Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Titereiro sai pra lá
A cada minuto que passa
Certeza eu tenho em mim
O destino é uma trapassa,
se ele é titereiro de mim!
O palco é a vida
As luzes são do sol
Em dito da verdade,
ninguém manda em mim!
Titereiro sai pra lá
O meu destino eu quem faço
Tchau! Um beijo e um abraço!
Os meus pés tenho no chão,
mas, não dispenso
uma nuvem de algodão!
Sonho com príncipe encantado
Com noite de lua prateada
e céu estrelado!
Titereiro, meu destino...
Sou eu quem traço!
Então, tchau!
Um beijo e um abraço!
AH, O AMOR!
A resposta é "sim"
Para a pergunta que você não fez,
Para a dúvida que te deixa "talvez",
Para as especulações que eu montei.
Sim.
A resposta é "sim".
Nos amamos.
Nos entregamos.
Nos reencontramos.
Sim.
Foi diferente.
Foi caliente.
Foi envolvente.
Sim.
Senti desejo.
Senti remorso.
Senti medo.
Como é cigano o amor!
Como é forte o fervor!
Como indecorosa é a solidão!
Como doída é a paixão!
Nos perigos de desabrigos
Há infinitos esconderijos,
E, em cada canto (in)seguro,
Vi um passado tão maduro!
Seja amor ou solidão.
Seja isolamento ou paixão.
O que estava adormecido
Esteve hoje renascido.
E... agora... eu me culpo!
Sem ter nada a te dizer,
Contigo eu me desculpo,
Por não me ver entristecer.
Nara Minervino.
Aprendi que:
Tem escolhas que não leva a lugar algum, assim como existem decisões que mascara qual melhor rumo ou direção a tomar, que mentir nunca foi a melhor opção,adiar ou atropelar sonhos não e sinal de fraqueza, aprendi que dinheiro nenhum no mundo paga uma boa noite de sono que correr nunca foi garantia de sucesso na chegada,
Que a sabedoria adquirida com o tempo e a chave prá seguir em frente nessa longa e dura caminhada.
Que viver simplesmente viver e a melhor escolha pra construção da minha longa e própria estrada.
Hip hop da galinha
Hei, hei saca só...
uma galinha falou:
- Pó pô pó?
A outra disse:
- Pó pô!
Foi o pó pro coador
depois foi a água quente,
a galinha fez...
um café pra gente!
O café botei na xícara
tomei enquanto é quente,
pois, se esfriar...
Tomar...não há
quem aguente!
Depois que tomei café
fiquei feliz e tão contente
ajeitei o meu cabelo
de um jeito diferente!
Com cabelo ajeitado
meio caído de lado
fiz uma dança,
de caráter requebrado!
Dancei no chão
girei feito um pião
me equilibrando
em cima de uma mão!
E pra acabar levantei,
dei uma cambalhota,
ajeitei o cabelo
e sai pela porta!
Da porta enxerguei
um mundo diferente,
só porque a galinha fez...
um café pra gente!
A teoria da propriedade
O direito privado da posse da terra,
que cercou o espaço do mundo
foi que apossou da Terra de Deus!
A dona sem pedaço é a Terra de fato,
se pegou e ninguém contestou,
se tornou seu dono e apropriou
porque a Terra não falou nada!
Pega, pega logo o que é de todos,
coloca a cerca com tiro e bomba,
levanta o muro, cerca tudo e vigia...
levanta o muro do mundo o aço!
Olha o aço! Olha o ferro duro!
Olha o furo da bala e do canhão!
Olha o latifundiário!
O presidiário sem pedaço de chão!
No cemitério se fala sério
todo mundo tem uma cova pra ficar!
parece apertado para o deputado,
pro político, pro rico!
Para o pobre é muita terra!
Para o pobre é a Terra seu pedaço
e sem ela ...no final,
cada um ganha um teto,
pra servir de lugar,
deitar o corpo pra descansar!
Maria Lu T S Nishimura
Eu semeio... Tu florescesses... Nós germinamos... Elas nascem, crescem, multiplicam. Assim o Ciclo da Vida. Inseminar, germinar, florescer, polinizar...
(Juares de Marcos Jardim - Santo André / São Paulo - SP)
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
Atrás de uma mulher forte, habita uma menina que soube se reinventar.
Marilina Baccarat De Almeida Leão
Escritora brasileira premiada no Brasil e no exterior
Favo de mel
Ah! Se você me quer feito louco
Me enche de prazer!
Muito é mais que pouco
Eu estou contigo neste mesmo querer!
Vamos mergulhar nesta paixão;
Me aquece no seu calor;
Nós dois no mesmo compasso da emoção...
Somos a sincronia perfeita do amor!
O desejo é feito fogo em chamas
No seu amor me afogo, e tu me amas
Neste ápice de ilusão vamos voar
E fazer do universo inteiro um leito para amar!
Ah! Coração aguenta está loucura!
Com você sou só doçura
Sou seu favo de mel,
Sou o sinônimo da aventura
Em nuvens coloridas à alcançar o céu!
Neste sonho somos apenas ilusão
Somos dois apaixonados amando
Vivendo a mesma fantasia lado a lado
Deixando o amor explodir dentro do coração!
Maria Lu T S Nishimura
Fostes tu
Fostes tu minha inspiração
Fostes tu minha razão
Fostes o meu mais belo sonho...
Fostes razão dos versos que componho!
Agora, sou apenas eu
Minha espera de ti se perdeu
Fostes e ficastes para traz,
Resgatei minha paz!
Olhares, suspiros e desejos vãos
Abraços em nó deslaçados e nãos
Cansei de ti e deixo-te aí no chão,
Cansei de magoar meu coração!
Meu amor é desejo e muito mais
e em ti cancelei todos os ais!
Agora tenho minha paz...
Pois encontrei outro rapaz!
Maria Lu T S Nishimura
Chega de blá, blá, blá
Chega de blá, blá, blá
Enrola tua língua
Vê se pare de enrolar!
Tá cansando essa falação
Todo dia, essa enrolação
Fica esticando a notícia com que intenção?
Blá, blá, blá...
Tudo pode ser informação
Mas, também pode não ser não!
Tá mais com cheiro de vaidade,
que se beneficiando da liberdade
quer manipular a população!
Notícia não é apelação
Notícia não é enrolação
Notícia não é arrastão
pra arrastar a população!
Eleva o mérito
Eleva o êxito
Eleva o nível
É possível!
Atacar o tempo todo
É- me no mínimo ato da conspiração
com intento escondido
pra confundir a população!
Maria Lu T S Nishimura
Caipirinha da cidade
Caipirinha da cidade não sou eu
Caipirinha da cidade já morreu
Fui cabloca lá do morro
Da minha origem eu não corro
Da colheita fiz fartura
Trabalhei com compostura
E pra cidade me mudei!
Sei que de caipirinha me chamou
Do meu jeito até zombou
Mas, o tempo passou e aqui estou
Cidadã do mundo é o que eu sou
A caipirinha da roça a vida transformou...
Bati o limão e a pinga e tu o açúcar colocou!
Fiquei doce, doce, e todos gostam assim
Sou caipirinha da roça, sou sim!
Não sou a caipirinha da cidade,
mas em qualquer tristeza boto fim!
Maria Lu T S Nishimura
DE QUANTO TEMPO?!
De quanto tempo a gente precisa
Para entender que a vida não é um teatro,
Que as pessoas não são panos de prato
E que há sentimentos sentidos de fato?!
De quanto tempo a gente precisa
Para entender que o futuro é agora,
Que a vida não espera a boa hora
E que o tempo passa logo, sem demora?!
De quanto tempo a gente precisa
Para aprender a fazer empatia,
Para saber que nem toda dor irradia
E concluir que no sorrir não há só alegria?!
De quanto tempo a gente precisa
Para aprender a amar sem sofrer,
Para aprender a perder e vencer
E crer no dia que vai amanhecer?!
De quanto tempo?!
A vida é uma só!
O tempo também!
Por que uns aproveitam melhor
Todo o tempo que têm,
Enquanto outros sequer enxergam
As oportunidades quem lhes veem?!
Oh, quanto tempo se perde
Desperdiçando-se o tempo que não se tem!
Nara Minervino.
HOJE AINDA É DOMINGO
Hoje é domingo,
Pede cachimbo
Que é feito de barro
E melhor que cigarro.
O cachimbo de barro,
Melhor que cigarro,
Esbarra no jarro
Que é feito de ouro.
O jarro de ouro
Que brilha e acende
Atraiu o touro
Que é tão valente.
O touro valente,
Porém assustado,
Bateu bem na gente
Que é muito fraco.
Por causa do touro,
A gente que é fraco
Caiu no buraco
Escuro e profundo.
Por ser o buraco
Escuro e profundo,
Perdemos a luz:
Acabou-se o mundo!
Nara Minervino
REENCONTRO
Quis escrever sobre mim. Não me achei.
Fui me procurar. Não me encontrei.
Eu estava perdida entre as minhas ilusões.
Entre os sonhos e devaneios deixei minhas sensações.
E, na ausência de quem fui, fui, de mim, um divã.
Meu afã.
Eu fui minha própria vilã.
Não!
Não foi possível ser eu!
Tão longe de mim eu estava,
Que aos poucos eu não me encontrava.
Alucinei. Gritei. Esbravejei.
Fiz baderna, algazarra.
Eu chorei.
Ganhei forças, reagi, resisti.
Voltei à tona.
A mim reencontrei.
E eu me amei.
E no amor entre mim e quem sou,
Descobri que só sabe de si
Quem verdadeiramente amou.
Nara Minervino
EU ASSIM
Fiz pedaços de mim e me distribuí inteira.
Já não sou mais sozinha.
Em cada canto da cidade eu existo,
Eu resido,
Eu vivo.
Sou assim:
Metade inteira e metade completa.
Não sou por acaso.
Sou o meu próprio suado.
Sou o meu intenso,
O meu avesso e o meu relento.
Em cada parte que me dou,
Eu penso
Em ser um pouco do que sou
E do quem já não estou.
A quem me entrego inteira
Sou a história primeira.
Sim!
Sou essa mesmo, assim:
Assim meio eu,
Assim meio outra,
Mas verdadeira,
Faceira
E louca!
Nara Minervino
SOLIDÃO
Sem você, tudo é
Opaco. Minha
Liberdade sente-se
Inundada de uma
Decisão (in)voluntária de estar
Agarrada e presa à saudade do teu
Ostentoso abraço.
Nara Minervino
