Sentimento Saudade
A saudade é companheira determinada a reencontrar o teu olhar, A poesia é alimento para que eu viva a sonhar, E jamais desista de te amar...
A dor da saudade
não rima com nada
além do absurdo
que tem crescido,
E anda golpeando
em absoluto
os corações dos filhos
dos presos políticos,
É desse jeito que para
todos assim tem sido,
É da minha janela
que tenho sempre visto:
A consciência não
permite fingir
que não é comigo,
Em pleno Natal
nada se sabe o quê
vem acontecendo com
os presos de consciência,
Não me permito viver
do mal da indiferença,
nada mais se sabe do General.
Galvão
Galvão, amada da minha vida,
a Campina da Saudade
o teu surgimento explica
da fazenda que se ergueu cidade.
Galvão, adorada da minha vida,
estância querida do Grande Oeste
da nossa Santa e Bela Catarina,
um belo presente que Deus me deu.
Galvão, querida da minha vida,
teus caboclos, italianos e alemães
da História ergueram terra brasileira
onde a paisagem campeira cativa.
Galvão, preciosa da minha vida,
à partir de você dá para querer
ir ao redor nas cascatas, corredeiras, cânyons e conhecer a região,
para depois voltar querendo mais
é ficar na tua proteção e plena paz.
Voa, voa, Saíra-lagarta,
leva o meu recado
para a saudade que me mata,
e diga que continuo apaixonada.
Saudade dele, daquele que me dava tudo, meu anjo, o meu deus, é dele que sinto a maior falta nesse momento.
Que saudade enorme eu to sentindo por ele, por que ter virado o jogo, por eu ter empurrado a mesa.
Nossa, o que eu fiz?
Saudade da Oníra que passou em minha vida e simplesmente foi.... e nunca mais voltou...
Mais se todos voltam, um dia ela volta também.
Não sinta saudade de ninguém, cada alma tem sua caminhada, e a saudade só serve como atraso de vida.
Saudade mesmo da minha Yeponda, da minha Oníra... eles sim faziam a maior festa dentro de casa, enchia o salão, e com a casa cheia me fazia feliz.
Quero que você
escute a gente
batendo palmas
neste Bambá,
Não quero ficar com
a saudade que aqui está
A Burrinha da Saudade
sobrevive,
Que bom que em Acupe
ela resiste,
Vesti-me de poesia
só para mostrar
que nosso Folclore insiste,
Não te demore
para mostrar que
a brincadeira que em ti existe.
Um dia, lá no futuro, você vá dizer que saudade de fulano, das coisas que não fizemos!
Por isso é melhor agradecer e compartilhar o presente,
Estou cá, a caminhar e a sentir o vento da saudade.
É por ventura o mesmo vento, da minha tenra infancia.
Assemelha-se aos que precediam as chuvas escassas do meu cariri.
Lembro-me claramente!
É o vento da anunciação!
Sinto-lhe fresco, frio e ora por vezes morno.
Lembra-me muito do meu rincão, o solo sagrado da mãe terra em que nasci.
...e me vem a saudade do tempo remoto dos meus ancestrais.
Velejando entre a saudade do que foi e a dor do que não poderá mais ser, cá está, partido, o meu coração.
Saudade dos bons e velhos tempos em que quase todos queriam — e se atreviam — a ser diferentes uns dos outros.
Havia uma coragem deveras silenciosa em não caber nos moldes.
As pessoas ousavam ter opiniões impopulares, gostos estranhos, sonhos improváveis.
Erravam com a própria assinatura.
Discordavam sem medo e sem culpa — olhando nos olhos.
Não precisavam de plateia para existir, nem de aplausos para sustentar suas convicções.
E muito menos subir o tom para tentar sustentar uma ideia.
Hoje, a pressa por pertencimento parece ter substituído o desejo de identidade.
A originalidade virou risco; a repetição, estratégia.
Ser diferente, que antes era um ato quase instintivo de afirmação, passou a ser cuidadosamente calculado para não desagradar o rebanho — ainda que cada um jure ser pastor de si mesmo.
Talvez o medo de ficar só tenha nos ensinado a falar em coro.
Talvez a avalanche de vitrines e vozes tenha nos convencido de que é mais seguro ecoar do que criar.
Mas há um preço muito alto nessa homogeneização voluntária: quando todos repetem, ninguém realmente diz; quando todos performam, poucos vivem.
Sentir saudade daquele tempo é, no fundo, sentir saudade de uma liberdade mais bruta, menos polida e menos aprovada.
Uma liberdade que permitia ser estranho sem ter que pedir desculpas.
Que entendia que a verdadeira diversidade não nasce de discursos ensaiados, mas da coragem nua e crua de sustentar a própria diferença.
Porque, no fim, não há nada mais semelhante do que pessoas tentando, desesperadamente, parecer iguais.
Sempre que a Saudade desiste de fingir costume e me abraça um pouquinho mais apertado, o que me consola é a gratidão pelo Azar de ter tido tanta Sorte.
Porque existe uma espécie de ironia muito bonita em ter vivido coisas tão boas a ponto de sentir falta delas.
É como se a vida, depois de nos presentear com pessoas, lugares, abraços e instantes que pareciam pequenos demais para merecer tanta importância, nos cobrasse, em parcelas de saudade, o privilégio de ter estado ali.
E talvez seja esse o preço mais delicado de ser feliz: descobrir, mais tarde, que alguns dos nossos momentos preferidos estavam acontecendo sem que soubéssemos que um dia seriam só lembranças.
A gente não percebe o último abraço enquanto abraça, não floreia a última conversa enquanto conversa, não se despede de certos dias porque acredita, ingenuamente, que haverá outros iguais.
E ainda bem que é assim.
Seria triste demais viver cada instante com medo de perdê-lo.
O tempo tem essa estranha mania de transformar o cotidiano em relíquia.
Aquela mesa cheia de gente, a risada que interrompia qualquer assunto sério, a voz familiar chamando nosso nome, o caminho de sempre, a presença que dispensava explicações…
Tudo isso, um dia, pode virar um lugar dentro da gente onde só a memória consegue entrar.
É aí que a saudade aperta.
Não necessariamente porque a vida deixou de ser bonita, mas porque algumas belezas não se repetem da mesma maneira.
Há pessoas que continuam existindo em nós, mesmo quando já não caminham ao nosso lado.
Há versões nossas que ficaram guardadas em épocas que não voltam.
Há felicidades que não podem ser revividas, apenas reconhecidas, com um sorriso tímido e os olhos ligeiramente marejados, quando alguma lembrança resolve meter o pé na porta.
E, nessas horas, tento não tratar a saudade como uma inimiga.
Afinal, ela não chega de mãos vazias: traz consigo as provas de que alguma coisa valeu a pena.
Se dói, é porque tocou fundo.
Se faz falta, é porque fez morada.
Se ainda emociona, é porque o tempo, apesar de tudo o que leva, não conseguiu apagar a importância do que ficou.
Por isso, quando a Saudade me abraça mais forte, eu agradeço.
Agradeço até pelo desconforto de sentir falta, porque ele me lembra que nem tudo foi passageiro no sentido de ser insignificante.
Algumas coisas passaram pela minha vida e permaneceram em mim.
E talvez permanecer seja uma forma silenciosa de eternidade.
No fim das contas, tive o azar de conhecer a ausência, de experimentar despedidas, de entender que nem tudo o que amo poderei conservar por perto.
Mas tive a sorte imensa de encontrar motivos para sentir tudo isso.
Tive gente que fez a vida valer a pena, momentos que me ensinaram o significado de estar vivo e histórias que, mesmo encerradas, continuam iluminando partes de mim.
E, se pudesse escolher, talvez não pedisse uma vida sem Saudade.
Pediria apenas sabedoria para acolhê-la sem deixar que ela me roube o presente.
Porque honrar o que passou não significa morar no passado; significa levar adiante, com carinho, aquilo que o passado deixou de melhor em nós.
Que eu nunca me torne tão acostumado às ausências a ponto de esquecer a beleza das presenças.
Que eu nunca deixe de agradecer pelo que vivi só porque já não posso viver da mesma forma.
E que, mesmo nos dias em que a memória pesar mais do que o coração consegue suportar, eu me lembre de que há tristezas que são, também, uma espécie de privilégio.
Afinal, entre nunca ter vivido algo extraordinário e sentir saudade de algo que foi extraordinário, eu ainda escolheria a sorte de ter vivido.
Porque algumas perdas são o avesso de grandes encontros.
Algumas lágrimas são a continuação de antigas alegrias.
E algumas Saudades, por mais que apertem, são apenas o coração dizendo, à sua maneira imperfeita e sincera:
“Olha só o quanto a vida foi generosa comigo, mesmo que agora eu precise aprender a viver sem algumas das coisas que me fizeram tão feliz.”
Ela me deixou, me deixou sozinho, mas uma vez eu tive esperanças no lugar da dor da saudade.
- VitorMainarte
