Silêncio
O aparente silêncio de Deus nunca significa abandono; muitas vezes, é nesse contexto que aprendemos a perseverar e a confiar no caráter de Deus acima das circunstâncias.
As vezes é no silêncio e na escuridão que encontramos as pequenas luzes da vida, quando abraçamos essa esperança, não a nada para deter nossa coragem de não temer o desconhecido, podemos dizer que essa luz é a uma pequena parcela da nossa fé.
Quer sair da matrix coletiva?
Em silêncio, bem sereno
Caminhe para dentro de seu coração
Atravesse esse portal que sempre esteve aberto
Para te libertar dessa ilusão
Fazer você, peregrino
Retornar a sua própria realidade
Viver em paz
Em sua própria dimensão
Penetrando em suas redes internas
Para nunca mais se escravizar.
Fiquem na paz.
Chegou, fez silêncio em meu abraço.
O cansaço quase que fica,
mas foi.
Foi neste dia que percebi
que amar também é silêncio,
e calei.
Nildinha Freitas
O Sofrimento da Paz
No silêncio do mundo, observei algo penoso...
Observei o jovem ir viver sozinho porque entendeu que todos andam armados com facas e com máscaras em um teatro.
O solitário ri com o colega que o chama de amigo, mas ele está presente e nunca será íntimo do solitário.
Esse tipo de pessoa sofreu o suficiente para entender que sua paz e sua vida são apenas dele. Falar de sua fraqueza não vai diminuí-la. Mostrar sua vida não vai melhorá-la.
Ele espera o outro julgá-lo para então ir embora. Espera do outro um olhar ímpio para saber quando se afastar.
Essa pessoa não vê apenas o lado ruim do mundo. Ela não é má. Evitar a decepção é seu único desespero. É sua única certeza.
Por fora, é sereno e amigável, mas distante intimamente.
Alguém no limite, esperando o mundo cair, não para aplaudir, mas para cair com ele também.
O solitário não é triste. Ele entende o sofrimento da paz.
Mas essa é a única frustração que o deixa seguro.
Sabe que, em sua agonia, suas conversas e sua forma de ver o mundo não serão entendidas. Para ele, seria melhor conversar consigo mesmo e com o silêncio.
Já o amor...
Para ele, é a mesma história.
É como encher uma garrafa para o solitário.
Um dia, o coração está cheio; no outro, vazio.
Mas não se preocupa em mantê-lo cheio.
Porque tudo que se enche também se esvazia.
Seria melhor observar o desfecho da causa da vida ao escolher o caminho que parece dolorido aos olhos dos outros.
Mas, para ele, esse caminho é seu refúgio dos monstros que não têm garras nem dentes, não o fazem sangrar...
Mas dos monstros que amam e deixam de amar.
Dos que prometem confiança e, no primeiro ato, fazem o contrário.
Do que diz ser amigo, mas julga seus erros.
Do que mostra um sorriso quando, por dentro, seu coração o repulsa.
Todos são iguais, porque, para o solitário, todos têm máscaras e só mostram aquela que os outros devem ver.
Quando a justiça perde o caminho,o silêncio começa a falar.Muitos procuram por respostas,esperando a verdade chegar.
Não existe paz verdadeiraonde a injustiça insiste em ficar.A esperança de um povo cansadoainda sonha em se levantar.
Helaine machado
Não adianta pedir silêncio ao mundo
quando existe uma guerra acontecendo dentro da própria mente.
Não basta falar sobre paz.
É preciso tornar-se paz.
Perguntaram-me o que é arte. Ouviu-se de mim silêncio; não um, mas o silêncio, do tipo que tanto tememos, mas que, por vezes, é a única resposta que temos.
O mesmo silêncio que preenche o universo em que vivemos, que se esconde nas palavras que não dissemos, que, como um véu, cobre a pureza das estrelas. Sim, foi este o meu silêncio.
O mesmo silêncio de uma árvore que tomba no deserto, sem ninguém para escutá-la; o silêncio que faz da arte, arte para nossas almas.
A arte não pode ser definida, deve-se ser contemplada. Por isso, ouviu-se de mim o silêncio, pois...
Como hei de explicar a arte?
Não espere o grito virar silêncio,
nem a ameaça se tornar agressão.
Quando o medo entrar pela porta,
proteja primeiro o coração.
Medida protetiva não é vingança,
é um pedido legítimo de proteção.
É dizer: “Eu quero continuar viva,
quero ter direito à minha própria direção.”
Helaine machado
"No mais alto e imponderável silêncio das nossas consciências, escutamos a voz lacônica Deus, a nos anunciar o enigma
impronunciável da eternidade!."
Manifesto da Raiva
Não é a raiva histérica que me move,
mas a que nasce do abuso,
do silêncio imposto aos que ainda têm alma.
Raiva de ver os bons engolidos
por um sistema que premia a mentira,
que coroa o disfarce,
que veste a hipocrisia como traje de gala.
A indignação é meu sangue,
me desperta, me obriga a escrever.
Não busco paz interior,
não preciso de frases que anestesiam.
Escrevo para rasgar,
para devolver em fogo
o que tentaram me enfiar goela abaixo.
Minha arte não é gentil,
é necessária.
Porque se eu calar,
se eu aceitar,
se eu sorrir junto,
aí sim estarei perdido.
A raiva me lembra que existo.
A indignação me prova que ainda sinto.
E enquanto isso durar,
ninguém, nunca,
vai me domesticar.
CLARIDADE DO INDIZÍVEL
Tua alma é um pátio antigo onde o silêncio respira,
e por onde passam figuras que não sabemos nomear,
ecos de vidas que ficaram presas na memória,
sussurros que dançam entre luz e penumbra.
Ali, o homem que és se desfaz do mundo,
larga o peso, a pressa, o roteiro imposto,
e caminha como quem toca na própria sombra
com a delicadeza de quem sabe que tudo pode ruir.
O vento te ensina gestos que esqueceste,
a chuva te devolve a inocência da água,
e a noite te veste com a claridade que não fere,
essa luz que não ilumina, mas revela.
E no fundo desse jardim escondido,
onde nenhum ruído do mundo te alcança,
há uma fonte que insiste em murmurar verdades —
verdades que não se dizem,
mas que o teu silêncio entende.
É ali que te reencontras:
entre o eco do que foste
e o lampejo do que ainda virá,
sob o luar que não consola,
mas que te devolve a ti mesmo.
No silêncio da noite serena, o vento murmua, suave e pequeno.
E as estrelas brilham intensamente, o céu é tomado pelo seu brilho, que mostra os segredos mudos guardados por elas.
O tempo passa carregando com elas a força de quem acredita, que a vida, embora aflita, vai sempre florescendo uma nova estação, como esperança no coração.
No silêncio do meu quarto
É no silêncio do meu quarto que me transformo em palavras.
Às vezes, meu caro amigo, meu desejo não passa de aspirações literárias, poéticas talvez, românticas sempre.
Sou um romantismo em botão.
Tenho alma de poeta clássico e coração de donzela sonhadora.
Conheço os doces e amargos do sentimentalismo nato, e já fui provedora de todos eles.
E também, vez ou outra, quando me abasta a solidão cabível ao pungente e lascivo transcorrer do tempo, eu me ponho a combinar palavras,
formar versos, montar textos que quiçá traduzam o que sinto.
Tenho no papel um confidente perfeito, com quem compartilho angústias e alegrias sem medo de ser subjugada.
Ele apenas retém os meus sentidos, e isso já me basta.
Quero fazer conhecer a quem, um dia, porventura, venha ser leitor de meus escritos, que sou a mais sensível e suave das mulheres, me desmancho pelo toque, me recomponho pelo olhar, sou artista e plateia ao mesmo tempo; amante e amada.
Recebi do Criador a aflitiva missão de apenas amar, e dela não me queixo, nem me seria digno apontar um quê de reclamação.
É doce morrer de amor.
Imprevisível
No silêncio da redoma deste quarto
Contemplo os jornais sobre a parede
As caixas espalhadas pelo chão
Valeu a pena mergulhar nesse feitiço?
A resposta da pergunta é quase um parto
Eu bebo pra aplacar a minha sede
Camuflando as ilusões do coração
Valeu a pena desejar um compromisso?
Você é a solidão que eu descarto
A lágrima que cai do olho verde
O beijo desprovido de paixão
Valeu a pena aceitar o seu sumiço?
O passado chegou como um infarto
Rompendo as fortalezas dessa rede
Fazendo-me soltar a tua mão
Valeu a pena me perder por causa disso?
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