Coleção pessoal de MariaLuizaGrochvicz

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Seria Saudade ?....




Se você não está,
o mundo continua.


As ruas permanecem cheias,
o relógio continua correndo,
as pessoas continuam sorrindo.


Mas alguma coisa
perdeu o lugar.


Porque existem ausências
que não fazem barulho.


Elas apenas
mudam o peso do silêncio.


Se você não está,
eu ainda procuro seu rosto
entre desconhecidos,
como se o acaso pudesse
devolver aquilo
que o tempo levou.


E talvez seja isso
que mais dói:


não sentir sua falta
a cada segundo,


mas encontrar você
em coisas pequenas.


Em uma música.
Em uma tarde.
Em uma frase qualquer.
Naquele lugar
onde você costumava estar.


Se você não está,
eu aprendo a continuar.


Mas continuar
não significa esquecer.


Algumas pessoas
vão embora da nossa vida
e permanecem
em alguma parte dela.


E eu sigo.


Com a saudade escondida
entre os dias,
com seu nome guardado
onde ninguém consegue alcançar.


Talvez um dia
eu acorde
e não procure mais por você.


Talvez a ausência
deixe de parecer ausência.


Mas hoje,


se você não está,


eu ainda sinto
que falta alguma coisa
no mundo.


E talvez essa coisa
seja simplesmente
você.

Experiência


Eu não nasci em palavras,
nasci em silêncio.


Primeiro, uma nota.
Pequena, quase tímida,
como quem ainda não sabe
se deve ficar.


Então outra responde.


E, de repente,
há uma história inteira
crescendo dentro do peito.


Eu fui aquilo que passou,
aquilo que doeu,
aquilo que quase ficou,
mas escolheu partir.


Fui o medo antes do salto,
a lágrima antes de cair,
o último olhar
antes de seguir.


E quanto mais eu caminho,
mais alto eu me torno.


Não porque a dor desapareceu,
mas porque aprendi
a carregá-la sem me curvar.


As notas correm,
como memórias sem destino.


Sobem.


Insistem.


Transbordam.


E quando parecem chegar ao fim,
eu descubro que era apenas
o começo de outra coisa.


Talvez viver seja isso:


perder algumas versões de nós
para encontrar outras
no caminho.


E talvez a música diga
aquilo que eu nunca soube dizer:


eu estive aqui.
eu senti tudo.
eu sobrevivi ao que me mudou.
e ainda estou caminhando.


Então as notas diminuem.


O silêncio volta.


Mas agora eu sei:


o silêncio nunca foi vazio.


Era apenas
a parte da história
que ainda não tinha aprendido
a cantar.

Enquanto Houver Sonhos


O tempo passa,
e leva consigo
aquilo que pensei eterno.


Mas enquanto eu sonhar,
ainda haverá caminho.


Posso cair,
posso me perder,
posso envelhecer,
mas não quero acordar
dos sonhos que ainda me fazem viver.


Porque, no fim,
talvez crescer seja isso:
olhar para trás
sem deixar de sonhar
com o que ainda pode vir.

Eu gosto do amanhecer,
ele pertence à madrugada.
Eu procuro o que é leve,
ele se acostumou ao amargo.




Não é falta de querer,
nem falta de sentir.
É só que alguns corações
não sabem viver
no mesmo ritmo.

Talvez eu erre,
talvez eu não enxergue a verdade.
Não sou dono das respostas,
nem capaz de salvar todo mundo.


Eu caio, eu falho,
eu também sinto dor.
Não sou profeta, nem salvador
Sou apenas eu.


Então não coloque em mim
o peso de tudo que deu errado.
Eu faço o que posso,
com o pouco que sou.

A vida é como uma sala de espera onde todos estamos sentados esperando a morte chamar.....

O amanhã ainda guarda coisas que podem nos fazer felizes, só não sabe que, para encontrá-las, precisaremos deixar para trás quem somos hoje.

Um dia você vai sentir saudade do instante que está vivendo agora, e não vai saber que era a última vez.

Talvez a beleza da vida esteja justamente em sua crueldade: tudo é passageiro, e ainda assim encontramos razões para amar.

Talvez viver seja aprender a amar aquilo que, desde o início, já estamos destinados a perder.

A Morte nos lembra do limite do tempo; a vida nos lembra que ainda temos tempo......

Olho para o espelho e não me reconheço. Tento falar, mas o medo me cala… porque, no fundo, não tenho medo de alguém responder. Tenho medo de descobrir que quem está do outro lado nunca fui eu.

Conhecer a si mesmo é descobrir que, por trás de tudo aquilo que somos, existem versões que tivemos medo de ser.

Às vezes, meu cérebro parece implorar por silêncio: meus olhos se perdem em algum ponto, o mundo fica distante e, por alguns instantes, tudo parece querer desaparecer ao redor. Mas eu me agarro ao pouco que ainda me mantém presente, como se precisasse lutar contra a vontade de me desligar, porque, mesmo exausta, ainda não quero me perder de mim.

Às vezes, já não sei quem sou nem para onde deveria ir. Procuro um propósito, mas continuo parada no mesmo lugar, como se todos estivessem caminhando enquanto eu apenas observo o tempo passar, tentando descobrir quem deveria me tornar e por que ainda não consegui sair de onde estou.

Estou cansada de transformar o meu cansaço em sorriso para que ninguém perceba o que há por trás dele. Aprendi a medir palavras, esconder sentimentos e vestir máscaras até dentro de casa. Às vezes, o sorriso não é felicidade — é apenas a forma que encontrei de esconder tudo aquilo que não consigo mostrar.

Às vezes, sinto que o mundo deixou de ser meu lugar. Caminho por ele, vejo tudo acontecendo, mas existe em mim a sensação de estar apenas de passagem, como se todos tivessem encontrado seu lugar no mundo, menos eu.

Às vezes, falar sozinha parece mais fácil do que falar com os outros. Comigo, não preciso medir palavras, ensaiar sentimentos ou temer ser interrompida. Talvez seja estranho conversar comigo mesma, mas é mais confortável do que falar e sentir que ninguém realmente me escuta.

Sinto saudade de quando os professores eram quase amigos, quando a sala parecia pequena demais para tantas conversas e os intervalos se estendiam entre risadas e partidas de xadrez. Até das aulas que matávamos para sentar juntos diante do tabuleiro eu sinto falta, e o mais engraçado era ver os professores rindo da nossa ‘rebeldia’, porque, enquanto outros matavam aula para ir embora ou ficar presos ao celular, nós simplesmente fugíamos para um canto para disputar uma partida de xadrez. É estranho sentir saudade até das pequenas transgressões de uma época em que nossos maiores problemas cabiam em um tabuleiro, algumas peças espalhadas e a certeza de que a próxima jogada seria motivo para outra risada.

Sinto saudade dos corredores da escola, das amizades que pareciam eternas e das conversas que não precisavam chegar a lugar nenhum. Saudade das risadas que nasciam por coisas bobas, das manhãs que pareciam longas e da leveza de não carregar o mundo sobre os ombros. Talvez eu não sinta falta apenas da escola, mas da época em que a felicidade cabia em uma conversa tranquila, uma gargalhada inesperada e algumas horas ao lado de quem fazia tudo parecer mais simples.