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Ser feliz é poder cantar, pular, dançar e amar sem medo de tudo acabar. Pois felicidade não é para sempre, então aproveite os bons momentos e siga em frente.
Correntes me prendem
De modo desagradável
Me impede de andar
Livremente pelo mundo
Me força a ficar imóvel
Onde não quero estar
Não posso me mexer
Mais tenho que fazer
As correntes se romper
Quero liberdade
Quero poder viver.
VIGÍLIA (soneto)
Não há graçola pelo cerrado tristonho
Distante é o olhar na sequidão erguida
Tanta melancolia, a felicidade suponho
Que contempla a relva tão adormecida
Corta o silêncio o vento na poeira trazida
Papoca secas folhas no sol enfadonho
Espalhadas no chão da irroração perdida
Ali, em craquelados plangeres enfronho
Então, vejo sozinho o deslizar das horas
Numa vigília as monocromáticas floras
Onde o tempo, lento, pousa no cansaço
E nesta vigília de quimeras fabuladoras
Tudo bordado a lantejoulas tataporas
Cravejam o céu de estrelas com lasso
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
O que se deve expressar
-soneto-
O homem e a mulher são seres complexos
Trazem consigo bastante ansiedade
Suas atitudes acarretam reflexos
E castrado fica a sua liberdade.
Porque suas encadernações de outrora
Tornam-se nesta existência evidentes
Causando conflitos, transtornos no agora
Retardando a evolução dos aprendentes.
Afirma Chico Xavier sem querelas
Quando não se fala as palavras dominam
Mas quando se fala fica presa a elas
Portanto é muito importante ressaltar :
Tem momentos que as situações determinam,
Que tipos de falas deve-se expressar.
SECURA SEQUIOSA
Sequiosa a secura, como é frágua
o chão ressequido árido secou
Posso ter sede de mais água
mas do craquelado, o cerrado eu sou
E na cremação dos meus versos
saudades, magia e seca maresia
Rimando no cerrado, diversos:
O abrandar da noite, a azia do dia...
Fria está sequidão, ardida e fria!
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Abril de 2016
Cerrado goiano
Pretenso poeta.
Digo a ti que sou poeta, você me invade com tua alma deserta e me deleta.
Falo a você que meu prazer é sentir o seu prazer, sinto em ti o desprezo razoável do resquício da vida outrora distante.
Busco na linda aurora as respostas para o porque de tanto sofrer, lhe digo que quero adormecer em seu colo ouvindo as suaves batidas de teu coração.
Em seus olhos só vejo desprezo e sinto que todo meu clamor sem amor tem menos sim e mais não.
Assim a vida te dá em muitas vezes amores de verão que vem e vão deixando lagrimas pelo chão.
Guimarães Sylvio.
[Se eu sou]
Se eu sou céu,
me olhe
Se eu sou mar,
se molhe
Se eu sou flor,
me regue
Se eu sou amor,
se entregue
Se eu sou paz,
me tenha
Se eu sou fogo,
seja lenha
Se eu sou poeta,
seja poesia
Pois, se eu sou céu
sou seu.
VIOLINO DO CERRADO
Violino do cerrado, o vento
Melodia, e toca pro vazio
Entre secas folhas, sedento
Dum árido chão e sombrio
Deslizante em um lamento
O som ressoa leve e macio
Orquestrando o movimento
Num ritmo de um assobio...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Abril de 2017
Cerrado goiano
Se você se distanciar da sociedade, pode ser que se encontre, mais ao se encontrar vai descobrir que precisamos estar em contato com a coletividade.
Se de repente você acorda no meio da noite e não vê nada mais do que escuridão, talvez as luzes estejam apagadas, ou sua vida já não tem mais emoção.
Todos precisamos de um tempo para refletirmos, um tempo para nos conhecermos, um tempo para descobrirmos qual é a real intenção dá vida.
Disfarço a minha dor
Disfarço meus pensamento
Para não me decepcionar
Disfarço minha alegria
Pois não quero te ver chorar
Escuto o seu silêncio
Para poder me aliviar
Finjo que não vejo sua dor
Pois, por dentro eu também sinto
Sinto a mesma dor
Desligo meus pensamentos
Para tentar não pensar mais
Desligo meus pensamentos
Para não sofrer nunca mais
Desligo minha vida
Até não conseguir viver mais.
Pelos que me desprezam
Eu sinto amor
Pelos que me condenam
Eu sinto amor
Pelos que me julgam
Eu sinto amor
Pelos que me repelem
Eu sinto amor
Pois o curioso do amor
Na maioria das vezes
Você ama aquele que não te ama.
Guardo meus sentimentos
Para não sofrer
Guardo minha vida
Para não me perder
Então meus sentimentos me corrói
Junto com minha vida que não cheguei a viver.
Até o último pingo
Guardo minha vida
Para ela não se gastar
Guardo minha vida
Para me preservar
Mais de tanto guarda-la
Eu acabo não vivendo
Pois a vida é para se gastar
Não a motivo para guardar
Então usufrua das pequenas coisas
Gaste a até não sobrar
Nem mais um pingo de vida para se gastar.
Olho para o outro lado
Vivencio um mundo caótico
Mundo sem razão
Tento me distrair
Para não fazer parte dessa confusão
Me distraiu para não ajudar a mudá-lo
Me distrai pois é mais fácil olhar para o outro lado
Se pensamentos como esse prevalecer
Pessoas que já foram ignorantizadas
Não vão conseguir mais viver.
O SINO (soneto)
Do alto do cerrado meu eco sonoro
Percutindo alarma de chamamento
Riscando no ar gemido em lamento
De sombrio ato, sofrença com choro
Da torre franciscana sou sentimento
Festo, de paz e bem ao som canoro
Saúdo a vida, com meu fado oximoro
O orante da ave Maria, às seis, atento
Canto, pranto, em ruído éreo, laboro
Trino o dia se pondo e no nascimento
Musicando os céus, e assim, o coloro
Com que júbilo planjo dobres portento
Me juntando aos anjos em um só coro
Sou crebros nobres, fé, no sacramento
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Abril de 2017
Cerrado goiano
Arte é tudo que o homem pode criar.
E a maior arte do mundo é a arte de amar...
By: Poeta Rogério Dantas!
Ninguém fala só com palavras, o olhar é um grande escritor...
By: Rogério Dantas!
Caicó –RN- 29/05/2015
O poder de um Beijo
Vou falar de algo bom.
Pois sem ele eu não me vejo
Traz um sorriso a face.
Deixar no olhar um desejo
Alegrando o coração.
Seja amor ou paixão.
Não se vive sem o beijo...
Autor: Rogério Dantas
Caicó-RN- 24/03/2015
Quero seus beijos molhados.
Da sua boca quero o calor...
Quero você em nossa cama.
Em mil noites de Amor.
Autor: Rogério Dantas!
DO POETA (soneto)
Do poeta o encanto aproxima manso
Cochicha suspiros na ádvena ilusão
Mergulha no ventre frágil do coração
Lastrando a inventiva num balanço
Do senso transbordam pulsátil rojão
Rematando a inspiração num lanço
Dando à alma asas e um remanso
Para com as mãos tocar a emoção
Torna à alma, e volta a navegar
Adentra com as formas de amar
Solitário, nos portais da criação
No silêncio, põe a vida a balançar
Balança com a vida a silenciar
E tem vida, na vida com paixão...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Abril de 2017
Cerrado goiano
ORAÇÃO (DO CERRADO)
Senhor, que és a diversidade, que és a vida e a morte!
O cerrado és tu, o por do sol encarnado és tu, o chiado do vento és tu.
Tu és a sequidão no lamento, do chão árido, agonizante em tormento, tortos galhos, tu és!
Tu és o mistério da folha seca no bale do fado, falta e aporte, desenhando a sua sorte.
Onde tudo parece deserto, tu habitas, eis a variedade e o concreto.
Onde nada está tu rege a tua toada.
Dá-me entendimento pra te seguir, nos teus passos os meu passos, amar sem desistir.
Dá-me água pra aguar a secura, e assim, ouvir-te límpido na vastidão do sertão em agrura.
Dá-me olhos pra ver, a benção dos ipês, escasso da chuva, e tão formosos e frondes.
Faze com que eu ame como a natureza, diversa, cada qual com a sua beleza.
Respeitando. Amando!
Que eu seja irmão e serva-te como pai. Adonai!
Torna-me seco para o pecado, e aquoso no amor, pra ser amado.
Torna-me fértil como a terra, afim, pra eu rezar tu em mim.
Que não haja cascalho nos caminhos do bem, onde a boa fé possa ir além.
Senhor, protege-me e ampare-me.
Dá-me alegria na melancolia, enfim,
pra eu me sentir teu, na tua glória.
Senhor, habitas em mim!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, abril. 05'40"
Cerrado goiano
paráfrase Fernando Pessoa
