Solo
Merecemos, sim, as coisas boas da vida, porque somos sementes de grandeza plantadas no solo fértil do universo. E enquanto nos movemos com determinação, o cosmos inteiro dança em sincronia com nossos passos.
Opostos complementares feitos dos mesmos elementos
A besta, o animal, o solo, o social
Guerreiros sem armamentos
Estruturas sem fundamentos
Você me toca mas não te sinto
Eu sou encanto, mas não feitiço
Te pinto numa tela tentando te entender
Talvez as misturas de cores da tua pele me revelem a composição do teu ser
Como Dorian Gray, aprisionado num retrato
Rara beleza espontânea
Te faço em realismo e ainda sai abstrato
As cores ficam opacas a cada renascimento
Inalcançável beleza estática
Nem meu marta Kolinsky traduz seu movimento
Inesgotável fonte de arte e poesia
Não capturo sua alma
Não alcanço tuas cores
Só te pinto em fantasia.
O fruto que nasceu em um solo seco, pobre de nutrientes ou com outras limitações de suprimentos, poderá apresentar forma, tamanho e consistência alterados; contudo continua sendo um fruto apto para o consumo, as vezes até mais saboroso. Em contraposição, aquele proveniente de um solo contaminado, pode ter aparência bela, sabor agradável, mas carrega em si todo potencial de toxicidade da sua região de origem. Assim também são as pessoas, com raras exceções!
SONHO SOLO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se me deixo flagrar nesses desleixos,
nessas deixas de pouca cerimônia,
mas que têm no silêncio a sutileza
com que fujo da culpa recolhida...
É por ver nos teus olhos cautelosos
um passeio nas linhas do meu mapa,
quando escapa uma ilha em qualquer ponto
que não conto sequer pros meus poemas...
Mas prometo manter a fantasia
no meu mundo e na minha probidade,
pois a via de fato quebra encanto...
E me ponho na flor do meu lugar,
entre a cor e o perfume do meu sonho,
pois sonhar é viver nos meus limites...
MUNDO E MUNDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Valorize o progresso do cheiro de adubo
em um solo plantado que promete frutos;
refloreste as montanhas como quem constrói
viadutos; metrôs; edifícios; estradas...
Dê valor ao avanço dos rios e mares
preservados e livres, repletos de peixes,
tome belos luares cuja lua virgem
desconheça fumaça de nave ou foguete...
Faça culto ao poder da tecnologia
com que o sol cobre o dia de luz e calor,
ou a chuva potável refrigera o ar...
Modernize o planeta, recupere o verde,
globalize o bom senso e se ame profundo,
seja o mundo que o mundo sempre sonhou ser...
Respeite autorias. Ao divulgar o que não é seu, sempre cite o autor.
SÓ E SÓ
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A solidão
do solo
e a solidez
da solidão,
são o que há
de mais concreto
neste abstrato
mundo cão
da minha falta
de afeto.
RETICÊNCIA SOLO
Demétrio Sena - Magé
Deixarei que aparências me façam culpado
no que sou, no que não, no que dispensa culpa;
do passado, de agora, o que virá depois,
pois assim faço atalho em minha via-crúcis...
Não encontro coragem pra ter a razão
que não tenho, que tenho, que ninguém teria,
porque meu coração não terá menos dor
onde a minha ferida é nunca mais te ver...
Ser vilão, meio herói, tanto faz para mim,
se no fim desta saga só tem solidão
e serei condenado, mesmo absolvido...
Teu adeus me faz réu que dispensa inocência;
reticência sozinha que dá ponto e nó
no roteiro que a vida entregou ao destino...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
O caminho é necessário, mas a jornada compete ao ser predestinado, sob a fluidez do solo das suas conquistas interiores.
Eu prefiro acreditar em um céu de mistérios
Ao invés de um solo de certezas; certezas morrem, só céu de mistérios sobrevivem.
Mesmo diante de um solo que aparenta não ser propício, é possível ver o nascimento de flores que nos trazem lições de esperança.
Sóbrio eu pergunto
O Campo relvado
Está a encantar
O sol elevado
Está a brilhar
O solo escalvado
Só pode rachar
Caminho silvado
Só pode afrouxar
Vida sem cortejo
É triste de ver
Amor sem pelejo
Talvez deva ter
Brandura na terra
Raridade nos atos
Candura na fera
Brevidade nos gatos
Talvez deva ter
Um homem feliz
E esse deva ser
A força motriz
Talvez seja um Deus
Um homem distinto
Presente, com seus:
Os filhos extintos
Virarei defunto
E Assim morrerei
E sóbrio eu pergunto:
Para aonde irei?
"As folhas do Outono, já davam aquele tom frio, escuro e lúgubre, ao solo do pequeno cemitério da cidade.
Foram poucos, os que apareceram, é verdade.
Mas de pouco adiantava, a presença dos que o conhecia, naqueles momentos de infelicidade.
Alguns transeuntes, paravam para confirmar, se era mesmo realidade.
Uns suspiravam de alívio, por pensar, que a pequena cidade voltaria à sua normalidade.
Outros, vislumbravam o caixão do velho, ao longe, com um misto de desdém e curiosidade.
Houve, também, alguns sorrisos, como se tivessem se livrado de uma praga, livrado a cidade da insanidade.
Não houveram lágrimas, não houvera luto, o que se percebia, era uma certa felicidade.
Ao fitar o velho, em seu eterno descanso, notei um uma expressão de serenidade.
Como se realmente, pela primeira vez em séculos, após uma vida tão tribulada, em seu leito de morte, finalmente descansasse.
Fiquei sabendo, alguns anos mais tarde, que morrera com os seus trinta e três anos, embora, não aparentasse.
As mazelas da vida, a ausência daquela mulher, fizera com que o algoz e inexorável tempo, o maltratasse.
Ela, pelo contrário, era somente três anos mais nova que ele, tinha uma pele que daria inveja a qualquer anjo, parecia, ainda, permear a puberdade.
Seria pecado, até mesmo vislumbrá-la, resolveria com o próprio Deus, o homem impuro, que a tocasse.
Quando no enterro, ela fora vista na cidade, chorando como uma criança, em uma antiga esquina, embaixo de um ipê rosa, que devido a estação, a muito já perdera a sua folhagem.
Narraram-me, posteriori, que foram a seu socorro, tentando afastá-la do pranto, tentaram descobrir qual o mal, acometera à tal beldade.
Ela não quis dizer, enxugou as lágrimas e nunca mais fora vista arrabalde.
Encontrei-a, cantando uma canção melancólica, em um velho teatro, anos mais tarde.
Perguntei-a: '- Não tentarás ser feliz novamente? Ele não iria querer assim, acabarás como ele, mergulhada nas amarguras, nas lembranças, nessa cacimba de insanidade.'.
Ela fitou-me, com aquele negror de olhos, mergulhados em lágrimas, que ela lutava para que nenhuma, se derramasse.
Era inenarrável, o belo e atemorizador rubor, em sua face.
Embalada em tristeza, ela me disse: '- Já fui feliz, hoje, minha felicidade, está enterrada naquele cemitério, com um véu de folhagens; fui feliz naquele casebre, naquela cidade.
- Não valorizei a minha felicidade, abandonei-a, das mulheres, fui a mais covarde.
- Então Deus a levara de mim. Céus! Que maldade!
-Restara-me, apenas, a viuvidade.
- Infelizmente, agora é tarde.'.
Ela saiu aos tropeços e esbarrões; não a segui, não existem palavras de conforto, para a alma presa à uma vã realidade.
Mas ela estava certa, para o desalento de todo aquele que ama, tudo o que dissera, era a verdade.
Hoje, rogo aos céus, para que Deus, dê à alma do velho, descanso e serenidade.
Prostro-me de joelhos, para que Cristo, daquela bela moça, tenha piedade.
E ao cair da noite, me indago sempre: Os amantes jazem nos cemitérios; e os amores, aonde jazem?- EDSON, Wikney - Memórias de Um Pescador, O Cemitério da Cidade
A chuva é dádiva quando o solo está seco. A terra absorve com avidez, com uma sede tão grande... Igual o meu interior, quando o pranto contido ameaça desabar... O choro que cai, lava e traz uma sublime paz a alma.
Para crescer a mineração os mineiros exploram o solo;
para crescer em salvação os discípulos exploram a Bíblia.
O cristão infiel que joga a melhor e a maior semente fora do seu solo, está trocando o seu plantio pela presença de ervas daninhas.
Uma chuva de meteoros e a fecundação da vida, o solo da terra por vezes do céu é atingido, e o óvulo pelo espermatozoide invadido. Espetáculo do universo em suas devidas proporções, quem é o autor de todas estas perfeições?
Dizer que do nada tudo surgiu? Desde quando zero vezes zero resulta alguma proporção? Eu prefiro crer e confiar, no Eterno e toda a sua perfeição. ABBA PAI.
As muitas águas dos oceanos alçam grandes vôos, desabam ao solo e depois passeiam por entre as terras. E toda vida regada à sua semente, com o auxílio das muitas águas agregam os átomos que nas mais variadas composições se aglomeram nas infindas espécies de vida, num misterioso mover atômico a erguer as mais diversas formas corporeas de seres vivos, num milagre que atravessa gerações.
Tens a boa semente, lance ao solo e terás a mais bela flor.
Tens o bom sentimento, a todo momento espalhe amor.
