Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
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O sábio que não fala nem escreve é pior que o avarento que não despende.
O erro é a noite dos espíritos e a armadilha da inocência.
Um versificador não considera ninguém digno de ser juiz dos seus versos; se alguém não faz versos, não sabe nada do assunto; se faz, é seu rival.
Há homens que hoje crêem pouco ou nada, porque já creram muito e demasiado.
Quem não pode ou não sabe acumular, nunca chega a ser sábio nem rico.
Os maus não são exaltados para serem felizes, mas para que caiam de mais alto e sejam esmagados.
O que se aprende na juventude dura a vida inteira.
É um gládio perigoso o espírito, mesmo para o seu possuidor, se não sabe armar-se com ele de uma maneira ordenada e discreta.
O trabalho involuntário ou forçado é quase sempre mal concebido e pior executado.
Ambos se enganam, o velho quando louva somente o passado, o moço quando só admira o presente.
A vida reluz nos olhos, a razão nas palavras e ações dos homens.
O remorso é no moral o que a dor é no físico da nossa individualidade: advertência de desordens que se devem reparar.
É verdade que, por vezes, os militares, exagerando da impotência relativa da inteligência, descuram servir-se dela.
Uma nuvem sobre a alma cobre e descobre muito mais a terra, do que uma nuvem no horizonte.
Quando desejamos pomo-nos à disposição de quem esperamos.
A avareza contribui muito para a longevidade, pela dieta e abstinência.
Querendo parecer originais, tornamo-nos ridículos ou extravagantes.
Deixamos de subir alto quando queremos subir de um salto.
O louvor não merecido embriaga como o vinho.
Para mandar muito tempo e absolutamente sem alguém é indispensável ter a mão leve e, nunca lhe fazer sentir, por pouco que seja, a sua dependência.