So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
Para alcançar a verdade, é preciso ter coragem de colocar em dúvida até aquilo que durante muito tempo pareceu indiscutível.
Quando o pensamento encontra um problema complexo, a razão deve procurar primeiro aquilo que é simples, evidente e intelectualmente verificável.
O bom senso pode ser comum a todos, mas sua aplicação exige aquilo que nenhuma igualdade natural garante: disciplina intelectual.
A vontade frequentemente ultrapassa aquilo que o entendimento consegue justificar; grande parte do erro humano nasce quando desejamos afirmar mais do que realmente compreendemos.
Podemos desconfiar dos sentidos, questionar as aparências e suspender nossas crenças; aquilo que não podemos eliminar sem pensar é o próprio ato de pensar.
Aquilo que é racional procura tornar-se realidade; aquilo que se torna realidade revela, por sua vez, quais forças efetivamente governam uma sociedade.
A filosofia frequentemente compreende uma época quando seus acontecimentos já revelaram aquilo que, durante seu desenvolvimento, permanecia oculto.
Aquilo que uma sociedade tenta eliminar sem compreender pode retornar sob outra forma, porque contradições ignoradas raramente desaparecem por decreto.
A verdade nasce do encontro entre aquilo que a realidade é e aquilo que o intelecto consegue compreender sem deformá-la.
Aquilo que recebemos da realidade é inevitavelmente interpretado segundo os limites, capacidades e categorias daquele que conhece.
A razão aproxima os seres humanos porque procura aquilo que existe de comum entre eles, enquanto o fanatismo frequentemente transforma diferenças em fronteiras.
O que acontece quando aquilo que a ciência descobre confronta aquilo que o Direito está autorizado a normatizar?
Até que ponto aquilo que o Estado considera verdadeiro pode ser convertido em poder jurídico sobre os indivíduos?
Até que ponto aquilo que julgamos saber pode legitimar o poder de decidir sobre aquilo em que os outros devem acreditar?
O que realmente sabemos, como sabemos e até onde o Estado pode transformar aquilo que considera verdadeiro em poder jurídico?
O Direito nasce verdadeiramente livre quando o Estado aprende a distinguir aquilo que sabe daquilo que apenas acredita.
A propriedade nasce, em Locke, da relação entre o indivíduo, seu trabalho e aquilo que a natureza disponibiliza, estabelecendo uma conexão entre esforço, apropriação e responsabilidade.
O homem nasce livre, mas a sociedade pode construir tantas formas de dependência que aquilo que deveria ser liberdade termina confundindo-se com obediência.
Na política, os homens frequentemente julgam aquilo que conseguem enxergar antes de investigar aquilo que realmente existe; por isso, a aparência também se transforma em instrumento de poder.
Quem pretende exercer ou conservar poder precisa compreender menos aquilo que os homens dizem ser e mais aquilo que seus interesses, medos e ambições revelam que são.
