Talvez
"Talvez você esteja sofrendo, porque foi sequestrado pelo passado, se tornando refém do futuro e se esquecendo de viver o presente ."
Talvez o problema das relações comece quando o casal passa a enxergar a própria trajetória como um conjunto de problemas, em vez de desafios a serem superados juntos.
A Matemática dos Fins
Não sei ao certo quando comecei a não gostar dos fins de ano. Talvez tenha sido no dia em que percebi que o nome já carrega uma despedida embutida: fim.
Ou talvez tenha sido quando o tempo passou a correr mais rápido do que eu.
Cada pessoa lê o próprio calendário de um jeito. Há quem veja dezembro como festa, luz e promessa. Eu vejo como uma espécie de espelho — daqueles que não mentem, mesmo quando a gente gostaria que mentissem um pouquinho.
Aos 41, faço as contas da vida. E, mesmo com conquistas que um dia imaginei inalcançáveis, ainda me visita essa sensação de que está faltando algo. Não é falta de teto, de trabalho ou de sonhos… é outra falta. Uma lacuna que nenhuma realização profissional consegue preencher.
Casa própria, por exemplo. Para muita gente, é o fim do jogo, a prova de que deu tudo certo. Para mim, é só um quebra-cabeça incompleto, como se eu tivesse montado todas as bordas, mas o centro — a parte mais bonita — ainda estivesse espalhado por aí, perdido em algum canto do tempo.
E aí chega dezembro, com seu peso e seu brilho, lembrando que mais um ano passou. Não sei explicar direito, mas enquanto o mundo comemora o que vem, eu penso no que vai.
Na matemática que inventei pra mim mesmo, o ano que chega não soma — ele diminui.
Faço contas que talvez ninguém devesse fazer. Tiro fatalidades, subtraio doenças, divido esperança por realidade. Se eu tiver sorte, digo para mim mesmo, talvez eu tenha mais uns vinte anos vivendo bem, com saúde, com lucidez. E então eu me pego imaginando algo que aperta o peito de um jeito difícil de dizer em voz alta.
Se minha filha viesse ao mundo no próximo ano, quando eu tivesse sessenta, ela teria dezenove.
Dezenove.
E eu talvez não estivesse aqui para ver a formatura dela, para ouvir o primeiro “pai, deu certo”, para fingir que não chorei quando ela desse o primeiro passo fora de casa.
É uma conta simples… mas que me destrói como se fosse impossível.
Talvez seja isso que eu não gosto nos fins de ano: eles me obrigam a olhar para dentro, para esse vazio que não se preenche com compras, viagens ou promessas. O vazio de quem sabe que o tempo não volta, e que cada desejo adiado custa mais do que parece.
Ainda assim, aqui estou, atravessando mais um dezembro.
E, no fundo, torcendo para que a vida me surpreenda — quem sabe com peças novas para esse quebra-cabeça, quem sabe com alguém que transforme essa matemática dura numa conta que finalmente faça sentido.
O que há de errado com o tempo?
Talvez o erro seja o intento
de não aprendermos, enquanto vivemos,
a contá-lo no convívio, no movimento.
Enquanto ele ecoa, convivemos, às vezes,
sós entre nós mesmos.
E não percebemos que o tempo pode afastar
ou atrair sentimentos.
Bons ou ruins, eles vão e vêm
sem que percebamos.
Ele nos leva por caminhos
e cria atalhos inteiros.
Ele vai passando como quem escorre
entre nossos dedos,
sem aviso às vezes rápido,
às vezes lento, mas sempre indeciso.
Vivemos tudo o que nos permitimos:
com a família, sozinhos ou entre amigos.
Ele corre quando queremos presença,
nos arrasta quando a dor pede licença.
Ele voa quando estamos atrasados,
e para, sem que percebamos,
no sorriso de quem somos apaixonados.
Vinte e quatro horas nos são dadas,
todos os dias, sempre depositadas.
Caem em nossa conta sem permissão,
sem pedido, sem merecimento ou explicação.
Prometemos a nós mesmos
não deixar o tempo passar em vão.
Quando crianças, o tempo era mágico,
e não tentávamos controlá-lo com um celular nas mãos.
Estávamos ocupados colecionando momentos,
dádivas nos dadas pelo próprio tempo,
para que, quando estivermos perdidos,
possamos lembrar… e voltar ilesos.
Há dias em que queremos doar,
nem que seja um fragmento do que nos resta guardar,
quando percebemos que o outro já não terá
o tempo que a vida prometeu entregar.
Então entendemos o inevitável:
o tempo, sim, ele é temporário.
Nascemos, crescemos e morremos
um roteiro que segue fiel itinerário.
Mas como se espera? pergunta o coração.
O tempo do último olhar, da despedida em vão?
Ou o tempo que passa sem quem amamos,
tentando ser inteiros… quando já nos faltamos?
Hipótese
Se tu não existisse
Talvez não falaria sobre o amor
Provavelmente nem tocaria nesse assunto
Pois ainda não poderia ter encontrado
Alguém que me fez experimentá-lo.
Não escreveria poesia
Pois não teria nada para dizer
Muito menos assunto
Para poder te descrever.
Cansada de nenhum poema se quer
Conseguir criar
Inventaria alguém para amar
Alguém com quem eu poderia viver
Poderia crescer
Alguém assim, como você.
Alguém que me tirasse inúmeros sorrisos
Alguém que me entendesse por inteiro
Sem que eu precisasse traduzir
Alguém que pudesse me ouvir
E que entenda quando precisar partir
Alguém que cometesse seus erros
Mas que tentasse não repetir
Alguém que mostre e siga comigo
O caminho que preciso seguir.
Perceberia que inventei algo impossível
Algo que nunca acharia tão facilmente
Felizmente vivo em uma realidade diferente
Onde aquilo que muitos buscam
Já me pertence.
Se tu não existisse
Não poderia dizer que aprendi a amar
Nem entender o sentido de se doar a uma paixão
E então viveria uma vida de ilusão
À procura de algo que não poderia ter em mãos
Não faria sentido assistir a partidas de futebol
Pois não lembraria de ti
Não faria sentido algum ouvir a nossa música
Pois nessa triste realidade não ouviríamos juntos
Não existiriam sorrisos apaixonantes
Pois com certeza nenhum se aproximaria do seu
Não teria nexo amar alguém
Pois esse alguém não seria você.
Viver já não teria mais a mesma essência
Pois momentos semelhantes aos que tive ao seu lado,
Ao menos teriam sua pertinência.
Com isso, acredito que pela dependência
Que herdei de ti
Não conseguiria viver assim
Sem tua oportuna companhia
E sem nosso pré-definido
Fim.
Escutar alguém antes do colapso talvez seja uma das formas mais simples de prevenção. O Prédio que Aprendeu a Escutar transforma essa ideia em narrativa.
"O Carnaval não é invenção do Diabo, como dizem algumas religiões. Talvez seja invenção de algumas religiões, como dizem alguns carnavalescos!"
Frase Minha 0116, Criada no Ano 2007
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Natal e Ano Novo... Época de confraternização, de estendermos as mãos.Talvez por isso, nessa época, vemos tantas mãos estendidas e 'humildes' de porteiros, de carteiros, de garis, de garçons e de guardadores de carros, entre outros!"
Frase Minha 0235, Criada no Ano 2008
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
" 'De médico e louco cada um tem um pouco', dizem. De ogro, talvez também, digo eu. Chega a ser hilariante, mesmo alguns negando... Pouco ou bastante!"
Frase Minha 0513, Criada no Ano 2011
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Sou muito Verdadeiro. Talvez por isso sou nada Real... Também por não gostar da Monarquia!"
Frase Minha 0596, Criada no Ano 2012
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
Se a vida escreve partituras invisíveis,
talvez sejamos notas improváveis e sensíveis, tentando encontrar, no mesmo tom, um lugar onde até o silêncio vire som.
E quando o mundo perde o ritmo lá fora,
é no teu abraço que a melodia melhora,
porque amar você é viver a sensação
de finalmente caber dentro da própria canção
Talvez, e tão somente TALVEZ, seja o
R E C O M E Ç O uma das estratégias de vida mais D O L O R A!
Esse reiniciar requer um esforço eculio;
Porém sem o recomeço nos limitamos, nos entregamos e jamais entenderíamos o modos operandi vida.
Viver é recomeçar! Chegamos onde estamos porque, alguém recomeçou, depois das guerras, depois das misérias e até depois das mortes.
Dói muito recomeçar, mas se pudesse lhe dizer algo confortante, com certeza lhe diria, levante, ande e não olhes para trás.
Por isso recomece sempre ainda que a dor lhe perfure feito um espinho!
Evolua… Evolua por Amor!
Dói perceber que, enquanto eu mergulhava fundo, você talvez estivesse apenas molhando os pés na superfície. É um tipo de solidão estranha descobrir que as memórias que eu guardo como tesouros, para você, podem ter sido apenas instantes passageiros, descartáveis. Fica esse gosto amargo de notar que eu fui imenso onde você escolheu ser pequena.
Mas eu me recuso a me arrepender da minha intensidade. Amar com verdade nunca será um erro; o erro seria endurecer o coração e fingir que nada daquilo existiu. O que eu senti foi real, foi vivo e foi meu. Se você não conseguiu — ou não quis — sentir na mesma medida, isso diz mais sobre os seus limites do que sobre o valor do meu afeto.
Hoje a ausência ainda machuca, mas eu sei que a dor é passageira. Com o tempo, esse peso vai se transformar apenas na prova de que eu sou capaz de entregar o meu melhor, sem reservas. Eu sigo com a consciência limpa de quem soube amar de verdade, mesmo que tenha sido para alguém que preferiu não sentir nada.
Reconheço que, durante muito tempo, houve um desencontro de expectativas. Talvez eu não tenha conseguido enxergar a profundidade da sua entrega, ou talvez estivéssemos apenas em frequências diferentes. A verdade é que ninguém deveria se sentir 'errado' por amar demais ou por querer que o carinho seja recíproco.
É preciso coragem para admitir quando algo não é mútuo, em vez de deixar a outra pessoa tentando adivinhar onde errou. Muitas vezes escolhemos o que é familiar, mesmo que nos machuque, em vez de escolhermos o que realmente merecemos. O amor não é o culpado; ele continua sendo algo nobre, mas agora entendo que precisa começar por dentro.
Desejo, do fundo do coração, que você encontre essa força que mencionou: a de se amar primeiro. Que você não precise mais 'quebrar a cara' para entender o seu valor, e que a sua próxima entrega seja para alguém que não apenas receba o seu amor, mas que saiba multiplicá-lo.
Obrigado pelas lições. Que o caminho daqui para frente seja mais leve para nós dois.
Talvez você esteja lendo isso enquanto conta aos seus amigos, entre risos, como eu implorei para você ficar. Talvez você esteja usando essa honestidade que você jura ter, mas que nós dois sabemos ser apenas mais uma camada da sua mentira.
Eu escrevo apenas para dizer: continue sonhando.
É fascinante como é fácil para você viver nessa sua fantasia onde eu não existo e onde nada do que aconteceu te machuca. Você se esconde atrás desse sorriso, se engana achando que está tudo bem, enquanto eu sigo aqui, literalmente partido em dois. É difícil reconhecer a verdade quando o sonho é mais confortável, não é?
Você pode rir do meu choro e transformar minha dor em história de mesa de bar. Você pode tentar convencer o mundo — e a si mesma — de que jogou tudo fora por motivos nobres. Mas, no fundo, entre um sonho e outro, resta um fato que você nunca vai conseguir apagar: você nunca terá a dimensão real do quanto eu precisei de você.
Siga sua vida. Construa esse castelo de cartas onde você é a heroína da própria história. Eu ficarei aqui com a realidade, lidando com o que você fez comigo, enquanto você continua flutuando, fingindo que não sente o peso do que deixou para trás.
Durma bem. O despertar, se um dia vier, vai ser bem mais frio do que o seu sonho.
Com a amargura de quem ainda se lembra,
(Aquele que você deixou para trás)
Talvez o amor verdadeiro não seja um bilhete premiado de loteria que deixei de ganhar, mas um espelho que ainda tenho medo de encarar.
Talvez eu não tenha aprendido a acreditar no amor porque encontrei alguém para amar. Talvez tenha aprendido porque, pela primeira vez, encontrei alguém que me fez querer acreditar nele.
Talvez você tenha perdido muitas chances. E tudo bem.
Você não estava pronta mesmo. Não tinha olho, não tinha força, não tinha colo. A gente não perde o que não consegue segurar.
Mas deixa eu te dizer uma coisa que ninguém te disse: a vida não parou de passar na sua rua.
Ela ainda está passando. Com outras bandejas, outras portas, outros jeitos.
A pergunta agora não é mais "por que eu não fui?"
É: "quando a próxima passar, eu vou?"
