Sinto falta do meu Passado
"Sonhando com amigos temporários do meu passado!
É feriado. Dia de finados.
Dormi até agora. 1 : 24 da tarde, após uma noite e uma manhã inteira sonhando com o meu passado.
Sonhei com tantas pessoas que não fazem mais parte do meu presente.
Porque de alguma forma quiseram se afastar de mim.
Acho que o problema não sou eu, são eles que nunca deram o mínimo, após anos de desencontros.
As esquinas da vida ainda me fizeram querer procurar, ir atrás.
Mas, enfim. Somente eu sentia falta.
Até que desisti.
Embora pese em mim a saudade, a falta de diálogo, as boas lembranças das quais me recordo.
Bem que tentei.
Mas, percebi que eu me humilhava para receber pouquíssimas palavras sem importância alguma.
Agora, tudo volta em sonhos.
As lembranças dos sorrisos, das conversas, dos encontros.
Me deu vontade de chorar.
Mas, não. Não vale a pena.
Eles nem sentem minha falta, só eu os procurei.
Mas, infelizmente nunca recebi reciprocidade.
Se tornaram orgulhosos, talvez por alguma conquista material.
Talvez, porque acham que não tenho o mesmo valor.
Mas, se enganam tanto ao pensar dessa forma. Se é que pensam.
O meu valor é inestimável.
Sou tantas coisas, tenho tanto a oferecer.
Aprendi e reaprendi tantas coisas que tenho muito orgulho de mim.
Eu posso até nunca terminar um ensino superior, ou ter muitas coisas de valor.
Mas, sabe. Nunca vou sentir inveja de alguém por isso.
Cada um conquista seus méritos, dependendo de como isso pode acontecer.
Seja porque tiveram oportunidade, ou simplesmente porque tiveram uma família equilibrada.
No meu caso, nenhuma coisa, nem outra.
Tudo por mim mesma.
Por isso, tenho muito orgulho do que hoje sou.
Gosto de fazer tantas coisas diferentes, que isso para mim, é uma grande virtude.
Sou diferente.
Acho que é por isso, que me torno uma pessoa muito especial.
Então. Os sonhos vêm e se vão.
As lembranças são como o vento, que de vez em quando sopra forte algo distante.
Para nos lembrar que tudo indica que tivemos que passar por todas aquelas aventuras vividas, para termos uma bela história.
Que agora, é contada por mim mesma.
Então. Eu sou muito feliz.
Cada uma dessas pessoas, tem seus motivos para não sentir minha falta.
E, quem sou eu para jugá -las?"
O que dizer do meu passado? Muita gratidão! Do presente? Alegria! E do futuro? Ainda não tive tempo para pensar!
Acaba bem
.
Todo meu passado
Num recorte de papel
Está contado.
.
A vida em versos vivos
Se vos conta
De um amor que não tem conta.
.
Se era ela a pretendida
Eu já não sei,
Sei apenas não ser eu pretenso dela.
.
Todo meu escrito
Num papel amarelado
Pelo tempo mal tradado!!!
.
Minha vida numa fábula
Se vos conta...
A história não acaba bem.
.
Edney Valentim Araújo
1994...
Tudo me inspira hoje; só não expira amanhã aquilo que falam do meu passado, porque a inveja nunca morre.
Eu e o meu eu
Eu, o reflexo de um rio e a lua,
Eu, o meu passado e o silêncio profundo da madrugada,
Eu, meus sentimentos presos a momentos e os meus pensamentos vagando em direção a Lua.
"Meu presente é o passado, meu passado é presente, o presente é o futuro, o presente que vai definir seu futuro".
Posso mudar o meu futuro inteiro, mas nunca vou conseguir apagar o passado lindo que escrevi com você.
A verdade é que eu não enterrei o meu passado; ele se mudou para dentro das minhas costelas. Quando a mulher que desenhou o meu destino decidiu ir embora, recolhendo os pertences e deixando apenas o vazio no apartamento, algo em mim quebrou de maneira definitiva. Não houve gritos ou portas batendo. Apenas o estalo seco de uma engrenagem vital que parava de funcionar.
Durante quase uma década, tornei-me um vigia de túmulos.
Habitei a solidão da cama de casal como quem protege um solo sagrado. Desenvolvi um pânico visceral diante de qualquer aproximação humana. Se alguém demonstrava um interesse sutil, meu estômago contraía. A simples ideia de compartilhar a rotina com outra fisionomia parecia uma heresia, um insulto à memória daquela que ainda governava os meus pensamentos. Eu me convenci de que a capacidade de entrega era um recurso finito, totalmente esgotado naquela despedida. Sentia-me um náufrago confortável na própria ilha de amargura.
Até que a vida, soberana e imprevisível, cansou do meu isolamento voluntário.
Aconteceu numa livraria de bairro, num fim de tarde cinzento. Eu procurava um título qualquer para preencher as horas mortas, quando uma desconhecida esbarrou na estante ao lado, derrubando uma fileira inteira de volumes no assoalho. O estrondo quebrou a solenidade do ambiente. Instintivamente, abaixei-me para recolher as obras espalhadas.
Quando nossos dedos se cruzaram na tentativa mútua de resgatar o mesmo exemplar, ergui as pálpebras.
Aquela senhorita de pele morena possuía traços completamente distintos, uma voz mansa e um aroma fresco de lavanda que nada lembrava o perfume antigo que passei anos tentando esquecer. Contudo, ao fitar a profundeza das suas pupilas castanhas, percebi um brilho familiar de vulnerabilidade e resiliência. Foi um impacto mudo, um solavanco térmico que atravessou minha espinha. A couraça que cultivei com tanto zelo rachou de cima a baixo.
Ela esboçou um sorriso tímido, sem cobranças, que parecia compreender a bagunça que eu carregava na alma.
Pela primeira vez em milhares de dias solitários, o fantasma da rejeição retrocedeu um passo. O peito, antes congelado, ardeu com uma eletricidade esquecida, quase juvenil. Não era a cura imediata da dor crônica, mas a percepção nítida de que o mundo continuava girando lá fora, oferecendo novas estradas para quem ousasse caminhar.
A jovem senhorita agradeceu a ajuda, recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Pouco antes de cruzar o portal, deteve o passo. Girou o corpo, sustentou meu olhar fixamente por alguns segundos cruciais e acenou positivamente, num convite implícito que dispensava vocábulos.
Permaneci estático, assimilando o milagre daquele instante. A marca da perda segue cravada na minha pele, indelével. Todavia, compreendi que carregar uma cicatriz não significa permanecer sangrando. O pavor ainda sussurra no meu ouvido, mas o desejo de experimentar o calor do sol novamente tornou-se, finalmente, muito maior.
A grande lição que a dor me ensinou é que o luto não deve ser uma sentença de prisão perpétua, mas um processo de transformação. Fechar as portas para o mundo com medo de sofrer novamente não protege o coração; apenas o sepulta em vida. Amar exige coragem exatamente porque envolve o risco da perda, e a verdadeira superação não consiste em esquecer quem partiu, mas em ter a generosidade de permitir que novas histórias sejam escritas nas páginas que restam.
Solidões cativas é um desejo isolado,
um sabor de amargura de um momento passado.
No meu ponto de vista, sou um grande fracasso,
carregando o peso desse cansaço.
Preso nas horas desse eterno tormento,
onde o tempo se arrasta e me quebra por dentro.
Colecionando as sombras de uma falsa ilusão, sou o
eco que ecoa na minha própria solidão.
Perdi o norte e a direção para caminhar, restou
apenas o vazio para me observar.
E no silêncio que parece não ter fim, sou apenas
a sombra do que restou de mim.
Se quem gosta do passado é museu, vou mudar meu sobrenome! O presente parece um cavalo de Tróia e o futuro, a Caixa de Pandora!
vez ou outra o meu "eu do passado" vem me dar um abraço
vez ou outra o meu "eu da infância" me chama para brincar
vez ou outra... o meu "eu do futuro" me leva para passear e me mostra que vale a pena chorar e que toda essa luta valerá muito a pena se eu decidir ficar
Sobre meu passado eu vendi o prédio inteiro por uma pechincha.
O tempo até demoliu,
Não existe mais.
Talvez meu passado seja só introdução
Rascunho de um livro que ainda não li
Se o futuro é essa página que me encara
Quem sabe seja hora de escrever dali
Meu passado é um espelho cujo reflexo me fere, ainda que eu o quebre, as lembranças de um tempo sombrio permanecerão intactas.
