Se Nao for para Voar Nao Tire meus Pes do Chao
Metamorfose da Solidão
Ele havia morrido.
Rosa Augusta deitou-se silenciosamente aos pés da cama.
Emudecida, anestesiada pelo sofrimento. Não havia soluços, desespero, nem pranto incontrolável.
Somente seus pensamentos voavam e cerravam todas as portas do casarão, avisando a todos, que, naquele instante se encerrava uma história, uma vida. Dali em diante, somente abrindo as alas da morte para conhecer o outro lado.
Não era feriado, dia santo e o comércio não parou. Somente ela vestiu-se de negro. Aprumou seu coque, dobrou o lenço de linho miúdo e colocou-o no punho da manga e recebeu os... “sentimentos”...
Numa noite clara de luar, pessoas iam e vinham, aconchegadas, quentes, acalentando Rosa Augusta que escondia os pés doídos de frio e solidão, debaixo das barbatanas e anáguas.
Seus pés gelados trincaram e se despedaçaram pela sala como pedras soltas...
Ela ficou inerte, sobre os cotos, sem dor, esperando que a alma dele lhe desse asas para voar.
As pedras despedaçaram, derreteram e escorreram pela sala. Ninguém entendia o porque de tantas poças d'água já que a casa era toda forrada e de Rosa Augusta não desprendia uma lágrima sequer.
Ela, num gesto de consolo a si própria, descobriu a face do amado, emoldurado pelo fino filó, passou o lenço pela sua testa como se ele vivesse e transpirasse sua existência ali inerte.
Neste instante, ao recolher o lenço, este caiu sobre as poças do chão-molhado, encharcou-se de emoção nas águas caídas, aumentou de tamanho, desdobrou suas formas e transformou-se em asas que Rosa Augusta vestiu e voou... acreditando que a vida é uma grande “METAMORMOSE!
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury
Quando te olhei a primeira vez te devorei da cabeça aos pés
Quando vou ao teu encontro sinto a melhor sensação arrepios ou seja algo parecido
Quando estou com você é diferente é
mágico
Quando minha boca toca sua pele ela fala com minh'alma
Quando toquei em teus cabelos negros foi a melhor sensação, foi como tocar a minha canção preferida
Quando você se vai, prevejo o reinicio de um novo ciclo
Desejo a você a prática dos seus direitos fundamentais - mais que de pessoa cidadã, direitos de pessoa humana...
Direito de escolher para onde ir, com quem ir, como ir.
Direito de ser quem você é, e não ter qualquer medo disso.
Direito de vestir azul, rosa, roxo, cinza ou lilás.
Direito de errar e tentar de novo.
Direito de não se julgar em razão do ferrenho julgamento alheio.
Direito de sentir dor e arrependimento; e de oportunizar-se ao refazimento.
Direito que é meu. Que é seu.
Direito que é nosso!
A Palavra de Deus é luz para todos aqueles que a busca e os seus pés sempre serão conduzidos por caminho de vida, afinal, essa lâmpada nunca se apaga e a Luz que emana dela tem o poder de mudar o coração de todo aquele que crer. Essa Luz transforma e aquece a alma! Na caminhada haverá noite, mas a Luz de Cristo não permite que os seus se percam ou entrem por atalhos de morte. Andar na Luz é uma escolha maravilhosa! Que o Senhor brilhe por meio de nós!
Girafa e Centopeia
Os caminhos são tantos e a gente com dois pés apenas
Para tanta caminhada, tanta empreitada
Melhor seria centopeia ser, quem sabe uma girafa distraída, leve e lenta.
Uma carona ao acaso, coisa do Aleatório de Almeida.
Bifurcações são nosso arroz-feijão.
Ônibus lotado, cheio de almas pensando na ida, estando na volta e vice-versa, o tempo todo levados a esmo e descendo no ponto, sem dó nem riso, ainda brincam, falando que correm buscando uma, hoje, quimera.
Troca o band-aid do salto alto, vai de novo, vai fazendo conta, vai.
Que a vida não espera, faz rastro, faz destino, vai!
Um dos maiores erros do ser humano, é achar que é melhor e por isso tem o direito de fazer outra pessoa sofrer.
Se achar superior ao outro é feio,
mostra um ser arrogante.
“Soberba” é o nome do meio,
das pessoas mais ignorantes.
Respeitar a opinião do outro não é feio,
mostra um ser tolerante.
“Humilde” é o nome do meio,
das pessoas mais interessantes.
Tens olhos, enxergues tua direção,
Tens mente, penses teu caminho,
Tens pés, caminhes em teu rumo,
Está difícil? Continue,
Está fácil? Desvie,
pois a busca pela auto construção é penosa mas, valiosa.
Extraia você de você mesmo e surpreenda-se...deslumbre-se...
Marta é a servidora incansável que trabalha sem cessar, já Maria sua irmã está aos pés do Mestre Jesus lhe servindo com a escuta. A primeira é o modelo da vida ativa, preocupação, trabalho e suor. Já a segunda é o modelo de contemplação, oração e adoração.
Sua mente ainda funcionava, seus pés ainda se moviam, ela podia andar, embora apenas com a ajuda de um andador, mas ela o fazia, e ela era um ser humano que sabia com certeza que o feijão fica melhor melhor na salada e que a velhice é uma terrível calamidade.
Tenha foco, perseverança e fé, pois o Mar Vermelho se abrirá no momento certo e passarás de pés secos pelos teus problemas.
Andanças
Pelo caminho a vida vai traçando passos. Os pés vão aprendendo a dançar na poeira do tempo. Tempo de sóis e ventania.
Mudanças nas andanças são rotineiras, certeiras e ferozes. Guarda teus pés da lama e procura os lírios que nela nascem. Vivencia as pegadas que estão à frente, mas finca teus pés no teu próprio traçado. Vale a pena, pequena, cuidar de ti. Lavar os pés em água de chuva, às vezes é necessário, muitas vezes imprescindível. Reconhece tua dança, teu canto, tua morada. Redescobre o caminho quando se perder. São eles, os teus pés, que lhe trarão de volta, e, também, a farão prosseguir. Lava tua alma na canção do rio. O rio que corta a tua estrada vai dar no mar do coração. E aí, escuta, criança, no barulho dos teus passos, os segredos da viagem, e transforma em laços todos os nós do caminho. E que teus pés te levem, te tragam, te conduzam, desenhem e contem sua história: história de mulher com detalhes de menina.
Desce a noite, fecham-se as cortinas do dia. Diante da noite, o dia desaparece. Essa noite caiu pesada sobre a incerteza que me acompanha, de repente, uma luz no meio da noite, uma estrela solitária que precipitou-se atrás das montanhas, palavras sozinhas não fazem provérbio. Ouço gotas de chuva intensa cair lá fora, como notas poéticas, tocadas unicamente, para um coração solitário, vazio. Sem a Lua no céu para iluminar minha noite, a solidão aumenta meu coração pulsa como vida triste. Boa noite.
