Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
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O governo é como toda as coisas deste mundo: para o conservarmos temos de o amar.
O muito torna-se pouco com desejar um pouco mais.
Todo o espírito que existe no mundo é inútil para quem não o tem; ele não tem perspectivas sobre nada e é incapaz de aproveitar as dos outros.
A longo prazo uma profissão é como o matrimônio; apenas se sentem os inconvenientes.
A solidão liberta-nos da sujeição das companhias.
Os ricos pretendem não se admirar com nada, e reconhecem, à primeira vista, numa obra bela o defeito que os dispensará da admiração, um sentimento vulgar.
Se a vida é um mal, por que tememos morrer; e se um bem, por que a abreviamos com os nossos vícios?
Para os homens, ter um guia é tão fundamental como comer, beber e dormir.
A velhice é um naufrágio.
Em qualquer magistratura, é indispensável compensar a grandeza do poder pela brevidade da duração.
Há muitas ocasiões em que os ricos e poderosos invejam a condição dos pobres e insignificantes.
O império mais poderoso e fatal que existe é o das circunstâncias.
Aprovamos algumas vezes em público por medo, interesse ou civilidade, o que internamente reprovamos por dever, consciência ou razão.
A ciência dos projectos consiste em prever as dificuldades de execução.
Há muita gente para quem o receio dos males futuros é mais tormentoso que o sofrimento dos males presentes.
A loucura dos que têm êxito é a de se julgarem hábeis.
Antes de atacar um abuso, deve ver-se se é possível arruinar-lhe os alicerces.
O silêncio é o melhor salvo-conduto da mais crassa ignorância como da sabedoria mais profunda.
Quando moços, contamos tantos amigos quantos conhecidos; porém maduros pela experiência, não achamos um homem de cuja probidade fiemos a execução do nosso testamento.
A religião amansa os bravos e alenta os fracos.
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