So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa

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O último território livre da humanidade será aquilo que nenhuma tecnologia conseguir antecipar: a decisão íntima de uma consciência.

Quando a realidade puder ser fabricada, a verdade deixará de ser aquilo que vemos e voltará a ser aquilo que resistiu à fabricação.

Conhecer começa quando percebemos; compreender começa quando interrogamos aquilo que percebemos.

Nenhum corpo encerra inteiramente aquilo que, no homem, permanece aberto ao infinito.

Conhecer é ampliar o território da consciência sobre aquilo que antes permanecia sem explicação.

Quem tem autoridade para determinar aquilo que devemos considerar verdadeiro?

A história é a memória da humanidade tentando compreender aquilo que ela mesma produziu sem compreender inteiramente.

Toda contradição é uma fronteira: de um lado, aquilo que pensamos; do outro, aquilo que ainda precisamos pensar.

Toda civilização é uma negociação inacabada entre aquilo que o homem é, aquilo que teme ser e aquilo que imagina poder tornar-se.

Talvez a maior tarefa da razão seja descobrir onde termina aquilo que sabemos e começa aquilo que apenas supomos.

Conhecer é aproximar aquilo que parecia distante até que a relação entre as coisas revele uma verdade maior.

O progresso científico amplia aquilo que podemos fazer; o Direito deve perguntar, antes, aquilo que devemos fazer.

Se tudo aquilo que existe precisa ter um começo, que começo deu origem ao primeiro começo? E, se houve uma causa primeira, por que ela própria não exigiria uma causa anterior? Talvez o paradoxo esteja em nossa própria pergunta: habituados ao tempo, pensamos a realidade como uma sucessão de capítulos e não conseguimos conceber um livro que jamais tenha começado. Talvez o ser não tenha uma origem, porque a origem seja apenas uma categoria da mente humana diante do insondável. E talvez o verdadeiro mistério do universo não seja descobrir onde tudo começou, mas compreender como chegamos a imaginar que necessariamente deveria haver um começo.

Quem transforma toda rejeição em ofensa demonstra que ainda acredita possuir direito sobre aquilo que nunca lhe pertenceu.

A realidade afetiva é menos democrática do que gostaríamos: ninguém é obrigado a desejar aquilo que consideramos desejável.

O tempo revela uma verdade incômoda: aquilo que parecia indispensável muitas vezes era apenas aquilo a que estávamos habituados.

A verdadeira riqueza começa quando aquilo que possuímos deixa de ser menor que aquilo que desejamos.

A verdade pode ser desconfortável, mas viver contra aquilo que sabemos ser verdadeiro é transformar a própria consciência em adversária.

A liberdade começa quando deixamos de ser governados por aquilo que desejamos, tememos ou esperamos que os outros pensem de nós.

É verdadeiramente rico aquele que pode possuir muito sem precisar transformar aquilo que possui na medida do próprio valor.