Sinto falta do meu Passado
Lembro-me de todo meu passado. Das pessoas que permiti, abri as portas para que entrassem e fizessem estragos. Outras vieram de mansinho e da mesma maneira saíram. Foram tantas experiências, tantas risadas e tanta lágrima derramada. Lembro de quando fui feliz e me questiono: Será que fui mesmo? Mudaram-me aos poucos. Me desfiguraram os sonhos, os planos, as vontades, a crença no amor. Tornei-me alguém tão diferente de quem eu era. Olho para minhas fotos e é como se estivesse vendo outra pessoa. O sorriso mudou, de repente nem é mais tão sincero quanto antes. O olhar é inquieto e por vezes contemplativo. Contemplativo ao nada. Vejo tanta significação no "Nada", vejo tanta coisa dentro dele que acho que deveria ter outro nome, pois "Nada" me soa injusto demais. Eu guardo muitas coisas no Nada, o Nada sabe muito de mim. Todas as vezes que a dor aperta e alguém pergunta gentilmente o que foi é no Nada que escondo minha dor ao responder: Não foi nada.
Quando alguém me entristece tanto que dói a alma eu digo que não foi nada, que vai passar. O Nada para mim é minha gaveta de relíquias...Nem todas da melhor qualidade, mas todas legítimas. O Nada e eu temos um laço, um segredo. Ele suporta todas as minhas desculpas. Guarda cada uma. O Nada sempre leva a culpa ou a guarda. O Nada tem muito valor para mim.
Quando eu lembro que ontem já faz parte do meu passado, eu começo a me dar conta do quanto o passado me leva pessoas boas, do quanto as lembranças que dele permanecem me fazem sentir uma saudade enorme, até diria que dói um pouco.
Me passa na cabeça cada dia, cada plano, cada coisa que eu fiz, detalhes que prometi, sentimentos que tive e permanecem. E há quem diga que o tempo cura tudo, eu não concordo. O tempo jamais irá curar o que eu passei, as pessoas que eu conheci, os sentimentos que eu tive. São coisas pequenas que ficam dentro de mim, algumas me fazendo sorrir, algumas me roubando lágrimas por terem partidos. O tempo jamais irá curar a dor de uma perda, que só de lembrar que nunca mais irei ver a pessoa, já da vontade de chorar, da vontade de gritar, se espernear e fazer o tempo voltar só com a força do que estou sentindo agora. Mas não tem como, pois tudo precisa fazer parte de um passado.
Então me dou conta que o presente, as pessoas que atualmente estão comigo, amanhã podem fazer parte do passado, e então me dou conta que o passado é o maior tempo da nossa vida -entre passado,futuro,presente-, e isso tortura, e me faz dar um valor ainda maior, para tudo e todos que já fizeram parte de mim.
Deixei um pedaço meu no passado, nem sei se ainda lembram de mim. Se bem que; é de quem menos espero que recebo lembranças e felicitações e orações.
Cara, essa coisa de passado incerto é bizzara! Eu quero um futuro meu, onde eu possa sorrir, cantar, pular, ser feliz. Se tiver que sofrer hoje pra ser feliz amanhã que seja. Certas escolhas doem hoje pra fazer sentido amanhã.
Thayná Dias
Conheço bem a trilha sonora do meu passado, mas a do meu futuro ainda está sendo ensaiada. Já ouço seus primeiros acordes.
Desejas entender o por que de meu futuro? Para isso você precisa entender o meu passado,o passado de meu vô,o passado da minha FAMÍLIA.
Você surgiu e minha conformidade foi embora, junto com minha bagagem, meu passado, meu pessimismo. E eu não sei me acostumar com essa coisa de ser feliz. Mas eu sinto que vale a pena tentar por você.
Eu preciso me acalmar, deixar algumas lembranças, meu passado...
É engraçado que eu sei o que não me faz bem e ainda insisto, permaneço, comento os mesmos erros, me submeto aos mesmo sentimentos, as mesmas situações mas depois quando tudo passa, quando penso, analiso tudo, eu vejo claramente as coisas. Minhas ações vivem em um circulo, são sempre as mesmas, são repetitivas...
Se eu não enxergasse, talvez eu colocaria a culpa em outra pessoa, mas tudo isso são consequências das minhas escolhas....
MEMÓRIAS DE UM NATAL PASSADO
Quando era criança, na noite de Natal, eu e o meu irmão partia-mos nozes e avelãs no chão de cimento da cozinha, à luz do candeeiro, enquanto a minha mãe se ocupava das coisas que as mães fazem.
Depois, quando o meu pai chegava, jantava-mos como sempre e seguia-se, propriamente, a cerimónia de Natal. Naquela noite o meu pai trazia um bolo-rei e uma garrafa de vinho do Porto.
Sentados à mesa, abria-se a garrafa de vinho do porto e partia-se o bolo em fatias. O meu irmão e eu disputava-mos o brinde do bolo-rei comendo o mais rápido possível na expectativa de nos calhar em sorte não a fava, mas sim o almejado brinde!
Eu não gostava daquele bolo, mas naquele tempo a gente “não sabia o que era gostar”, como dizia a minha mãe quando nos punha o prato á frente. Assim acostumada, engolia rapidamente as fatias para não sentir o sabor e ser a primeira a encontrar o brinde.
O meu pai, deleitava-se com o copito de vinho do Porto e observava calado as nossas criancices.
Depois, vencedor e derrotado continuavam felizes, na expectativa da verdadeira magia do Natal. Púnhamos o nosso sapato na chaminé, (eu punha a bota de borracha, que era maior), para que, á meia-noite o menino Jesus pusesse a prenda.
Íamos para a cama excitados, mas queríamos dormir para o tempo passar depressa e ser logo de manhã. Mal o sol nascia, corria-mos direitos ao sapatinho para ver o que o menino Jesus tinha la deixado.
Lembro-me de chegar junto á chaminé e encontrar o maior chocolate que alguma vez tivera visto ou ousara imaginar existir. O meu irmão, quatro anos mais velho, explicou-me que era de Espanha, que era uma terra muito longe onde havia dessas coisas que não havia cá.
O mano é que sabia tudo e, por isso, satisfeita com a resposta e ainda mais com o presente, levei o dia todo para conseguir comê-lo a saborear cada pedacinho devagar!
Depois, não me lembro quando, o meu irmão contou-me que não era o menino Jesus que punha a prenda no sapatinho, mas sim o nosso pai. Eu não acreditei e fui perguntar-lhe.
O meu pai, que gostava ainda mais daquilo do que nos, respondeu de imediato que não, que era mentira do meu irmão, que ele sabia lá, pois se estava a dormir…
Com a pulga atras da orelha, no Natal seguinte decidi ficar de vigília, para ver se apanhava o meu pai em flagrante, ou via o Menino. Mas os olhos pesavam e, contra minha vontade e sem dar por isso, adormecia sempre e nunca chegava a apurar a verdade.
Na idade dos porquês, havia outro mistério á volta da prenda de natal. É que eu ouvia dizer aos miúdos la da rua, que eram todos os que eu conhecia no mundo, que lhes mandavam escrever uma carta ao menino Jesus a pedir o que queriam receber. Maravilhada com tal perspetiva, apressei-me a aprender a ler e a escrever com a D. Adelina, que era uma senhora que tomava conta da gente quando a nossa mãe tinha que ir trabalhar e que tinha a 4ª classe, por isso era muito respeitada sobre os assuntos da escrita e das contas.
Antes de entrar para a escola primária já sabia ler e escrever mas isso não era suficiente.
Faltava ainda arranjar maneira de fazer chegar a carta ao seu destino. Para mim, aquilo não resultou: da lista de brinquedos que eu conhecia, não estava nenhum no meu sapato.
Questionada, a minha mãe, que tinha ficado encarregue de dar a carta ao Sr. Carteiro, disse-me que o menino Jesus só dava prendas boas aos meninos que se portavam bem. Mas eu já era uma menina crescida, já tinha entrado para a escola primária (em 1974) e sabia que os que recebiam brinquedos eram diferentes de mim noutras coisas também.
E foi então que, depois de ler a carta dos Direitos da Criança que estava afixada na porta da sala de aula, soube de tudo. Senti-me triste, zangada e confusa: Porque é que escreviam coisas certas e as deixavam ser erradas? Eles eram grandes, podiam fazer tudo! Se estava escrito ali na porta da escola era porque era verdade e importante, igual para todas as crianças como dizia na Carta. Que tínhamos direito a um pai e uma mãe lembro-me. A partir dali todas as coisas que a que a criança tinha direito, eu não tinha, e isso eram por culpa de alguém. Experimentei pela primeira vez um sentimento que hoje sei chamar-se injustiça.
Tranquilizei-me com o pensamento de que um dia viria alguém importante e faria com que tudo aquilo se cumprisse. E eu aí esperar. Era criança, tinha muito tempo: nascera a minha consciência cívica.
Compreendi que os adultos diziam as coisas que deviam ser, mas não eram como eles diziam. Nesta compreensão confusa do mundo escrevi nesse primeiro ano na escola a minha carta ao menino Jesus e deixei-a eu mesma no sapatinho. Era um bilhete maior que o sapato e dizia assim:
“Menino Jesus
Obrigada pela prenda.
Vou pensar em ti todas as noites mesmo depois do natal passar e espero por ti no natal que vem. Gosto muito de ti.
Adeus.”
E rezei a Deus que, houvesse ou não menino Jesus para por a prenda no sapatinho, me trouxesse todas as noites o meu pai para casa.
Nisa
Setúbal, 29 de Novembro de 2012
Descobertas - 05/12/2012
"Descobri dentro do meu ser
Lembranças do futuro
Um passado arrependido
Dentro do que sou
Reinvento maneiras de viver
Amando meu ego e orgulho
Ao mesmo tempo me vendo a morrer
Além do que sou, não vivo
E longe do que deveria ser
Só consigo existir, não viver
Estranhamente, reconheço onde estou
Um lugar onde todos devem seguir a perfeição
Porém, perfeição esta sendo desumana
Está perdida e ninguém a pode achar
Sendo eu um mero mortal nada posso fazer
Senão corrigir alguns tropeços e aprender sempre mais."
"sepultei meu passado, num vale de lagrimas
Voei com meus sonhos nas asas do ar!
Caminhei pelo escuro, sem medo dos monstros
E ainda assim não pude te amar!
Meu passado,
Totalmente planejado,
Causou decepção,
Vou tentando esquecer,
Para não se enfraquecer,
Cantando essa canção,
Tão triste,
E em vão,
Que prevaleceu,
Mas não aconteceu,
Fui lá,
Tentei e fiz,
Sabia só assim,
Podia ao menos,
Ser feliz,
Não vou desanimar,
Minhas Decepções,
Me faz continuar.
Tão saudoso, lagrimas cheias.
O espelho cegar-me-á
Meu passado correrá aos olhos
Um filme me acompanhará
Quando eu me assistir
Ei de estar a me calar
Na sépia do passado
Deste mundo a se entregar
Na sangria difusa das lembranças
Pulmões a não respirar
Desaparece a vitalidade
Eu poderia ter feito diferente?
