Tag borboleta
Meu instinto não é ser lagarta,
tenho mesmo é alma de borboleta!
Indiscutivelmente nasci para voar;
onde pousar? Não sei, a vida dirá
ou talvez nem vá, pousar!
Porque indo, vou sempre estar.
E eu cheguei de manhã no estacionamento e meus olhos procuravam beber das mesmas flores de ontem, mas hoje elas estavam murchas e sem graça, eram apenas mato pelo batente da parede. Que triste é um milagre de cores e fantasias se tornar indigno de atenção, aliás indignado estava eu, como podem durar tão pouco? Ouvi alguns passarinhos cantando em mim:
"O mais belo rosto do mundo está construindo em cada minuto sua velhice miserável, seu irresistível, e cada vez mais próximo fim." Cecilia Meireles
"... dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível." Chorão
Bom, elas eram belas e discretas (como eu gosto), invisíveis pelos cantos construindo suas cores, suas flores. Desabrocham como um raio de sol que beija o orvalho da manhã, e suas cores faiscavam como estalinhos de São João. Meus olhos eram obviamente as fogueiras que queimavam de admiração. Mas tudo se acabara, ainda olhei mais três vezes para ter certeza que meus sentidos não me enganavam, por saudade e por esperança. Segredei-lhes baixinho - Quando irão florir de novo? - Eu, as borboletas e os passarinhos temos olhos ansiosos para fazer festa.
Olhei outra vez e percebi que as flores estavam na verdade fechadas (desdesabrochadas?), talvez para se esconderem dos amantes mais ferozes que seriam capazes de arrancar flores e jurar amor eterno, (pois a lua e as estrelas não podem roubar, é cosmicamente proibido!)
Com o passar da manhã, o sol expulsava o que restou do frio da noite e as flores se abriam, tão devagar quanto as nuvens que se arrastavam no céu, cada pétala parecia recém pintada. Não vi qualquer espinho esbelto e pronto para apunhalar, mas não a toquei, o ato de tocar nas flores pertence às borboletas que também desabrocham, são flores voadoras.
Borboleta de cristal
Caminhando por uma plantação de girassóis vi uma borboleta cor de cristal passar e ela refletia tudo a sua volta no seu voo, desde o brilho do sol, a cor amarelo forte dos girassóis e o teu belo rosto com tom suave de rosa.
Quando é que realmente A vida começa? Que vida, a minha?
Talvez algum dia eu saiba a resposta, por enquanto vou sonhando colorido pintando asas frágeis e libertas, de uma mulher borboleta na tentativa de conquistar o tempo.
Tempo esteque traz em seu embornal idades, que poderão tingir de um castanho cansado, as folhas ainda tenras dessa biografia. Porque um dia essa borboleta não voará tão alto como antes, mas certamente deixará mensagens no epílogo de sua velhice.
Abraça borboleta,
Chega e abarca,
Fica bem perto para sussurrar segredos que são só nossos,
Catarata!
Borboleta flor,
Voa,
Leve,
Colore,
Brinca com o espaço,
Envolve o tempo,
Humaniza meu olhar,
Flor borboleta,
Mariflor
De teus olhos voam borboletas
E plantinhas crescem em tua mão
O que imitas? O que interpretas?
Branquinha como um dente-de-leão
Seria Mariana essa flor discreta?
Levada pelo vento em qualquer estação
Cujo destino é colorir os versos do poeta
Uma canção
Uma musiqueta
Sobre a flor, o vento e a explosão
Como mil faíscas de um cometa
Ovo, larva, pupa e estágio adulto: a alternância entre as fases de uma metamorfose segue um padrão linear de duração, variando insignificantemente em dias, que se tornam meses e assim uma diferente existência emerge do casulo que abrigou temporariamente um ex-alguém. Me valendo mais uma vez em puro caradurismo da mecânica do mundo, roubo para mim a semiótica e afirmo com provas e convicção que o que nos resta do passado é a pavorosa lembrança de quem fomos há um milésimo de segundo (caso prefira, converta esse tempo à duração que lhe convém). A essa altura do campeonato, se me sobrou um resquício de decência, só me resta admitir o ódio inerente àquela garotinha estragada que acreditava ter o mundo em mãos, mas nem sequer era capaz de administrar os próprios devaneios. Bom, não que isso tenha mudado drasticamente de lá para cá, mas convenhamos que as medicações aparentam surtir um melhor efeito. Apelando (como de costume) a pieguice, dou sinal verde às minhas lágrimas, e que desçam em um tom cinematográfico por essa cara maldita que não passou um dia desse ano hediondo sem levar uma boa bofetada da vida! É, há um ano eu caminhava ao entorno de um parque enquanto levava rajadas de ventos que me desnorteavam em meio a um frio meia-boca de quatro graus, agora me sento no telhado com uma bebida usurpada do armário de meus pais escutando à pavorosa sinfonia de rojões que não tem nenhuma utilidade além de acelerar meus batimentos cardíacos e impulsionar o negativismo que me lembra o calor insuportável que terei de aguentar amanhã. Neste momento deveria estar pensando em como abordarei os acontecimentos traumáticos de dois mil e dezenove nos próximos dez anos de sessões semanais de psicanálise, mas estou escrevendo como uma artista falida mantida pelos pais (sim, é isto o que sou). Afinal de contas, nem os pobres textos escaparam de todas as tragédias, há tempos não vomito a podridão que me faz de hospedeira em um texto melancólico e grotesco, já que por motivos desconhecidos tudo o que escrevo adquiriu um caráter erótico e esporadicamente crítico, minha esperança é de que sejam os tais hormônios os culpados, aliás. Enfim, nessas horas vale a pena citar meu bom e velho amigo Belchior e dizer que ano passado eu morri, mas neste ano eu não morro (espero, não suporto hospitais).
LIÇÕES DE BORBOLETAS
Escrevo sobre borboleta
De tanto sobrevoar jardins
Tem flor no olhar
E possui pureza nas asas
Trava uma luta contra as paredes do casulo
Até aprender todos os caminhos do vento
Ainda enfeita de cores o sol quando ele a vem queimar
Não usa Margarida contra Rosa
Nem tem inveja de beija-flor
Dos aprendizados adquiridos por humanos
Não absorveram lições de borboletas,
Tampouco sabem ser livres.
"No meu pé de laranja tinha uma lagarta.
Ainda casulo, em breve borboleta.
Poucas vezes vi tão curiosa beleza!"
O CASULO
Independente do tempo que você passe nele, sentirá como se fosse um infinito. Terá em si, em diversificados momentos, todas as variações térmicas existentes. Um frio intenso causado pelas dores mais profundas da alma. Um calor insuportável, causado por uma raiva inexplicável pela injustiça que lhe causaram. E até um certo conforto, de temperatura amena, causado pelo invólucro das aprendizagens e do crescimento. Emoções, as mais intensas, vindo à tona. Misturadas, confusas.
Você questionará tudo, e não entenderá a necessidade de tamanha dor. Cada dia você sentirá algo ao se olhar no espelho, raiva, carinho, desprezo, dúvidas, rancor, alegria, ternura, pois, para nos reconhecermos como realmente somos, faz-se necessário muitos e muitos mergulhos em nossas próprias almas.
No casulo é perfeito, por que você está preso em si mesmo, É obrigado a olhar seu reflexo todos os dias, durante o processo. Além do mais, estará sozinho, pois, não cabem duas pessoas em seu espaço de metamorfose. Entenda, não adianta pedir ajuda, nesse pequeno espaço só cabem você e sua autocura.
O momento mais doloroso, sem dúvida, será o seu nascer de asas! Elas só nascerão se você tomar doses diárias de aceitação, de auto perdão e do liberar perdão, amor-próprio e novas aprendizagens. Suas asas lhe darão um novo olhar, novas e intensas cores na alma e uma exuberante beleza ao fim do processo.
Muitos já são borboletas e não conseguem sair deste alvéolo, alguns já saíram e estão aprendendo a voar. É inexplicável o ar que se respira depois de passar por tanto sofrimento, e é lindo o seu reflexo no espelho resultante de suas merecidas asas!
O processo da metamorfose é inevitável, doloroso solitário e único.
Certamente você já esteve ou estará no casulo…
Você será ou já se tornou borboleta…
Então… Aguente firme, se perceba e voe!
Todos conhecem aquilo de uma borboleta bater as asas na África e, meses depois, passar um furacão em Miami. Se desconhecem, pesquisem. Significa que as coisas que parecem não ter relação, na verdade, têm.
Alma de borboleta
Não sou uma lagarta a espera da metamorfose... Tenho asas que me levam aos jardins que eu desejar.
no sino do templo
dorme
uma borboleta
De todas as agonias possíveis,
posso afirmar que:
a felicidade é completamente individual.
Por que quando a face olha as horas,
é o tempo que está aceitando o indivíduo;
já que nele não cabe mais nenhum minuto que sobra.
E tudo que resta, são os segundos que me deteriora.
Em meu relógio no punho que não sabe mais ver as horas.
