Tag nuvens
Nunca pensei em te perder
Dia noite, noites dias
Futuro sonhado não realizado
Interrompido e afadigado com a tragédia de te perder
Perda precoce, olhar de despedida antecipado
Uma dor e um luto duradouro
Nunca pensei em te perder
Onde anda sua voz, seu sorriso, suas alegrias?
Onde anda seus sonhos, seus planos e seu eu te amo?
É um vazio escuro sem ecos.
São lembranças, são só lembranças
Não que me falte mais palavras,
pois quando é um luto eterno,
as palavras são nuvens.
Nas Nuvens?
Noite chegando...
Vem e me cobre, Deus,
Com o teu alvo manto.
E assim, sonhando,
No meu canto, eu canto.
como queria correr para o além, perdido em estradas sem fim, e quando estiver cansado, quando passar o brumo, encontrarei minha mãe e no seu colo chorar minhas dores, enxugar as minhas lágrimas, meu alento e sol aos poucos dentre as nuvens vai surgindo e o caminho se abrindo ao encontro da felicidade...
Acima das nuvens, o frio aperta, o vento canta, mas o sorriso é o verdadeiro abrigo. Cada passo na trilha é um lembrete: o topo não é só um lugar, é um estado de espírito.
TEMPOS DE AMOR
Hoje o dia amanheceu cinzento e ardor no coração
Tudo para estar certo e o sentimento é de prisão
Prescindindo de mim na empatia de alguma dor
Tentando abrir as nuvens para o sol de um amor
Por onde quer que estejas que te aflore natural
Sem pressa se apresente para Seres imortal.
IMPULSO
Bate forte peito a dentro
Não sei de onde tu vens
Sempre rogo estar pronto
Pegar impulso nas nuvens
Flutuar no teu encontro.
O amor nos faz crescer
E quando vem nos anima
Deixar ele florescer
É magia que fascina
Transbordando transcender.
Estava tudo calmo, até que avistei uma pantufa azul com nuvens brancas estampadas. Imediatamente olhei tudo que rodeava o meu quarto e que pudesse entrar em sintonia com essa pantufa. Estaria ela isolada da minha existência, ou algum motivo teria para me chamar tanta atenção? Comecei então a observar meu quarto, e notei que, assim como as cores daquela pantufa, meu lençol também é azul de bolinhas brancas. Olhei em seguida de forma mais abrangente o meu quarto, cenário onde passei os últimos momentos na infância e pré-adolescência, antes da partida para os insondáveis e misteriosos planos e objetivos profissionais. O local está exatamente como deixei. Abrindo a janela, esta que ainda é protagonista constante nos textos feitos durante as minhas férias, notei, nas montanhas, o mesmo verde de sempre. No ar, a mesma brisa que caracteriza o clima paradisíaco de Friburgo. Só o céu parece agora mais azul e com as nuvens mais brancas depois que parei para observar as pantufas. Ao lado da janela, o espelho de sempre; porém, o reflexo mudou. Percebo um corpo mais maduro pela idade, mas, mesmo assim, com o mesmo vigor de alma. E Isso me deixou mais ansioso, agora, para chegar até você. E vem daí a minha grande dúvida. Como tanta reflexão pode partir apenas da observação de uma simples pantufa azul com estampas de nuvens brancas? Tento sair então da redoma desse quarto e volto novamente à janela; e vem aí a incerteza de que nossos respectivos carmas se processem. E isso, por si só, já me faz vibrar, assim como acontecia nos tempos quando olhava minha infância nesse mesmo espelho, cheio de expectativas acerca do colégio. Então me pergunto: será que, por sentir essa sensação novamente, isso não merece uma continuidade? Por mais que eu pense a respeito, não encontro, por mim mesmo, o caminho para um esclarecimento, ainda que imperfeito, mas que traga um pouco de qualquer coisa. Dizem que a ânsia de exteriorizar o que sentimos por nós mesmos pode assustar as pessoas. Mas acho que não... Nada mais natural numa fase de adaptação de uma alma ainda em plano material. Nesse ponto divirjo de certos pensadores que afirmam que devemos ficar mais em paz com nossos pensamentos. Não concordo, repito. Estou certo de que uma reflexão sincera e vibrante é um pensamento em forma de prece e que pode atingir para o bem, de alguma forma, aquilo que nos inspira a refletir. Espero apenas deste mundo, que em breve possa encontrar respostas para estas dúvidas, decorrentes, certamente, de uma simples pantufa azul com nuvens brancas estampadas.
O azul incomparável do céu sempre está acima de nossas cabeças, ocultado apenas e às vezes por nuvens passageiras.
Nas nuvens meus pensamentos por vezes navegam e o pensar tresloucado não para de enviar mensagens para que eu fique por lá.
Nariz empinado, mão fechada e pessoas que desprezam o próximo é igual nuvens que não dão chuva, não fazem seu papel neste mundo e estão só de enfeite.
O homem volúvel está sempre mudando de sonhos, de metas e de desafios, porque suas decisões são mais instáveis que as nuvens do céu.
Como o vento leva as chuvas de vez em quando, assim é como nosso dinheiro quando é investido em negócio vão e sem paixão.
Seja como as nuvens:
Assuma formas o tempo todo, sem se importar se alguém já observou você
e principalmente... Sem mudar sua essência.
Existe uma verdade originária da mente, de um mundo criado por vós. Sem olhos de malícia na ilusão que ver, sombras de nuvens, em um eclipse lunar.
Pareidolia
Nas nuvens, um coelho,
feito de vento e migalha de céu.
A natureza inventa vida onde há silêncio,
e a mente, danada, faz enxergar.
Eu vejo contornos que nem existem,
ou talvez existam, porque os inventei.
Minha sina é dar nome às coisas que ainda não sei o que são
e bordar sentidos no que vi.
Um galho seco me acenou — ou talvez fosse um braço.
Ao lado, a bananeira, com dentes amarelos, sorriu.
As coisas criam sentidos quando alguém as olha sem pressa.
Dia desses, vi teu rosto numa poça d’água,
um rosto de luz, desses que não têm peso.
A poça ria de mim com suas bordas de lama,
igualzinho tu faria se me visse fantasiar.
E eu, feito criança, ri de volta.
Seria loucura, ou só o mundo brincando de ser?
Tudo acaba virando o que o olhar quer.
Asa de um lado só
Só tenho uma asa.
Um lado mudo de pássaro.
O céu me namora,
mas eu sou do chão.
Se tivesse duas,
voava em linhas tortas,
fazia rasantes no azul
e inventava nuvens novas.
Com uma só,
fico brincando com o vento,
sonhando ser passinho,
pés no chão e cabeça nos ares.
Quem sabe um dia,
no finalzinho da lida,
a asa murcha cresça
e eu, enfim, conheça o céu.
Minha asa pulsa,
como se já soubesse do infinito.
Uma asa é quase nada,
ou tudo — depende do corpo que sonha.
As oportunidades são como nuvens, nunca passa uma igual e as vezes somem, mas sempre reaparecem acompanhadas de outras.
