O Sofrimento da Paz No silêncio do... Hysheller Policarpo

O Sofrimento da Paz


No silêncio do mundo, observei algo penoso...


Observei o jovem ir viver sozinho porque entendeu que todos andam armados com facas e com máscaras em um teatro.


O solitário ri com o colega que o chama de amigo, mas ele está presente e nunca será íntimo do solitário.


Esse tipo de pessoa sofreu o suficiente para entender que sua paz e sua vida são apenas dele. Falar de sua fraqueza não vai diminuí-la. Mostrar sua vida não vai melhorá-la.


Ele espera o outro julgá-lo para então ir embora. Espera do outro um olhar ímpio para saber quando se afastar.


Essa pessoa não vê apenas o lado ruim do mundo. Ela não é má. Evitar a decepção é seu único desespero. É sua única certeza.


Por fora, é sereno e amigável, mas distante intimamente.


Alguém no limite, esperando o mundo cair, não para aplaudir, mas para cair com ele também.


O solitário não é triste. Ele entende o sofrimento da paz.


Mas essa é a única frustração que o deixa seguro.


Sabe que, em sua agonia, suas conversas e sua forma de ver o mundo não serão entendidas. Para ele, seria melhor conversar consigo mesmo e com o silêncio.


Já o amor...


Para ele, é a mesma história.


É como encher uma garrafa para o solitário.


Um dia, o coração está cheio; no outro, vazio.


Mas não se preocupa em mantê-lo cheio.


Porque tudo que se enche também se esvazia.


Seria melhor observar o desfecho da causa da vida ao escolher o caminho que parece dolorido aos olhos dos outros.


Mas, para ele, esse caminho é seu refúgio dos monstros que não têm garras nem dentes, não o fazem sangrar...


Mas dos monstros que amam e deixam de amar.


Dos que prometem confiança e, no primeiro ato, fazem o contrário.


Do que diz ser amigo, mas julga seus erros.


Do que mostra um sorriso quando, por dentro, seu coração o repulsa.


Todos são iguais, porque, para o solitário, todos têm máscaras e só mostram aquela que os outros devem ver.