Sinto falta do meu Passado
Mas descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele consegue escapar.
DESABAFO
Sentimentos mornos,
alma gelada.
Brisa lavando, no rosto,
o passado quase apagado.
Distâncias internas
sem rumo, sem pernas.
Pele sem perfume,
poros sem arrepios.
Choro sem vela.
Vazio profundo.
De sobra, apenas o olhar
em busca de conexão com o mundo
Gosto da minha solidão
do meu canto
do meu quarto
do meu silêncio ...
Não sinto nenhum incômodo
em ficar sozinha .
Pelo contrário ...
Vou delicadamente
me cuidando
e me regando por dentro .
O momento
em que me sinto mais feliz :
É quando fecho os olhos
mergulho profundo
esqueço toda dor
E me acaricio em alento .
Glória
Vive dentro de mim um mundo raro
Tão vário, tão vibrante, tão profundo
Que o meu amor indómito e avaro
O oculto raivoso ao outro mundo
E nele vivo audaz, ardentemente,
Sentindo consumir-se a sua chama
Que oscila e desce e sobe inquietamente;
Ouvindo a minha voz que por mim chama
Em situações grotescas que me ferem,
Ou conquistando o que meus olhos querem:
Príncipe ou Rei sonhando com domínios.
Sinto bem que são vãs pra me prenderem
As mãos da Vida, muito embora imperem
Sobre a noção real dos meus declínios.
(in "Dispersos e Inéditos")
Porque quando alguém, meu caro, vangloria-se / de ser um homem honrado, depois de dar / a sua palavra, esta deve ser sagrada. // E mesmo que a estrada seja longa, feia ou bela, / custe o que custar, nem que ele tenha de ser morto, / mas a sua palavra deve ser mantida.
E por esta arte de conhecer os homens, digo-vos, meu filho, que se pode aprender, mas que não se pode ensinar.
Ao lado do homem vou crescendo
Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente
Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas
Ao lado do homem vou crescendo
E defendo-me da morte povoando
de novos sonhos a vida.
