Solidão e Companhia
ruído interior
ouço sussurro,
mesmo acompanhado
e eles estando em silencio.
fico acorrentado,
mesmo em um lugar fechado
e não pisando sobre cimento.
sinto sozinho,
mesmo em um evento
e cercado de argumentos.
não quero mais sentir,
muito menos ficar aqui,
quero parar de ouvir.
“Às vezes a melhor coisa é estar sozinho na praia, e ter por companhia apenas as gaivotas, a toada do mar e a solitude, e deixar sair aos poucos do pensamento tudo o que faz doer a alma...”
-Michael Hayssus, “A Morte Das Borboletas.”
É tudo
O amor é um caminho
Só de ida
Pra seguir acompanhado...
É o começo do insondável
Que não se conhece numa vida
E noutra, pouco pode descobri.
O amor é o sopro do suspiro
Que se busca em outro alguém
Pra respirar o mesmo ar.
O amor é chama viva
Que abrasa incandescente
Toda alma flamejante.
O amor faz cego quem o vê,
Pra quando só
Não enxergar tamanha dor...
O amor é tudo isso
Que não se vive
De alma só...
Edney Valentim Araújo
1994...
O que adiante ter carro do ano, mansão, fama e dinheiro se ao chegar em casa, sua única companhia é a solidão.
A Lua, faceira acompanhante dos momentos mais solitários no qual a sua segunda companheira é a tão fiel janela. E naquele momento em que você tem somente a janela pra encostar, e em cochichos falar o que tanto lhe aflige, você observa bem, depois daquele fixo e característico olhar, com aquela pausa aparentemente inacabável, você se depara com uma paisagem bela e perfeita, diante das imperfeições transeuntes, e então você vê a brilhante, perfeita, calma, e tantos outros adjetivos que remete a paz, tragos pela Lua, você então se depara com a grandiosidade de Deus, e lembra de todo conforto que Ele pode lhe dar naquele momento e sente uma quietude na Alma, pois Deus está se revelando e trazendo a paz para nos dar.
Gosto de pensar que em algum lugar Ele vigia, Ele me acompanha. Por vezes tão perto que posso sentir. Permite coisas que eu não entendo, mas está aqui, esteja eu sofrendo ou feliz, Ele está comigo. E eu mesmo sem entender Seu plano pra mim, vou vivendo em busca do melhor que posso ser e do melhor que posso dar. A Igreja e os bons amigos que fiz me sustentam nessa caminhada de altos e baixos.
Bem baixinho
Não há distância que afaste
O meu pensar em ti.
Eu me faço acompanhar
Dos teus braços e abraços
Onde eu posso me entregar...
Vejo o céu de brigadeiro
No sorriso dos teus lábios
Desejando os tocar...
Eu me vejo sussurrando ao teu ouvido
Te dizendo bem baixinho
Que meu desejo é ti amar...
Edney Valentim Araújo
Dançando na cozinha,
Cabelos ao ar,
Ele fez passos que eu não pude acompanhar,
Danço sozinha.
Dança frenética
Dança lunática
Dança...
Dança sem estética.
Fantasmas dançam
Na janela da cozinha,
Enquanto lavo o copo
Que tu deixaste na pia.
...espaço vazio...
em horas que espero sua companhia...
apenas a ausência que desdem o momento,
prerrogativa que desaparece entre as paisagens...
Ando pela calçada suja e fria
cheia de passos sem dono
e eu aqui cheia de companhia
ainda assim como se estivesse sozinha
na multidão em pleno abandono.
Quando gostamos de nossa companhia não nos sentimos sozinhos! Consequentemente... Não temos medo da solidão...
Tenho duas companhias que não quero; são detestáveis; mas presentes.
Não as desejo, mas são fiéis, por mais que eu não as queira, elas persistem em permanecer.
A Solidão e o Silêncio!
Passo horas e horas sem ouvir alguém, nenhuma voz, nenhum sussurro, nenhum olá, ou um tudo bem!
Só ouço o silêncio, que de tão alto e estridente me fere os ouvidos.
A solidão, áh essa é a mais fiel.
Eu saio, demoro a voltar para casa, mas quando chego lá esta ela, me esperando, sem reclamar.
As vezes estou rodeado de pessoas, converso, sorrio, brinco, mas ela esta ali, de braços dado a mim.
São companhias terríveis, indesejadas, não as quero, mas o mais terrível é que estou me acostumando com essas companhias.
