Solitude e Solidão
A comunhão com os irmãos, por mais preciosa que seja, nunca poderá substituir a comunhão pessoal com Deus.
Quem não aprende a estar a sós com Deus, viverá um cristianismo dependente da opinião dos outros, vulnerável à pressão, frágil diante da crítica e superficial no serviço.
A natureza nos ensina o valor de cada processo.
E faz isso com maestria.
Ela nos revela, com clareza, a diferença entre valor e preço —
sem deixar margens para dúvidas.
Mas essa clareza só se revela aos olhos de quem viveu,
e vive, o eterno processo de ser...
Em outros caminhos, os pseudos se alimentam na proporção da matéria:
quando há abundância, sentem-se felizes;
quando há escassez, mergulham nas trevas.
E isso...
é só mais um capítulo da vida.
Tempo
Nós temos tempo para várias coisas: para o celular, para o trabalho, para os prazeres rápidos, prazeres longos. Até mesmo quando o dia está corrido, encontramos tempo para aquele dia que foi exaustivo.
— Dia produtivo! —
Mas o que foi realmente produzido, além de todas as tarefas que um ser humano funcional precisa cumprir, e de todas as obrigações necessárias para manter um serviço — seja ele autônomo ou não?
Somos constantemente (e cada vez mais) treinados para nos acostumar com a correria, com a ocupação. Deixamos de romantizar o romance para romantizar o trabalho, o desinteresse, a pressa, a falta de tempo e de atenção.
Damos tempo para várias coisas, até mesmo ao próprio tempo, mas... e o nosso tempo? Quantas vezes no dia temos um tempo para ouvir a nossa parte mais frágil ou aquela que mais nos causa orgulho? Quantas vezes paramos para ouvir o que o nosso silêncio tem a dizer — insegurança — medo — solidão — solitude?
É tão comum buscar alguma distração e ocupar a psique, tentando enganar as memórias, as saudades, as frustrações espalhadas por todos as partes.
E, nessa correria... quanto tempo tem o nosso tempo?
"Você só vai ser feliz ao lado de alguém depois que aprender a ser feliz sozinho..."
Essa é uma das frases que só a maturidade te faz compreender plenamente.
A única pessoa a estar presente no seu nascimento, te acompanhar durante suas dores, suas dúvidas, suas conquistas, suas vontades, suas felicidades, suas incertezas, suas decisões; inclusive aquelas capazes de alterar o rumo da sua vida; a única pessoa presente em todos os momentos bons ou ruins, aquela que comemora nas suas vitórias, aquela que te despreza durante suas derrotas, mas que é capaz de te fazer levantar de novo, a única capaz de te julgar pelos seus pensamentos impróprios, pelos seus segredos, é você mesmo. Você é o protagonista da sua vida, presente do início ao fim.
Todas as outras são passageiras: pais, amores, amigos, filhos, desavenças... todos fazem parte da jornada, e são importantes para que ela seja boa e completa, mas não estarão lá o tempo todo. Portanto, o maior erro que alguém pode cometer é não ser honesto consigo mesmo e não ter um caso de amor com a própria vida.
Vivemos num ritmo tão acelerado que a pausa parece um luxo — quando, na verdade, deveria ser parte natural da nossa rotina. Desacelerar é escutar o que a vida diz em silêncio: num pôr do sol sem pressa, numa refeição saboreada com calma, num instante de solitude sem notificações. A pausa não é o fim do caminho — é o realinhamento necessário para seguir adiante com mais clareza e presença. Às vezes é preciso desacelerar para avançar!
Me encontro no quarto turbulento,
sempre na cama, olhando o teto,
perdido no passado — que insiste,
presente em mim a todo momento.
Na minha solidão repetida,
quase igual, mas sempre distinta,
ecoam sensações antigas
de um abandono sem partida —
sem ninguém que me deixasse,
e mesmo assim, ferida aberta.
Hoje, tenho quem me ouça,
quem responde minhas perguntas,
mas me faltam os assuntos
num mundo caótico e mudo,
que conheço por telas vazias.
Me perco em silêncio concreto,
num quarto quieto demais,
onde minha solidão tem metas —
incompletas, desfocadas,
tão perto… porém distantes
o bastante pra me cegar.
Enquanto Tudo Silencia
No tempo que escorre sem forma,
há um instante que não se mede
um respiro entre o caos e o acalanto,
onde até a dor se rende à calma.
É ali que florescem os pensamentos
que não ousamos dizer em voz alta,
palavras que pesam feito pedra
e voam feito poeira ao vento.
O mundo segue ruidoso e cego,
mas há silêncio no olhar de quem sente.
E nesse breve e sutil intervalo,
reconstruímos o que fomos por dentro.
Me refugiando para dentro de mim.
Apenas o isolamento serve-me.
Da maneira que sempre me serviu para compreender os meus desassossegos e acalmar a mente.
Embarquei na mais sublime das jornadas, em direção ao meu eu interior.
Fiz das estrelas guias para minhas noites mais escuras, descobri nelas a luz de minha alma.
Na solidão, encontrei a mais rica das companhias: a minha.
Em cada passo, cultivei um jardim de possibilidades infinitas, onde cada sonho é uma semente pronta para florescer.
Nesta viagem, aprendi que o infinito reside dentro de mim, e que cada momento vivido é um eterno tornar-se, uma constante metamorfose rumo ao inexplorado âmago de minha existência.
Então, no espelho do tempo, vi não apenas um reflexo, mas um eu interminável e resiliente, um ser cuja luz própria ilumina os caminhos ainda não trilhados.
Tem dias em que tudo me cansa. Então, eu deixo de existir e, em silêncio, me enterro dentro de mim.
Com o tempo eu passei a não ter nenhuma dificuldade em abandonar um livro a partir do momento queachava-o fastioso ou desinteressante.
Assim também se tornou com as pessoas! Indivíduosapresentam muitas das vezes terem uma capa bonita. Mostram até terem um prefácio satisfatório e agradável. Mas após adentrar mais a fundo algumas páginas de sua companhia, fatidicamente na maioria das vezes, tais "transientes" acabam se tornando maçantes, pretensiosos e medíocres.
Com o tempo eu passeia entender melhor o significado da palavra Solitude.
Quando você dizer que esteve só, sinto lhe dizer. Mas você nunca esteve , nem nunca estará. Você sempre esteve ali , e a sua companhia é e sempre será a melhor.
Silêncio das quatro da tarde
Quando eu ouço o silêncio das quatro da tarde, sinto o desejo de olhar para o mar;
Deixar o som dele entrar; E nos meus ouvidos a sinfonia tocar.
Deixar a brisa salgada meu dia finalizar.
Em todas as vezes que me perco, quero me encontrar na solidão do meu mar, daquela vista deslumbrar e poder ali me achar.
As vezes é conversando sozinho que você percebe, que no mundo só existe uma pessoa capaz de te entender.
Ela é você
Meu aconchego é em mim mesma, adoro a idéia de estar sozinha em casa, poder ouvir o silêncio...sim o silêncio tem um som, som de paz, traquilidade, conexão interior.
Um deserto se esculpiu em meio ao mundo. Isolados; entramos por vias escarpas e escuras como num abrigo. Descobrimos em nossa alma toda força... também nela, nosso maior inimigo.
