Frases do Sertão que vão tocar fundo na alma nordestina

O Sertão Dentro de Mim


O sertão que eu trago
não tá no mapa


ele mora em mim


nas partes em que a palavra
não cabe


onde o silêncio
diz sim


Tem dia
que sou chão rachado


pedra dura
pó e calor


onde a lágrima
não escorre


mas queima
o peito
e a dor


Mas foi na seca
que eu vi brotar


meu fio d’água
escondido


milagre pequeno
e teimoso


me mantendo vivo


Já tive sede de afeto


sede de mim
de abrigo


mas aprendi
com o deserto


que a falta
também é amigo


O sertão que vive em mim
é duro


mas quer crescer


porque o amor
que nasce da dor


ninguém mais
pode deter.

Carina Gameiro

Sertão

No sertão de terra seca,
onde o sol abraça o chão,
moram corações cheios de amor,
fé, coragem e gratidão.

Aqui se aprende o valor
dos mais simples detalhes da vida;
de uma sombra generosa,
de uma chuva tão aguardada e querida.

Quando as águas enfim chegam,
como bênção vinda das mãos de Deus,
o verde domina a paisagem
e renova os sonhos seus e meus.

Ao olhar os pássaros do céu,
lembro do que Cristo ensinou:
se Deus cuida de cada ave
e jamais as abandonou,
quanto mais seus filhos amados,
que Ele mesmo criou.

É terra de espera e esperança,
de oração feita com devoção,
onde se aprende a confiar
no tempo e no agir do Divino.

Terra que amo profundamente,
que guardo com orgulho e afeição;
não a troco pela correria
da selva de pedra da cidade, não.

Prefiro o cheiro da terra molhada,
o canto livre da passarada ao léu,
pois no sertão encontro a paz da alma
e a presença de Deus sob o mesmo céu.

O Sertão que ninguém conhece!

— Todos dizem conhecer o Sertão sem ao menos saber o significado de Sertão.

E continuam andando perdidos pelo mundo.

Até que um cacto o sirva como a única fonte de água para beber •

Os pingos da chuva que driblam a seca no sertão são resultantes do nosso povo em constante oração.

As Cores do Sertão do Apodi


O azul das águas de nossa lagoa realça o cinza da caatinga;

O verde de nossa vegetação contrasta com a epiderme dos povos originários;

O chumbo de nosso lajedo suplanta a cal branca de sua degradação;

O amarelo de nossas riquezas enaltece a fartura de nossa região;

A terracota de nossa argila enrijece a luta de nosso povo;

O colorido de nossa fauna sarapinta a miscigenação de nossa gente;

O vermelho do poente incendeia o horizonte de nossa chapada;

O laranja do entardecer aquece os sonhos que resistem ao tempo;

O dourado do sol castiga e, ainda assim, fecunda a resistência;

Nossa água mineral sacia a sede, sustenta nosso lugar e renova as cores vivas de nossa terra.

Música: Brasil, meu Brasil
Verso 1
Do norte ao sul, um só pulsar,
rio, sertão, cidade a brilhar.
Na luta diária, fé que não diminuí,
o povo sonha alto e sempre reluz.
Refrão (2x)
Brasil, meu Brasil, teu nome é esperança,
na batida do coração, o futuro avança.
Verso 2
Tem dor, tem riso, tem sol e suor,
tem mão calejada plantando o melhor.
Entre dificuldades e vitórias, seguimos em pé,
Brasil é coragem, trabalho e fé.
Refrão
Brasil, meu Brasil, teu nome é esperança,
na batida do coração, o futuro avança.

Sogra e sertão!


É a chegada...
É o abraço amigo.
É a coalhada, filhós e pão.
É o café quentinho
É o anjo em ação.


É a noite...
É a conversa no terreiro.
É o chá de capim limão.


É o sono...
É a rede na sala.
É o lençol limpinho.
É o cheiro bom do sabão.


É a partida...
É o doce, a manteiga, o capão, e os ovos na lata com feijão.


É o amor envolvido na caixa de papelão.
Isso é sogra!
Isso é sertão!
Haredita Angel
28.03.17

Crônica
Grande Sertão Veredas
Guimarães Rosa

Há amores que compreendemos. Outros simplesmente nos acontecem. Riobaldo amou Diadorim antes de conhecer toda a sua verdade
e talvez seja justamente aí que mora uma das perguntas mais profundas do amor: amamos a pessoa que existe ou a imagem que construímos dela? Esta crônica nasce desse mistério, desse lugar onde as certezas terminam e o coração continua caminhando.


“Onde o Mapa Termina, o Amor Começa”

Há uma pergunta escondida nas veredas de Guimarães Rosa que talvez seja maior do que o próprio sertão:
Quem Riobaldo amava quando amava Diadorim?
Talvez ele não amasse o homem que acreditava enxergar.
Talvez também não amasse a mulher que um dia descobriria.
Talvez amasse simplesmente Diadorim.
E nisso existe uma verdade assustadoramente bonita sobre o amor: quase nunca amamos aquilo que conseguimos explicar.
Passamos a vida desenhando mapas das pessoas.
Damos nomes.
Criamos definições.
Inventamos certezas.
“Ela é assim.”
“Ele jamais faria isso.”
“Eu conheço essa pessoa.”
E, pouco a pouco, confundimos o desenho com a paisagem.
Esquecemos que o mapa não é o território.
A ideia que fazemos de alguém não é esse alguém.
Existe sempre uma região desconhecida dentro de quem amamos.
Um lugar onde nunca entramos.
Uma vereda secreta que talvez nem a própria pessoa conheça inteiramente.
Riobaldo olhava Diadorim e acreditava saber o que via.
Mas seu coração sabia alguma coisa que seus olhos ainda não podiam compreender.
E talvez seja justamente aí que o amor se torne mistério.
Porque os olhos precisam de formas.
A sociedade precisa de nomes.
A razão precisa de explicações.
Mas o coração, às vezes, reconhece antes de compreender.
Riobaldo tentou lutar contra aquilo que sentia.
Interrogou a si mesmo.
Temeu o próprio desejo.
Procurou explicações para aquilo que não cabia nas explicações disponíveis em seu mundo.
Mas Diadorim permanecia.
Porque há pessoas que entram em nossa vida não como respostas, mas como perguntas.
E algumas perguntas nos acompanham para sempre.
No fim, quando a verdade sobre Diadorim é revelada, poderia parecer que tudo finalmente se explica.
Mas não.
A revelação resolve o segredo do corpo e aumenta o mistério do amor.
Porque Riobaldo já amava antes de saber.
E isso muda tudo.
Ele não começou a amar Diadorim depois que descobriu que Diadorim era mulher.
Ele amou no escuro.
Amou na dúvida.
Amou quando amar lhe parecia impossível.
Talvez por isso aquela história doa tanto.
Porque a verdade chegou quando já não havia tempo para vivê-la.
E quantas vezes fazemos exatamente isso?
Esperamos compreender completamente alguém para finalmente amá-lo sem medo.
Esperamos uma explicação.
Uma certeza.
Uma confissão.
Uma verdade definitiva.
Mas pessoas não são livros que terminamos de ler.
Há capítulos que nunca conheceremos.
Há silêncios que jamais serão traduzidos.
Há territórios inteiros escondidos atrás de um sorriso.
Talvez amar seja aceitar que nunca possuiremos o mapa completo de ninguém.
Nem mesmo daquele que dorme ao nosso lado.
Nem mesmo daquele que juramos conhecer há uma vida inteira.
Porque conhecer alguém não é chegar ao fim de seu território.
É continuar caminhando mesmo sabendo que haverá sempre alguma vereda desconhecida.
E talvez a maior tragédia de Riobaldo não tenha sido descobrir que Diadorim era mulher.
Talvez tenha sido descobrir, tarde demais, que passou tanto tempo tentando entender o amor, quando poderia simplesmente tê-lo vivido.
No grande sertão da existência, fazemos isso muitas vezes.
Perguntamos demais ao sentimento.
Exigimos documentos daquilo que o coração reconheceu em silêncio.
Queremos saber o nome da estrada antes de caminhá-la.
Mas o amor verdadeiro talvez não pergunte primeiro:
“Quem é você?”
Talvez pergunte:
“O que acontece dentro de mim quando você chega?”
E então compreendemos alguma coisa que Riobaldo levou uma vida inteira para contar:
não amamos apenas aquilo que sabemos sobre alguém.
Amamos também aquilo que não conseguimos explicar.
Amamos os mistérios.
As contradições.
Os silêncios.
As veredas que nunca percorremos.
Porque, no fim, o mapa não é o território.
E talvez o amor comece exatamente no ponto onde o mapa termina.

Chora o sertão


No sertão, a chuva forte despenca,
Cortinas de água dançam, se entrelaçam em pencas...
O céu azul, em contraste, se estende,
Nuvens pesadas silenciosas, como segredos que sussurram entre si e se entendem.
A terra sedenta, em êxtase, agradece,
cochichando promessas de vida e renovo...
As folhas vibram com cada gota que desce,
Um milagre sutil, um amor renasce completamente novo.
Os pássaros cantam, festejando a clemência...
Nos riachos fios de água dançantes refletem o brotar de nova alegria...
O chão, antes árido, agora em essência,
recebe a bênção que transforma a secura em terra fértil em florescência.
Da dor à esperança, o ciclo se completa...
Coração do sertão, pulsando em harmonia,
Na dança da chuva, a vida se propaga,
E em cada gota, a natureza se transformando na mais pura poesia.

Festa Junina

Prá dançar quadria no sertão é mais mió
sanfoneiro e violeiro tomam conta do forró
não precisa orquestra pra animar a festa
o fungado da sanfona vai-se até o nascer do sol(bis)

Piriri piriri piriri
Toca o fole na palhoça
piriri piriri piriri
como é bom São João na roça(bis)

⁠Saga de Zé do Chapéu: Um Conto de Amor e Superação no Sertão

No sertão do Nordeste, onde o sol brilha forte,
Há um conto que se conta com amor e sorte.
Era uma vez um vaqueiro valente e audaz,
Chamado Zé do Chapéu, com seu jeito sagaz.
Zé do Chapéu montava seu cavalo alazão,
Percorrendo as caatingas, sem medo ou hesitação.
Com sua sanfona a tiracolo, soltava um cantar,
Enquanto os pássaros faziam coro a voar.
Ele era um verdadeiro matuto sertanejo,
Conhecia os segredos de cada riacho e brejo.
Seu coração era grande, cheio de compaixão,
Ajudava os mais pobres sem pedir contraprestação.
Certo dia, Zé do Chapéu ouviu um lamento,
Vindo de uma moça, com semblante sofrimento.
Era a bela Maria, a flor do sertão,
Com os olhos marejados e o coração em aflição.
Maria tinha um sonho de ver a chuva cair,
Para saciar a sede e o chão ressurgir.
Mas a seca castigava a terra impiedosamente,
E o desespero tomava conta de sua mente.
Zé do Chapéu, com sua bondade sem igual,
Decidiu ajudar Maria a realizar seu ideal.
Juntos, partiram em busca de um cangaceiro,
Conhecido como Lampião, o rei do cativeiro.
No caminho, enfrentaram perigos e desafios,
Cactos espinhosos e animais vadios.
Mas Zé do Chapéu, com seu jeito esperto,
Desviava dos perigos, sempre alerto.
Ao chegar ao esconderijo de Lampião,
Foram recebidos com desconfiança e indignação.
Mas Zé do Chapéu explicou sua missão,
Trazer a chuva para salvar a população.
Lampião, com seu olhar astuto e experiente,
Aceitou ajudar, movido pela causa urgente.
Reuniu seus cangaceiros, valentes e destemidos,
E juntos, partiram em uma missão de heróis intrépidos.
Com suas armas e coragem, enfrentaram o céu,
Atirando para o alto, buscando romper o véu.
E a chuva veio, como um milagre do sertão,
Lavando a terra seca e trazendo a renovação.
Maria sorriu, agradecida e emocionada,
A seca havia partido, a esperança estava restabelecida.
Zé do Chapéu, com sua valentia e compaixão,
Tornou-se o herói do sertão, amado por toda a nação.
Assim, o conto nordestino chega ao seu fim,
Com Zé do Chapéu e Maria, em um abraço enfim.
A força do sertanejo, a resiliência sem igual,
Marcando uma história de amor e superação no local.

No recanto


O vento quente do sertão
varre a alma cansada,
E a ansiedade aperta
o peito como corda de viola.
O homem sente
o mundo pesado nos ombros,
E a esperança parece distante, escondida no céu de brasa.


Mas chega uma palavra doce, feita de calma e cheiro de terra molhada,
Um sussurro que floresce entre
o juazeiro e a laranjeira.
O coração se abre,
desata o nó que sufoca,
E a vida volta a dançar
na batida lenta do luar.


No recanto da paixão,
o olhar se encontra,
Mãos trêmulas se entrelaçam,
tão simples e certeiras.
O medo se dissolve
na música das palavras,
E o amor cresce no silêncio
que fala mais que tudo.


Ah, sertão que ensina
a alma a resistir,
Entre seca e chuva,
entre dor e sorriso.
Uma palavra bondosa
é a chuva na rocha,
E o coração do homem
volta a cantar seu próprio destino.

📚 Um convite para descobrir a poesia do cordel...


Você já imaginou viajar pelo sertão sem sair do lugar?


"Cordel de Primeira Viagem: : estudantes em sua estreia literária pelo sertão encantado da cultura nordestina" reúne produções de estudantes que deram seus primeiros passos na literatura de cordel, revelando criatividade, sensibilidade e um encontro encantador com a riqueza da cultura nordestina.


Cada página celebra a força da palavra, da tradição oral e da imaginação, mostrando que todo grande escritor começa com a coragem de escrever sua primeira história.


Você está convidado a embarcar nessa leitura e a se deixar encantar pelos versos, pelos personagens e pela beleza de um dos mais importantes patrimônios da cultura brasileira.


Boa leitura!


Disponível para download gratuito em:https://janimedeiroseducacao.com.br/

O cangaço marca a história que o tempo guardou, a arte que o sertão reinventou e a cultura que o Nordeste eternizou, revelando a resistência de um povo em meio às lutas, aos conflitos e às invasões que atravessaram um tempo de coragem, violência e contradições.

LUZGIRASSOL


No sertão da Paraíba,
onde o mandacaru vigia,
nasceu uma linda donzela
feita de encanto e poesia.


Chamaram-na Luzgirassol,
nome de ouro e claridade,
mistura de flor e estrela,
de beleza e suavidade.


Tem os olhos da manhã
quando o sol vem despontando,
e um sorriso tão sereno
que faz a seca ir passando.


No jardim onde ela mora,
entre rosas e alecrins,
parece um girassol vivo
enfeitando os seus caminhos.


As abelhas a cortejam
com seu canto laborioso,
vendo nela o doce néctar
de um destino venturoso.


Os passarinhos do campo,
do canário ao corrupião,
fazem festa em sua volta
como num grande mutirão.


Obra da mão da natureza,
mas também do Criador,
que moldou sua presença
com ternura e muito amor.


Quando passa pela estrada,
o vento muda de tom;
até a sombra das árvores
quer seguir seu caminhar bom.


Privilegiado será
aquele que ela escolher,
pois em seu jardim de afetos
há sementes a crescer.


E dos frutos desse encontro,
regados por devoção,
florescerão novas vidas
como espigas no sertão.


Luzgirassol é assim:
sol que nunca perde o brilho,
flor que transforma a paisagem
e ilumina cada trilho.


No sertão paraibano,
entre a terra e o firmamento,
vive essa deusa de luz,
girassol do sentimento.

CABRA-MARCHO


Sou cabra-macho do Sertão,
Homem de fé e fundamento,
Não meço força na aparência,
Mas no valor do sentimento.
Pois quem carrega honra no peito
Segue firme em qualquer vento.


Aprendi com meu velho pai
A palavra nunca quebrar,
Respeitar os mais antigos,
Trabalhar sem reclamar.
Porque o homem vale mais
Pelo que faz que pelo falar.


Sou filho que guarda o nome
Como tesouro e tradição,
Carrego raízes profundas
Plantadas no coração.
Feitas da mesma madeira
Da família e da educação.


Sou pai que ensina no exemplo,
Sem precisar levantar a voz,
Mostrando que o bom caminho
Se constrói dentro de nós.
E que o amor de um verdadeiro pai
É um laço que nunca se desfaz.


Sou amigo nas horas difíceis,
Companheiro de caminhada,
Daqueles que estendem a mão
Sem esperar receber nada.
Pois amizade verdadeira
É riqueza abençoada.


Carrego valores antigos
Que o tempo não conseguiu levar:
Honestidade, respeito e coragem,
Virtudes para cultivar.
São tesouros que não enferrujam
Nem o mundo pode comprar.


Sou raiz pivotante no solo,
Que ninguém consegue enxergar,
Mas sustenta toda a árvore
Quando o vento quer derrubar.
Pois a força que dura na vida
Vem de dentro para lutar.


Não vivo de fama ou riqueza,
Nem de aparência e posição,
Minha maior fortaleza
É ter paz no coração.
E saber que minha consciência
Não me acusa em oração.


Tenho somente um temor
Que guardo com devoção:
Desagradar ao Deus Altíssimo,
Fonte da minha salvação.
Pois homem que teme a Deus
Nunca perde a direção.


Se a luta aperta o caminho,
Se a seca castiga o chão,
Eu me ajoelho primeiro
E entrego tudo em oração.
Porque a vitória do homem
Nasce da fé e da ação.


Cabra-macho de verdade
Não é quem vive a se exaltar,
Mas quem protege sua família,
Sabe servir e respeitar.
Quem honra pai, mãe e amigos
E não foge de trabalhar.


Assim sigo minha jornada,
Sem orgulho e sem vaidade,
Com Deus na frente dos passos,
Com amor e dignidade.
Pois ser homem é ter caráter,
E viver com honestidade.

DEFESA CIVIL: ALMA E CORAÇÃO

No sertão e na cidade,
Na montanha e no baixão,
Existe uma grande força
Feita de união e ação.
Tem alma de solidariedade,
Tem coragem no coração,
É a Defesa Civil viva,
Servindo a população.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Muita gente ainda pensa
Que é apenas repartição,
Mas quem conhece sua essência
Sabe bem sua missão.
Não é somente um órgão,
Nem vive só na gestão,
É sistema que integra
Toda a Federação.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

União, Estados e Municípios,
Cada qual com sua função,
Somam forças com o povo
Em perfeita integração.
Bombeiros, escolas, igrejas,
Empresas e associação,
Todos formam essa rede
De proteção e prevenção.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Quando o risco é identificado,
Começa a preparação,
Mapeando as ameaças
Com estudo e observação.
Planejando cada passo,
Fortalecendo a região,
Para evitar que o desastre
Cause dor e destruição.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

A prevenção é o caminho
Mais seguro e eficaz,
Pois evita sofrimento
E protege muito mais.
Obras, alertas e campanhas,
Conhecimento que satisfaz,
Construindo comunidades
Mais seguras e capazes.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Mas se a força da natureza
Chega sem pedir permissão,
Vem a resposta imediata
Com coragem e prontidão.
Socorrendo os atingidos,
Levando apoio e atenção,
Para salvar vidas humanas
Na mais dura situação.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Depois da tempestade forte,
Da enchente ou vendaval,
Chega a fase da recuperação
Do cenário ambiental.
Reconstruindo esperanças,
Com esforço coletivo e leal,
Para que a vida retorne
Ao seu curso natural.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Assim gira o grande ciclo
Da gestão do desastre então:
Prevenção e preparação,
Resposta e recuperação.
Um trabalho permanente,
Movido por dedicação,
Protegendo cada cidadão
Com amor e vocação.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Que essa mensagem alcance
Toda a nossa população,
Mostrando que a segurança
Nasce da participação.
Pois quando o povo se une
Em espírito de cooperação,
A Defesa Civil revela
Sua alma e coração.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

PELEJA SERTANEJA

No sertão nasce o guerreiro
Com coragem por bandeira,
Aprendendo desde cedo
A vencer a vida inteira.
Faz da luta seu caminho,
Da esperança, companheira.

Quando o sol castiga a terra
E a chuva tarda a chegar,
O sertanejo não desiste,
Segue firme a caminhar.
Pois conhece que a vitória
Também sabe esperar.

O mandacaru florescendo
É lição de resistência,
Mesmo em solo castigado
Não abandona a existência.
Mostra ao povo nordestino
O valor da persistência.

O vaqueiro rompe a mata
Enfrentando espinho e chão,
Conduzindo o seu rebanho
Com firmeza na missão.
Leva a fé como armadura
Protegendo o coração.

Cada enxada abre sulcos
Na esperança do plantar,
Mesmo vendo a terra seca
Nunca deixa de sonhar.
Quem cultiva com coragem
Sempre aprende a esperar.

A mulher do velho sertão
É exemplo de bravura,
Transformando pouca água
Em riqueza que perdura.
Com amor sustenta o lar
E enfrenta toda agrura.

O poeta faz do verso
Uma espada de valor,
Cantando a vida sofrida
Misturada com amor.
Cada rima é resistência,
Cada estrofe, um louvor.

O sanfoneiro anuncia
Que a tristeza vai passar;
Quando o fole solta o canto,
Faz o povo se alegrar.
Mesmo em tempos de peleja
Sempre existe um festejar.

Quem conhece o sertanejo
Sabe bem de sua fé;
Nunca baixa a sua fronte,
Nunca perde o rumo em pé.
Tem em Deus sua fortaleza,
Sua rocha, sua mercê.

A peleja do sertão
É batalha sem igual;
Mas quem luta com esperança
Nunca encontra o ponto final.
Pois o povo nordestino
Tem coragem ancestral.

Enquanto houver sol queimando,
E um vaqueiro a cavalgar,
Haverá no velho sertão
Uma história pra contar.
Da peleja nasce a glória,
Da coragem, o triunfar.

VERSOS, CONTOS, MÚSICAS E MODAS


No terreiro do sertão,
Nas veredas do luar,
Nasce o verso feito fonte,
Que não para de cantar.
É a cultura nordestina
Que ninguém pode apagar.


Tem poeta e cantador,
Violeiro de valor,
Que transforma a própria vida
Em semente de amor.
Cada rima é uma colheita,
Cada canto, uma flor.


Os contos passam de boca
Como o vento no roçado,
Misturando fantasia
Com um fato acontecido.
Quem escuta guarda a história
No coração enraizado.


As modas de viola ecoam
Pelos campos sem ter fim,
Falam da seca e da chuva,
Do mandacaru e do alecrim.
Cada nota leva a alma
A um jardim dentro de mim.


Tem aboio de vaqueiro
Rasgando a imensidão,
Chamando o gado disperso
Com coragem e precisão.
É a voz do homem do campo
Abraçando o coração.


A sanfona abre o fole,
A zabumba faz tremer,
O triângulo acompanha
Fazendo o povo viver.
Quando o forró principia,
Ninguém pensa em padecer.


Os mestres da poesia
São estrelas do sertão,
Deixam livros e folhetos
Como eterna inspiração.
Cada estrofe permanece
Feito raiz no chão.


O repente é desafio
De talento singular,
Onde dois grandes cantores
Fazem versos sem falhar.
Quem domina a inteligência
Faz a plateia admirar.


Luiz Gonzaga ensinou
Que o Nordeste tem valor;
Patativa fez do verso
Um jardim de esplendor.
Cada mestre deixou viva
Sua marca e seu louvor.


Dos folhetos de cordel
À viola dedilhada,
Dos romances às cantigas,
Da toada apaixonada,
Tudo forma um patrimônio
Da cultura abençoada.


Enquanto houver um poeta
E um cantor para cantar,
Haverá versos e contos
Para o povo recordar.
Pois o sertão nunca morre,
Só aprende a florescer
E em suas músicas e modas
Ensina o mundo a viver.

CANTOS DA CAATINGA

No sertão quando amanhece,
Tudo ganha novo ardor,
Cada ave faz um verso
Ao divino Criador.
Na caatinga a esperança,
Vence o tempo e o dissabor.
Seus cantos aliviam minha dor.

A Asa-Branca levanta
Num gracioso esplendor,
Levando paz em suas asas
Mesmo em tempo de calor.
Quando canta lá distante,
Renasce em mim o valor.
Seus cantos aliviam minha dor.

O Cancão, inteligente,
Defensor do seu redor,
Com coragem anuncia
Que a vida tem seu vigor.
Seu chamado desafia
Toda sombra e todo horror.
Seus cantos aliviam minha dor.

A Patativa, rainha,
Do mais puro cantador,
Transformando o chão rachado
Num jardim cheio de flor.
Sua voz parece prece,
Cheia de fé e de amor.
Seus cantos aliviam minha dor.

O Galo-de-Campina,
Vestido de muita cor,
Leva encanto ao sertanejo
Com seu belo esplendor.
Cada nota que derrama
É perfume em meu redor.
Seus cantos aliviam minha dor.

O Sofrê faz seu lamento,
Que parece um trovador,
Misturando a saudade
Com um gesto acolhedor.
Sua voz consola a alma
Com divino resplendor.
Seus cantos aliviam minha dor.

A Rolinha faz seu ninho
Com trabalho e com amor,
Ensinando à humanidade
O caminho do labor.
Sua paz anuncia sempre
Um futuro promissor.
Seus cantos aliviam minha dor.

Bem-te-vi anuncia cedo
Mais um dia promissor,
Despertando o sertanejo
Para o campo e seu labor.
Seu aviso traz esperança
Ao pequeno agricultor.
Seus cantos aliviam minha dor.

O Sabiá da Caatinga
É poeta e trovador,
Faz do galho seu palco,
Da manhã seu esplendor.
Quem escuta sua cantiga
Sente Deus por onde for.
Seus cantos aliviam minha dor.

Cada ave é um tesouro
Que nos deu o Criador,
Guardião da natureza,
Do sertão encantador.
Preservemos essa vida
Com respeito e muito amor.
Seus cantos aliviam minha dor.