So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
O advogado defende uma versão; a justiça precisa permanecer aberta àquilo que nenhuma das versões conseguiu enxergar.
Entre aquilo que sabemos e aquilo que tememos existe um território onde a religião frequentemente constrói seus deuses.
Quando uma crença precisa de medo para sobreviver, talvez já tenha perdido aquilo que pretendia salvar.
A inteligência começa quando aprendemos a separar aquilo que sabemos daquilo que apenas desejamos que seja verdade.
A razão humana encontra seus próprios limites justamente quando tenta ultrapassar aquilo que pode conhecer.
A razão pública deve trabalhar com aquilo que pode ser justificado perante cidadãos diferentes entre si.
A liberdade científica inclui a liberdade de questionar aquilo que a tradição considera indiscutível.
A maior liberdade científica talvez seja perguntar se aquilo que todos consideram verdadeiro possui evidências suficientes; a maior liberdade agnóstica é admitir quando a resposta ainda não pode ser conhecida.
A humildade epistemológica aproxima ciência e Direito: ambos precisam distinguir aquilo que conhecem daquilo que inferem. O agnosticismo radicaliza essa prudência diante do transcendente.
O Direito protege a liberdade de ensinar religião, enquanto a ciência exige que aquilo que se apresenta como ciência responda ao teste da evidência.
O tempo é o escultor absoluto: retira de nós aquilo que julgávamos ser e revela aquilo que conseguimos permanecer.
Entre o que desejamos que seja verdadeiro e aquilo que podemos legitimamente afirmar como verdadeiro existe o território da dúvida; é nesse território, precisamente, que a razão aprende sua humildade e a liberdade encontra sua forma mais alta.
Chamamos de certeza aquilo que o hábito repetiu tantas vezes que nossa dúvida perdeu a coragem de interrompê-lo.
Entre aquilo que percebemos e aquilo que acreditamos existir há uma distância que nenhuma linguagem consegue abolir.
