Frases de esforço e recompensa que falam do valor do sacrifício
É parte da cura
o firme desejo de ser curado,
diz o honrado Sêneca!
Logo, não há porque nos
afeiçoarmos a certos hábitos
e deformidades
que apartados de mínima
sensatez, tão só nos
adoecem!
... em questões
análogas a cada espírito,
não há como terceirizar soluções - elas,
na verdade, permanecerão à espera de nós,
seus legítimosdonos - sejano intuito de corrigi-las ou mesmosubstanciá-las
com novos haveres e
competências!
... um
paradoxo assaz curioso:
não há como mudar o que somos
sem que primeiro, honestamente,
aceitemos quem na verdade
somos!
Não há prisão mais cruel do que aquela em que o carcereiro é alguém que te chamava de amor, de mãe, de pai ou de amigo.
Há algo doloroso em crescer enquanto, diante do espelho, ainda enxergo a criança que o tempo não conseguiu levar de mim. O mundo me chama de adulta, coloca responsabilidades sobre meus ombros e espera que eu saiba caminhar sozinha, mas, por dentro, ainda procuro a mão que um dia segurava a minha. Talvez crescer seja essa contradição silenciosa: o corpo aprende a envelhecer enquanto a alma permanece sentada em algum lugar do passado, tentando entender em que momento os dias correram tão depressa e por que ninguém avisou que, um dia, eu teria que dizer adeus à infância sem jamais estar pronta para deixá-la partir.
nossa liturgia.
Entre nós há uma distância
que nenhum mapa saberia medir,
porque não se mede em léguas
o que duas almas precisam conter
quando nasceram querendo se encontrar.
Há cidades entre nossos passos,
noites inteiras entre nossas mãos,
e uma espécie de silêncio
que aprendemos a chamar de prudência
para não chamar de paixão.
Tu sabe.
Eu sei.
E talvez seja justamente isso
o que torna tudo tão difícil
não há dúvida que nos salve,
nem inocência que nos proteja.
Há apenas essa certeza mútua,
quieta e quase cruel,
de que se fosse fácil,
nós já teríamos vivido tudo.
Porque há um amor reprimido
morando no intervalo das palavras,
um incêndio educado pela distância,
uma vontade que baixa os olhos
toda vez que o desejo ameaça dizer seu nome.
E quando penso em ti,
não penso somente no encontro.
Penso naquilo que viria depois dele
a demora dos dedos,
o repouso da cabeça junto ao peito,
o abraço que não teria pressa de acabar,
como se nossos corpos finalmente descobrissem
uma língua que a boca jamais aprendeu.
Talvez nossas mãos já se procurem
sem que saibam.
Talvez, em alguma noite distante,
quando o sono demora e o quarto se cala,
tu também imagine minha presença
chegando devagar,
como quem atravessa a escuridão
sem querer acordar a saudade.
E eu te imagino fazendo o mesmo.
Dois desejos separados por quilômetros,
dois corações fingindo serenidade,
duas vontades absurdamente próximas
vivendo em geografias diferentes.
É estranho amar assim.
Ter alguém tão perto do pensamento
e tão longe da pele.
Saber o caminho até os olhos,
mas não poder percorrê-lo.
Conhecer a curva do sorriso,
mas não poder guardar o rosto entre as mãos.
Querer dizer fica
quando tudo ao redor insiste em dizer longe.
E talvez seja por isso
que nosso amor pareça tão pequeno por fora
e tão imenso por dentro.
Porque aquilo que poderia ser vivido
precisa ser imaginado.
O beijo se torna hipótese.
O abraço, memória de um futuro.
O toque, uma espécie de oração
que ambos fazemos em silêncio.
Mas há uma coisa que a distância não conseguiu levar
a vontade.
Ela permanece.
Permanece quando conversamos,
quando nos despedimos,
quando fingimos que certas palavras
não carregam segundas intenções.
Permanece naquela fração de segundo
em que nossos olhos se encontram
e ninguém sabe muito bem
quem desviou primeiro.
E se um dia a distância ceder,
se o acaso for gentil conosco,
se as estradas finalmente resolverem
terminar no mesmo lugar,
não haverá muito o que explicar.
Talvez apenas silêncio.
Porque depois de tanto tempo
reprimindo o que sentimos,
o primeiro toque dirá tudo.
E haverá nos nossos corpos
a estranha familiaridade
de quem esperou demais
por algo que sempre soube reconhecer.
Então talvez descubriremos
que não era exagero,
nem carência,
nem fantasia.
Era somente amor
sem espaço suficiente para acontecer.
E quando houver espaço,
quando não houver mais quilômetros
entre a tua mão e a minha,
não haverá pressa.
Haverá fome de presença.
Haverá o abraço demorado
de quem finalmente pode tocar
aquilo que passou tanto tempo
amando de longe.
E talvez seja essa a nossa tragédia
não nos falta amor.
Há caminhos que não escolhemos conscientemente.
Acreditamos estar seguindo uma direção porque decidimos, porque planejamos, porque desejamos chegar a algum lugar. Mas, em silêncio, existem passos sendo dados muito antes de compreendermos para onde estamos indo.
Talvez o destino não esteja à frente.
Talvez ele esteja escondido naquilo que repetimos sem perceber.
Nos encontros que evitamos. Nas pessoas que nos despertam. Nas portas que se fecham. Nas perdas que nos obrigam a abandonar versões antigas de nós mesmos.
O buscador aprende, depois de muito caminhar, que nem tudo o que parece desvio é afastamento.
Às vezes, perder o caminho conhecido é a única maneira de encontrar aquilo que sempre nos encontrou em silêncio.
Existe uma inteligência misteriosa nos ciclos que insistem em retornar.
A vida repete a lição até que a consciência pare de chamar destino aquilo que ainda é escolha inconsciente.
E talvez seja exatamente nesse ponto que algo desperta.
Quando percebemos que não estamos apenas caminhando por uma estrada.
A estrada também está caminhando através de nós.
Há decisões que tomamos com a mente, mas existem outras que parecem nascer de um lugar mais profundo um lugar sem nome, anterior às palavras, onde a alma talvez reconheça aquilo que o pensamento ainda não consegue compreender.
Por isso, nem sempre saber para onde ir é sabedoria.
Às vezes, sabedoria é perceber o que dentro de você está conduzindo seus passos.
Porque aquele que busca apenas chegar pode atravessar a vida inteira sem perceber quem está caminhando.
Mas aquele que silencia e observa começa a enxergar os sinais.
E então entende:
Talvez eu não esteja perdido.
Talvez eu esteja sendo desconstruído da pessoa que precisava acreditar que sabia o caminho.
E, no momento em que deixamos de exigir respostas para todas as perguntas, algo invisível começa a se revelar.
Não como certeza.
Mas como presença.
E somente quem já se perdeu dentro de si compreenderá que existem caminhos que não levam a lugares.
Levam a despertares.
E talvez você já esteja exatamente onde precisava estar...
Mesmo sem saber.
AMIZADE, O VERDADEIRO AMOR.
Não há outra forma de relação capaz de ser eterna, de perdurar por toda uma vida. Poucos amores conseguiram isso. Nas relação humanas, só a amizade tem provado que é forte o suficiente para suportar as adversidades que são comuns entre pessoas de diferente classes sociais e origem étnica.
Até na literatura, é a amizade que supera os romances, geralmente os romances mais famosos são trágicos ou tratam de um amor impossível.
Mas veja o caso de amizade mais grandioso da literatura universal, e sem dúvida concordará comigo.
Se ainda não leu, com cuidado merecido que devemos ao esta obra, faça-o agora e constate o que digo.
Dom Quixote, a relação de amizade que se eterniza ali tem ressonâncias inimagináveis, quem não deseja um amigo como Sancho Pança?
Quero voltar para a aldeia dos artistas,
em outra dimensão,
onde não há dor
nem compromissos parentais,
pois lá todos são apenas irmãos;
não irmãos de sangue,
são irmãos por condição.
São todos artistas,
criadores de beleza.
Lá não há religião,
nem nenhuma forma de paixão reprimida,
como há na carne decadente,
onde as almas se contratam
para viver na prisão eternamente.
A lei que rege é a paz,
nem há forma de agressão.
Todos se respeitam,
todos se amam,
pois, na verdade, são íntegros,
perfeitos para adoecer
de qualquer forma de paixão.
Quero voltar para a aldeia dos poetas;
lá eu vivo em segurança.
Não há necessidade de dinheiro,
porque todos têm grande porção.
Respiramos ar puro
e não há falta de vinho
ou de pão.
Quero voltar para a aldeia dos libertos,
que não precisam se apossar
de nada físico
para a vida organizar,
ou usufruir direitos
que outros não podem comprar.
Tudo é livre,
tudo para todos.
Há abundância
de gentileza e gratidão,
por isso não falta amor,
nem tampouco união.
Quero voltar para a aldeia dos justos,
que não precisam julgar,
nem corrigir o outro
para existir.
O que há de me esperar?
Nada? Nem o luar?
Não há brilho da lua na noite fria e crua.
Cadê minha amiga?
Tão distante... Será inimiga?
Cadê a socialização?
Sempre fico nesta solidão.
Por que ainda penso em melhoria da vida, ainda que ela já está partida?
Como posso ter a brandura se minha mente surra a amargura?
Por que sofrer se com um gatilho posso dar um epílogo nesse meu viver?
Há quem se encante tanto pelo personagem que escolheu defender que já não consegue enxergar a verdade por trás da história. Mas a verdade não muda conforme a nossa preferência: ela continua sendo verdade, mesmo quando dói, mesmo quando contraria aquilo em que decidimos acreditar.
A SABEDORIA DE NÃO DISCUTIR COM O PASSADO
Há batalhas que só terminam quando decidimos não comparecer mais a elas. Talvez uma das mais difíceis seja aquela que travamos contra o passado, esse território imóvel onde nada pode ser acrescentado, retirado ou corrigido. Passamos anos perguntando por que não aconteceu como desejávamos, por que alguém partiu, por que um amor não permaneceu, por que determinada escolha nos levou justamente ao caminho que queríamos evitar. E, enquanto interrogamos aquilo que já não pode responder, esquecemos que a vida continua nos fazendo perguntas sobre o amanhã.
O tempo, porém, possui uma sabedoria silenciosa: ele não apaga necessariamente as dores, mas muda o lugar onde elas habitam dentro de nós. Aquilo que ontem era ferida pode tornar-se memória; aquilo que parecia fracasso pode revelar-se aprendizado; aquilo que julgávamos ser o fim pode ter sido apenas uma curva que ainda não conseguíamos compreender. Por isso, gratidão não significa agradecer por tudo o que nos feriu. Significa reconhecer que, apesar de tudo, atravessamos. Continuamos aqui. E há uma dignidade imensa em continuar. Chega um momento em que precisamos devolver ao passado aquilo que pertence ao passado. Não porque esquecemos, mas porque aprendemos. Não porque deixou de importar, mas porque já cumpriu sua parte em nossa história. Então alguma coisa dentro de nós se torna mais leve. Descobrimos que não precisamos compreender todos os mistérios para continuar caminhando. Algumas respostas talvez nunca cheguem, e ainda assim o sol continuará entrando pela janela, haverá uma manhã esperando por nós e algum sonho ainda desconhecido poderá nascer onde pensávamos que nada mais floresceria. Talvez esperança seja exatamente isso: olhar para tudo aquilo que não aconteceu como queríamos e, mesmo assim, não perder a curiosidade pelo que ainda pode acontecer. Porque o passado escreveu algumas páginas de nossa existência, mas jamais recebeu o direito de escrever sozinho o último capítulo. Enquanto houver amanhã, a vida ainda terá uma palavra a dizer.
Somos protagonistas do que a vida nos impõe, mas não autores daquilo que sentimos. Há em nós vontades e emoções que florescem sem nos avisar; portanto, somos nós que decidimos o que fazer – ou não – diante desses acontecimentos.
Não há maturidade. Em vez disso, há um processo de maturação em constante evolução. Pois, quando há uma maturidade, há uma conclusão e um final. Este é o fim. É quando o caixão está fechado. Você pode estar se deteriorando fisicamente no longo processo do envelhecimento, mas o seu processo pessoal de descoberta diária continua em andamento. Você continua a aprender mais e mais sobre si mesmo todos os dias. Você é o resultado das suas maturações: suas vivências, experiências, decisões e conclusões tomadas.
Amor não é fácil. Acho, aliás, que não há nada mais antiamor do que, por exemplo, viver de conveniências.
É essa inquietação que nos faz sentir que ainda há muito para descobrir.
Talvez envelhecer não seja apenas contar os anos que passaram, mas encontrar novas razões para que os anos que ainda virão continuem fazendo sentido.
