Tag solidão
Começamos a morrer quando já poucos sentem a nossa falta, porque os que nos amavam já partiram, levando com eles um pedaço de nós.
Começamos a morrer quando nos olhamos no espelho e já não nos reconhecemos mais, mas sobretudo quando deixamos de nos sentir amados, quando se riem dos nossos sonhos mais básicos, inclusive banais, e tudo à nossa volta se torna imenso, vazio, denso e insignificante.
A solidão, quando muito duradoura, nos leva a ter momentos íntimos sem emoção. Criamos uma ilusão na expectativa de ser prazeroso e duradouro, mas o final é sempre igual. Caímos num vazio profundo, escuro e sem fim.
Abrindo Caminho
O estrada tem uma pedra
E um pouco de espinho
Um esforço que se arreda
Abriras o caminho
Não tem humidade no chão!
A solidão é obscura!
Tristeza que não tem cura?
E a rosa do sertão?
Como fugir do tormenta
Sem nenhuma ferramenta
Enxergar uma tramela
Sente-se e reze uma prece
A escuridão desaparece
Sem que haja vela.
Ademir Missias fev/21
Tenho medo do abandono,
da sombra fria que se avizinha,
do vazio que preenche as lacunas
onde antes habitava o afeto.
Tenho medo do silêncio que ecoa,
nas paredes do peito, tão só,
onde outrora as vozes dançavam,
agora apenas o eco de um nó.
Tenho medo de ser esquecido,
como um livro fechado na estante,
as páginas amarelas de histórias,
que ninguém mais se lembra ou sente.
Mas também tenho a esperança,
de que no fundo desse temor,
encontro forças para aceitar,
que o abandono não apaga o amor.
E assim, entre o medo e a coragem,
vou costurando as feridas do ser,
pois mesmo que o medo me assombre,
aprendo a viver, a crescer.
Friozinho gostoso
Arrepios no ar
Chuvas de emoções
Inundam o ser
São doces lembranças
Que trazem seus fluidos
Para dentro de mim
Deixo_ me afogar
Naufragar...
Doce emoção
Sublimes sentimentos
Sedutora paixão
Que me faz sempre
Flutuar em suas águas
Mergulhar
Profundamente
Em você
Tempinho maravilhoso
Que se prolongue:
Não acabe jamais!...
Seja somente nosso
Para nos agasalhar
E quentinho ficarmos
Grudadinhos
Nesse nosso
Ninho de amor
Em que o tempo
Não passa
Porque o nosso amor
Vem de uma fonte
Que jamais secará...
Mergulhem fundo
Em vossas emoções
Permitam que o amor
Seja a vossa fonte
De águas cristalinas
Para que em vossas vidas
Jamais tenham sede
Jamais sejam escravos
Da solidão...
Paz no coração
Felicidades sempre
O Outono
Folhas secas cobrem o chão
Tudo está tão belo na cor marrom
O outono inspira a solidão
Daquele que não gosta da multidão
Curando o coração cansado
De ver tudo acinzentado
Há um tipo de solidão que só os que pensam demais conseguem reconhecer — ela mora entre uma pergunta e outra.
Sempre me perguntei qual é o sentido da vida, mesmo sabendo que não existe resposta — talvez porque não exista sentido algum. A única certeza é a morte, e ela não precisa de explicação.
Ainda não encontrei o lado doce da vida.
Ainda não senti o açúcar melado.
Açúcar pelo qual faria meu paladar.
Sinto o gosto forte do amargo.
O sol nasce cinza
E se põe preto.
Não ouço a benevolência do meu pensamento,
Ouço o fúnebre alarde, um horrível barulho.
Sozinha no escuro,
Sem amparo nem ventura,
Aqui no meu quarto passando apuro,
Deitada na cama tornando-me perjura.
Tempo perdido que não volta mais.
Aqui sozinha no meu quarto e ninguém mais.
O clima lá fora está frio.
Névoas a esvoaçar, mas não me importo com a neblina já que é assim a me agradar.
Apesar da algidez do dia ouço cachorro latindo, crianças gracejando, gangorra da praça a ranger.
E eu aqui pensando o que poderia ser melhor sem meu aparecer.
A minha solidão é só o estado da minha alma, mas tenho em minha companhia a presença constante de Jesus.
