Shakespeare sobre o Amor Soneto 7
Soneto do primogênito
Sua pele clara
suave e macia
seus olhos castanhos marcantes
feito a luz do dia.
Você trouxe a doçura
dos meus antepassados,
a virtude dos bons meninos
e a beleza dos ferozes felinos.
Teu sorriso é a reluzente e fria aurora,
que em minha vida,
é o amor de outrora,
de antes, de sempre e de agora.
AUTO SONETO
Rima soneto, o meu eu sem detrimento
Diz ao verso a perfeita e a real melodia
Se de sintonia, alegria ou de nostalgia
Traz à flor da pele o capricho do talento
Revela que sou sensações em categoria
Da alma, da emoção e do pensamento
Na dor, amor, que eu sou toada e alento
Anatomize o meu eu poético com eufonia
Vai soneto, me revelando a cada tento
Em loas de aprazimento duma parceria
De que na prosa eu vivo de sentimento
E neste último terceto, desta biografia
Deixo a minha paixão pelo letramento
No meu encruzar, imortal, só a poesia!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
22, agosto, 2016 - cerrado goiano
Soneto de Uma Tarde
Esse sol já não é mais claro
Nasce o Sol
E não dura mais que um dia
Por que é que o sol nasce de dia?
Quando não devias ser
Pois se de dia é tudo tão claro
O que sol vem aqui fazer?
Já que de noite anda tão escuro
Toda viela
É um mar sem fim
Depois da Luz vem
A noite escura
É que me deito e me penso à noite
É que ele deveria nascer
SONETO 06
Dos vales mais profundos assim Eu vi
A alma triste que ardia em chamas
A solidão que aqui tu reclamas
Sofri vendo e fiz de conta que não sofri.
Desenterrado do meio de todo erro
O ouro brilha mais do que se espera
Meus olhos que agora ver e coopera
E chora bem mais do que um bezerro.
A alma que dantes triste vivia
Aquece-se afora da laje fria
E preenche a carne minuciosa.
Eu que queria nessa vida um só bem
Um amor, uma paixão, um alguém.
Continuo com essa natureza ansiosa.
02/07/2002
SONETO 07
Hoje, quero preencher o espaço vazio,
Completar o que me espera para o futuro
Não quero dar nenhum tiro no escuro
Nem me perder num caminho sombrio.
Quero. Mas querer nem sempre é poder
Desejar é como sonhar acordado
Viver nos sonhos não é ser realizado
E mesmo realizado ainda falta algo no viver.
No sobejar do desespero e do desgosto
Vi ao longe a luz de um sol já posto
E o escurecer da minha vida particular.
Eu que sou homem viajado na substancia
Recordo, e num desvairo de minha infância
A lágrima que ainda hoje vem me inspirar.
02/06/2016
SONETO 08
Eu queria somente encontrar um verso
E um outro poema acabou achando
Nessas lágrimas que soltei chorando
Nesse meu contentamento submerso.
Solto os meus soluços arquejando
E o meu espírito fica espesso
Na áurea mais profunda do universo
Que a minha mão o fez traçando.
Abro os olhos num passado de amor
E nele não mais acho a sua dor
Hoje só me resta ter alegrias.
A sua sombra extrema de venturas
Pode ter sido longos dias de loucuras
Como também os únicos maus dias.
26/10/1993
SONETO 09
Atirem à primeira pedra em mim
Quem dentre vós nunca amou
E quem também nunca errou
E na vida não sentiu algo assim.
Quem?! Um só motivo apresente agora,
Ou me diga o que fazer aonde ir?
Dê-me um motivo para não partir
Nem chorar, pois não é hora.
Arrisco-me, mas tenho cuidado.
É muito estranho o meu estado
E com certeza triste para quem me ver.
A vida se faz com um alto preço
E eis-me aqui, pois Eu te ofereço.
O meu amor, que em ti quer viver.
23/03/2005
SONETO 10
Vim aqui não como quem faz versos
Pois estou tentando fugir sem saída
Vou fugindo e procurando minha vida
Na vaga rua dos meus universos.
Eu tentei sozinho aqui encontrar
Nesta rua que só me fez sofrer
Pois sem vida continuei a viver
E vivendo, vivi só para amar.
Só sei que o amor que outrora ardia
Hoje não passa de uma coisa fria
Ou qualquer coisa similar assim.
Entre o amor e o verso perdido
Fico Eu aqui sem ter vivido
Quero achar vida antes do meu fim.
16/09/2002
Soneto
Por Adailton Ferreira(Poeta Adailton)
Saudade
Um pingo de lágrima que cai no rosto.
Inundando o coração.
Um aceno com uma das mãos -Tchau.
O rosto sumindo pelo retrovisor- Despedida.
São as lembranças de uma vida.
De alguém que partiu para a eternidade.
Aqueles momentos de felicidade que marcaram história.
Que insistem em "morar" na memória.
A pessoa que sempre esteve ao seu lado.
Que não morreu junto com o passado.
É uma dor sorridente.
E está viva no presente.
É ver apenas aquela pessoa.
Em meio a tanta gente.
SONETO PARA VOCÊ
Há certos momentos em minha vida
Que a poesia se torna parte
Agora é um desses intensos momentos
O meu coração bate mais depressa
E eu quero que saiba pois
Isso que eu trago em versos
Tem muito a ver com você
Não é flerte, é muito mais
É relação e relação é relacionamento
Estou inteiro e pronto para ti
Te dar todo meu carinho guardado
Tudo o que eu quero dizer
Vem com a minha real pergunta:
Será que você aceita namorar comigo?
PEDIDO: PAULO CESAR (CISQUINHO)
DATA: 31/10/2021
CIDADE: PARAÍBA DO SUL
SONETO AO NOVEMBRO AZUL
O homem já não vive de tabu
Faz rito a prevenção sem ver atrito
Entre ele ser viril e o toque nu
Só que o preconceito urge maldito
Pois o macho ainda zoa o novembro azul
Como se o desdém fosse algo bonito
E qual tipo de gente serias tu?
Porque abrir mão da saúde nem cogito
A desinformação mata, inclusive
E o homem já não fica cabisbaixo
Ele se informa igual um detetive
E talvez não lhe agrade o que eu acho
Mas sim, na vida o homem sobrevive
Enquanto na ignorância morre o macho
O soneto que hoje fiz foi escrito
D'uma forma correta, d'um modo inverso
Sei que morro no final de cada verso
Para enfim renascer no infinito.
Infinito este no qual ecoa o meu grito
Nos confins do meu pequeno universo
Onde comigo falo, me contradigo,me desconverso
No mesmo instante que sou feliz,estou aflito!.
Travo um diálogo mudo entre lucidez e loucura
No mundo claro da minha sala escura
Onde cansado de não correr eu me deito.
Tateando na cegueira a minha mão procura
Achar o teu semblante, a tua figura
Para dormir o sono do amor no teu peito
Soneto 2
Amas, amas em teu ser verdadeiro!
Coração errante, sem temor de errar.
És flecha do cupido, o mensageiro,
Que sempre no alvo sabe onde acertar.
Amas como o fogo que arde inteiro,
Aquecendo a alma em inverno a gelar.
És um eterno amante, verdadeiro,
Com prudência da serpente a caminhar.
Amas por completo, com paixão,
A tua eterna amada, teu tesouro.
O amor que te consome em devoção.
Amas com intensidade e desvelo,
Como quem guarda em si o puro ouro,
Do sentimento mais puro e belo.
SONETO DIVIDIDO
Meu sonho busca o verso eternizado
De ver o soneto no pódio da inspiração
Traçando prosa de tão doce sensação
De agrado, alegria, de afeto cobiçado
Minha ilusão chama pela mesma razão
De tal glória, assim, sendo, torneado
Onde o amor sempre seja glorificado
E, o ledor aplauda com brava afeição
Mas, nada é tão simples, tão comum
Na busca de ter o sonhado, mais um
Inolvidável, no diverso das emoções
E, então, o propósito amordaçado
Num soneto dividido, despedaçado
O vi disperso na trama das cisões...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Junho 23, 2022, 05’45” – Araguari, MG
Soneto da saudade
Saudade da chuva
Harmonia terrestre
Saudade estava
Acalanto a alma
Saudade do sol
Estrela terrestre
Saudade estava
Acalanto a alma
Saudade estava
Da minha doce amada
Pensante fada
Saudade estava
Da madrugada... Atordoada
Assim serena, ô doce amada
Soneto Estória Sagrada
Eu as vezes fico indo e voltando
Aos mesmos lugares
Mas tudo tem o seu tempo
E estas indas e vindas já tiveram o seu
Nem sempre é fácil
Se desprender das correntes
Ou das amarras que prenderam minha atenção
O lirismo de nosso outono
Mas eu vou me livrar
Enquanto eu vou escrevendo, entendendo e vendo
E deixando pra trás o lirismo profano
Quando eu acabar este soneto
Já estarei livre disso
Para escrever uma estória sagrada, inculpe, inviolada
Autoria: Edson Felix
Data: 9.3.21
Meu quarto soneto
A tristeza
Substantivo abstrato;
Depende de alguém para existir;
É a marca da infelicidade;
É a companheira da saudade;
Ás vezes é motivo para sorrir;
Para disfarçar aquilo que qualquer pessoa ver;
Mas quando não tem jeito;
Não dá para esconder;
É a impotência de não poder ajudar;
É querer dizer e não falar;
É o sabor amargo da derrota;
É a consequência da desilusão;
É filha da traição e irmã do desamor;
É a distância entre a felicidade e a dor.
poeta Adailton
SONETO COVID-19
E de repente o mundo entrou em colapso
Depois do alastramento de uma doença
Fez-se vigente a ausência de um abraço
Posto o verbo cruel quando não se pensa
Num contexto vazio que cá rechaço
Entre pessoas numa troca de ofensas
Em argumentos pobres e devassos
Enquanto a vida lá fora é (in)tensa
A fauna e a flora respiram ilesas
O ar cada vez mais casto se figura
Talvez tu, este mundo, não mereças
Se até a água se faz cristalina e pura
Sem você! Libertou-se a natureza
Então seria esse vírus praga ou cura?
O Silêncio
Meu sexto Soneto
É verbo no imperativo;
É calar mesmo sentindo a dor;
É o pedido do professor;
É a mais dolorosa resposta para um bom entendedor;
É expressar com um olhar tudo o que sente no coração;
É o momento de oração;
É falar com Jesus;
É suportar o peso da cruz;
É o grito no deserto;
É não dizer aquilo que não vale a pena;
É a noite na cidade em quarentena;
É o porquê que muitos não podem compreender.
E outros não merecem saber.
É,ás vezes, a responsabilidade do que dizemos.
poeta Adailton
