porque tive um regaço que não viu limite,
faixa etária, censura, classificação
nem artrite na alma; o coração; a mente...
Fiz-me homem, senhor e dei asas aos passos,
construí meu caminho, fiz a minha história,
mas os braços de amor que mantinham meu ninho
não me viram além desse amor extremado...
Sempre tive seus olhos, cuidado irrestrito,
seu sussurro e seu grito de apelo por mim,
a canção de ninar do seu dom infalível...
Tenho muitas saudades de ser o menino
que o destino não tinha como envelhecer
nesse olhar de me ver que só seus olhos tinham...
A NOVA DIMENSÃO DO MENINO POETA
Demétrio Sena - Magé
O menino que seduzia corações terráqueos com sua poesia foi roubado de nós, em um passado ainda recente. Seres de outras dimensões o quiseram e foram mais fortes. Até porque, poetas apenas na escrita, como eu, são comuns, mas poetas na escrita, no olhar, nas atitudes e no afeto cotidiano, isso é raro. Eu mesmo, só conheci o Gerson. Qual dimensão não quer alguém assim? Tenho mágoa dos seres que o levaram, mas entendo quem faz de tudo, até de formas arbitrárias, para ter um Gerson Monteiro só para si.
A nós, terráqueos mortais, restam a saudade, as lembranças inesquecíveis e as homenagens que tomam como empréstimo, pelo menos um pouquinho da sua presença sensorial. Nosso amor pelo menino poeta, que partiu aos 26 anos de idade, será sempre um portal entre a nossa dimensão e aquela que tem o privilégio de contar com sua proximidade mais densa, mais intensa e talvez definitiva. Mas não conhecemos os mistérios do universo. Pode ser que um dia o menino poeta volte a ser nosso, por aqui...
... ou a dimensão que agora é sua casa promova lá, o nosso reencontro.
TRILHA SONORA
Demétrio Sena
Quando a chuva tocava no telhado,
eu menino, dançava em pensamento,
num encanto infantil inexplicado
que fazia esquecer qualquer lamento...
Muitas vezes cantava junto ao vento
a canção do silêncio e do segredo;
era quando enxotava o sentimento
de tristeza, solidão ou de medo...
Passarada nos galhos do arvoredo
me deixavam contente pra valer;
gibis velhos rangiam no meu dedo;
nem sabiam que eu nem sabia ler...
E a lenha estalando logo cedo
no fogão embolsado a barro branco,
meu avô de semblante sempre azedo
arrastando na casa o seu tamanco...
Os cachorros latindo do barranco,
pros meninos apostando corrida,
o Gordini que pegava no tranco,
entre gritos iguais aos de torcida...
Cantorias de galos, seresteiros,
o apito do trem ao dar partida
e tambores distantes de terreiros,
são a trilha de sons da minha vida...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
O MENINO DO CÉREBRO EXPOSTO
O menino do cérebro exposto nunca teve caminhos prontos.
Cada manhã era um recomeço.
Andava como quem não deixa pegadas no chão,
como quem sabe que o destino não pertence a ninguém.
Dentro de sua cabeça latejavam memórias indesejadas,
toques que não deveriam ter existido,
palavras que nunca deveriam ter sido ditas.
Era chuva demais para tão pouca infância.
E, ainda assim, ele sonhava com o sol.
Um corpo que pudesse brilhar,
uma mente que pudesse incendiar de luz —
mas a tempestade parecia não cessar.
Os primeiros erros, ele carregava como feridas.
Não eram seus, mas o peso recaía sobre ele.
Chovia e chovia,
e o menino aprendia a sorrir sem vontade,
a se calar quando tudo gritava por dentro.
No silêncio, nascia a resistência.
No papel, surgia um idioma secreto,
em traços e cores que buscavam curar o que o mundo insistia em ferir.
Hoje, já homem em travessia para a terceira idade,
ele olha para trás e percebe:
se pudesse ver seu passado inteiro,
talvez fizesse parar de chover.
Talvez resgatasse a infância roubada.
Mas é exatamente na chuva que floresceu.
Cada gota se fez semente.
Cada sombra, terreno fértil para a imaginação.
O menino do cérebro exposto não é só dor.
É coragem.
É poesia insurgente contra o silêncio.
É música que se recusa a calar,
mesmo quando o mundo só oferece tempestade.
Eis o recado:
o sol ainda vive nele.
A chuva o formou, mas não o venceu.
Agora, literatura e música se entrelaçam para dizer sua verdade:
a mente que foi ferida é a mesma que cria,
o coração que foi exposto é o mesmo que pulsa,
e o homem que nasce dessa travessia é, ao mesmo tempo,
chuva e sol.
