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Tive vontade de deitar na beira da trilha e me lembrar de tudo. Os bosques fazem isso com você, eles sempre parecem familiares, perdidos há muito tempo, como o rosto de um parente morto há muito tempo, como um sonho antigo, como um pedaço de música esquecida flutuando pela água, acima de tudo como eternidades douradas da infância passada ou a masculinidade passada e todos os vivos e moribundos e a mágoa que ocorreu há um milhão de anos e as nuvens enquanto passam por cima parecem testemunhar (por sua própria familiaridade solitária) esse sentimento.
Nem sempre a saudade representa motivos de tristeza...
Por vezes nos traz à lembrança momentos lindamente vividos...
Osculos e amplexos,
Marcial
A SAUDADE NOS FAZ LEMBRAR ALGO DE BOM
Marcial Salaverry
Nem sempre a saudade é triste, embora pareça ser óbvio que sentir saudade sempre será indicativo de alguma tristeza, mas nem sempre é assim, pois a saudade pode ser provocada por alguma alegria que já sentimos, algo de muito bom que já vivemos, e gostaríamos de um bis... Normalmente sentimos saudade de alguém cuja presença nos faz falta. Não é apenas de pessoas que se sente saudade, uma vez que podemos sofrer quando perdemos um animal de estimação, ou mesmo quando nos vemos privados de algum objeto que nos é muito caro, como por exemplo nosso tão querido computador...
Nossa querida L'Inconnue, diz que "Saudade é a feliz melancolia de uma ausência presente", e esta frase parece definir bem o que na realidade pode ser a saudade, muto bem definida pela expressão "feliz melancolia". Parece-me claro que só se sente saudade de algo ou de alguém que nos proporcionou alguma felicidade na vida, e que possa deixar esse sentimento gravado em nosso coração, e assim, nessas condições a saudade, se bem administrada, bem pensada, pode nos representar alegria, confirmando assim que nem sempre a saudade é indicativo de tristeza. Parece algo líquido e certo que, se esse sentimento chamado saudade se aninha em nosso interior, é porque tivemos bons momentos ao lado de quem nos deixou. Não iremos lamentar a ausência de quem nos tenha prejudicado ou causado tristeza, e isso me parece claro, pois seria um tanto de masoquismo sentir falta de quem nos fez sofrer, ou então que de alguma forma nos prejudicou e atrapalhou nossa vida.
Assim sendo, como transformar a saudade, de tristeza em alegria? É simples. Se tivemos momentos de alegria, de felicidade ao lado desse alguém, o que podemos fazer, quando começar a pintar aquela tristeza, aquela amargura de não termos mais a companhia querida, é simplesmente concentrar nosso pensamento, lembrando desses momentos felizes, e esse é um exercício mental que pode afastar a tristeza da saudade, embora pareça claro que não chega a ser uma alegria, uma felicidade, mas traz a "feliz melancolia da ausência presente". Ausência presente, sim, pois a lembrança de bons momentos faz com que se chegue a "sentir" a presença do ausente e assim, nos sentimos juntos ainda que distantes...
Tudo é uma questão de saber fazer esse exercício mental, já que é muito melhor curtir a lembrança de momentos alegres, do que ficar lamentando a ausência de quem queríamos ter ao lado. Há que se analisar ainda que, seja lamentando a ausência, seja curtindo a lembrança de bons momentos, a vida vai continuar, o mundo vai continuar girando, o sol, a lua e as estrelas vão continuar a existir. Então, por que não viver melhor? Por que insistir nas lamentações? Bola pra frente que atrás vem gente, e com um sorriso nos lábios, e outro na alma, vamos vivendo... Assim sendo, com pensamentos positivos, com lembranças boas na cabeça, tudo nos parecerá melhor, e será mais fácil suportar a ausência dessa pessoa querida. Por exemplo, quando existe a necessidade de nos afastarmos da pessoa que amamos, ao invés de lamentar esse afastamento, e derramar lágrimas de tristeza, sugiro desviar o rumo dos pensamentos, lembrando-nos apenas dos momentos de amor vividos juntos. Não parece bem melhor "puxar" a lembrança para esse lado? Então crianças vamos sempre transformar a saudade, de uma tristeza, para uma feliz nostalgia... Podem ter certeza de que com essa mudança de linha de pensamento, a vida parecerá melhor. Garanto.
Com essa idéia, quero desejar a todos UM LINDO DIA em cada dia de nossa vida, sempre juntos ainda que distantes...
Pelo menos, ainda tenho aqueles áudios seus, para que da sua voz eu não me esqueça.
Tolice, sei que de todo o resto também não vou...
A gente precisa lembrar todas as coisas que a gente já fez e as coisas que a gente quer fazer.
Demora, mas chega.
Passa, para.
A vida é um ciclo,
está em constante
mudança.
Um dia, tudo vira
lembrança.
TEMPO DE CRIANÇA
Guardo na minha lembrança
as antigas brincadeiras.
Era grande a gritadeira
lá na minha vizinhança
no meu tempo de criança.
Jogar bola e pedalar,
fazer a pipa voar,
soltar forte o peão,
tudo na recordação...
que vontade de voltar!
Quando a gente é criança,
não sabemos de maldade,
cultivamos amizade,
e não fazemos cobrança...
a vida é uma festança!
Poderíamos crescer
sem nunca ter que perder
nossa velha inocência,
levando a nossa essência
enquanto a gente viver!
Viver é colecionar
cada acontecimento,
é juntar cada moeda
de alegria ou lamento.
Fica tudo bem guardado,
sem poder ser reusado,
no baú do esquecimento.
A amizade que se forma nos tempos difíceis é provada na lembrança dos dias bons, qualificada pela ação do tempo e fortalecida com a intencionalidade.
Me arrumei, coloquei aquele perfume e ao abrir a porta, lembrei que você não vai estar lá, assim preferi dormir e com você sonhar.
DE LEMBRANÇA EM LEMBRANÇA
Recordo os versos de amor versados
Aqueles melados nas odes de paixão
Os belos versos, no tempo, passados
Tudo quanto de bom numa inspiração
A minha poética dos poemas alados
As tive, outrora, e agora a sensação
De evocação dos sonhos sonhados
Que ainda velo cá dentro do coração
E o realce passa, e tudo caminhando
Ao bardo o sentimento, assim, sendo
Suspirando, tal a velha prosa rimando
De lembrança em lembrança trovando
E, de saudade em saudade, querendo
Por aonde Deus permitir, até quando!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
02/02/2021, 05’00” – Araguari, MG
Inesquecível é o perfume, o toque, o sabor que, resgatados na lembrança, aquecem e iluminam a alma.
Sabe aquele sonho
que se sonha
e não se lembra de quase nada?
Tive um essa noite.
E de todo o sonho,
só me lembro de uma coisa:
Você, amada.
Existe uma frase que diz: "Quem não é visto, não é lembrado"
Para mim soa exatamente o oposto: "Se não sou lembrado, não sou visto"
O problema das lembranças é que, às vezes, elas nos fazem perceber que o passado era melhor do que o presente.
Tempo!
Tempo presente e tempo passado: é necessário depender somente de Deus, sempre. O tempo se vai com o tempo e as dores das lembranças também. Deus providencia o tempo perfeito: para fazer, para lembrar, para esquecer, para não doer, para agir, para viver.
“Não endeuse horários. Confia em mim , diz o Senhor.”
Adore a Deus e não seus recursos humanos para conquistar coisas. Se Deus não abençoar, de nada valerá o teu esforço. 
Não se cobre pelo que deixou de fazer, pois nesse momento você fez outra coisa mais importante. Se você dormiu até mais tarde, você cuidou do seu corpo que é templo do Espírito Santo e Deus há de preencher todas as suas necessidades no tempo perfeito sem que se perca nenhum segundo do seu dia.
Creia que Deus provê para você tudo o que é necessário. Adore a Deus e não as ações e atividades que você planeja, pois nossos planos nem sempre correspondem aos planos de Deus.
“Então, dali, buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então, no fim de dias, te virarás para o Senhor, teu Deus, e ouvirás a sua voz. A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro há, senão ele” (Dt 4:29-30,35).
A lembrança é algo que está na nossa mente. Podemos rasgar papéis, panos, fotos etc., mas não podemos rasgar as nossas lembranças que se manifestam nas nossas mentes.
No momento dessas lembranças em que algumas nos desagradam, precisamos saber que é Deus quem rasga as tristezas ou desgostos provenientes delas, mas não elas, pois o mais importante não é esquecê-las ou apagá-las da memória, mas, ao lembrar delas, não ser afligido por elas, não sofrer por causa delas, não ser atingido pelo passado, e sim ser livre das dores passadas porque já não são mais.
