Solitude e Solidão
Está chovendo
... e eu aqui da janela observando as gotas se aproximarem lá fora
vejo como a neblina vai embaçando
E as casas árvores pastos e montanhas vão sumindo
E olhando observando
Sinto uma lágrima rolar em meu rosto pois penso quem será o meu farol nesses dias tensos
a serpente da alma expulsa o paraíso,
mostra seus demônios pessoais,
seja quem for, sempre mesma historia,
isso é que pertencemos, a luz machuca muito,
eles querem que seja mais dele, mais dor é intensa,
na abertura da alma os sentimentos ser tornam cortes profundos,
coberto por correntes que se espalham pelos sentimentos,
no tramite de prazeres dos quais o espírito perde se na eternidade...
entre os valores morais a certezas que morte é uma passagem profunda,
extremas ao abismo sem fim, seja outra pessoa volte a realidade...
na sombra da escuridão,passo a passo o espaço toma a face...
do amor clara e passageira numa estrada distante,
ao lado da escuridão da alma perdida de desejo,
demônios são conhecimento do qual a mente engana se,
na passagem virtuosa e obscura da alma velada,se vê em degraus...
no atroz da decepção o profundo do sentimento,
acesso numa vela no coração espesso numa trilha do silencio,
cravado em detalhes passado no dia que acaba se numa doce escuridão...
mesmo que a dor seja convidativa entre os laços do tempo morto,
pelo passado escolhas são tempestades infames a solitude...
da morte entalha o destino em sentenças de memorias perdidas no tempo...
enfeitiçado pelo presente, encarnado na tua pele,os prazeres da eternidade.
por celso roberto nadilo
Livra-me da poluição sonora que a indústria me proporciona, dos gritos insuportáveis da tecnologia, do lamento ensurdecedor do ativismo e leva-me ao silêncio necessário para que minha alma encontre em Ti e em Tua Palavra, respostas e descanso.
Hoje, ficar sozinha comigo mesma não é tão assustador quanto antes.
O que me assusta agora é abraçar e ser abraçada... até mesmo com uma certa inocência, por uma máscara nomeada de amor.
E tantos sonhos que vibram dentro de mim, são tão grandes e tão viscerais que me recuso a viver a ilusão de se contentar a migalhas das sobras daquela que não sabem o sentido de ser, existir e viver intensamente o que temos de melhor: o amor!
Hoje eu vou receber um prêmio em um lugar incrível, mais uma vez.
Em 2016 eu recebi e passei quase todo evento, esperando, sim esperando que alguém que tanto queria que tivesse comigo estivesse me fazendo uma surpresa e do nada chegar.
Minha cabeça não tava na minha conquista e emoção, estava com a mente longe, vivendo de espera.
Eu fui uma das duas a ganhar o prêmio e eu estava lá, sonhando em receber um buquê de flores, um parabéns querida você merece, você é incrível. Mas eu fiquei discutindo no telefone porque eu estava com um amigo… e amigas… e pessoas que foram para me dizer parabéns.
No retomo eu tava linda e bela, de salto alto pegando um ônibus e indo pra casa lendo coisas que apagaram todo o brilho que eu merecia ter naquele momento.
Não havia um desculpa, queria muito poder ir mas isso muito sério me imprecou… não apagaria o vazio, se fosse verdade, mas sei lá me faria me sentir menos mal. Eu estava lá alguém está acolá e percebi que estamos sempre onde nosso coração está.
Ocupe seu coração de forma que ele não doa com o vazio de uma solidão.
Final de Ano Chegando... pensamentos vagos dentro de mim.
Eu Mulher, abrigo da semente, moto continuo do mundo (C.E)
E Eu Mulher? Onde Vagueia Meu Ser?
Entre Retalhos e abraços ando eu abraçando a solitude como quem abraça a paz de finalmente existir e me pertencer!
A noite desce, um véu pesado,
E um vazio gela o meu peito.
Ah, se pudesse ter você ao meu lado!
Erros juvenis, talvez, nos desviaram,
De um destino que juntos tecíamos.
Hoje, memórias se findaram de um amor que se calou.
Hoje, somos fábulas de um amor sem idade.
Você encontrou seu porto, seu amparo,
E eu, um fantasma, em um abismo solitário.
Hoje eu senti a necessidade de escrever, de transbordar em palavras aquilo que sinto. Ontem, permiti-me vazar, escoar as emoções que estavam represadas. Recordei-me de Viviane Mosé, que em seus poemas presos nos lembra da importância de dar vazão aos sentimentos. E foi isso que fiz: deixei que eles fluíssem.
Encontrei duas amigas queridas, com quem compartilho um amor de 12 anos. Ambas trilharam caminhos distintos, mas agora se reencontram. Apesar das marcas do tempo e dos desafios enfrentados, o elo entre elas permaneceu. É fascinante perceber como a vida, com seus fluxos e refluxos, separa e une as pessoas, quase sempre com um propósito maior do que conseguimos entender. Talvez o destino as coloque juntas novamente para que uma seja o reflexo e a transbordação da outra, preenchendo os vazios que cada uma carrega.
Ao observá-las, senti-me atravessado por suas histórias e pela beleza contida no reencontro. A essência de cada uma continuava intacta, mas transformada pelas experiências vividas. Nesse encontro, enxerguei a potência do amor que resiste, que sobrevive às dores e floresce em formas inesperadas.
É difícil para mim escrever sobre isso. Desde que desci da estação, construí um escudo protetor contra as dores do amor. Ainda assim, não posso negar: a estação continua linda. Cada amanhecer me encontra em paz, leve, livre. Mas essa liberdade é paradoxal – enquanto posso ir e vir, sinto-me, por vezes, sem saber o que fazer com tamanha vastidão. Ainda assim, é uma sensação boa, reconfortante.
Ao reler o que escrevi sobre solidão, percebo agora que a solitude começa a tomar forma. Talvez a vida nos ensine, incessantemente, que estamos aqui para curar e sermos curados. Cada despedida e cada reencontro trazem consigo lições veladas. A partida da estação me fez perceber quais trens não quero mais tomar. E, apesar de ainda nutrir certa descrença no amor genuíno, descobri que sou capaz de amar.
Reconheço o amor que passou, ou talvez ainda passe, por minha vida. Ele foi lindo – e isso basta. Ontem, durante a parada na estação, reafirmei para mim mesmo que o amor, mesmo atravessado pela dor, é belo. A dor, passageira como é, tem a estranha capacidade de nos iluminar, de nos fazer compreender nosso lugar no mundo.
Quando o amor floresce, ainda que sob a penumbra do sofrimento, ele deixa de ser dor para se transformar em calmaria. É como se, em meio ao desequilíbrio do coração, uma paz silenciosa se instaurasse. Assim, compreendo que o amor é, antes de tudo, uma experiência humana sublime: é a transformação da dor em beleza, é o reconhecimento da nossa própria vulnerabilidade e grandeza.
E assim, como as amigas que se reencontram e se completam, percebo que cada história, cada encontro, cada despedida, desenha um ciclo que nos convida a viver plenamente. O amor é, no fim, o que nos une a nós mesmos e aos outros, transbordando para além do tempo e do espaço. E na estação da vida, onde chego e de onde parto, carrego comigo a certeza de que o amor, mesmo atravessado pela dor, continua sendo o ponto de encontro mais bonito.
e agora aquele ruído se transformava no universo que eu assistia na janela do meu quarto
repleto de um novo mundo que nascia,
mas na verdade, eles sempre estiveram lá,
era eu que nunca os via.
o maquinista deu a partida,
o apito assoou na imensidão dos universos,
o cheiro de fumaça invadiu os vagões
e os trilhos sumiam assim como as velhas paixões.
agora me restava acostumar com o barulho de cada pirueta
ao passar de planeta em planeta.
a partir dalí, entendi que sempre existiram mundos imersos:
alguns com pensamentos adversos
e outros sonhando em serem descobertos.
as cores do céu saltavam,
vozes de dentro do meu corpo ecoavam
como gritos de felicidade,
que iriam desde o mais novo até a maioridade.
já que antes eu não tinha data pra comemorar,
meus dias eram de par em par,
apesar de ser tão disperso, sinto que o meu próprio universo tornou-se o meu lar.
eu viajava por cada vagão como um alien superstar
entendendo que eu poderia sim fazer sentido
mas não em qualquer lugar.
era como harry indo para hogwarts,
era novo mas sabia que alí era onde sempre deveria estar.
eu funciono a mil quilômetros por hora,
assim como a provável velocidade desse trem
que entram estranhos ventos novos
me lembrando de quando eu vivia sem.
a atmosfera azul formada pelos 70% de água
foi tomada pelo obscuro do espaço
que parecia vazio,
mas ainda ocupava grandes pedaços
e brilhava com o encadeamento do resto das estrelas
se partindo em milhões de estilhaços.
"código terra", era o som que o maquinista emitia em cada vagão
informando a próxima parada indefinida e até então, indecifrável
a qual eu escolheria mesmo temendo a tensão
já que às vezes parar em algum lugar é a única opção.
desci do vagão, senti uma estranha sensação:
era como se um buraco negro me sugasse para outra dimensão.
a criação de um recomeço, um renascimento, a volta de quem foi embora cedo
mas se me der vontade de mudar ou se me der medo,
volto a esse trem e crio um novo enredo:
mas silêncio, isso é nosso segredo.
Este ano, decidi me isolar; não haverá festa de aniversário, nem convites para sair, pois dói lembrar de pessoas que sequer lembram da minha existência.
Pondero por um instante
Silencioso mundo solitário
Cada segundo é eterno
Mas passa tão rápido
O ontem era meu hoje
O amanhã é meu agora
O hoje já nem sei mais o que é
Que o nosso silêncio não seja causado por conformidade social e nem seu restringimento. Mas que a causa seja um sintoma de solitude ou intolerância a tolice.
