Tag inferno
Seria interessante se o paraíso tivesse os dois extremos, céu e inferno, com uma escadinha para subirmos e descermos quando sentíssemos vontade.
As erradas é que têm pimenta.
As certinhas não têm sabor.
As erradas me levam ao Paraíso.
As certinhas podem fazer de minha vida um inferno.
As erradas são ousadas, conquistam o mundo!
As certinhas querem é ser conquistadas.
As erradas têm mente e espírito livre, vão sempre mais além.
As certinha vêm o mundo quadrado, estão sempre muito aquém.
As erradas são a escolha certa.
As certinhas não me interessam.
Entre parágrafos e hiatos, nada como um dia após o outro, um passo de cada vez e 3 verdades absolutas (já citadas pelos poetas): O inferno é individual e intransferível; Uns tem preço, outros tem valor; Vida vazia, vida que pesa...
Não posso te mostrar o inferno
Você está constantemente no céu
Mesmo assim, que seja a ultima coisa
Que você queira ver na vida.
Eu estou aqui, gritando, até os demônios
se assustarem
Eu estou aqui! Você pode me ver?
Claro que não.
É uma escuridão só, é um gemido sem fim.
Você só enxerga o que tem luz, e isso, eu não posso te dar
Mas pelo menos se você souber rezar
Reze para eu sair daqui
E eu irei te matar, no meu coração.
Eu não aguento mais...
Não mais...
Nunca mais...
Se os meus antidepressivos funcionassem
Talvez o mundo fosse mais fácil
Mas eu já me viciei, e isso
é mais um buraco pra que eu possa cair
Se eu não acordasse mais, você iria se importar?
Eu sou somente um cisco que entrou no seu olho
Incomodou, e agora já fui retirado
Não queira saber onde eu fui parar
Existe alguma esperança?
Já não suporto mais esperar
Tantos anos
Você não tem culpa de nada
Só precisava desabafar, desabar, enfim
Desaparecer.
Espero não te encontrar novamente.
Talvez eu fique feliz em te ver
Mas é mentira, só estou me fingido de forte
E você sabe disso.
Somente me deixe no silêncio
eu não aguento mais
Não mais.
Nunca mais.
"Desamarre minhas mãos, eu sou um pecador, eu sou um homem"
Mais uma vez luto para sair do inferno
Eu pequei, eu entrei por que quis
Quase que inconscientemente
A paixão não perdoa
Nem eu vou me perdoar, por toda vez cair
Na mesma armadilha.
Seja feliz querida, e não olhe para trás.
Não é aconselhável mandar para o inferno quem merece estar lá, pois se corre o risco do dito cujo não gostar e volver para atenazar os outros. Melhor é desejar que o inclassificável seja feliz no paraíso e aí fique pela eternidade.
Quem, única e exclusivamente ao nascer, foi mandado para o inferno e saiu bem e por conta própria, tem duas opções: Esquecer e seguir em frente ou voltar para ajudar os que lá ficaram.
Estes últimos dias foram mobilizadores. Talvez porque voltei a encontrar-me onde quem sabe, nunca deixei de estar. Neste pequeno espaço, dentro de mim mesma, em silêncio, observando como tudo lentamente se destrói. Meu mundo. Não é que eu não queira fazer nada à respeito, mas acho que não sou suficiente comigo mesma. Isto parece uma guerra entre mais pessoas do que apenas eu. Na verdade, quando creio que chegamos em um chão frio e intermediário, bastam poucos segundos, diria que sete, para que tudo arda em chamas. Me recordo desse episódio, anos atrás. Eu estava com o meu pai em uma livraria e ele olhou para mim, com aquele toque de tristeza que eu acho que herdei dele, observando-me como se não me conhecesse, como se não pudesse alcançar-me, como se estivesse competindo em uma corrida na qual sabia que nunca iria ganhar. Em seguida, atreveu-se a perguntar-me o que eu nunca pensei que poderia:
– “Por acaso não queres viver?” .
Às vezes eu me pego pensando neste momento. Eu olho para trás e não sei se estou muito longe de lá. Com o olhar frio e distante, sorrindo, mesmo que por dentro esteja morrendo. Imersa em meu próprio inferno. Saí daquele lugar, mas nunca fechei essa porta. E este momento me pegou como um morcego, golpeando-me forte a cabeça. Sou a minha própria heroína e não necessito ser salva. E aconteça o que acontecer, se algo chegar a me arrastar, não será nada mais do que meu próprio veneno.
Onecina Alves
O bafejo quente dos bueiros após a chuva me faz acreditar que o Inferno existe. Talvez a alma seja algo físico de indefectível substancialidade, algo materialmente inefável que capte vibrações que vão além das evidências óbvias da matéria, informando, através das sensações, suas inaceitáveis conclusões.
Você sabe o que é o inferno?
Não é fogo ou demônios, todas aquelas coisas que nos ensinaram quando crianças, criamos nosso céu e inferno enquanto estamos vivos, todas as vezes que causamos dor e sofrimento.
Samir Alves - Fragmentos da minha vida.
Inferno.
Fui batizado, estudei alguns anos em colégio de padres, fiz curso de catecismo e primeira comunhão. Sou católico.
Católico, temente a Deus, pouco praticante e às vezes acho que o inferno é aqui na Terra.
Não que a minha vida seja ruim, aliás, pouco posso reclamar, mas olhando para gente menos privilegiada, mais perto da verdadeira realidade, cada vez acredito mais em Deus, menos nos homens e torço que a entrada e permanência no inferno seja por merecimento e tenha uma certa gradação, porque se houver pouca diferença no castigo, a injustiça só vai continuar.
Eu costumava pensar que o inferno era um lugar repleto de fogo e ódio, hoje eu sei que não é nada disso. É vazio, apenas vazio e nada mais. Não existe nada, a solidão se mistura com os seus cacos, num silêncio irretratável e ensurdecedor. E você é o único que sabe a saída desse reino infernal, você é o único que conhece seus medos a ponto de afugentá-los para longe.
Não dá para saber se o mundo é um réquiem ou uma parte do inferno. Nós temos lugares agradáveis, mas nem sempre possuímos ótimos amigos. Como saber se às vezes não somos apenas um tijolo no muro sustentando um ego vazio? Por trás do sorriso das pessoas, sempre existe algo frio que não condiz com aquilo que pensam sobre nós. Sempre há alguém pintando uma parede com todo o ódio possível, nunca se achando bom o suficiente para continuar. Sempre existe alguém se remoendo no chapisco de um muro, procurando vida entre os cacos que cortaram durante um dia inteiro. Sempre há alguém procurando uma pessoa perfeita, encontrando-se numa milha milagrosa de ilusão. O chão do seu quarto torna-se um abismo, transgredindo sua falta de vida e a atenção que ninguém soube te dar. Atenção que não se implora, mas que se abre no peito igual uma ferida acesa pelo tempo. Todos nós queremos ser algo para alguém, sem sequer dizer ou demonstrar isso. E depois de tanto suportar, mudar, chorar, rir, gritar ou sufocar, você entende que precisa se amar enquanto é possível. Entende que falar sobre desconfianças gera apenas mais dúvidas e que não se apegar é a melhor forma de sobreviver. Tudo que é demais pesa e agir de menos não leva a lugar nenhum. Quando tudo passa, percebemos que era inútil se preocupar tanto por algo banal. Afinal, você estava chegando ao fundo do poço sem saber que sempre existe mais um palmo para se afundar.
Eu tenho um lado bom e ingênuo. Um lado emotivo e amigo que confia nas pessoas, embora, nunca irá obtê-lo de primeira mão. Aprenda, mãos que acariciam também podem lhe roubar, e não é tão simples recuperar os pedaços dispersos de quem você é. Então, espere, não jogue a chave no primeiro abismo que encontrar, dificilmente alguém irá buscá-la por você. Não deixe que um segundo no inferno estrague alguns meses no paraíso.
Não acredite nos poetas, o amor não é tão doce assim. Ele chega como brisa te levando para o céu, mas essa mesma brisa mansa às vezes se transforma em tornado e te arrasta pro inferno.
