Se Nao for para Voar Nao Tire meus Pes do Chao
A Dádiva
Numa casa pobre,
onde o chão é frio
e a mesa tem mais remendos que pão,
uma mulher cozinha.
Não tem quase nada —
só dois filhos de olhos grandes
e um coração que lhe sobra no peito.
Então frita esse coração
como se fosse alimento.
Fá-lo sem pensar em sacrifício,
sem esperar glória,
sem procurar virtude.
Fá-lo porque é o que há a fazer.
E ao dar-se assim,
inteira,
sem palavras grandes
nem promessas de eternidade,
torna-se mais livre
do que todos os senhores do mundo.
Os filhos olham
e não sabem ainda
que assistem a um milagre:
não o da multiplicação dos pães,
mas o da multiplicação do amor.
Ela,
sem o saber,
ensinou-lhes tudo.
"Queda que dói, mas que te ergue do chão, colocando-te de pé e curando feridas com a dor de cair na real."
“Amar sem confiar”
É amar com o pé no freio,
É querer se jogar, mas ter medo do chão.
É sorrir com o rosto e chorar por dentro,
É abraçar e sentir a alma em tensão.
É dormir pensando no beijo,
E acordar lembrando da decepção.
É esperar uma mensagem com saudade,
Mas tremer de medo da intenção.
É ver beleza até no erro,
E, mesmo assim, saber que não dá.
Porque confiar…
É a raiz de tudo que faz o amor durar.
E quando o amor cresce num terreno rachado,
Onde a mentira cavou seus vales,
A flor que nasce é linda…
Mas vive cercada de espinhos letais.
"Meio de Caminho"
Um calça o saber,
o outro, o pão.
Um pisa o chão frio da ciência,
o outro, o chão duro da vida.
Branco de esperança,
preto de persistência.
Ambos não brilham por si,
mas pelo fim que sustentam.
Dois sapatos, um destino:
ser ponte onde não havia caminho.
Acordei colocando direto o meu pé direito no chão primeiro.
Com fé no coração
Já profetizei que em nome de Jesus meu dia vai ser muito abençoado
Vou receber muitas vitórias nesse dia.
Obrigada Deus por tudo...
Dias Fátima
Outono
Vento fresco embala folhas
que adormecem ao chão
fortalecem a terra mãe
enraízam essências
para germinar amor
E neste frescor da manhã
minha alma sente o aroma
vindo da terra
respira ternura
agraciada de carisma
num existir de cumplicidade.
@zeni.poeta
"Semente de Pinheiro"
Joguei pinhões no bosque,
rimas no vento, saudades no chão.
O que crescer será verso,
o que secar... lição.
Ilusão? Talvez adubo
para o solo do meu ego.
Até a solidão agora
é conselheira do meu reflexo.
As lembranças são lições,
Episteme desse universo.
O abismo da esperança,
Que liberta meus grilhões!
Deixei a luz atravessar meu coração.
Como se lança a semente do pinheiro,
Desafia a bravura naquele chão.
O caminho que desvia minha razão".
No chão da desventura, caiu sem querer,
Herança de um rei, mas sem trono a deter.
Ferido na carne, porém forte em espírito,
Resiliente na dor, um exemplo infinito.
Na humildade achou sua grandeza,
Na fraqueza, Deus mostrou destreza.
Não era o poder que fazia seu ser,
Mas sim a nobreza em seu proceder.
O favor o alcançou sem esperar,
Graça imerecida o fez levantar.
À mesa do rei, um lugar garantido,
Pois até o pequeno é reconhecido.
E assim se prova, sem hesitar:
Até o menor tem seu lugar.
A vida sulca nossas almas
Fica igual a um chão arado
Para uns apenas buracos espalhados
Para outros a possibilidade de plantar novas sementes.
E se o céu se faz chão
Se o chão se faz giz
E se o giz dita a cor
Se a cor diz quem sou
Se sou o que emana
Se emano o que sinto
Se sinto o que flui
Se flui o que armo
Se armo o que planto
Se planto o que nasce
Se nasce o que morre
Se morre o que vive
Se vive o que alma
Se almar o que se completa
Se completa o que é
Se é o que sou
Se você é ele
Se ele é dela
Se dela é minha
Se minha é dele
Se dele é muito
Se muito é nada
Se nada é tudo
E tudo é pouco
Pouco se faz poeira
E poeira se dissipa
Dissipando paira
Pairando se espalha
Espalhando se desembola
Desembolando se desconstitui
Não há senhor que dita o que se dita
Não há quem dita o que se senta
Se senta a vara na mão de midas
E midas beija a cara que te escarra
A água flui e de baixa rema acima aos céus
Estrada de Chão
Quanto tempo eu andei tão só.
Garganta seca deixada pelo pó
De uma estrada toda esburacada.
Caminho que não me levava a nada,
Somente conflitos internos que espalhei
Junto das lágrimas que solitário chorei.
Contudo fizeram por fim nesta poeira,
E ver por momentos uma nova clareira
E o olhar conseguir assim se firmar
Na vida como percurso de leve caminhar.
Jorge Jacinto da Silva Junior
Ela se foi,
Deixou marcas no chão, um buraco que inunda a cada Chuva.
As músicas alegre viraram trilha sonora de funeral.
E as tristes, trilha sonora do meu coração.
O som dos tambores combinam com o pulsar das minhas veias.
Ela partiu, levou o vento, roubou o sol, mandou embora a lua.
Nesse mundo sem cor, as árvores secaram, as frutas apodreceram.
Despertou o silencio,
Desnuda ficou minha alma.
Ela se foi,
Levou com ela meu coração,
Sem amor, todo sangue secou,
Ressecou.
O correr das lágrimas , desidratou.
Morri...
Uma gota caiu na terra seca, silenciosa.
Nasceu um brotinho;
Cresceu uma folha,
Cresceu, cresceu, cresceu.
Deu flores, linda, cor de rosa.
Posou uma borboleta,
Ela voou, e veio um beija-flor.
Despertou,
O amor voltou,
Renasceu,
Reviveu,
Viveu.
