Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
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Os homens têm geralmente saúde quando não a sabem apreciar, e riqueza quando a não podem gozar.
Os homens desejam ser escravos em qualquer parte e colher aí a força para dominar noutro sítio.
É tão fácil sentir a felicidade como é difícil defini-la.
Uns homens sobem por leves como os vapores e gases, outros como os projécteis pela força do engenho e dos talentos.
Não é raro aborrecermos aquelas mesmas pessoas que mais admiramos.
Afinal de contas, atribui-se preço bem alto às suas conjecturas quando se cozinha um homem vivo por causa delas.
Não há ofensa que não perdoamos, depois de nos termos vingado.
A ambição individual é uma paixão infantil..
O amor começa pelo amor; não se pode passar de uma forte amizade senão para um amor fraco.
Somos tão responsáveis por amar sempre como o somos por nunca amar.
Não haverá, entre um espírito que abarrota de invenções alheias e outro que inventa por si próprio, a mesma diferença que vai de um recipiente que se enche de água à fonte que a fornece?
Não pode haver graça onde não há discrição.
É, por vezes, mais difícil governar um só homem do que um grande povo.
Raramente nos consolamos das grandes humilhações; esquecemo-las.
Ordem social é limitação de liberdade; desordem, liberdade ilimitada.
Quando moços, contamos tantos amigos quantos conhecidos; porém maduros pela experiência, não achamos um homem de cuja probidade fiemos a execução do nosso testamento.
A longo prazo uma profissão é como o matrimônio; apenas se sentem os inconvenientes.
O nosso espírito é essencialmente livre, mas o nosso corpo torna-o frequentes vezes escravo.
Aprovamos algumas vezes em público por medo, interesse ou civilidade, o que internamente reprovamos por dever, consciência ou razão.
Não há poder. Há um abuso do poder, nada mais.
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