Talvez

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Quando
a rima
surgir:
Talvez
eu me sinta
culpado
ou talvez
um abençoado,
um tolo
que volta
a sorrir.⁠

O arquivo morto talvez seja apenas o lugar onde a instituição coloca aquilo que não sabe mais como escutar. O Prédio que Aprendeu a Escutar parte dessa hipótese.

Pare de culpar o preço! Talvez o problema seja a incapacidade de mostrar valor.

Se você precisa de motivação todos os dias para vender, talvez esteja esquecendo que vendas exigem disciplina.

A verdadeira liberdade talvez comece quando aprendemos a conceder indiferença àquilo que não altera a essência da nossa existência. Nem tudo merece ocupar espaço na consciência, nem toda provocação exige resposta, nem toda ausência representa uma perda. Há uma sabedoria silenciosa em reconhecer que certas coisas só adquirem importância porque lhes emprestamos a nossa atenção. Amadurecer é, também, retirar do mundo o poder de nos perturbar por aquilo que, no fundo, nada acrescenta, nada transforma e nada merece levar consigo a nossa paz.

Talvez a mais obscura tragédia da existência seja a incapacidade de contemplar o vazio sem lhe atribuir significado. Erguemos propósitos sobre o abismo, inventamos verdades para disfarçar a vertigem de não saber e chamamos esperança à nossa recusa em aceitar o silêncio. O universo talvez não oculte mistério algum; é a consciência, em seu delírio de grandeza, que transforma a ausência de sentido numa pergunta interminável, condenando-nos a procurar, no silêncio absoluto das coisas, uma resposta que justifique a nossa necessidade de existir.


- Tiago Scheimann

As vezes, sinto minha presença tão insignificante que talvez eu não esteja errado, talvez eu realmente não signifique nada.

A maior ilusão do homem talvez seja imaginar que o tempo passa por ele, quando, na realidade, é ele próprio que se transforma na passagem do tempo.

Talvez a forma mais profunda de permanência não seja conservar aquilo que fomos, mas continuar capazes de nos transformar sem perder a consciência da trajetória que nos trouxe até aqui.

Tenho sentido inveja. E talvez essa seja uma das confissões mais difíceis que já fiz a mim mesma.


Não invejo qualquer pessoa que seja amada. Invejo aquelas que, mesmo depois de terem causado dores, machucado pessoas e desejado o mal, continuam cercadas de afeto. É difícil compreender como algumas pessoas parecem receber tanto amor enquanto outras, que nunca desejaram tanto mal a ninguém, experimentam uma solidão tão profunda.


Não me sinto inferior a elas. O que sinto é uma revolta diante de uma injustiça que não consigo explicar. Como se o mundo tivesse esquecido de fazer alguma distinção entre quem é bom e quem é ruim.


Mas talvez minha inveja esconda uma tristeza ainda maior: a vontade de também ser escolhida.


Tenho família, tenho pessoas que me amam, mas sinto falta de amigos. Daquelas amizades em que não precisamos medir palavras, calcular disponibilidade ou disputar espaço. Pessoas que simplesmente queiram estar conosco. Que se lembrem de nós. Que sintam nossa falta.


E o mais contraditório é que, quando essas oportunidades aparecem, muitas vezes não tenho energia para aproveitá-las. Quero ir, quero viver, quero conhecer lugares, mas alguma coisa em mim parece sempre cansada demais.


Tenho passado tanto tempo administrando as necessidades dos outros que, às vezes, já não sei muito bem o que fazer com as minhas.


Não consigo assistir a uma série, ir ao cinema, ouvir minhas músicas preferidas ou encontrar prazer nas pequenas coisas. Tudo parece ter perdido um pouco da cor. Sinto tristeza, um vazio que não sei explicar e uma saudade de uma versão de mim que parece ter ficado em algum lugar do caminho.


Há pouco mais de um mês, perdi uma amiga. E talvez tenha perdido também uma das poucas pessoas com quem eu conseguia compartilhar a vida de uma maneira leve.


Alguém com quem tomar café, ouvir rock, sair, levar as meninas ao teatro. Alguém com quem os pequenos programas não precisavam de grandes explicações.


Agora, quando penso em fazer essas coisas, percebo o quanto gostaria de ter alguém ao meu lado.


Tenho uma lista de pequenas promessas que fiz a mim mesma. Quero fazer uma trilha ouvindo minhas músicas preferidas, tomar um café na Confeitaria Colombo, comprar uma roupa bonita e terminar a noite em um barzinho de rock, ouvindo música e tomando uma taça de vinho.


Não são grandes sonhos. São pequenos pedaços de vida que gostaria de experimentar.


Mas até esses desejos parecem perder um pouco do encanto quando penso que não tenho com quem compartilhá-los.


Talvez eu não queira uma multidão. Talvez queira apenas algumas pessoas. Duas ou três presenças verdadeiras. Gente com quem eu possa ser inteira, sem precisar ser forte, útil, disponível ou necessária.


Quero ter amigos, mas estou cansada de tentar. Quero companhia, mas me falta energia para construir vínculos. Quero viver coisas bonitas, mas sinto falta de alguém que também queira vivê-las comigo.


E, no meio de tudo isso, existe uma pergunta que volta silenciosamente:


Em que momento deixei de viver a minha própria vida para me tornar alguém que apenas administra a vida de todo mundo?


Não sei responder.


Só sei que sinto falta de mim. Sinto falta de rir sem motivo, de ouvir uma música e sentir alguma coisa, de me arrumar porque quero sair, de ter histórias para contar e de esperar ansiosamente por um encontro.


Sinto falta de sentir.


E, apesar de toda essa tristeza, ainda existe em mim uma mulher que deseja conhecer lugares, tomar café, ouvir rock, caminhar por uma trilha e brindar à vida.


Espero que ela não tenha se perdido.


Espero que esteja apenas cansada.


E que, em algum momento, eu consiga encontrá-la novamente.

Cada pessoa trava guerras que ninguém vê.
E talvez a maior delas seja continuar caminhando quando o coração está cansado, quando a alma está ferida e quando a vida parece exigir mais do que se tem para oferecer.
Por isso, antes de julgar alguém, lembre-se: Existem dores que não fazem barulho, mas ainda assim machucam todos os dias.

O que leva uma pessoa a brigar por dez reais?

Talvez não sejam os dez reais.

Talvez seja a fome que ninguém viu.
A humilhação que ninguém percebeu.
As portas que foram fechadas.
As oportunidades que nunca chegaram.

Há momentos em que uma pequena nota carrega um peso maior que uma fortuna.

Antes de julgar quem discute por tão pouco, vale lembrar: ninguém mede o valor do dinheiro da mesma forma quando a vida começa a faltar.

Às vezes, a discussão nunca foi pelo dinheiro.

Foi pela dignidade.

"Talvez a linhagem não esteja apenas no sangue, mas nas memórias que herdamos sem perceber. Às vezes, um simples cheiro de café ou uma música antiga desperta uma saudade de algo que nunca vivemos. Talvez o déjà vu seja apenas a alma encontrando, por um instante, o caminho de casa."

Talvez recomeçar
seja acordar um dia
e perceber que você ainda se deve uma vida.

Talvez hoje eu não tenha “um mundo” pra entregar. Mas talvez o problema nunca tenha sido faltar mundo. Talvez tenha sido carregar o universo inteiro nas costas tentando ser indispensável pra alguém.

A vida adora desmentir as certezas mais doloridas que a gente constrói nas madrugadas.


Talvez não venha da pessoa que você gostaria. Talvez não venha da forma que você imaginou. Talvez não venha no tempo que seu coração pede.
Mas a necessidade de ser vista, escolhida e procurada espontaneamente não é um exagero. É uma necessidade do ser humano.
E quem realmente gosta da nossa companhia não vê uma conversa como gasto. Não vê um "oi" como obrigação. Não calcula presença como investimento.
Presença verdadeira acontece porque a pessoa quer estar ali.

Um dia, quando eu voltar...

Um dia, quando eu voltar, talvez nada esteja no mesmo lugar.

As ruas terão seguido seus caminhos, as pessoas terão contado novas histórias, e o tempo terá feito aquilo que sabe fazer melhor: continuar.

Mas algumas coisas permanecem.

Permanecem os abraços que não demos. As palavras que ficaram guardadas. Os sorrisos que a distância não conseguiu apagar.

Um dia, quando eu voltar, não quero encontrar o que ficou parado me esperando. Quero encontrar o que cresceu, o que floresceu, o que teve coragem de viver.

Porque quem ama de verdade não guarda a vida numa gaveta. Cuida dela até o reencontro.

E, se esse dia chegar, que a gente se reconheça não pelo que perdeu, mas por tudo aquilo que teve força para continuar sendo.

Um dia, quando eu voltar, que o tempo não seja uma desculpa. Que seja apenas a ponte entre duas saudades que sobreviveram.

Lucci Santz ✍️

A Porrada no Lugar Certo


Talvez o que doa não seja apenas não tê-la.
É saber que eu teria ficado, se tivesse tido a chance de ser conhecida de verdade.


Agora estou aqui, tentando juntar as partes da vida, enquanto uma parte de mim ainda olha para uma história que nunca teve sequer a chance de começar.

“Se você estiver no inferno, eu desço para buscar você.”
E talvez seja essa uma das formas mais assustadoras de amar.
Porque descer ao inferno por alguém não é uma metáfora pequena.
É aceitar o fogo.
É entrar onde dói.
É caminhar por lugares dos quais talvez não exista caminho de volta.

“Talvez uma das transformações mais profundas do envelhecimento seja descobrir que, enquanto o corpo perde parte de suas forças, a alma pode tornar-se mais sensível à grandeza das pequenas coisas. A maturidade nos ensina que nem toda lágrima representa tristeza, nem toda limitação significa derrota e que a dignidade de uma existência permanece mesmo quando o tempo modifica nossas capacidades.”