Tag poeta
A MORTE DO POETA
Aos poucos se matam,
Aos poucos se morre
Convencionalmente
Feliz,vivido,esquecido
Ao que servia e já não é mais lembrado.
Jamais falou
Jamais julgou
Agora colhe o que plantou
A Beira da morte
Quando se foge da realidade ultraje
entre a vida e a arte
E apenas um elo fraco
Que ninguém se lembrará
Mais jamais esquecerão
Não se foi Com veneno
Nem arrependido
Magoado
Acoado
Ou torturado
Sujeito honrado
Porém vago
Em si próprio
Não se via Em medo
Em peso
Apenas o brilho
De quem já foi menino
E vagamente se perdeu
E jamais achou.
SINTÉTICO
Com sua pose magnífica
Não exita
Caminha sinteticamente
Vive falsamente
Porque quando chora
Não há lagrimas
E quando sorri
Não há marcas
Ela se dá bem
Ela sempre se sai bem
Com sua vida de plástico
E seu sorriso simpático.
Insônia
Essa insônia que vos digo, não é sozinha. Na verdade ela é uma resultante. Ela vem de tantas coisas, tantas causas.
Parece que eu estou sempre angustiado, a angustia de dever ao mundo o poema perfeito, sei da impossibilidade, mas isso me move, move meus dias, meus passos, meus olhos e gestos. Quem sabe o mundo me dê as letras que faltam naquela palavra, ou me dê mais um dia, como hoje. Pra que eu busque as minhas perfeitas imperfeições.
Angustia de querer fugir pra longe, cheirar o céu e beijar a terra.
Amo sentar no sofá, fumar meu cigarro, discutir comigo sobre minhas discussões comigo.
Acho perfeito me imaginar namorando com cada moça que passa por meus olhos. Vejo namoro, casamento, filhos, família, tudo perfeito. Mas quero nada disso, tenho prazer na tristeza e na solidão. Não conseguiria seguir ao lado de alguém. Sou um quebra cabeças, sem desenho algum, que sobram peças, peças que não se encaixam.
Mas a coisa que mais me intriga, não é o frio na barriga, nem a rima perdida. É rimar sem perceber, enquanto tenta escrever, que a grande ironia, é o perceber... Que o problema de ser poeta, é não ser.
CUPIDO (EROS)
DISTRAÍDO EU ANDAVA NAQUELE DIA
QUANDO EROS, O CUPIDO ME ATINGIU
COM SUA FLECHA ENCANTADA E FRIA
E FOI ENTÃO QUE ESTE AMOR SURGIU.
COM O PASSAR DOS DIAS O AMOR CRESCEU
TAMANHA ERA TODA MINHA EUFORIA,
SENDO ELA A MELHOR COISA QUE ACONTECEU
JUSTO EM UM MOMENTO DE MELANCOLIA.
E AMANDO ELA ME SENTIA UMA CRIANÇA,
CHEIO DE AMOR NO PEITO, MUITA ENERGIA,
FOI ASSIM QUE ME APROFUNDEI NESTA DANÇA.
MAS O AMOR ÀS VEZES É COMO UMA LANÇA
QUE PERFURA DOLORIDAMENTE A PELE FRIA,
COMEÇANDO BEM, MAS SANGRANDO SEM ESPERANÇA...
Particularidades Do Meu Ser!
Minha mãe é a lua,
Sou irmão de todas as estrelas,
Filho primogénito do sol,
Neto do ar,
Condão do luar,
Sobrinho do vento.
Eu sou enteado da terra,
Acórdão do céu,
Reverso do arco-iris,
Vizinho de uma formiga,
Advogado das borboletas,
Pai coruja de um beija-flor,
(...) Sou poeira esquecida
nas gavetas de um trovão,
sei que pareço ser estranho,
mas isso pouco importa, pois não?
Porque,apesar de tudo,
Eu Sou Poeta de coração.
Morgado Mbalate
Arquiteto, o poeta de cidades.
Primeiro, é preciso definir o "arquiteto poeta" como alguém que está imerso no mundo que o inspira, o alegra, o entristece e o transforma, e isso nunca atrapalha seu desejo. Sua intuição natural, aliás, é uma inclinação para se relacionar.
Esse relacionamento muitas vezes está relacionado com a autoexpressão, ou seja, arquitetar - interiorizar para refletir. Nesse processo, encontra-se a maneira pela qual ele escreve a cidade, por meio de casas, vias e praças.
A cidade é uma imensa poesia social que é idealizada, inspirada e refletida por alguns e, simultaneamente, por milhões, onde cada um a modifica e a reescreve em momentos e instantes.
Portanto, para o "arquiteto poeta", é essencial interiorizar para poder refletir - e isso nunca atrapalha seu desejo.
Fazer poesia é como amar através de palavras. É fazer com que elas se aconcheguem nos espaços escondidos de cada um. Poetas e seu dom de encantar o mundo. De encantar os desejos datravés das escritas. De fazer com que tudo seja possível nos lugares mais pequeninos que a vida tem. Eu penso que fazer palavras namorarem é mais nobre que ter títulos e posses. É que as palavras só namoram quando amam de verdade!
Não Sou De Cor, Sou negra.
_________________ Morgado Mbalate _____________________
Não sou de cor, sou negra cor de luto.
Não sou de cor, sou negra e contra o preconceito luto.
Não sou de cor, sou negra com coração sem rancor.
Não sou de cor, sou negra com coração que brota amor.
Os negros também merecem louvor.
Todas raças merecem valor.
Não sou de cor, sou negra
Por que sou oprimida com o desnível social e racial?
Não sou de cor, sou negra com direitos humanos como no geral.
A cor negra é uma das diferenças e riquezas.
Pele negra, também, é a cor da beleza.
Morgado Henrique Mbalate
Jovem poeta moçambicano
